A Classe de Elite — Capítulo 137.1: Ano 3 - Volume 2 – Capítulo 1 – Capítulo 1: Misturando-se (parte 1)

A Classe de Elite
Cap. 137.1
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A Classe de Elite

Ano 3 - Volume 2 – Capítulo 1 – Capítulo 1: Misturando-se (parte 1)

Capítulo 137.1

2.518 palavras~11 min de leitura

DOMINGO DE MANHÃ. Espiando pela janela do meu quarto, percebi que, infelizmente, seria um daqueles dias em que a chuva cairia da manhã até a noite. Não chegava a ser um temporal, mas era o tipo de tempo suficiente para deixar qualquer um relutante em sair, mesmo com um guarda-chuva.

Quando já passava das dez, terminei de me arrumar e peguei um único guarda-chuva antes de descer para o saguão do dormitório. Ao entrar no elevador, notei que o chão estava molhado — sinal de que os alunos já iam e vinham desde cedo.

— Yo, bom dia.

Assim que o elevador chegou ao térreo e as portas se abriram, um estudante de moletom com capuz, que estava perto da entrada, virou-se, levantou a mão e me cumprimentou. Era meu colega de classe, Yoshida.

— Bom dia.

Depois da breve troca de cumprimentos, Yoshida logo desviou o olhar para o sofá.

— Shimazaki desceu há pouco também — disse ele.

Como se tivesse ouvido, Shimazaki se levantou e retirou um único fone de ouvido branco sem fio da orelha direita. Guardou-o num pequeno estojo que tirou da mochila — provavelmente feito especificamente para aqueles fones.

— O que você estava ouvindo? — Acompanhando Yoshida, aproximei-me de Shimazaki e perguntei.

— Treino de listening em inglês para o vestibular. Eu, pessoalmente, não sou exatamente bom em inglês, então quero aproveitar cada minuto livre que tiver.

Parecia que ele não queria desperdiçar nem o menor instante enquanto esperava pelos colegas.

— Hã? Você é ruim em inglês? Não tira notas melhores que eu? — Yoshida olhou para o teto e resmungou, como se tentasse lembrar os resultados das provas anteriores.

— Comparar-me com você não significa nada. Na verdade, é a minha pior matéria.

— É, tá bom… mal aí pela comparação então.

Apesar de parecer um pouco contrariado, Yoshida se desculpou.

Shimazaki tinha capacidade acadêmica e notas suficientes para se manter naturalmente entre os melhores do ano, mas provavelmente era justamente por estar ciente das próprias fraquezas — e trabalhar nelas com diligência — que alcançava tais resultados.

Como alunos do terceiro ano com o vestibular se aproximando, esse nível de consciência era exatamente o que se esperaria de ex-alunos da Classe A.

— Achei que fosse um comentário sarcástico, mas você não ficou irritado? — perguntei, surpreso. Eu tinha a impressão de que Yoshida era um pouco esquentado, mas ele não pareceu se incomodar com a fala de Shimazaki.

— Ah, me incomoda um pouco, mas esse cara só estuda e nada mais. Eu não sou tão apaixonado por estudo assim, e é fato que existe um abismo entre nós.

Foi assim que Yoshida respondeu, mas talvez fosse apenas porque os dois eram bons amigos.

— Sério mesmo, você não tem feito nada além de estudar ultimamente?

— Será? Eu garanto pelo menos cinco horas por dia para isso, mas só isso.

Essas cinco horas, é claro, não incluíam as aulas da escola. Eu não sabia quanto tempo, em média, um estudante de terceiro ano dedicava ao auto estudo, mas certamente não era pouco. Yoshida fez um gesto dramático com as mãos, como se dissesse que jamais conseguiria estudar tanto.

— O direito dado aos formandos da Classe A é só uma carta na manga. Fazer isso é o mínimo se você quer entrar numa boa universidade, e não sou só eu quem pensa assim. Hoje à noite vou pro cursinho no Keyaki Mall também.

— Sério? Quanto você vai estudar ainda…?

