A Ordem Espiritual — Capítulo 317: CAPÍTULO 317 - 302 - Infantilidade de ser infeliz

A Ordem Espiritual
Cap. 317
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A Ordem Espiritual

CAPÍTULO 317 - 302 - Infantilidade de ser infeliz

Capítulo 317

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Capítulo 302 - Infantilidade de ser infeliz

A Ordem Espiritual

A luta de fato começou.

E… novamente, ela se via diante de um abismo.

Era conflitante. Um déjà-vu envenenado pela memória de derrotas e cicatrizes. Mais uma vez, estava diante de uma situação que somente ela poderia enfrentar — e não havia margem para erro. Não agora. Não com tantas vidas dependentes de sua decisão.

Se ele sequer tivesse uma chance… seria o fim.

Foi com esse pensamento que se lançou à frente. Sem um olho, sem uma mão, com metade do corpo em frangalhos… mas sua aura — intensa, flamejante, indomável — irradiava um poder que cortava o ar como lâminas.

Morte. Era uma certeza. Definitiva. Mas ela já flertara com ela antes, e agora dançava em sua beira com maestria.

Metade de seu cérebro estava comprometido desde a última batalha. Só permanecia em pé graças à outra metade — a mente ainda viva, mantida por uma convergência de aura que transformava energia em impulso neural. Era rudimentar. Era instável. Mas era o suficiente.

— Não me vencerá se segurando! — gritou, cuspindo sangue, enquanto as trevas dele ganhavam forma, densa como piche.

À sua frente, um caminho de espinhos emergiu do chão — longos, negros, afiados como adagas profanas. Eles quase a despedaçaram.

Ela desviou. Um salto lateral, depois outro. Um impulso vertical. Subiu, como uma flecha desesperada disparada contra o próprio destino.

Será?

Pensou. Duvidou.

Era absurdo o quanto ainda se movia com agilidade, mesmo com os sentidos desordenados, com o corpo respondendo em atrasos, como se houvesse um segundo de lag entre a alma e a carne.

Será que consigo salvar esses garotos?

Fria. Determinada. Como sempre. Não pensava em si. Nunca pensou. Desde o momento em que suas mãos ganharam força para moldar o destino, ela se tornou ferramenta de algo maior. Uma mártir silenciosa.

E o destino… o palco cruel onde ela atuava. Ao redor, os olhares aflitos dos sobreviventes se afastaram, temendo o desfecho.

E então, num instante — um piscar de olhos, um suspiro engasgado — avançou. Um passo para o impulso final.

Mas sua fiel lhe traiu…

— Maledicta umbra rebellis!

A dádiva infernal. A maldição imposta às vítimas das palavras malditas. A entidade demoníaca canalizou sua energia através da sombra. E não apenas a dele — mas também a dela.

Um estalo seco. Carne rasgando. Sangue espirrando. O impacto brutal estilhaçou seu joelho, e ela caiu, sentindo o corpo vibrar de dor.

Estava envolta numa carapuça de espinhos. Brutal, insidiosa. Cada agulha cravada como se quisessem costurar sua alma à dor.

— Não adianta o quão rápida seja… — a voz grave como a queda de uma tempestade — Meus espinhos nascem no fugaz de sua sombra!

Flertando com o próprio ego, saboreava a vantagem como um bom vinho. Atingi-la havia lhe dado algo mais que impulso — dera-lhe confiança. Uma confiança cega, embriagada, que lhe fazia crer que, naquele instante… era inalcançável. Intocável. Invencível.

Avançava devagar, os pés arrastando a poeira enegrecida, enquanto a sua escuridão ao redor se expandia como um oceano.

— Você não terá mais que instantes antes de eu a ceifar de vez! — bradou, com a voz arrastada pelo peso da arrogância, os olhos brilhando como brasas envenenadas. — Sinto seu fluxo comprometido, costurado por essa trapaça… Mas é só cortar um fio — um só — e tudo… desmorona.

Parou, erguendo uma das mãos. Seus dedos dançaram no ar como maestros de um requiem sombrio, e as sombras atrás dele reagiram, ondulando como um coro demoníaco à espera da nota final.

— Elûm não tem piedade… — murmurou, com um sorriso viciado. — E eu aprendi com ele.

O chão começou a tremer.

As sombras, antes silenciosas, agora rugiam em uníssono com o solo, vibrando como as cordas de um instrumento demoníaco afinado para o massacre.

Droga… logo eu, pensou, ofegante, enquanto o sangue escorria por entre os espinhos. Tão fatalista entre quatro paredes… tão dona do próprio fim… e agora me vejo… desse jeito…

A carapaça cravada em sua carne parecia pulsar mais a forçando a gemer de dor, como se as trevas fossem alimentando-se da soberba da entidade, e da sua hesitação. Mas não chorava. Só deixava o olho falar.

E nele… ainda ardia uma centelha.

Um brilho ínfimo, rebelde.

Não de esperança — isso já era pó em sua alma livres das amarras da infantilidade. Mas de algo mais velho que o medo, mais denso que o ódio.

Sobrevivência.

— Você fala como se já tivesse me vencido… — disse, a voz rouca, trincada, quase inaudível — …mas se aprendeu com Elum, devia saber: até Ele… já caiu uma vez!

Quando deu esperança aos homens.

Decretou em pensamento, como uma lâmina afiada fincando-se na alma do inimigo.

E então, algo mudou.

Um ruído metálico. Fraco, mas crescente. Como sinos ao longe, ecoando além do plano físico, atravessando a matéria, costurando-se ao tecido da existência. Não era som — era vibração. Um despertar.

Uma promessa antiga sendo quebrada…

O ar ficou mais denso. As sombras estremeceram. E o ombro da entidade… cedeu.

Um corte limpo. Quase imperceptível. Mas profundo o suficiente para quase decepar-lhe o braço. Ele cambaleou — um, cinco, trinta metros — recuando com o terror estampado nos olhos.

— O que…?

A incredulidade em sua voz contrastava com a certeza que até então o moldava.

Não entendia.

Minhas palavras a alcançaram?

Sangue escorreu dos lábios dele e dela.

Vermelho escuro e púrpura profundo, espesso, carregado de aura. Mas suas bocas… se contorcem em um sorriso.

— O que foi? — ela cuspiu, arrastando-se em meio aos espinhos — Não disse que me ceifaria em instantes? E… por que esse sorriso na cara?

Se levantou.

Tremendo.

Um pé, depois o outro. Como se cada músculo gritasse. Como se o mundo tentasse impedi-la de existir. Mas ali estava — torta, rasgada, mas viva.

Ele ainda exalava confiança.

— Por que?

E sangue.

Mas ainda não tinha terminado.

— Por que…

E agora… o demônio sabia disso.

— Por que agora você não me tratará como um mero obstáculo! Quero que meus últimos instantes, assim como os seus… sejam gloriosos! — Sua voz tocou o coração de ambos.

Feliz… sabia disso.

Fim da leitura

Capítulo 317 concluído

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