Akaru! Os Demônios de OxfordCAPÍTULO 39 - 39 - Cerco
Capítulo 39Capítulo 39 - Cerco
Akaru! Os Demônios de Oxford
Do outro lado da batalha, Koji levantou-se, ofegante, passando a mão na boca para tirar o sangue, enquanto seu corpo ainda sentia o impacto do último soco que recebeu de Alaric.
Num rápido momento, Koji levou uma joelhada no estômago.Tamp!— Bora! Não vai lutar? — disse Alaric, sorrindo e provocando, antes de engatar um soco direito no rosto de Koji.
Cada golpe que Alaric desferia era como um martelo atingindo seu corpo, e as esferas ao seu redor, que antes pareciam uma proteção infalível, não conseguiam acompanhar a velocidade e a precisão de Alaric.
— Se as esferas… não vão me proteger eficientemente contra a energia externa dele… estou ferrado — levantando-se do chão, Koji sabia que sua defesa era inferior às ofensivas do oponentes, logo não havia como estar confiante — Antes, eu tinha certeza que as esferas conseguiram barrar tudo, agora isso parece impensável. Não tenho mais defesa.
Quando…Vop!Alaric surgiu à sua frente como um fantasma, tão rápido que Koji mal conseguia reagir.
— Não! — gritou Koji, instintivamente, segundos antes de ser novamente atingido.
O soco de Alaric o acertou no peito, arremessando-o para longe. O impacto fez seus pulmões queimarem, e por um segundo, ele sentiu como se o ar tivesse sido sugado de seu corpo.
— Ele se move como se eu estivesse atrasado, sei lá… Que coisa estranha. Nem consigo acompanhar os movimentos.
— Quanta dificuldade, hein, Koji? — gritou Spherea de longe, sorrindo da cara de seu parceiro.
— Desgraçado desse não me ajuda nunca…
Vop!Num piscar de olhos, Alaric apareceu ao lado de Koji, como se a distância entre eles fosse irrelevante. Ele o ergueu pela gola da camisa, com o rosto de Koji a centímetros do dele, e disse com desprezo.
— É sério que vai ser tão fácil assim? — Alaric falava como se Koji fosse uma criança indefesa.
Ligeiramente, Koji moveu seu braço esquerdo contra a mão direita de Alaric, se soltando repentinamente. Em seguida, tentou dar um soco cruzado na altura do queixo de seu adversário, que desapareceu de sua frente.
— Huh? Cadê ele?
“Fragmentação!”sussurrou Alaric, de pé no alto de um pequeno prédio de dois andares que estava prestes a desabar.
De repente, o som de fragmentação tomou conta, e Koji sentiu, com pavor imediato, o solo atrás dele se deteriorando em partículas cortantes. Alaric olhava para ele com um sorriso sádico, apontando para Koji e gritando.
— VOCÊ E SEU AMIGO VÃO MORRER AQUI! AINDA NÃO SE LIGOU DA SITUAÇÃO MERDA EM QUE SE COLOCARAM?
Mas Koji lembrou-se da dica que Spherea deu para ele usar.
— POR QUE TU FALA IGUAL UM ADOLESCENTE MIMADO? — gritou ele, apontando para Alaric.
— É o quê? — Alaric parou de estimular a Fragmentação e, olhou, meio perplexo e pensativo, para Koji.
— É… TÁ REVOLTADO, É? O QUE FOI? TUA MAMÃE NÃO TE DEU COMIDINHA NA BOCA?
— O QUE ISSO TEM HAVER? — surpreso, Alaric gritou, gesticulando confuso com os braços.
— ACHA QUE NINGUÉM SABE QUE GOSTA DE STAR WARS? DE JOGAR VIDEO GAME O DIA TODO?
— Ah… POR QUE NÃO CALA A BOCA?
De longe, Spherea ria descontroladamente.
— Ha!Ha!Ha! Que garoto idiota! Ele realmente fez o que eu disse. Ha!Ha!Ha!
— VAI! FALA PRA MIM QUE TU AMA FORTNITE MAIS QUE SEU PAI!