Pensando bem, havia mesmo um cursinho no Keyaki Mall administrado pela própria Advanced Nurturing High School. Eu nunca tinha passado por lá — era um lugar irrelevante para mim. Ouvi dizer que, mesmo sem pontos privados, era possível frequentar gratuitamente se atendesse a certas condições, como não ter problemas de conduta e ter um objetivo claro para o futuro, como uma universidade específica em mente.

— Cursinho, né… Quantos alunos realmente vão lá? — perguntei a Shimazaki, apenas por curiosidade.

Por algum motivo, ele me lançou um leve olhar de reprovação.

— Você não sabe? Só no terceiro ano, temos 20 alunos até agora. Mesmo assim, comparado às escolas normais, é uma porcentagem baixa. Provavelmente vai aumentar conforme o verão se aproximar.

Então era esse o número de alunos que já estavam se preparando para o vestibular.

— Não é como se suas notas fossem ruins, mas você não acha que deveria pelo menos aparecer lá? — disse Shimazaki, tentando encorajar Yoshida.

Comparado a Shimazaki, Yoshida era certamente inferior, mas ainda tinha alto desempenho acadêmico. Se ele pensasse em seguir para a universidade, não seria estranho começar a frequentar. A recomendação de Shimazaki provavelmente tinha boas intenções, mas Yoshida recusou na hora.

— Nem pensar, nem pensar. Eu tô de boa com uma universidade mais ou menos, só que decente. Não aguento ficar trancado estudando até nos meus dias de folga, quando era pra eu estar saindo com os amigos. É sufocante, sabe? Ficar só estudando.

Ele disse isso, lançando um olhar para Shimazaki, que sempre estudava com tanta seriedade.

— Se é assim, tudo bem. Não tenho intenção de forçar você a estudar. É justamente por isso que, enquanto não atrapalhar ninguém, eu faço o que quero, quando e onde quiser.

A testa de Shimazaki se franziu enquanto ele encarava Yoshida, talvez achando que sua atitude diante dos estudos era negligente.

— C-Claro, é sua escolha. Não precisa ficar bravo.

Yoshida levantou as mãos abertas e se desculpou rapidamente.

— Cof, cof… Enfim, qual é o motivo de ter chamado eu e o Ayanokoji no nosso dia de folga? — perguntou Yoshida, limpando a garganta como quem queria mudar de assunto. Era um dia precioso de descanso, que Shimazaki normalmente passaria estudando sozinho. Natural se perguntar por que ele nos chamaria.

— Pra ser honesto, meu assunto é só com o Ayanokoji, mas não temos intimidade suficiente pra sair ou conversar a sós. Achei que as coisas fluiriam melhor se você viesse junto.

Então Yoshida não estava realmente envolvido no motivo principal do encontro. Mas, com a palavra "consultar" entrando na conversa, o verdadeiro objetivo do convite de Shimazaki começava a ficar claro.

— Ah, entendi. Bom, eu sou do tipo que vive sendo chamado para ajudar — disse Yoshida, semicerrando os olhos com um sorriso divertido, como se fingisse estar incomodado. — De qualquer forma, já que pediu, eu coopero. Ayanokoji, dá um bom conselho pro Shimazaki.

Ele acrescentou isso, apoiando casualmente a mão no meu ombro.

— Depende do assunto da consulta. Sobre o que exatamente queria falar comigo?

Como o próprio Shimazaki disse, minha relação com ele não era próxima; havia uma certa distância entre nós. Devia haver um motivo claro para ele se dar ao trabalho de me chamar. Outra coisa que me incomodava era o fato de ele ter pedido que eu levasse um guarda-chuva.

Se fosse apenas uma conversa, não haveria necessidade de sair num dia chuvoso — poderíamos ter conversado no quarto de alguém. Shimazaki olhou em volta rapidamente antes de me encarar diretamente.

— Hoje, eu vou fazer você confessar todos os seus segredos.

— Segredos?

— Falar aqui não vai adiantar. Por enquanto, você vai entender se me seguir.

Dizendo isso, saiu do saguão, abriu o guarda-chuva imediatamente e começou a andar num passo rápido.

— Mas que raios? Onde será que ele vai? — disse Yoshida, estreitando os olhos para acompanhar o olhar.

— Quem sabe. Ele mencionou o Keyaki Mall, mas…

Depois de trocar um rápido olhar, seguimos atrás de Shimazaki.

