As Guerras da Névoa — Capítulo 249: CAPÍTULO 249 - 242 Os deuses por testemunha

As Guerras da Névoa
Cap. 249
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As Guerras da Névoa

CAPÍTULO 249 - 242 Os deuses por testemunha

Capítulo 249

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Capítulo 242: Os deuses por testemunha

As Guerras da Névoa

A música suavizou quando Nix parou diante do altar. O vento brincou com as cortinas, espalhando o perfume das flores. O sacerdote ergueu as mãos, pedindo silêncio.

O som dos instrumentos cessou, e o murmúrio dos convidados sumiu em um instante.

— Estamos aqui reunidos — começou ele, com voz grave e calma —, sob o olhar dos deuses e das antigas casas, para unir em laço sagrado não apenas dois, mas três destinos. Que a mana que permeia todas as coisas testemunhe esta união e os abençoe.

Aquelas palavras ecoaram em mim como uma batida de tambor. “Três destinos.”

Era mais do que simbólico, era o reconhecimento de que o que tínhamos não nascia de protocolo, mas de dor, de lealdade e de escolhas que poucos ousariam fazer.

O sacerdote fez um gesto, e Joaquim deu um passo à frente, trazendo nas mãos duas fitas: uma vermelha e uma dourada, ambas bordadas com fios de prata.

— As fitas que unem destinos — disse ele, com um meio sorriso, olhando para mim. — Que amarram, mas não prendem.

O sacerdote acenou, e Claire se voltou para mim.Os olhos dela brilhavam com emoção contida.

— Lior Aníbal — começou ela, com a voz trêmula mas firme —, quando te conheci, eu não era nada além de uma sombra dentro da minha própria casa. Passei a vida acreditando que devia me calar, que devia ser menor, para que os outros brilhassem. Ela respirou fundo.

— Mas você me viu. De verdade.

— Foi você quem me fez acreditar que havia algo em mim que valia ser amado.

Claire estendeu as mãos, e Joaquim passou a fita dourada entre nós.

— Hoje, diante dos deuses e dos nossos, prometo ser tua parceira em cada queda e em cada recomeço. Prometo te lembrar de quem você é quando o peso for grande demais, e te amar não por dever, mas porque a vida é mais leve ao teu lado.

Senti a garganta apertar.

— Claire — comecei, e o nome dela já bastou para o resto do mundo desaparecer. — Quando te encontrei, vi uma mulher tímida com o coração ferido e a alma acorrentada por vozes que nunca deveriam ter te julgado.

Respirei fundo.

— Eu não te ensinei a ser forte, só te mostrei o espelho. A força sempre foi tua.

Apertei suas mãos.

— Prometo ser o abrigo quando o mundo se voltar contra ti, e a lembrança de que és suficiente, mesmo quando ninguém mais disser isso.

O sacerdote sorriu e fez um gesto de bênção.

— Que o dourado os mantenha em harmonia, como a luz do amanhecer que renova o dia.

A música voltou a fluir, suave, enquanto Claire se virava para o corredor onde Nix nos esperava com um grande sorriso.Claire se virou para ela, e, num gesto inesperado, desceu um degrau. Depois outro.

O público murmurou.

Ela foi até Nix e a recebeu de mãos dadas, com um sorriso tranquilo.

— Agora é a tua vez, irmã — disse, em voz baixa, mas todos ouviram.

Nix riu, o som leve, quebrando a tensão do salão.

— Eu deveria odiar você, sabia? — brincou, e todos sorriram. — Mas não dá. Você o faz sorrir de um jeito diferente, complementa o que não posso dar a ele. Somos irmãs de alma.

As duas subiram juntas, lado a lado, e o sacerdote olhou para Joaquim, que entregou a fita vermelha.Nix segurou a ponta e olhou para mim.

