A Eternidade de Ana — Capítulo 278: CAPÍTULO 278 - 243 - O Brinde

A Eternidade de Ana
Cap. 278
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A Eternidade de Ana

CAPÍTULO 278 - 243 - O Brinde

Capítulo 278

1.315 palavras~6 min de leitura

Capítulo 243 - O Brinde

A Eternidade de Ana

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Amélia entrou quase caindo.

O rosto estava machucado, mas o que mais chamava atenção eram as manchas que não eram dela — fuligem e restos alheios. A respiração estava ruidosa.

Do chão, Ana ergueu o olhar devagar.

“Eu tinha mandado aqueles idiotas barrarem todo mundo.”

Suspirou.

— Tá fazendo o que aqui?

Amélia apoiou as mãos nos joelhos e levantou um dedo, pedindo tempo. Não conseguia puxar ar suficiente para falar. Ana esperou, paciente dentro do possível, e forçou um sorriso torto.

— As coisas ficaram… caóticas! — disse Amélia, enfim, com um brilho orgulhoso demais para alguém naquele estado.

— Mas deu certo? — Ana perguntou, seca.

— Deu sim… quer dizer, mais ou menos…

— Mais ou menos?

— É que… não exatamente vencemos, mas… — deu de ombros, confusa consigo mesma — só deu certo.

Ana se apoiou nos cotovelos e ergueu o tronco com cuidado. O mundo inclinou por um segundo, mas voltou ao lugar.

— E o que você tá fazendo aqui? — perguntou. — Não te mandei ficar no comando dos aviões?

Amélia apertou os punhos. O sorriso voltou, agora menor, meio envergonhado.

— No fim eu fiquei na reserva. A Catarina apareceu em um dos aviões sem avisar — fez um gesto circular com as mãos, como se tentasse organizar o caos no ar. — Ela quis tomar a frente…

Parou de repente.

— Ah. É por isso que eu tô aqui. Ela tá vindo. Quer falar com você.

Só então Amélia pareceu enxergar Ana de verdade — coberta de sangue, estendida no chão, o cheiro pesado ainda pairando no ar. Deu um passo à frente, hesitante.

Ana notou.

— Não liga pra isso. Já resolvi. — Com mais esforço do que demonstrou, se sentou na cadeira. — Manda ela embora. Eu entrego as gravações mais tarde.

— Eu tentei — Amélia respondeu rápido —, mas… ela insistiu em entrar.

Ana a encarou por alguns segundos longos demais. Os olhos se estreitaram, frios, avaliando.

— Me ajuda a vestir um casaco — disse enfim. — E me leva até a sacada. Ela não pode sentir esse cheiro de morte.

Amélia piscou, confusa, mas assentiu.

Com cuidado excessivo, passou os braços de Ana sobre os próprios ombros e a colocou de pé. O casaco estava longe do ideal — manchado, gasto —, mas serviu. Abotoado, ocultava o suficiente da cirurgia improvisada para enganar um olhar apressado.

Vestida, Ana agarrou o cabo da cruz negra. Cada passo até o pequeno espaço aberto ao fundo da cabine parecia mais longo do que deveria. Ao alcançar o parapeito, firmou as mãos e ajustou a postura com o resto de dignidade que lhe sobrava.

Cuspiu o sangue que ainda tinha na boca, deixando-o desaparecer nas nuvens abaixo.

— Vai até a Niala — disse, sem olhar para trás. — Manda ela decolar. Só a taverneira entra. Barre qualquer pirata que tentar vir junto. Expulse sem dó.

Amélia hesitou.

— Você vai… ficar bem?

Ana sorriu de canto, cansada demais para responder. O olhar voltou para o vazio além da sacada enquanto a afastava novamente com um balançar de dedos.

A guerreira mal havia saído quando Ana ouviu botas pesadas se aproximando — passos firmes, quase dançantes, sem pressa alguma. O som vinha acompanhado de um assobio baixo, desafinado em um tom que se recusava a tratar aquilo como um ambiente de guerra.

Ana não se virou de imediato.

Só quando a presença já ocupava o espaço ao lado da sacada é que inclinou o rosto num cumprimento curto. O sorriso cravejado que recebeu em troca, por algum motivo, tinha um brilho particularmente irritante hoje.

— Então é aqui que a rainha sangra — disse Catarina, apoiando os cotovelos no parapeito como se estivesse numa varanda qualquer. — Confesso que esperava algo mais… dramático.

