Akaru! Os Demônios de Oxford — Capítulo 53: CAPÍTULO 53 - 53 - Aquele Que Salva

Akaru! Os Demônios de Oxford
Cap. 53
0%
Akaru! Os Demônios de Oxford

CAPÍTULO 53 - 53 - Aquele Que Salva

Capítulo 53

1.074 palavras~5 min de leitura

Capítulo 53 - Aquele Que Salva

Akaru! Os Demônios de Oxford

A madrugada estava pesada, abafada, como se a própria cidade de Cuiabá respirasse sob pressão. Dentro da morada subterrânea, os cinco dormiam espalhados como podiam: Koji deitado na cama ao fundo, Saik no chão próximo ao telescópio, Tovah em um colchão improvisado, Nahome encostado em uma parede e Davi em uma cama menor ao lado da cozinha. O silêncio da madrugada foi rompido por um som seco e ritmado: batidas na porta.

Koji abriu os olhos instantaneamente, sentindo o coração acelerar. Saik já estava de pé, silencioso e atento, enquanto Tovah murmurava algo inaudível, tentando se orientar no escuro. Davi, com os pés descalços, correu para o interruptor e acendeu a lâmpada fraca que iluminava o abrigo.

Nahome perguntou, com uma voz firme, mas baixa, enquanto pegava o dispositivo de comunicação no bolso — Quem está aí?

As batidas cessaram. Todos ficaram em alerta, com os olhos fixos na entrada. A escada estreita parecia mais ameaçadora do que nunca.

— Isso não é bom — murmurou Saik.

— Não podemos ignorar — Tovah disse, andando até a escada. Ele olhou para os outros antes de subir — Se algo nos esperava lá fora, já saberiam que estamos aqui. Eu vou na frente.

Tovah subiu devagar e os degraus rangiam levemente sob seu peso. Ele empurrou a pequena porta que dava para a superfície, que abriu com um som agudo de metal enferrujado. Quando colocou a cabeça para fora, ele parou, estático.

— Mas que… inferno é esse? — sussurrou.

— O que foi? — Koji começou a subir. Ele rapidamente alcançou Tovah e, ao emergir, viu o que o deixara tão perturbado.

Centenas de milhares de corpos flutuavam no ar. Homens, mulheres, crianças; todos com os olhos fechados, imóveis, suspensos a dez metros do chão como marionetes invisíveis. O céu acima estava escuro, coberto por nuvens densas, e um vento frio assobiava pelas ruas vazias da cidade.

Nahome, Saik e Davi logo também subiram, todos em silêncio. Davi agarrou o braço de Nahome, assustado, enquanto olhava para a cena.

— Isso é obra do Conclave — Saik finalmente disse, observando os corpos com um olhar duro — Um rito. Provavelmente um trunfo ofensivo.

Tovah perguntou, ainda processando a cena — Mas o que eles estão fazendo com essas pessoas? As pessoas estão mortas?

— Não parecem mortas — Koji respondeu, inclinando a cabeça para observar mais de perto — Não vejo sinais de sangue.

— Então estão desacordadas… — Nahome comentou, mas a frase saiu mais como uma pergunta. Ele estava tentando racionalizar o que via — Por que tantas pessoas? Qual o propósito?

Davi finalmente falou com sua voz tremendo — Talvez eles estejam… coletando pessoas? Para o Domo?

Saik acrescentou — Isso é muito mais organizado do que imaginávamos. O Conclave não está apenas consolidando poder. Está realizando algo em uma escala que nunca vimos.

O vento aumentou, trazendo consigo um som baixo, quase como um gemido distante. Koji sentiu um calafrio percorrer sua espinha — Precisamos fazer algo. Não podemos simplesmente ficar aqui olhando — ele disse, dando um passo à frente.

— E o que você sugere? — perguntou Tovah, sem tirar os olhos da cena — Invadir o Domo agora? Sem saber o que vamos enfrentar?

Koji apertou os punhos, frustrado — Não podemos ignorar isso!

Nahome interveio — Calma, Koji. Precisamos de informações antes de qualquer movimento. Se entrarmos no Domo às cegas, acabaremos igual a essas pessoas. Ou pior.

Seriamente, Saik opinou — Não sabemos se o Conclave já notou nossa presença aqui. Isso pode ser um aviso. Ou uma armadilha.

Mas, de repente, o inesperado aconteceu. Para a surpresa de todos, os milhares de corpos suspensos começaram a cair simultaneamente.

Koji abriu a boca para gritar um aviso, mas o som ficou preso em sua garganta. Era rápido demais.

Com precisão impecável, ele ergueu uma barreira circular de energia reforçada ao redor do grupo.

Quando os corpos atingiram o chão, explosões devastadoras começaram em toda a cidade, cada impacto liberava uma onda de destruição que lembrava a força de ICBMs. O solo tremeu, e o céu noturno foi iluminado por clarões intensos de fogo e energia.

A voz de Elátos ecoou na mente de Saik, profunda e firme “Você sabe o que fazer, Saik. Está na hora de usar aquilo que discutimos.”

Uma cena antiga emergiu na mente de Saik; uma conversa entre ele e Elátos, que falava diretamente na mente, ocorrida durante um treinamento exaustivo em outra época.

“A Ampla Prisão Vívida não é apenas uma técnica, Saik. Ela é um teste de tudo o que você é. É sua vontade, determinação e propósito combinados em sua forma mais pura. Não é uma barreira comum; é um sacrifício, uma rendição completa de corpo, mente e alma.”

Naquele dia, Saik, mais jovem e impetuoso, havia questionado “Mas o preço… e se for demais?”

Elátos riu levemente “O preço sempre será alto, garoto. Mas lembre-se, poder sem propósito é vazio. Qual é o seu propósito, Saik? Por que luta? Por quem se sacrifica?”

De volta ao presente, a lembrança aqueceu o coração de Saik, trazendo determinação. Ele ergueu as mãos e a energia ao seu redor cresceu exponencialmente.

No entanto, Saik sentiu o impacto direto no corpo. Suas pernas tremiam e sua visão turvava. Ele sabia que estava no limite e quando caiu, segurado por Koji, antes que caísse no chão, relembrou novamente do passado;

Ele e sua mãe sentados em volta da mesa da cozinha quando ele tinha apenas 13 anos. A voz suave e carinhosa dela parecia envolver seu coração. Era noite e, Saik olhava para a cruz de madeira na parede do cômodo e num tom meio provocativo, perguntou.

— Mãe, por que a senhora… parece amar mais Ele do que o papai — apontou para o crucifixo.

— Por que amo Ele? Você vai entender, filho. Pouquíssimas pessoas arriscam suas vidas para salvar vidas alheias. E, olha, isso é até normal, porque ninguém vai se arriscar por um desconhecido. É por isso que respeito Ele. Porque, mesmo sem nos conhecer, mesmo sabendo que muitos nem o queriam, Ele deu a vida para salvar todos e nos deu a chance de chegar até Ele. Hm… Se você fosse um herói, faria isso, filho?”

— Acho que o Batman faz isso, então eu faria sim… — a memória se dissipando enquanto seu corpo cedia.

A Ampla Prisão Vívida finalmente estabilizou o ambiente, inutilizando o desastre. Cuiabá estava salva, o país e o mundo havia sido salvo. Saik não conseguia nem mover o corpo, de sua boca e nariz sangue escorria…

Fim da leitura

Capítulo 53 concluído

CAPÍTULO 53 - 53 - Aquele Que Salva