— Lior, eu nunca planejei te amar. — Ela sorriu de leve. — Você era só mais um humano teimoso e quebrado, preso numa cela, insistindo em sobreviver quando tudo dizia o contrário.

O salão inteiro ficou em silêncio.

— Eu te vi sangrar, te vi perder, e mesmo assim, você ainda achou espaço pra cuidar de mim. — Sua voz se tornou um sussurro. — Então, quando digo que te amo, não é pelo que você faz, mas por quem você é.

Ela passou a fita ao redor do meu pulso.

— Prometo te proteger do que você não vê, provocar o teu orgulho quando ele tentar te dominar e te seguir até o inferno, se for preciso, só pra te trazer de volta.

O sacerdote olhou para mim, e eu segurei a mão dela, firme.

— Nix, quando o mundo me quebrou, você foi quem me manteve inteiro. Quando eu não via mais propósito, você acreditou por mim.

As palavras me rasgavam por dentro.

— Eu prometo nunca te deixar sozinha nas sombras. Prometo honrar o que construímos, mesmo quando o tempo tentar nos apagar. E te amar com o mesmo instinto com que você me salvou.O sacerdote assentiu.

— Que o vermelho mantenha viva a chama que os guiou até aqui.

Joaquim deu um passo à frente, unindo as duas fitas sobre nossas mãos, a dourada e a vermelha, e as amarrou com um nó cerimonial.

— O laço está feito — disse ele, com um brilho emocionado nos olhos. — Que ele nunca se quebre por medo, apenas se desfaça por amor, se um dia o destino assim quiser.O sacerdote ergueu a voz:

— Que a mana testemunhe! Que os laços feitos na chama e na luz permaneçam enquanto houver fôlego em seus corpos!As servas trouxeram as tigelas com o fogo azul. O sacerdote aproximou-as, e nós três estendemos as mãos.

O fogo cintilou, depois se transformou em dourado e carmesim, entrelaçado.

Os convidados suspiraram. O sinal da aceitação divina.

O velho sorriu.

— Declaro, diante dos deuses e das casas aqui presentes, que vossos destinos agora são um só. Claire Umbrani, a primeira esposa, e Nix de Sylvanus, a segunda esposa de Lorde Lior Aníbal.

A música recomeçou. Claire foi a primeira a me beijar, um beijo terno, cheio de calma e de promessa. Depois, Nix me puxou pela gola, com a cauda balançando. O beijo dela foi calor e vida, e o público riu, aplaudindo o contraste.

As velas acenderam sozinhas, até o salão inteiro brilhar como uma constelação viva.

Por um instante, senti o mundo se aquietar dentro de mim.

Como se, finalmente, tudo fizesse sentido.

A recepção aconteceu no pavilhão ao lado, sob um céu que já se tornava violeta. As mesas se estendiam sob os lustres, e o ar tinha o perfume das flores da noite.

Os nobres falavam entre si; as taças tilintavam.Claire, com seu riso sereno, conversava com Isolde e Lenora. Nix gesticulava, animada, fazendo André e Gus rirem alto de alguma piada indecente. Pandora, Cassiopeia, Alisande e outras pessoas também se aproximavam para as parabenizar.

Joaquim se aproximou com uma taça na mão.

— Bem, meu amigo… — disse ele, batendo de leve em meu ombro. — Agora você está oficialmente condenado à felicidade.Ri.

— Condenado e grato.

— E cercado de mulheres perigosas — completou ele, rindo.

— As melhores — respondi.

Brindamos.

Quando olhei novamente, Nix e Claire vinham na minha direção, uma de cada lado.

— Agora é oficial — disse Nix, segurando meu braço. — Você é nosso.

Claire sorriu. — E não tem mais pra onde fugir.

— Nem quero — respondi.

Rimos juntos, sob o brilho das velas e das estrelas.E se os deuses realmente observavam lá do alto, espero que, só por uma noite, tenham se calado para apenas assistir.

Fim da leitura

Capítulo 249 concluído

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