A Cavaleira de Preto — Capítulo 5: CAPÍTULO 5 - 04 — 1 Pescaria (23)

A Cavaleira de Preto
Cap. 5
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A Cavaleira de Preto

CAPÍTULO 5 - 04 — 1 Pescaria (23)

Capítulo 5

957 palavras~4 min de leitura

Capítulo 04 — 1 Pescaria (2/3)

A Cavaleira de Preto

— “Ó retrato”? Uauu… o que é isso?

— “Ó retrato”, nanica, é algo como um retrato normal, mas o diferencial de “Ó retrato” é que ele era o retrato daquela mulher cujos olhos pareciam o deserto sem fim, assim como a sua pele. Daquela mulher cujos cabelos ardiam como as chamas mais sagradas. Daquela mulher cuja b…

— A gente já entendeu. — Glamich o interrompeu, seus olhos girando pelas órbitas.

— Eu ía dizer boca… mas, bem, sim… o que fazia aquele retrato deixar de ser simples e ser “Ó retrato”, era porque era o retrato da minha senhora. — esclareceu.

— O que aconteceu depois?

— Ela nem me deu tempo de dar a minha opinião, quando dei por mim, ela já tinha saído outra vez. Contudo, eu sabia que a minha opinião não mudaria a ideia fixa na mente dela, não importasse o quanto eu tentasse…

— Até porque você concordaria em tudo com ela, não é mesmo? — Glamich riu. Ele conhecia o amigo e sabia que ele nunca discordava da esposa.

— Isso não está em discussão no momento. Continuando… já que eu sabia que não tinha mais nada o que se fazer, decidi fazer apenas o que ela pediu…

— O que ela “mandou”, você quis dizer, né, Dokin!?

— Você se acha engraçadinho, não é mesmo? — Dokin afiou os olhos, uma explícita ameaça emanando deles: “Eu te pego na próxima”. — Será que você pode me deixar terminar de narrar a história? — Glamich respondeu com um sorriso contido e levantou as mãos em rendição. — Esquerda, direita, cima, baixo… eu olhei para todas as direções e procurei em tudo o que era canto naquela pequena casa, mas não tinha nenhum prego.

— Nenhum?

— Pois é, pois é… mas foi aí que eu fiz uma descoberta… eu nunca comprei um prego na vida. — Vaiola logo levou a mão para o rosto e chacoalhou a cabeça, seu pai fez o mesmo. Em sua mente um pensamento reverberava: “Eu tenho um tio burro”. — Foi aí que eu decide parar de procurar o prego e usar algum meio alternativo, só precisava descobrir qual. Entretanto… outro problema tinha surgido?

— Outro?

— É isso aí. Eu fechei os olhos várias vezes e os abri novamente, parecia ser uma ilusão, mas era verdade… “Ó retrato” não estava mais na minha mão.

— Quê? Mas para onde ele foi?

— É o que eu também queria saber, nanica. Eu refiz o meu caminho todo em toda a casa e foi aí que eu descobri que tinha feito uma bagunça completa enquanto procurava os pregos que nem tinha. Eu andei para lá e para cá e arrumava tudo pelo caminho, só para não dar a Kihame dois motivos para me matar.

— Eu passei algumas horas naquilo, mas, finalmente, só faltava a sala e provavelmente o retrato estaria lá, né?

— Sim, sim!

— Bem, foi o que eu também pensei, mas o pior tinha acontecido.

— O quê? O quê?

— A minha senhora chegou. Eu não tinha pendurado o retrato e a sala estava toda desarrumada.

— Xiiihh… a titia não gosta de casa bagunçada.

— Pois é, nanica. Mas isso nem era o pior… — suspirou com algum desânimo e chacoalhou a cabeça vagarosamente. — O retrato estava nas mãos dela.

— Quê? A titia encontrou? Isso é bom, né?

— Seria sim, nanica, se o retrato não tivesse virado dois.

— Quê? — soltou Glamich com espanto. — Hahahaha! Não me diga que ele estava…

— Quebrado, pois é. — Dokin concluiu.

— Hmm…? — Vaiola pareceu mergulhar em pensamentos profundos repentinamente, seu indicador pousado no queixo, enquanto os olhos estavam fixos num ponto imaginário no chão.

— O que foi, nanica?

— Como você ainda está tão bem, titio? — indagou ela, ainda pensativa. — “DOKIN TAGEAR ACTUKCI!!! EU VOU MATAR VOCÊ!!”, tenho certeza que a titia disse isso. E quando a titia ou a mamãe usam o nome todo…

— Hahahaha!!! Sério, que tipo de educação estamos dando à nanica? — Dokin apenas gargalhou, achando a situação cômica, enquanto o Glamich fechou o rosto e deslizou a mão por ele. — Hahahaha!! Você conhece muito bem a tua tia, nanica. Ela realmente usou exatamente essas palavras.

— Então, como tudo acabou?

— Isso é simples… — Dokin abriu a palma esquerda e a colocou no centro, adotando uma pose de quem ia começar a narrar uma história de ação e aventura. — Parecia que ali seria o meu fim, eu até sentia o ar ficar mais denso a cada segundo e parecia que a terra estava engolindo os meus pés, mas…

— O quê? o quê?

— Você vai ter que vir outro dia se quiser saber o final — finalizou Dokin.

— Quê? Mas…

— Sem mas, nanica. Já está ficando tarde. Precisamos trabalhar.

— O seu tio tem razão, pequena — concordou Glamich.

— Viu!? É como eu disse, venha aqui noutro dia, que eu te conto como tudo acabou. — Ajudou a Vaiola a se levantar e fez o mesmo em seguida, suas mãos logo ganhando a ocupação de sacudir a areia apegada às calças dele. — Foi bom vos ver, mas tenho de ir.

Dokin se despediu, deixando um beijo no topo da cabeça da pequena Vaiola e não pôde ir sem dar um último abraço ao seu irmão de coração. Logo, ele se distanciou, deixando para trás uma Vaiola curiosa e ansiosa para saber o final da história.

— O que será que a titia Kihame fez? — Vaiola indagou, enquanto o seu pai sacudia alguma areia presa às roupas dela e penteava os seus cabelos com os dedos.

— Eu não faço a mínima ideia. É difícil saber, ela é um tanto… imprevisível. — Glamich comentou, seu foco estava em amarrar aqueles cabelos num coque para que não atrapalhassem a pequena. — É como o teu tio disse, você vai ter de vir para saber.

— Eu posso?

— Claro. Sempre que você quiser.

— Ebááá…!!!

— Agora vamos! Quero te apresentar o ‘Borboleta’.

Fim da leitura

Capítulo 5 concluído

CAPÍTULO 5 - 04 — 1 Pescaria (23)