A Ordem Espiritual — Capítulo 376: CAPÍTULO 376 - 353 - Masculinidade

A Ordem Espiritual
Cap. 376
0%
A Ordem Espiritual

CAPÍTULO 376 - 353 - Masculinidade

Capítulo 376

1.093 palavras~5 min de leitura

Capítulo 353 - Masculinidade

A Ordem Espiritual

— Uff…

O suspiro rasgou o silêncio quando se afastou levemente de Amai, o corpo ainda trêmulo, quente demais para si.

Seus lábios estalaram sob a pele pêssego dela, brasas tocando um campo de flores.

As fibras do abdômen roçavam no dela como chispa e maré… um encontro de forças que não sabiam mais diferenciar calor de destino.

— Eu… me queimei…

Riu, desacreditado.

Havia eras em que entrava no fogo e encontrava apenas o frio,

mas ali, naquele instante, o calor o alcançara de volta… arrebatador.

A something in a summer’s day…

— Só você? — provocou, o corpo marcado por fios de suor que cintilavam, constelações rubras sob a luz difusa.

Via-se o cosmos no respirar dos dois, como se o choque de seus corpos tivesse sido o nascimento de estrelas no exato instante de uma supernova.

Era Andrômeda em sua junção fatídica com a Via Láctea.

Não um encontro, mas um destino em curso: dois oceanos de estrelas se reconhecendo à distância, atraídos não só por vontade, mas por acaso.

Os olhos dela estavam em neblina, transbordando um brilho que não era fadiga, epifania.

Transbordando nebulosas.

A boca úmida, mordida por nervos e desejo enfim se libertava em mais um beijo.

Ele a guiou novamente na dança, e quando a movimentou, seus ombros deslizaram pelo chão, as costas arranhando a superfície áspera… mas toda a pressão foi absorvida pelo êxtase que se espalhava entre ambos.

Era só os dois a habitar aquele microcosmo.

— Garoto mal… você me fez sua tela e…

Riu, travessa, a voz um sopro elétrico.

Do seu umbigo avermelhado entre seu peito notava-se o quão ele a deu choques.

Era a combinação.

— Eu te pintei — completou, puxando-o para mais um beijo torto, imperfeito, delicioso.

O sobretudo estendido servia de ninho, palco, altar… onde gesto e gemido deles florescia

num terreno que só existe quando duas almas em êxtase

inventam um mundo próprio.

— Foi… e… você me revelou um Yami nada gelado… — comentou, com um meio-sorriso atento — Escondeu ele por tanto tempo, foi?

Ele mordeu o lábio e desviou o olhar.

Era nítido: aquilo lhe causava calafrios a cada instante, como se o simples fato de ser visto em completude a deixasse exposta demais.

Já eram um consigo.

— Ele dormia em meus medos…

— Medos?

— Medo de… viver…

— Ah… — suspirou, cruzando os braços, as bochechas levemente coradas — Tem certeza que não era só medo de se afundar num vulcão como eu?

— Também…

— Sério?

— Não — riu ao admitir — Só queria ver um sorriso bobo na sua cara…

— Ah… — repetiu, estapeando de leve o próprio rosto, antes de puxá-lo para perto e derrubá-lo num beijo impulsivo, colocando-se por cima — Então você é do tipo que mente pra agradar uma dama?

— Talvez… — respondeu, ainda sorrindo — Mas tem que valer a pena!

O riso dos dois se misturavam, e por um instante, não havia frio, nem medo… apenas a leveza de existir.

Do presente… o tempo corria.

Não como fluxo, mas como pressão.

E o fim já não era promessa,

nem profecia distante, estava batendo às portas, impaciente,

como quem sabe que será atendido.

Segundos…

Minutos…

Horas.

O tempo não avançava, mas acumulava-se.

Empilhava instantes como camadas de poeira sobre a mesma decisão, até que respirar se tornasse um esforço consciente.

