Ascendance of a BookwormCAPÍTULO 201 - 200
Capítulo 201Ascendance of a Bookworm – Capítulo 200
Cerimônia de Batismo de um Nobre
O dia da minha cerimônia de batismo tinha sido movimentado no ano passado, quando eu estava na cidade baixa, mas aqui no Bairro dos Nobres era ainda mais movimentado. Eu tinha sido acordada no início da manhã e forçada a tomar banho, enquanto ainda estava meio adormecida, e agora, estava sendo enviada para tomar café da manhã com minhas roupas normais, por uma questão de limpeza. Só, uma vez que isso fosse feito, eu seria colocada em minha roupa para a cerimônia de batismo.
— Bom dia, mamãe. — Fui para a sala de jantar assim que terminei de tomar banho e encontrei Elvira tomando café da manhã, sozinha.
No Bairro dos Nobres, não íamos ao templo para sermos batizados. Em vez disso, convocávamos sacerdotes para nossas casas e realizávamos a cerimônia lá, então toda a casa estava ocupada. A comida era normalmente servida pelos chefs na cozinha, mas hoje, nossos assistentes estariam nos servindo. A cozinha era, sem dúvida, uma zona de guerra agora, enquanto todos arrebentavam a bunda para fazer comida para todos os convidados.
— Rozemyne, por favor, vista-se assim que puder. Senhor Ferdinando está esperando com um presente.
— Sim, mamãe.
Elvira terminou de comer e saiu, momento em que Eckehard entrou. Ele se sentou à minha frente, oferecendo um sorriso gentil enquanto eu limpava minha comida o mais rápido que podia.
— Bom dia. E parabéns, Rozemyne.
— Muito obrigado, querido irmão.
Eckehard manteve uma conversa leve quando começou a trabalhar em seu próprio prato, o que era um alívio, pois eu estava preocupada que comêssemos em silêncio.
— Ouvi dizer que o Senhor Ferdinando será o sacerdote que conduzirá sua cerimônia de batismo. Estou muito animado, já que esta é a primeira vez que vejo o Senhor Ferdinando concordar em realizar uma cerimônia como esta.
— Espere, esta é a primeira vez que ele faz uma?
Sacerdotes eram chamados para as casas dos nobres para realizar cerimônias de batismo com bastante regularidade, e uma vez que os nobres pagavam-lhes para este serviço, era uma valiosa fonte de renda. Nobres tentavam convocar sacerdotes da mais alta posição possível, e até agora, Ferdinando nunca havia realizado nenhuma cerimônia religiosa no Bairro dos Nobres.
Deve ter sido óbvio pela minha expressão que eu estava me perguntando por que, já que Eckehard começou a explicar para mim.
— O Arcebispo costumava realizar cerimônias para nobres superiores.
Enquanto Nobres superiores e o Arquiduque conheciam Ferdinando, eles também conheciam o Arcebispo, e por isso sempre o convidavam. Isso não era um grande problema para Ferdinando. Ele sempre tinha muito trabalho a fazer e recebia renda de outros lugares, então ele estava mais do que feliz em deixar essas cerimônias para outros sacerdotes.
— Com o Senhor Ferdinando como sacerdote, espero que todas as nobres presentes façam um grande alvoroço — acrescentou Eckehard. Ele explicou, já que Ferdinando sempre vinha ao Bairro dos Nobres vestindo roupas nobres normais, as mulheres provavelmente gritariam de prazer ao vê-lo em suas vestes sacerdotais cerimoniais.
Eu acho que é como ficar animada com um uniforme legal? Estou tão acostumada a vê-lo em suas vestes que não penso em nada, mas eu meio que entendo.
Eckehard e Ferdinando serviram como cavaleiros juntos desde o início da aprendizagem de Eckehard até o dia em que Ferdinando entrou no templo, então Eckehard sabia muito sobre ele.
— Senhor Ferdinando faz tudo tão perfeitamente que as pessoas são mais propensas a respeitá-lo e admirá-lo do que amaldiçoá-lo ou invejá-lo. Alguns até o idolatravam naquela época.
Achei um pouco difícil de acreditar, mas Eckehard aparentemente ganhou alguns trocados enquanto frequentava a Academia Real vendendo informações sobre Ferdinando para Elvira. Talvez eu pudesse fazer o mesmo e ganhar uma boa quantia de dinheiro com isso…
— Você é a aprendiz de donzela do santuário que Ferdinando declarou que tomaria a custódia, então vou cuidar bem de você, como minha irmãzinha. Tudo o que peço, Rozemyne, é que cuide bem do Senhor Ferdinando também. Quero que ele tenha o maior número possível de aliados aqui, e cada um deles faz a diferença.
