A Ordem Espiritual — Capítulo 371: CAPÍTULO 371 - 350 - Assassino de narrativas

A Ordem Espiritual
Cap. 371
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A Ordem Espiritual

CAPÍTULO 371 - 350 - Assassino de narrativas

Capítulo 371

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Capítulo 350 - Assassino de narrativas

A Ordem Espiritual

— Maldito! — bradou Luciel do leito de seu trono, rindo da própriadesgraça — Como ele pode perder assim? A essência…

— A essência está com Alum, meu senhor — Asmael interrompeu, reverente — Se esqueceu?

— Me esqueci?

— Sim, — arfou, quase sem ar — Faz tempo… Mas esse seu plano se concretizará de uma forma ou de outra. Você pode encarnar Dádivas através de Alum, não pode?

— Posso… — um nervosismo lhe subiu à face — …Mas não acha que será perigoso?

— Tem medo de ter a essência roubada? — Asmael inclinou-se, as garras quase tocando a própria face zombeteira, oculto atrás da sombra que vestia — Como? Alum não pode ser roubado. Ele existe além dessa dimensão. Na verdade… mal consigo visualizar o que ele é.

— Nem mesmo ao vê-lo! — Se ergueu, irritado — Sua forma só pode ser entendida através da percepção de Lucis. Ela pode ver, através de sua onisciência absoluta, tudo no fluxo presente.

— Hm… — Asmael levantou-se dos joelhos, cauteloso — O que foi?

— Hã?

— Você… está diferente, desde que saiu do trono.

— Ah… — riu, tocando o próprio peito como quem encontra algo novo — Percebeu?

— Senhor?

— O único! — disse, olhando ao redor com desprezo — Que irritante… ter um corpo tão fraco!

Soltou um bocejo, como se nada ali o impressionasse.

— O-qué…?

— Não se preocupe… — estalou os dedos — Eu só vim eliminar Bezeel. Sinto que Luciel nunca iria até o fim com ele no caminho.

— Como?

— Esperava que você me dissesse — sorriu, afiado — Afinal, quem pode criar ramificações e prender outro demônio no tempo… é você.

— Já sabe?

— Já. Eu percebi ele derrubar sua infinitude de tempos. Onde o escondeu?

— Escondi? Não… — abriu a palma. Uma pequena árvore cósmica emergiu, do tamanho de um bonsai, com galhos que cintilavam como linhas de universos — Ele perdeu a essência que absorveu, então… dei camadas temporais pra ele comer. Quando absorveu o suficiente, eu criei um Multiverso de bolso. Legal, né?

— Criativo — os olhos se estreitaram — Mas desfaça.

— Tá… — Asmael o olhou pela última vez — Mas onde?

— Presente.

— Onde?

— Onde o corpo estava da última vez.

— Tá… — Suspirou, reunindo energia na palma — Dĭlábere, lūx.

Se abriu como um corte na própria espinha do tempo.

E daquela ordem, rasgada, convulsa, inevitável, renasceu o único que nunca deveria voltar.

No exato ponto onde enfrentara o Idealista, brotando como espinho da terra, o corpo esguio emergiu em pura escuridão, suas formas arrancadas do silêncio primordial.

— M… mundo…?

A voz não soou — foi sentida.

Em cada pedaço daquele plano.

Nos pares em êxtase, nos guerreiros em batalha, nos sonhadores em devaneio, nas mães em prece…

Tudo vibrou. Tudo estremeceu.

— M-mun… undo!

Ao se levantar, sua natureza sombria começou a desfazer a realidade, como tinta preta derramada sobre uma pintura que ainda tentava existir.

— Caramba! — Alum desceu do céu pousando no corpo do próprio servo como um meteorito sorridente — Você… absorveu a escuridão de bilhões de mundos! Está… terrivelmente lindo!

— I-irmão…?

Mas quando falou, a intenção assassina, selada dentro dele desde antes do verbo, se liberou como um relâmpago faminto de pura escuridão.

Alum não conseguiu desviar.

