A Ordem Espiritual — Capítulo 369: CAPÍTULO 369 - 349 - Chamas se fundindo

A Ordem Espiritual
Cap. 369
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A Ordem Espiritual

CAPÍTULO 369 - 349 - Chamas se fundindo

Capítulo 369

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Capítulo 349 - Chamas se fundindo

A Ordem Espiritual

Em meio a um galpão, Amai e Yami se ajeitavam. A tarde ia embora devagar, enquanto ela amaciava seus cabelos com a calma de quem ainda acreditava em gestos pequenos.

A cadeira, enferrujada como as paredes e as vigas ao redor, parecia clamar por salvação.

Mas aquele instante, imperfeito, gasto, humano, era o momento exato para deixar de ouvir o socorro do mundo.

— Tem um corte em mente? — perguntou, o tom leve, distraída no cheiro que ele exalava.

Assim que a voz ecoou, deu um estalo nos dedos. Uma fogueira se acendeu diante dos dois, refletindo-se em seus olhos.

Sua aura flutuava no ar, suspensa e visível, moldando-se de acordo com à luz das chamas.

Já não era possível distinguir a coloração.

E a cor é a manifestação do interior, quando o sentimento e a vontade

se tornam compreensíveis no mundo material.

E não desfez a pose, arranhou um dedo contra o outro, ajustando a temperatura do fogo como quem regula um sentimento.

Talvez… já não fosse tão adepto ao frio quanto antes.

— Não… nunca pensei nisso…

As palavras vieram mansas demais,

como se tentassem aquecer o ar entre os dois.

— Eu imaginei — os dedos dela passando entre os fios, desembaraçando-os — Esses cabelos… foram escolha?

— Desleixo…

— Não brinca — a sinceridade veio antes da ironia — Por quê?

— Por quê… — mordeu os lábios,

mas não caiu em tristeza.

Da voz embargada, nasceu uma risada breve, meio torta, meio bonita.

— Cacete… eu sou um cara nada higiênico, né?

— Nada… — murmurou.

A mão dela subiu ao próprio peito, depois voltou fios dele, tocando-os com uma hesitação que misturava carinho e a descoberta da intimidade.

— Mas… eu te acho lindo assim…

— Ehr… — os lábios dele ficaram pesados, e o ar quente escapou como um segredo sem fuga — acha?

— Acho caras cabeludos atraentes…

— Não desgosto de ruivas, — Olhando-a nos olhos, a cabeça ligeiramente inclinada para trás,

um sorriso perigoso se abrindo em meio à penumbra — Mas os olhos cor de mel… confesso, é um tesão.

— Ah… — fraquejou.

As mãos dela desceram pelos ombros dele e o apertaram com a força de uma leoa na pressa do instinto.

— Não fala assim…

— Não? Mas é… a verdade…

— E o que mais acha bonito em mim? — encarando-o.

Os olhos buscavam firmeza, mas os lábios, em leve tremor, traíam a febre dos pensamentos.

— Lábios… nariz — respondeu, num tom rouco — gosto do tom pálido da sua pele.

Suspirou.

— Da personalidade, das suas atitudes… Sabe quando odeia tanto que começa a achar que é amor?

Ela riu, um riso que doía de tão humano.

— Amor… o que mais? Eu sei bem ler teus olhares, garoto.

— Suas coxas, — murmurou, mordendo o lábio — teu cheiro…

Os olhos se desviaram um instante, como quem teme se perder na própria confissão.

— Você é uma garota atraente.

— Só isso? — provocou.

Ele ergueu as mãos num gesto rendido, o fogo tremendo entre os dois.

— Tá bem… — disse, o olhar baixo, mas o sorriso ousado — A barra da tua saia… me intriga.

— Quer ver o que tem dentro dela? — a voz desceu suave, quase um feitiço.

Amai se inclinou, o lábio roçando o ar, tão perto do dele que o mundo pareceu prender a respiração.

Sua boca tocou-lhe o nariz, um beijo leve, provocação e ternura misturados.

— Quer, né?