— Entendido.
Eckehard conseguiu terminar o café da manhã muito mais rápido do que eu e depois saiu. Ele terminou surpreendentemente rápido, considerando que estávamos conversando e ele estava comendo tão graciosamente, para não mencionar que ele tinha começado depois de mim. Eu apressei o resto do meu café da manhã para não ser deixada para trás.
A caminho do meu quarto, esbarrei em Cornélius, que parecia estar indo para a sala de jantar.
— Bom dia, Cornélius.
— Bom dia, Rozemyne. Vejo que eles te arrastaram da cama também, hein?
— Meus assistentes me acordaram. Já terminei meu banho matinal e tomei café da manhã.
Cornélius havia se vestido, mas ainda parecia muito sonolento. Eu notei isso, e ele deu uma pequena risada.
— Acho melhor eu tomar café da manhã, então. Ah, certo, e parabéns, Rozemyne.
— Muito obrigado, querido irmão.
Quando voltei para o meu quarto, era hora de trocar de roupa. Meus assistentes colocaram duas roupas para eu escolher. Ambas combinavam com as preferências de Elvira, até onde eu podia dizer, então escolhi a da direita, sem nenhum motivo em particular. Eu segui as instruções de minhas assistentes, que trabalhavam rápido, sobre onde colocar meus braços e pernas, e fui trocada em um piscar de olhos.
Enquanto meu cabelo estava sendo escovado por uma assistente, em frente a um espelho, um pequeno sino tocou do outro lado da porta.
— Essa seria a mamãe. Deixe-a entrar, por favor.
— Rozemyne, querida, você terminou de se trocar?
— Eu já terminei, mamãe.
Assim que Elvira foi deixada entrar, ela saiu da sala novamente, desta vez, dizendo algo através de outra porta. Momentos depois, ela voltou com Karstedt, que estava usando um conjunto de roupas mais fino do que o normal, e Ferdinando, que estava usando suas vestes cerimoniais e carregando uma pequena caixa. Elvira ficou para trás, enquanto Karstedt e Ferdinando caminhavam até mim, e honestamente, foi muito engraçado ver seus olhos brilhantes enquanto ela olhava para Ferdinando, por trás.
— Parabéns pelo seu batismo, Rozemyne. Ah, sim, isso certamente fica bem em você.
— Eu lhe agradeço muito, papai.
Karstedt elogiou minha aparência, sorriu e pegou minha mão.
— Vou pegar esse anel emprestado por um tempo. Vou devolvê-lo durante a cerimônia — disse ele, enquanto removia a ferramenta mágica do meu dedo. Ele me deu o anel para que eu pudesse registrar um quarto escondido no templo, e para proteção, no caso dos sacerdotes azuis tentarem alguma coisa, mas, tecnicamente, era algo que ele deveria me dar durante a cerimônia de batismo.
As crianças dos nobres recebiam ferramentas mágicas embutidas de feystone no nascimento para armazenar sua mana transbordante. Então, na cerimônia de batismo, recebiam anéis que os ajudariam a usar a mana. Eu nunca tinha recebido o tipo de ferramenta mágica que as crianças recebiam, mas estava feliz o suficiente oferecendo minha mana aos instrumentos divinos. Além disso, Ferdinando disse que eu tinha mana suficiente para preencher rapidamente uma feystone se eu precisasse.
Karstedt recuou, uma vez que tinha o anel e, como se estivesse na hora, Ferdinando avançou com sua caixa.
— Parabéns, Rozemyne. Que este presente acrescente à sua celebração.
— Meus Deuses, me pergunto o que ele comprou para você — disse Elvira, aparentemente mais animada do que eu. — Rozemyne querida, vá em frente e abra isso, se você quiser.
Agradeci a Ferdinando, coloquei a caixa na mesa e, em seguida, a abri gentilmente, tentando ser tão graciosa quanto se esperaria que uma nobre superior fosse.
— Oh meus Deuses, que esplêndido! — Elvira exclamou.
