A Ordem Espiritual — Capítulo 49: CAPÍTULO 49 - 41.1 - Possessão

A Ordem Espiritual
Cap. 49
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A Ordem Espiritual

CAPÍTULO 49 - 41.1 - Possessão

Capítulo 49

373 palavras~2 min de leitura

Capítulo 41.1 - Possessão

A Ordem Espiritual

Algumas horas antes…

O beco estava úmido. Escuro. Impregnado pelo cheiro de óleo velho e abandono.

Ali entrou o detetive mais famoso de Nova Tóquio — o único com coragem de investigar os desaparecimentos.

Quase todos eram crianças. Idades entre sete e nove anos. Predadores. Tráfico humano.

A podridão que o governo tradicionalista fingia não existir.

Mas o azar dele… é que justiça e bondade não definem o destino.

Passos o levaram até os fundos de uma antiga fábrica. Um prédio corroído pelo tempo — e por algo pior.

Ali, onde antes corpos haviam sido encontrados… e provas evaporaram misteriosamente…

Ele viu.

Leviel.

O tempo parou.

Um som ecoava no silêncio: o gotejar de algo quente e vivo escorrendo no concreto.

A criatura à sua frente parecia saída de um delírio febril: pele escamosa, pingando sob a luz trêmula, olhos afiados de sadismo…

E, de forma quase absurda, um ar envergonhado. Tímido.

— Desculpa… — murmurou, com um sorriso desconcertante — Mas você vai ser a vítima do dia!

O detetive girou nos calcanhares, reflexo treinado pela sobrevivência.

Mas as pernas… travaram.

Um frio cortante subiu-lhe a espinha como se a coluna fosse um rio congelando de dentro para fora.

E então — um toque.

Lábios secos roçaram seu ouvido.

— Seja minha peça…

Foi a última coisa que ouviu antes de apagar.

Mas aquilo…

não foi uma simples possessão.

Não.

Foi uma invasão íntima.

Uma cirurgia de alma sem anestesia.

Um espelho estilhaçado… em que o reflexo assumiu o controle.

E quando despertou, estava nu. Submerso.

Engasgando.

Emergia em águas negras, densas como óleo.

Não sabia se era real. Mas doía.

— O-onde estou…? — perguntou, ofegante, tentando respirar o impossível.

Uma risada ecoou.

Vinha de todos os lados.

De dentro também.

E então viu.

Uma figura… parecida com ele mesmo.

Ou com o que ele fora.

O demônio vestia seu rosto como se fosse uma máscara arrancada de um cadáver quente.

— Está no fundo do poço.

— Dentro de si.

— A parte que esconde… a inveja. A inveja de ser sempre menos, mesmo fazendo mais. A essência humana.

Crua. Sem máscara.

Foi essa a maçaneta girada por dentro.

A porta que o Diabo só precisava atravessar para estar no controle.

E agora… não iria embora.

Fim da leitura

Capítulo 49 concluído

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