— Amai… — murmurou, tentando sustentar o olhar, mas o nome dela soou mais como um pedido do que um chamado.

— Responde! Quer?

— Quero! — escapou sem hesitar,

a palavra acesa, cheia de uma coragem trêmula.

— Bom garoto… — sussurrou.

A mão dela subiu devagar, separando cada fio de cabelo que caía sobre o rosto dele, como quem abre caminho para uma revelação.

— Então precisa conquistar essa gatinha aqui.

Um sorriso se desenhou, afiado e cúmplice.

A luz fraca dançava sobre suas peles, criando sombras que se entrelaçavam como seus suspiros.

O ar parecia carregado de um magnetismo inescapável.

— Não basta só querer…

Ele engoliu em seco. O som foi audível no silêncio entre eles.

Ergueu-se lentamente, e ao fazê-lo, seus corpos colidiram suavemente… não um acidente, mas uma inevitabilidade.

O calor de um penetrou o outro instantaneamente.

— Entendi… — sussurrou, a voz mais rouca. Seus olhos escureceram de desejo — Eu devo… ser o de atitude aqui.

A mão dele, que até então pairava no vazio, encontrou a curva de sua cintura. Era um toque firme, mas ainda interrogativo, uma pergunta feita com os dedos.

— Tome a frente, Yami… — pediu, desviando o olhar num acesso súbito de timidez. Seus olhos brilharam, cristalizados por lágrimas de emoção contida, enquanto um rubor intenso subia de seu pescoço até as maçãs do rosto — Me tome para si.

— Vou tentar ser confiante… — admitiu, e sua mão na cintura dela apertou com nova determinação, puxando-a centímetros para mais perto. O calor entre seus corpos se intensificou — É a minha primeira…

— Também… a minha — confessou, e o olhar deles finalmente se encontrou novamente.

Naquele instante, toda a hesitação se dissolveu. Não havia mais necessidade de palavras.

Uma cumplicidade profunda e silenciosa nasceu no espaço entre um suspiro e outro.

— Então… — Sussurrou, sua testa encostando na dela — Vamos dançar sozinhos.

— A única a dançar com o exorcista mais marrento que já existiu… — sussurrou, seus dedos se entrelaçando aos dele num gesto que era tanto um desafio quanto uma súplica.

A frase ainda ecoava no ar úmido entre eles quando ele a capturou, num beijo que não foi mais um convite, mas uma afirmação.

Era um beijo ardente e desesperado, que selava uma promessa há muito adiada.

Língua contra língua, uma dança primal de puro sabor e desejo.

Lábios não se encontrando, mas devorando-se, famintos por um sabor há muito negado.

Suas mãos, antes tímidas e hesitantes, tornaram-se ousadas, explorando o território proibido acima das coxas, encontrando a pele quente sob a barreira do tecido.

O mundo exterior desfocou, perdendo toda a forma e significado.

O tropeço que os fez cair entre as ferragens não foi uma interrupção, mas uma aceleração. O baque metálico contra o chão foi abafado pelo rugido de suas auras, que fervilhavam e se entrelaçavam como duas chamas se fundindo.

O ambiente ao seu redor pareceu dissolver-se, as cores e formas derretendo numa névoa incandescente de pura energia e vontade.

— Amai… — O nome dela escapou dos lábios como um rasgo, um som rouco e ofegante entre um beijo e outro, enquanto suas mãos, impacientes, buscavam os fechos de sua roupa. O tecido cedendo foi um som visceral — …Tem certeza?

Ela arqueou o corpo contra, uma resposta silenciosa mais eloquente que qualquer palavra.

Seus olhos, embaçados pela paixão, encontraram os dele.

— Ainda pergunta? — Mordeu o lábio inferior, um gesto nervoso que não conseguiu conter um gemido abafado quando sua própria mão deslizou para baixo, pressionando a palma contra a tensão evidente na sua virilha, sentindo o corpo estremecer sob seu toque — Faça! Por favor… Yami… Não me faça esperar mais.

E ali. Pode sentir a vida após tanto tempo…

Fim da leitura

Capítulo 369 concluído

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