Dentro havia um enfeite de cabelo, reluzente, feito usando o fio mais luxuoso. Eu o tirei para um olhar mais atento e vi que havia três grandes flores brancas, cujas bordas estavam forradas de dourado. Elas estavam cercadas por pequenas flores azuis, decoradas de maneira semelhante, e penduradas nelas havia uma videira de flores ainda menores que se assemelhavam a glicínias, suas cores formando um gradiente de azul para branco.
Mamãe e Tuuli fizeram isso.
As flores no centro usavam um modelo que eu havia ensinado mamãe e Tuuli a fazer após organizar meu acordo com Corinna, e eu podia dizer que elas estavam envolvidas, em parte, porque se assemelhavam às dos enfeites do ano passado. E, se elas tivessem feito as flores, então eu poderia adivinhar que o papai tinha raspado a parte da vara. Os rostos da minha família passaram pela minha mente, e a tristeza que eu havia reprimido, por estar tão ocupada, me atingiu de uma vez.
— Ah… — Lágrimas começaram a escorrer pelo meu rosto como se uma barragem tivesse explodido dentro de mim. Tentei não pensar na minha família nas últimas semanas, mas, agora, eles encheram meu coração. Eu estava congelada, o enfeite de cabelo nas mãos.
— Rozemyne? — Elvira olhou para mim, os olhos arregalados de surpresa. Uma assistente, chocada com minhas lágrimas repentinas, correu com uma pequena toalha e com ela, apalpou as minhas bochechas.
— Acalme-se, Rozemyne. — Ferdinando tirou o enfeite de cabelo das minhas mãos e calmamente olhou para mim, seu rosto inexpressivo. Eu queria parar, mas as lágrimas continuavam fluindo, como se meus olhos fossem torneiras quebradas.
— Eu-eu não posso. Eles apenas… mantêm… ha… haa…!
Ferdinando olhou ao redor da sala e, enquanto permanecia sem expressão, pude ver os ligeiros vestígios de pânico em seus olhos dourados. Sua testa franziu profundamente e ele bateu um dedo contra a têmpora.
— Karstedt, tire todos da sala! Não deixe ninguém entrar até que eu permita!
— Senhor! — Karstedt, tendo recebido uma ordem estrita, imediatamente reuniu as pessoas de aparência preocupada na sala e as levou para fora. Após confirmar que não sentira falta de ninguém, ele também saiu, fechando a porta atrás dele.
Ferdinando se certificou de que a porta estava bem fechada, depois esfregou a toalha no meu rosto. Ele fez uma careta, quando viu que isso não impediu que minhas lágrimas fluíssem.
— Ferdinando, abraço!
— Mantenha a toalha no rosto. Se minhas vestes ficarem encharcadas, então, estarei indo embora — disse ele, claramente irritado, antes de se sentar em uma cadeira, me levantar e me dar um abraço.
O calor de outra pessoa imediatamente drenou a tensão do meu corpo. Karstedt, Elvira e todos os meus irmãos foram gentis comigo, mas eu interagi com eles muito menos do que eu estava acostumada. Parecia que eu tinha ficado completamente privada de toques e carinhos. Me agarrei a Ferdinando, o tempo todo mantendo a toalha pressionada contra meu rosto.
— Pensar que isso aconteceria na manhã da sua cerimônia de batismo — murmurou Ferdinando.
Eu finalmente parei de chorar e agora estava apertando os lábios.
— Quase parece que você fez isso de propósito. Você tinha que saber que eu choraria, se você me trouxesse um enfeite de cabelo dos meus pais antes do meu batismo.
— Ah, você acha? Eu pretendia que você se alegrasse, mas vejo que teve o efeito oposto. Terei que lembrar de nunca mais te presentear com enfeites de cabelo.
— Espere, por favor, não! Adorei! Estou muito feliz por tê-lo!
Por favor, continue me presenteando mais!
— Você terá que me desculpar por não querer lidar com uma situação como esta novamente — ele disse, aprofundando a carranca.
Eu estava tão ansiosa que isso fez mais lágrimas vazarem.
— Mas estou te dizendo, estou feliz… estou te dizendo que quero mais. Ferdinando, você pode acreditar! Sniff… Haa…!
— Que irritante. Você realmente é um pé no saco, Rozemyne. O que exatamente você quer de mim? — ele perguntou, e apesar de quão duras foram suas palavras, seu tom ficou sinceramente intrigado.
— Se você vai me enviar um presente como este, por favor, faça-o com vários dias de antecedência. Estou realmente feliz por recebê-lo, mas também me faz sentir falta da minha família, então preciso de tempo para me recuperar emocionalmente.