Em uma ramificação recém-criada, Miyazaki se preparava para abrir a porta

que o levaria ao próprio fim.

A mão pairou sobre a maçaneta.

Não tremia.

Era o mundo ao redor que hesitava.

Do outro lado, nada o esperava, ou tudo.

— Uff… — mas, imediatamente, uma energia negra lhe arrancou a atenção — Um demônio… nos domínios de um exorcista?

Instintivamente, o corpo reagiu antes do pensamento,

arremessando-o para o lado.

Mas não houve impacto —

apenas brisa de escuridão, zombeteira.

— Tem certeza de que esse domínio é de vocês?

Antes que pudesse responder ao leve emanar de seu breu,

a mão do rapaz foi baixada, sem violência… mas sem espaço para reação.

Asmael estava ali.

Na testa do demônio, um portal se abriu: um círculo pulsante de luz distorcida, instável como um erro no tecido do agora.

Aquilo os levaria ao presente.

— Você morreu por descuido — disse direto e sem rodeios — Seu pai me pediu para trazer você.

— Morri? — suspirou, incrédulo — Por causa de uma mulher?

— E tem diferença?

— Tem… — a mão se fechou com violência na porta.

Sem aura, o punho amassou o metal dourado; o impacto fez o sangue brotar de feridas superficiais.

— Eu sou homem… e, portanto, superior!

Veias saltavam-lhe pelos braços.

O golpe pesava toneladas, mas, sem aura, foi a física que respondeu primeiro, dando-lhe as boas-vindas de volta.

— Humanos… — revirou os olhos, entediado — Seja como for… vamos embora?

O portal pulsou mais forte… não no espaço, mas na mente.

Da consciência dele projetou-se um portal astral, não passagem física, mas como eixo de deslocamento interno.

Em vez de transitar entre planos, se materializava mentalmente em tempos.

Não havia movimento.

Havia realocação de existência, a mente ocupando instantes

como um corpo ocupa um lugar.

— Ta…

E o fim que Miyazaki evitara já não estava atrás da porta… estava à espera do outro lado.

O tempo, pela primeira vez,

não soube se ainda estava sendo atravessado

ou pensado.

Ao avançar alguns passos, encontrou o pai.

De costas.

Diante das ruínas do prédio da Ordem, ainda fumegantes — o colapso que se seguiu aos eventos contra o Conselho das Trevas.

— Então… se importa?

— E como não? — o homem se virou, o rosto marcado pela exaustão — Você é meu único filho…

— Agora sou! — a mão dele balançou no ar e, em seguida, explodiu em gargalhadas — Sério que morri? Tecnicamente eu… sou melhor que ela!

— Sua namorada?

— Ah… — arfou, a bravata perdendo fôlego — É…

— Não! — coçou a cabeça careca, as unhas deixando riscos vermelhos na pele — Ela é naturalmente superior.

A voz endureceu.

— Mesmo que você carregue o conhecimento de eras, de seus tios e bisavós, sua técnica ainda está abaixo da de uma… desperta.

— Culpa deles! — rangeu os dentes — Eu deveria ser o melhor! Nosso clã sempre foi superior aos Shirasaki e… aos demais!

— Mentalidade, filho… — o tapa veio seco — E você ainda é vítima da própria incompetência.

O olhar foi implacável.

— Sério que está com raiva disso? Está ignorando o seu privilégio?

— Ehr…

— Você é meu filho! — apontou para as ruínas — Está do lado dos vencedores.

A voz baixou, mas não cedeu.

— Aja como um!

— Entendi. — esfregou a mão no lado direito do rosto; os lábios ressecados se fecharam por um instante — Desculpa…

— Desculpas aceitas. — com a manga esquerda, ele limpou a mão direita. Houve uma breve pausa — Você… sente por ela?

Fim da leitura

Capítulo 376 concluído

CAPÍTULO 376 - 353 - Masculinidade