A Eternidade de Ana — Capítulo 273: CAPÍTULO 273 - 238 - Entrada entre restos

A Eternidade de Ana
Cap. 273
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A Eternidade de Ana

CAPÍTULO 273 - 238 - Entrada entre restos

Capítulo 273

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Capítulo 238 - Entrada entre restos

A Eternidade de Ana

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— Podem pelo menos soltar as cordas?

— Não. — A resposta de Alex veio sem floreio. Ele puxou e obrigou Duque e Carlos a acelerarem o passo.

Carlos resmungou, mas não testou a sorte. Seguiu no ritmo apressado do pirata.

Ana vinha atrás de braços cruzados. Os olhos não estavam nos dois prisioneiros, nem nos tripulantes que os acompanhavam, confusos o suficiente para manter silêncio, tampouco em Niala que sobrevoava alto, frustrada pela possibilidade de Collectio cair ao perceber que o roubo de mana da embarcação não conseguia, nem de longe, competir com o enorme consumo da baleia.

Olhava as casas.

Diferente do que imaginaram, não estavam vazias. Longe disso. Havia vida por toda parte; não a vida bonita, outra que nasce dos vãos sujos. Rostos fundos, olhos opacos espiando por trás de colunas rachadas. Cortinas improvisadas que se afastavam um dedo e voltavam. Crianças fuçando sacos de lixo com incrível competência de quem sabe separar o que mata do que só adoece. Quando o grupo se aproximava, sumiam como pardais: três passos, um olhar, sumiço.

Uma delas, uma garota de não mais de sete anos e um pouquinho de coragem emprestada da ignorância, não correu. Ficou parada no meio da passagem, só os dedos mexendo, encarando um por um. Ana retribuiu o olhar por um segundo que durou mais que o necessário.

— Pega. — A rainha mercenária bufou e um pedaço de carne seca foi jogado em um arco. Levava no bolso por conveniência, mas não pretendia ficar tempo o suficiente ali para a fome bater de verdade.

— Não alimente eles — Duque disse lá da frente. A resposta foi mais um puxão de Alex, mas Ana levantou uma mão.

— E por quê?

O homem apontou com o queixo. Dos cantos mais escuros, outros olhos brotavam, um a um, como fungos depois da chuva.

— São baratas. Alimenta uma, aparecem as outras.

O ar ficou mais denso. Dois, três passos adiante, a sombra da arcada pareceu encolher. Um adolescente encostou um facão no peito. Uma mulher magra fez um gesto rápido. A cidade, inteira, aproximou-se meio palmo.

Ana respirou fundo e voltou a andar. Deu um passo. O segundo não veio: algo respingou na bota. Sangue. Pouco, mas recente. Virou a cabeça devagar — não sentia perigo ali, não tinha motivos para se apressar. Onde a menina estava, uma poça carmim se alargava obediente. O corpo jazia a um metro e meio, torto de um jeito não muito atrativo. A carne seca, essa, já não se via.

— Eu avisei. — Duque deu de ombros, sem culpa. Carlos baixou o rosto.

Ana apoiou as mãos na cintura. Passou os olhos por tudo com uma visão mais dura.

— Matem todos até acharem a minha carne — disse sem elevar a voz.

Dessa vez, Alex não perguntou o habitual “tem certeza?”. Largou os guardas amarrados e fez um gesto curto para os piratas. O que se seguiu foi o som do aço sendo desembainhado.

“Ele tá se tornando um ótimo líder”, pensou Ana, aprovando com um aceno quase imperceptível, enquanto os passos pesados começavam a entrar nas vielas.

Aproximou-se dos dois e, num puxão seco, estourou as cordas.

— Parece que suas explicações não foram suficientes. Venham comigo.

— Não tem o que explicar. Tá tudo fodido. — Carlos tomou a frente enquanto passava as mãos nos pulsos machucados.

— Já vi cidades fodidas. — Ana retomou o passo. — Cidades fodidas não vão de uma utopia para um inferno em cinco anos. Isso aqui é pior.

— Cinco anos? — Duque ergueu os olhos, espantado. — A senhora já veio aqui antes?

O respeito deslocado do jovem guarda a fez rir de leve.

— Já, sim. Mas isso já não importa. — Manteve o passo firme. — Quero uma explicação decente. E rápida. Não tenho motivos pra manter os dois respirando se continuarem se recusando a falar.

— E desde quando os desgraçados de Mare Euphoria deixam alguém vivo? — O guarda mais velho resmungou baixo, mas não o suficiente para esconder. — Faz um favor pra todo mundo e termina logo com essa palhaçada.

Duque empalideceu, mas engoliu a saliva e acenou em concordância. Resistiu o quanto pôde, no entanto, relutante, começou a falar.

— Não tem muito segredo, moça. A culpa é de vocês. Desde que o Pedro morreu, tudo começou a…

— Pera, pera, pera — A rainha mercenária olhou pra ele. — O Pedro tá morto? O taverneiro?

Carlos fuzilou o companheiro com os olhos, mas Duque continuou.

— Tá sim. Morreu no festival do ano passado. O tiro não tava nem mirando nele, foi puro azar.

— Puta merda… — Ana apertou as bochechas, conteve o sorriso que não combinava com a situação. — Se aquela idiota soubesse disso…

Balançou a cabeça, dispersando os pensamentos inúteis.

— Bom, quem tá no comando hoje em dia?

— Depende. Aqui no Lixão… ninguém de verdade. — Duque olhou em volta, como se o lugar tivesse ouvidos.

— Lixão?

— Foi o nome que mais pegou. Antes era o mercado de carne, mas não sobrou muita carne pra venderem. — Carlos cedeu, a contragosto. — Quando o Pedro caiu, a distribuição de comida caiu também. Muita coisa desceu pra parte baixa da cidade, pouca coisa subiu. Aqui é onde o resto dos outros distritos… fermenta.

Ana estalou os dedos, ouvidos ainda atentos.

— Aqui, se prestar atenção suficiente, tu tá segura. — Carlos suspirou e apontou uma viela que sumia no breu. — Se seguir pro antigo portão da prefeitura, vai trombar com a Confraria do Pulmão Quieto. Mesmo no festival, não recomendo ir lá. Não mexem com quem não mexe com eles.

Ana estalou a língua. O guarda continuou, agora apontando para o mercado central.

— Lá fica a Família. Bom… também não é um lugar legal.

Ana riu de canto.

— Ótimo. E vocês são de onde?

— Ala norte.

— Só “ala norte”? Nenhum nome bizarro e um aviso dramático?

Carlos sorriu de verdade pela primeira vez. Duque, logo ao lado, sorriu junto.

— Não tem muita coisa pra dizer sobre aquela parte. Se quiser atacar, é realmente o melhor lugar. Mas se encostar na biblioteca… você vai morrer

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Ana levantou uma sobrancelha e massageou o rosto, mas os dentes apareceram mais uma vez. Os músculos das bochechas já doíam de tanto que estava sorrindo hoje.

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Ficaremos sem imagens por um tempo, mas logo volto a postar!Estou meio sem tempo e não estão saindo resultados bons…

Fim da leitura

Capítulo 273 concluído

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