— Muito bem então. Terei isso em mente para o futuro. Por enquanto, porém, você precisa parar de chorar — disse Ferdinando, batendo levemente um dedo na minha cabeça como se dissesse que não tinha como vencer uma criança chorando.
Me acalmei após o longo abraço e parei de me encostar em Ferdinando, para que pudesse descer do colo dele.
— Acho que agora estou bem. Desculpe pelo incômodo.
Depois que me afastei com a toalha, Ferdinando murmurou “Um problema de fato” antes de se levantar com uma carranca mal-humorada e ir para a porta.
— Entrem — disse ele, e Lamprecht entrou com vários assistentes.
— Com licença. Mamãe e papai foram cumprimentar os convidados, e eles…— Lamprecht começou quando ele entrou, antes de parar abruptamente e recuar ao ver meus olhos vermelhos e bochechas coradas. — Os olhos de Rozemyne estão vermelhos brilhantes. Alguém aplique algo frio neles, agora. Mamãe vai fazer um escândalo se a vir assim.
As assistentes imediatamente se adiantaram, mas Ferdinando, aparentemente tendo acabado de perceber que meus olhos estavam vermelhos, estendeu a mão para mim.
— Não haverá necessidade disso. Venha aqui, Rozemyne. Eu vou curar você.
A feystone no anel de Ferdinando começou a brilhar, sem dúvida, devido a ele derramar mana nela. Ele colocou a mão com o anel sobre meus olhos e murmurou: “Que a cura de Heilschmerz seja concedida”. Uma luz verde suave brilhava em minhas pálpebras, que haviam sido fechadas pela mão de Ferdinando, e eu podia ouvir os assistentes soltando ruídos de espanto. A luz rapidamente desapareceu e Ferdinando afastou a mão.
Abri lentamente os olhos para ver Ferdinando investigando de perto o meu rosto. Enquanto isso, Lamprecht parecia aliviado por ter escapado da raiva de Elvira.
— Pensar que você acabaria oferecendo cura antes de realizar uma cerimônia, Senhor Ferdinando… Somos gratos.
— Cura desse nível não é problema algum.
A área ao redor dos meus olhos, aparentemente, estava um pouco inchada. Eu dei um tapinha no meu rosto e olhei em um espelho. Tudo parecia estar de volta ao normal.
— Senhor Ferdinando, o que diabos aconteceu com Rozemyne? Seria bom saber para o futuro.
— Estamos todos ocupados agora, isso pode esperar até outro dia. Prepare Rozemyne imediatamente.
Tendo habilmente evitado a pergunta de Lamprecht, Ferdinando dirigiu-se para a porta. De jeito nenhum ele poderia revelar que eu havia começado a chorar após receber um enfeite de cabelo da minha antiga família, forçando-o a me acalmar com um abraço. Eu já tinha certeza de que ele pensaria em alguma desculpa antes de Lamprecht mencionar isso, novamente, mais tarde.
Quando Ferdinando abriu a porta, o clamor distante das pessoas podia ser ouvido, parecendo que todos vinham de um só lugar. Estava quase na hora da minha cerimônia de batismo.
As assistentes arrumaram meu cabelo usando algo como gel, antes de amarrá-lo firmemente atrás da minha cabeça, com um cordão. Eles deram um tapinha em mais do que parecia ser gel de cabelo, depois teceram a frente do meu cabelo em tranças complexas. O enfeite de cabelo que Ferdinando me deu foi deslizado, por último, para terminá-lo.
Com os preparativos feitos, Lamprecht me escoltou até uma sala de espera. Era a sala mais próxima das escadas que levavam ao salão de reuniões, onde o batismo seria realizado.
— Soube que a família do Arquiduque chegou. Preciso ir cumprimentá-los, mas posso confiar em você para esperar sozinha? Você não vai fugir e se esconder como o Senhor Wilfried, vai?
Parecia que o filho de Sylvester era como um mini Syl. Como seu guarda, Lamprecht estava basicamente no mesmo papel que Karstedt, ele sempre tinha que parar uma das escapadas de Sylvester. Senti uma simpatia genuína pelo quão difícil sua vida diária devia ser.
— Lamprecht, meu querido irmão, você diz que eu estaria esperando sozinha, mas os assistentes permaneceriam aqui comigo. Eu não estaria realmente sozinha. E, além disso, eu não tenho a resistência para escapar como uma criança normal poderia. Você pode descansar e ir embora.