O golpe veio rápido demais.

O braço voou… arrancado no mesmo instante.

Sangue púrpura caiu aos seus pés como pequenas noites recém-nascidas.

— Você… — Ergueu o rosto, mais fascinado do que assustado — …absorveu energia suficiente para isso? Uau…

Ele deu um passo.

O ser, monstruoso, renascido, incompleto… desviou por instinto, mas não adiantou:

foi agarrado pelas costas, erguido como uma criança pelas mãos do Senhor do Abismo.

— Isso vai ser um saco! — reclamou — Você deve ser capaz… de superar aquele idiota do Luciel e a tranqueira do Asmael!

Jogou-o para cima com desprezo, simples, mas que rasgou o ar, quebrando a barreira entre mundos.

E o ser foi arremessado para outra realidade.

— Vou ter que acabar com o multiverso para te dar um fim…

Suspirou, cansado.

Como quem reclama da faxina do dia, enquanto o tecido da criação se desfazia atrás dele.

Bastou olhar para cima e já reaparecia em meio a um jogo de basquete.

O som dos tênis no chão, o apito distante, o giro da bola… tudo congelou ao redor quando o rasgo dimensional se abriu no teto invisível da quadra.

— Ainda estamos no mundo original…

Ele segurou um disparo de trevas que teria aniquilado aquela variação inteira da realidade.

A palma da mão deformou a escuridão em curva, como quem segura o dente de um animal raivoso.

Como sabia?

Aqui, a Ordem se manifestava como uma organização espiritual de basquete. Quadras sobrepostas, regras metafísicas, equipes que treinavam o equilíbrio dos mundos.

— Tsk!

— P… pai?

A voz tremeu atrás dele.

O demônio o encarava como quem vê um ponto final voltar a ser vírgula.

Ele virou o rosto devagar.

— Agora notou? Mas… Luke…

Transformou a destruição em matéria, e da matéria criou uma ponte: um arco cintilante que atravessava o espaço para outro plano.

Ele ficou à frente da abertura,

impedindo a passagem.

— Eu não sou seu pai, merda!

E então veio o som.

Um estalo surdo.

As asas.

Asas… centenas, milhares brotaram das costas do ser renascido, cada pena um fragmento do nada, cada batida uma anulação de sentido.

O ser tentou agarrá-lo, mas já caía para fora do Megaverso, arrastado por gravidades contrárias, indo além das histórias conectadas àquela.

— Alum?

Ele estava atrás. Passos lentos. Pacientes. Cruéis.

— Sinceramente… eu não quero estragar nada antes que eu seja o Deus.

O olhar percorreu o tecido infinito: Eco, 1969, O Lorde do Abismo, linhas, obras, universos, tudo aberto diante dele como um livro desentranhado.

— E você… é um problemão.

Acumulou energia na mão, o suficiente para criar OUTRO Leviel, e disparou contra o ser,

que voava entre as raízes daquela dimensão como um inseto fugindo de um incêndio.

O impacto explodiu silenciosamente, jogando-o para linhas adiante, desalinhando eras, empurrando-o para a fronteira dos primórdios.

— Agora estamos onde todas as histórias começam…

A luz atrás tremia.

— Isso… é a razão de eu odiar este mundo.

Ele saiu daquela realidade como se fosse uma vidraça, pulando sobre os cacos do universo, vendo a ficção por dentro como costuras expostas.

— Acho que esse é o limite do meu avatar…

Bezeel freava no ar. Seu corpo chocou-se contra outro multiverso: uma bolha infinita,

um cosmos fechado, que se estilhaçou com o impacto.

Mas ele emergiu do outro lado… imenso. Monstruoso. Radiante de destruição.

Sua risada rasgava as dimensões adjacentes, quebrando histórias, trincando enredos, engasgando trilhas de destino.

— Tá gostando, seu filho da puta?

Ecoou, abrindo fissuras onde nenhuma linguagem deveria entrar.

— Por que eu… to odiando essa futilidade!

Fim da leitura

Capítulo 371 concluído

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