— Aah… — Alaric coçava as orelhas, passava as mãos no rosto de maneira agoniante. Ele estava totalmente desconfortável e os gritos incomodava muito — Ah… CALA A PORRA DA BOCA!
E nem se quisesse, Koji não sentiu a aproximação extremamente rápida de Alaric, atingindo-o com um chute na costela direita e, quando Alaric tentou investir um soco seguido bem no meio da cara, Koji tirou o rosto bem na hora, esquivando para o lado e caindo no chão, desequilibrado.
— Sai! Sai! — disse Koji, caído e arrastando-se para longe do Alaric, que rindo, falou —“Vórtices Serrilhados”
Pequenos vórtices de partículas cortantes surgiram ao redor, impedindo uma possível fuga do Koji, e ainda o prendendo dentro de um círculo formado pelos vórtices, obrigando-o a recuar mais a cada segundo.
— Tsc. Sabia que essa ideia do Spherea não ia dar em nada. Agora tô sem saída — pensou Koji enquanto olhava para todos os lados e via-se preso.
As suas esferas, altamente perdidas por não acompanharem Alaric, agora estavam mais estabilizadas, pois não era mais a velocidade de Alaric como oposição, mas sim novamente as vórtices nas quais já foram derrotadas pelas esferas antes.
— Merda. Minha energia externa tá sumindo — Koji esticou os braços e olhou para eles, percebendo a redução drástica.
Quando a energia externa dele se dissipou inteiramente, Koji sentiu suas pernas fraquejarem, e uma dor imensa se espalhou por todo seu corpo.
— Aii! Spherea! Que dor é essa… Spherea! — preocupado, Koji clamava para Spherea aparecer.
Então, Spherea apareceu frente ao Koji, que continuava a sofrer com dores fortes no corpo e pernas fracas.
— Fraquejou as pernas, foi, Koji? — brincou Spherea, de certo modo indiferente, e se divertindo. Enquanto Koji estava com raiva, além das dores — Que dores são essas? Por que eu tô sentindo isso do nada?
— Vou usar uma analogia que te faça entender rápido, tá?
— Fala logo! — Koji estava quase caindo no chão de tantas dores nas pernas.
E Spherea explicou.
— Imagine um jovem, não tão forte e não tão fraco, que nunca treinou nada na vida e não tem experiência com atividades físicas. Então, esse jovem decide ir à academia pela primeira vez, faz os treinos ali com a companhia de um profissional orientando, e no fim, sente dores, mas é suportável. Só que no dia seguinte, as partes que ele treinou estão doendo mais do que no dia que ele treinou. Estão pesados e bem doloridos Por que? Simplesmente devido à primeira estimulação muscular que o corpo dele registrou.
— É praticamente o que aconteceu comigo, então?
— Exato. A diferença é que no teu caso, as dores são imediatas após a dissipação completa da energia externa.
Nesse momento, a perna esquerda do Koji cedeu, fazendo-o cair no chão, enquanto as pequenas vórtices já estavam tão próximas que fazia ventar em direção ao meio do círculo, que no caso, quem estava no meio do círculo era o Koji, cercado totalmente pelos vórtices.
Mesmo vendo a queda de seu portador, Spherea virou-se despreocupado, e Koji soltou.
— Por que não me ajuda? Por que sempre se vira ou some quando eu preciso?
— Hum… Nada disso. Eu apenas decido não ajudar. É uma decisão simples para mim, e saiba que eu faria isso com qualquer um que fosse meu portador. Então não se vitimize tanto — ainda de costas, Spherea disse num tom calmo e levemente mais sério.
— NÃO VAI SE MEXER? EU SEI QUE ESSA SOMBRA AÍ NÃO VAI SOFRER NADA COM AS VÓRTICES, MAS VOCÊ VAI! — gritou Alaric, empolgado e socando o ar em animação no lado de fora do cerco das vórtices.
Olhando para os cortes que se aproximavam e para as esferas que pairavam ao seu redor, protegendo-o. Koji disse pausadamente, com certa dificuldade para falar.
— Spherea, eu só quero que me ajude… consegue fazer isso?
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