*

Andando à nossa frente, Shimazaki seguiu direto para o Keyaki Mall. Ao chegarmos à entrada, ele colocou o guarda-chuva no dispensador de sacos plásticos. Após um leve "clique", puxou-o de volta, agora protegido pelo saco. Fizemos o mesmo e entramos logo atrás dele. Quando chegamos em frente a uma livraria, ele finalmente se virou para nós.

— Uma livraria? Vamos fazer um desvio?

Sem responder ao murmúrio de Yoshida, Shimazaki entrou na loja e foi direto para a seção guias de estudo, abarrotada de livros preparatórios e de referência acadêmica.

— É aqui que eu queria te trazer, Ayanokoji — disse ele com firmeza. Não era apenas um pequeno desvio; este era, aparentemente, o destino final.

— Quero que me diga quais livros de referência você costuma usar e como é a sua rotina de estudos.

Ao ouvir essas palavras, finalmente comecei a entender a natureza da consulta de Shimazaki.

— Então é sobre isso.

— Vendo os resultados do último exame especial, eu entendo que você está em um nível mais alto que o meu. Não espero te alcançar da noite pro dia. Mas isso não significa que eu vá parar de tentar te alcançar.

O olhar que ele me lançou quando falamos sobre o cursinho provavelmente veio de um senso inconsciente de rivalidade. Ele queria adotar um estilo de estudo mais eficiente para chegar, pelo menos um pouco, mais perto da minha capacidade acadêmica. Sua determinação ficava clara.

— Vai, ajuda ele aí, Ayanokoji — incentivou Yoshida, me cutucando.

Agindo como intermediário, ele me pressionou, mas eu não abri a boca. Ou melhor, seria mais correto dizer que eu não podia. Eu estava disposto a atender ao pedido, mas não tinha a resposta que ele procurava. Enquanto a maioria dos estudantes do ensino médio estava, agora, aprendendo assuntos novos, eu já havia concluído esse processo na infância. O estudo que eu fazia atualmente não era aprendizado, mas revisão completa, e por isso eu não podia dar a resposta que ele esperava.

— Ei, Ayanokoji… — começou Yoshida.

— Tudo bem, Yoshida. Como eu imaginava, ele provavelmente não quer me ensinar tão fácil assim — disse Shimazaki, franzindo o cenho diante do meu silêncio. — É um método de estudo que você desenvolveu sozinho. Não espero que me ensine de graça. Se for preciso, posso pagar com pontos privados ou, se houver algo que você queira…

Interrompi Shimazaki, que já tentava iniciar uma negociação para descobrir meu segredo.

— Se a consulta de hoje fosse um problema que eu pudesse resolver, eu teria cooperado de bom grado.

— "Teria cooperado", é? Então é segredo profissional quando o assunto é estudo? Ou você quer uma recompensa maior?

— Não, não preciso de recompensa. Se a capacidade acadêmica do Shimazaki melhorar, isso naturalmente vai contribuir para elevar o nível geral da classe. Essa será a minha recompensa. Além disso, não é como se eu fosse ter problemas, não importa o quanto você melhore suas notas no futuro.

Tentei explicar da forma mais compreensível possível, mas sabia que não seria fácil.

— Entendo. Em parte, consigo entender a lógica. Mas o motivo pelo qual você ainda parece não querer me ensinar… É porque quer evitar que eu te alcance a qualquer custo?

— Não é isso. Se você acha que estou tentando proteger a todo custo o meu primeiro lugar, está enganado. Não tenho interesse em ostentar ou me apegar à posição de número um.

Nesta escola, certamente existem alunos melhores que eu em diversas áreas. Eu quero que eles existam — eles precisam existir. Se alguém conseguir me superar no campo acadêmico, quero ver isso acontecer.

— Se você vai falar tanto assim, então me diga quais livros de referência você usa. E também gostaria que me contasse, em detalhes, seus métodos de estudo e como gerencia o tempo.

Com a determinação de analisar tudo sobre mim, ele perguntou sem hesitar.

— É claro que não vou te culpar se não for eficaz. Vou apenas aceitar que o método não se adequa a mim, então não se preocupe — acrescentou ele.