— Isso realmente me deixa mais preocupado — respondeu Lamprecht enquanto saía da sala.
Pouco tempo depois, Karstedt e Elvira entraram, tendo terminado de receber os convidados. Elvira, imediatamente, se aproximou de mim e olhou para o meu rosto.
— Lamprecht mencionou o que havia acontecido. Você chorou até o ponto de seus olhos incharem, e finalmente recebeu a cura do Senhor Ferdinando, não? Rozemyne, as primeiras aparições são muito importantes. Você deve entender que a primeira impressão de alguém sobre você, está decidida no momento em que vê seu rosto — explicou Elvira, me ensinando uma regra fundamental da nobreza, enquanto continuava a verificar meus olhos. — É uma falha da feminilidade chorar e permitir que seus olhos inchem antes de conhecer tantas pessoas novas em um evento como uma cerimônia de batismo. Você deve sempre apresentar seu eu mais bonito ao mundo.
Assim que ela terminou, ensaiamos os passos para a cerimônia. Começaria quando Ferdinando, que estaria esperando em outra sala, entrasse. Ele me convocaria, e então eu caminharia até o altar, um passo atrás dos meus pais.
— Meus meus meus deusees!
— Wowww!
De repente, ouvi os gritos agudos de mulheres, tão alto que o barulho atravessou as paredes. Quando olhei para a porta, imaginando o que diabos estava acontecendo lá fora, Karstedt mencionou que, provavelmente, era porque Ferdinando estava aqui. Achei isso estranho. Hoje era uma cerimônia de batismo, não um concerto de Fespiel estrelado por Ferdinando.
— Sinto que ninguém vai me considerar a estrela deste evento.
— Querida, esta é a primeira vez que todas estão vendo o Senhor Ferdinando em suas vestes sacerdotais cerimoniais — disse Elvira. — Nossos corações não podem deixar de vibrar de emoção.
Um dos meus poucos amigos nos meus dias de Urano, definitivamente, tinha um ponto fraco enorme para as pessoas em roupas particulares. Coloque óculos ou um terno em alguém e ele estaria sangrando pelo nariz em pouco tempo.
Então ele é como um menino usando óculos, exceto que ele é um padre? Ou talvez isso seja mais parecido com um garoto de terno. Isso está um pouco além de mim, mas de qualquer forma, Ferdinando parece um pouco velho demais para ser chamado de menino.
O grito agudo parou no momento em que Ferdinando começou a falar. Eu não podia dizer o que estava sendo dito, mas podia ouvir sua voz profunda reverberando pelas paredes. Parecia que a cerimônia estava começando.
Uma pequena campainha tocou perto da porta, que foi rapidamente aberta por um assistente. Karstedt e Elvira imediatamente se levantaram, e eu segui o exemplo, descendo as escadas para o primeiro andar, um passo atrás deles. Quando chegamos ao fundo, eu realmente ofeguei com quantas pessoas estavam enfileiradas no salão de reuniões.
Havia duzentas, ou talvez, até trezentas pessoas lá, uma multidão que eu teria pensado ser enorme demais para caber dentro de uma única casa, e todos os seus olhos estavam focados em mim. Seus olhares cortaram um pouco profundamente, ou talvez, eles eram pesados e atentos comigo, me deixando ciente de que extrema atenção estava sendo dada a cada movimento que eu fazia.
Eu deveria andar naturalmente aqui?
Havia um caminho pelo centro do corredor, para caminharmos, e um altar erguido junto a parede mais distante. Os instrumentos divinos, que provavelmente haviam sido trazidos do templo, foram colocados em seus degraus, e Ferdinando estava esperando, na frente, vestindo suas vestes sacerdotais cerimoniais. Parecia ser o dia do meu casamento, só que eu estava sozinha.
Por um segundo, Karstedt, que estava acompanhando Elvira, lançou um olhar preocupado de volta para mim. Eu devolvi um pequeno aceno de cabeça para aliviar suas preocupações. Eu já havia decidido me separar da minha família, para proteger suas vidas e a minha, e Ferdinando já havia prometido me dar as chaves da sala dos livros se eu terminasse a cerimônia com sucesso.
Eu tinha que me tornar a filha adotiva do Arquiduque, não importava o que acontecesse. Eu tinha que ganhar o direito de entrar livremente na sala dos livros para que eu pudesse ler os livros preciosos dentro. Não podia me deixar falhar aqui.