Ana grunhiu. Aceitou a garrafa que a taverneira estendia sem pedir permissão. Gin barato. O rótulo estava parcialmente arrancado, a tampa empenada.

— O que você tá fazendo aqui? — perguntou, antes mesmo de beber.

— Vim ver. — Catarina deu de ombros. — Sua confiança foi… inspiradora.

Ana levou a garrafa à boca. O gole desceu queimando tudo pelo caminho, raspando a garganta, afundando pesado no estômago. Fez uma careta mínima, quase imperceptível.

— Inspiradora o suficiente pra ignorar o que combinamos?

— Inspiradora o suficiente pra eu não querer assistir tudo por uma tela. — Catarina sorriu de lado. — Filmes mentem. Olhos não.

Ana soltou um som baixo, impaciente, e bebeu de novo. Não queria conversar. O corpo ainda reclamava em ondas silenciosas, e sustentar aquela postura já era trabalho demais.

— Você fez um bom trabalho — continuou Catarina, sem se ofender com o silêncio. — Não achei que fosse realmente conquistar espaço lá em cima.

A frase parecia elogio. O olhar, não.

Ana percebeu a atenção demorada na faixa que cobria seu olho. Não desviou o rosto. Apenas bebeu mais um gole.

O barco tremeu de leve quando voltou a ganhar altura, alinhando-se ao lado da baleia. A criatura avançava majestosa, lenta, imensa demais para fazer sentido. As nuvens se partiam ao redor do corpo colossal.

— Não é incrível? — comentou Catarina, observando a cena com genuíno fascínio.

— É — respondeu Ana. — Mas eu não gosto de baleias.

Catarina gargalhou alto, sem contenção, e levou sua própria bebida à boca.

— Você é uma jovem estranha.

Foi então que Ana notou a cabaça de álcool. Um recipiente diferente, trabalhado demais para algo tão simples. As bordas tinham marcas antigas, o interior refletia a luz de um jeito opaco e um único símbolo vermelho adornava seu centro.

— Nunca te vi usando isso — disse, indicando com o queixo. — É bonito.

Catarina acompanhou o olhar.

— Foi um presente antigo. Só levo quando tô fora de casa.

— O que significa a runa?

Catarina riu.

— Não é uma runa.

Ana ergueu uma sobrancelha.

— Então o que é?

— Tá escrito “álcool”. — Catarina deu outro gole. — Na língua comum.

— Língua comum? — Ana repetiu, estranhando.

— Uma tentativa falha da humanidade — respondeu Catarina, displicente. — Não vale a pena ligar pra isso.

Ana sentiu a curiosidade se mexer por dentro, mas a conteve. Não era hora.

Foi então que percebeu o gesto e franziu o cenho.

Sem aviso, Catarina virou a garrafa de ponta-cabeça.

— E isso agora?

— Isso é meu brinde à você. À sua saúde! — O sorriso brilhou outra vez. — Um término do meu agradecimento.

A cabaça não era grande. Esvaziaria em três respirações, no máximo. Ana arregalou o único olho, desconfiada, mas não o suficiente.

Catarina girou o pulso. O álcool foi lançado em direção a Ana.

O reflexo veio antes do pensamento. A cruz negra subiu, interceptando o jato. O líquido incolor atingiu o metal e escorreu, inofensivo.

Por um segundo.

O sorriso de Catarina se alargou.

A cabaça brilhou de leve — um reflexo errado, fora do sol. O álcool ainda suspenso no ar endureceu, cristalizando-se num estalo seco.

— Nem fodendo… nem fodendo… — Ana riu enquanto o sangue subia pela garganta.

Vomitou vermelho escuro sobre o parapeito no exato momento em que sentiu a lâmina improvisada atravessar o peito sem resistência alguma.

Catarina a encarou profundamente em seu único olho bom. Com a mão livre, a empurrou.

— Repito: você fez realmente um bom trabalho, garota. — A voz era quase gentil. — Agora pode deixar o resto pros mais velhos.

Observou por um instante o corpo cair, pesado demais para aquele silêncio. Os dedos se fecharam sobre o vento.

Catarina suspirou.

O topo dos Andes passava não tão abaixo quanto deveria. O vento subia frio, limpo, até. Ela reparou nisso enquanto, com um gesto simples, jogava também a espada negra deformada para fora da sacada.

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Depois virou as costas.

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Ficaremos sem imagens por um tempo, mas logo volto a postar!Estou meio sem tempo e não estão saindo resultados bons…

Fim da leitura

Capítulo 278 concluído

CAPÍTULO 278 - 243 - O Brinde