ARGUEM: O ImpérioCAPÍTULO 184 - 184 — Pilar da Força II
Capítulo 184Capítulo 184 — Pilar da Força II
ARGUEM: O Império
O primeiro golpe veio sem aviso.
Morgan só pôde sentir o calor insuportável dar lugar a uma geada súbita, um frio cortante que descia a temperatura do ambiente de forma brusca.
Ele já havia visto aquilo antes.
Era a troca de técnica de Celsio, algo que ele chamava de“Troca de Grau”.
Uma crosta de gelo começou a se formar na extremidade da armadura de Morgan, rangendo contra o metal ainda quente, e então o impacto veio.
O IronFist foi lançado para cima por um golpe da espada de Celsio. A lâmina deslizou ao correr pelo metal vermelho da armadura anã, espalhando faíscas azuladas pelo ar enquanto Morgan sentia o ar escapar dos pulmões.
Celsio avançou.
Não foi um ataque isolado, mas uma sequência brutal: espada, ombro, joelho, lâmina girando em arcos curtos que não buscavam matar, apenas não deixar Morgan respirar. Cada passo do ex-pilar fazia a temperatura cair mais um pouco, não como um feitiço visível, mas como se o próprio ar estivesse sendo drenado de energia. O movimento de Morgan começou a pesar. Seus músculos respondiam um instante tarde demais, suas articulações rangiam sob a geada que se formava por dentro da armadura.
Morgan bloqueou o primeiro golpe com os Demolidores, o impacto explodindo em faíscas azuladas e vermelhas, e o segundo o acertou no flanco antes que pudesse recuar. O terceiro veio de cima, pesado, e o lançou contra o chão. Onde ele rolou para se levantar, a lava líquida já não borbulhava: havia se transformado em pedra negra fumegante, estalando ao contato com o frio absurdo.
— Você não tem ideia do que é ser o Pilar da Força, não é? — a voz de Celsio ecoava entre um ataque e outro, calma demais para o caos que criava.
Morgan tentou avançar, forçando mana nos punhos, explodindo o chão petrificado sob os pés para ganhar impulso. Conseguiu encaixar um golpe, um direto violento que fez o ar vibrar, mas Celsio aparou com a lâmina, desviando a Singularidade da Anã Azul para o lado e respondendo com um chute seco no abdômen. Morgan sentiu o corpo dobrar antes mesmo da dor chegar. O frio agora queimava por dentro, roubando fôlego, Morgan sentia dor até para respirar.
— Ser o Pilar da Força é ter um poder destrutivo tão descomunal que nem mesmo o imperador possa sonhar em te desafiar sem ser levado junto numa luta até a morte! É ser a definição perfeita deforça!
Celsio avançou de novo. Cada golpe abaixava ainda mais a temperatura, cada deslocamento congelava o terreno ao redor. A arena se transformava sob seus pés: rios de lava endureciam, vapores se condensavam em cristais de gelo escuros, o ar ficava denso e pesado. Morgan bloqueava como podia, desviava no limite, sentia o corpo gritar enquanto forçava mana além do confortável só para não cair.
— Você ainda está incompleto, Morgan.
Essa frase doeu mais que a lâmina.
Morgan rosnou, tentando responder, tentando explodir tudo em um contra-ataque desesperado, mas simplesmente não havia espaço. A espada de Celsio desceu em diagonal, o punho veio logo depois, e o IronFist teve de cruzar os braços para não ter o peito aberto. O impacto o arrastou vários metros pela pedra recém-formada, deixando um rastro de rachaduras congeladas.
— Eu já vi o que você pode fazer. — disse Celsio, avançando mais uma vez, os olhos frios, atentos. — Uma única vez, anos atrás… e você nem estava consciente disso.
Morgan se levantou com dificuldade, o vapor quente do seu fôlego colidindo com o ar gelado ao redor. O ódio queimava onde o frio tentava dominar.
— E é por isso… — Celsio concluiu, erguendo a espada enquanto a arena infernal ao redor parecia congelar. — …que eu não vou parar até te arrancar esse poder de novo.
E então ele atacou, mais rápido, mais frio, mais opressor como se o mundo inteiro estivesse tentando esmagar Morgan sob o peso do verdadeiro significado de ser o Pilar da Força.
Morgan bloqueou mais um golpe por reflexo, os Demolidores rangendo sob a pressão absurda da lâmina. O impacto o fez deslizar para trás sobre a pedra congelada, os pés quase falhando.
— Todo esse discurso sobre força não explica nada! — ele gritou, forçando o corpo a avançar outra vez, mesmo com os músculos gritando em protesto. — Se não foi covardia… por que você largou tudo?!
Celsio respondeu com um corte horizontal, baixo, que Morgan só conseguiu evitar saltando por cima. Ao pousar, sentiu o frio travar suas articulações por um instante perigoso.
— Você não está pronto para ouvir essa resposta. — Celsio disse, sem sequer olhar para ele.
— Eu estou lutando com você agora! — Morgan urrou, avançando com uma sequência bruta de socos, cada impacto fazendo o ar explodir em azul. — Estou sangrando, estou congelando, estou ficando de pé mesmo assim! Se isso não é estar pronto, então o que é?!
Celsio aparou os golpes com movimentos mínimos, quase econômicos demais para a violência envolvida. Por um instante, o ritmo diminuiu, não porque Morgan melhorou, mas porque Celsio permitiu.
— Eu não abandonei o cargo por medo de perder. — Ele disse, finalmente. — Abandonei porque percebi algo muito pior.
O frio ao redor deles se intensificou de forma abrupta. A lava petrificada começou a rachar, estalando como vidro sob tensão.
— O Pilar da Força não pode duvidar de si mesmo. — Celsio continuou, a voz baixa, pesada. — Ele não pode sequer imaginar a possibilidade de ser superado.
Morgan sentiu um arrepio que não vinha da temperatura.
— E você… — Celsio ergueu a espada, a lâmina azul refletindo os olhos arregalados do discípulo. — …fez isso acontecer.
O golpe veio logo em seguida, violento, lançando Morgan contra o chão congelado.
— Naquele dia… — Celsio completou, avançando mais uma vez. — Por um único instante, eu não tive certeza absoluta de que era o mais forte de Ossuia.
A pressão da mana de Celsio caiu sobre Morgan como uma montanha.
— E no momento em que essa certeza se quebra… — ele disse, encarando-o de cima. — …o Pilar da Força deixa de existir. E eu não podia permitir que Ossuia tivesse um Pilar que, por um instante sequer, duvidasse de si mesmo.
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