Sua postura séria em relação aos estudos parecia genuína. Aproveitando a deixa, Yoshida se colocou ao lado de Shimazaki.

— Ah, pode me contar também? Se eu puder estudar de forma mais eficiente, eu copio.

O que eu deveria fazer? O método geral que ensinei à Karuizawa — algo que um aluno normal poderia ensinar a um colega — não funcionaria para estudantes de alto nível como Shimazaki e Yoshida. Por outro lado, eu jamais poderia implementar o método completo que estava considerando, baseado na filosofia de treinamento dos alunos da Sala Branca.

Preparado para ser encarado com desconfiança, escolhi revelar apenas uma fração da verdade.

— Para ser sincero, eu não uso muito esse tipo de livro de referência.

— O quê? Mas você também não aparece no cursinho. Você resolveu questões que nem sequer tinha aprendido, e não só as mais difíceis. Como explica isso?

— Honestamente, foi mais coincidência do que qualquer outra coisa. Costumo adquirir conhecimento pela internet. Hoje em dia, existem sites de vídeo onde as pessoas resolvem e explicam questões difíceis, certo? Eu simplesmente já tinha visto um problema parecido em um vídeo que assisti, então consegui resolvê-lo.

— Bom, acho que coisas assim podem acontecer às vezes, mas…

Justamente por ser tão perspicaz, Shimazaki ficou ainda mais desconfiado com minha explicação. Sua voz foi se apagando, como se não estivesse convencido. Apesar da dúvida, fiz questão de frisar que não acompanhava nenhum site ou canal específico. No fim, provavelmente ficaria com a imagem de alguém misterioso, mas não havia como evitar.

— No entanto, existe um livro de referência que achei útil.

Costumo passear por livrarias. Ao fazer isso, já folheei vários livros de referência para ver que tipo de informação eles traziam e até onde iam. Confiando nessa memória, eu poderia indicar o que me parecia mais adequado para estudar.

— Se estiverem de acordo, posso dar um conselho.

Não é que eu recusasse totalmente ensinar; eu falaria o que pudesse e esperava que eles aproveitassem o que julgassem útil. Fiz questão de mostrar essa intenção claramente.

O resto dependia de Shimazaki e de como ele encararia isso. Ele me veria como um cara irritante que não queria contar a verdade e deixaria por isso mesmo? Ou, mesmo com dúvidas, escolheria seguir em frente por conta própria? Quase sem hesitar, Shimazaki assentiu.

— Certo. Vou aceitar sua recomendação de bom grado.

Pelo visto, ele decidiu começar confiando em mim, tudo para elevar seu próprio nível. Em resposta ao seu pedido, recomendei um livro de referência que me parecia bom. Os dois pegaram o livro sem hesitar, mas Yoshida logo desistiu de comprá-lo. Afinal, as informações necessárias num livro de referência variam muito de acordo com o nível e o tipo de universidade que se deseja.

Mesmo que fosse adequado para Shimazaki, que mirava alto, poderia não servir para Yoshida. Assim, depois de conversar com ele, eu e Shimazaki procuramos um livro que julgássemos adequado para o Yoshida.

Por cerca de trinta minutos, ficamos andando pela seção de guias de estudo, olhando vários livros, debatendo, pegando e devolvendo. Talvez, para alguns, parecesse um vai e vem inútil, mas para mim não foi um tempo ruim — pelo contrário, foi um momento satisfatório e até divertido.

Pouco a pouco, fomos entendendo melhor o que Yoshida estava procurando e, por fim, decidimos quais livros de referência ele compraria. Não era nada grandioso, mas dava uma sensação de realização, como se tivéssemos trabalhado juntos para criar algo.

Depois disso, nós três nos separamos por um momento para conferir outros livros que talvez quiséssemos, e depois voltamos a nos reunir.

Encontrei algumas revistas e romances interessantes, mas como não tinha pontos pessoais sobrando, resolvi deixar todos para outra hora.

— Que livros são esses? — Perguntou Shimazaki, reparando que Yoshida havia voltado carregando um monte de livros além dos que nós dois tínhamos recomendado.

— Ah, esses? Qual é, eu também posso comprar algo que não seja livro didático, não posso?

Fim da leitura

Capítulo 137.1 concluído

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