Levantei a cabeça, coloquei o sorriso que Rosina e Elvira haviam martelado em mim e dei meu primeiro passo. Endireitei as costas e olhei para frente, certificando-me de não olhar para o chão. Meus olhos examinaram a multidão, mas nunca se concentraram em um ponto. Caminhei graciosamente, fluindo como água corrente. A lentidão do meu ritmo não significava nada em comparação com o quão elegante parecia.
Em outras palavras, segui a etiqueta que havia sido martelada em mim com precisão, enquanto caminhava até o altar. Ao me aproximar dos degraus, vi Rosina entre os vários músicos, tocando. Ela estava olhando para mim enquanto brincava, com a preocupação clara em seus olhos, mas abri meu sorriso para mostrar que eu estava bem.
Quando me aproximei ainda mais, vi que Sylvester estava sentado no assento mais próximo de Ferdinando, vestindo roupas mais extravagantes do que nunca. Ao lado dele estava uma mulher que era presumivelmente sua esposa, e um menino que parecia da minha idade. Deve ser o Wilfried.
Sentados do outro lado do corredor estavam meus três irmãos. Cornélius tinha uma expressão tensa, enquanto olhava para mim, e meus outros dois irmãos não mostravam isso, mas eu podia adivinhar que eles também estavam preocupados.
Karstedt parou na frente do altar, com Elvira, depois estendeu a mão para mim. Peguei e subi os degraus, para ficar diante de Ferdinando. Uma vez lá, Karstedt e Elvira desceram do altar para se juntar aos meus irmãos.
— Rozemyne, hoje você tem sete anos — disse Ferdinando, enquanto tirava uma medalha semelhante à que eu tinha visto na cerimônia de batismo do ano passado. Eu me lembrei instantaneamente de ter que dar uma impressão de sangue.
De novo não, pensei com uma careta, ganhando um olhar de Ferdinando.
— Estenda a mão.
Obedeci, timidamente, mas o que ele me entregou não era uma faca ou uma agulha, era uma vara fina, com cerca de vinte centímetros de comprimento, e coberta de uma decoração deslumbrante. A julgar pela feystone, eu poderia adivinhar que era uma ferramenta mágica. No segundo em que toquei, a vara brilhou e pude sentir minha mana sendo drenada à força. Enquanto isso, o público começou a aplaudir, um sinal de que esta era uma parte pretendida da cerimônia.
Ferdinando estendeu a medalha para mim, e eu pressionei a extremidade plana da vara contra ela, como alguém carimbando uma assinatura. A mana que havia se acumulado dentro fluiu para a medalha, diminuindo a luz da vara quando a medalha começou a brilhar as sete cores do arco-íris.
— Como esperado — Ferdinando murmurou, enquanto olhava para a medalha, antes de imediatamente guardá-la em uma pequena caixa. — Parabéns, Rozemyne. Você agora é oficialmente reconhecida como filha de Karstedt. Uma nova criança nasceu em Ehrenfest.
Quando aplausos comemorativos encheram a sala, Karstedt subiu no altar. Uma vez no topo, ele segurou o anel de feystone azul no alto, para que todos vissem.
— Eu presenteio Rozemyne com este anel, agora reconhecida como minha filha pela sociedade e pelos deuses — declarou ele, antes de pegar minha mão esquerda, como antes, e deslizar o anel no meu dedo médio. Mudou de tamanho, transformando-se em um anel que me servia perfeitamente.
— Rozemyne, você pode ter as bênçãos de Leidenschaft, o Deus do Fogo.
Enquanto Ferdinando falava, vi um clarão azul no canto do meu olho. Eu me virei e vi que o anel de Ferdinando estava brilhando. A luz azul subiu no ar, depois choveu na minha cabeça.
— Estou honrada, Sumo Sacerdote. — Disseram-me que quando Ferdinando me desse sua bênção, eu precisaria abençoar o público, em troca. — Rezo para que Leidenschaft, o Deus do Fogo, abençoe todos os presentes e ao Sumo Sacerdote por celebrar meu batismo — declarei, enquanto derramava mana no anel, que acabara de receber de volta. Brilhou com uma luz azul semelhante, que inchou antes de subir no ar, circulando e espalhando luz por todo o salão de reuniões. A luz era de uma cor diferente, mas parecia a bênção que dei à minha família no nosso último encontro.
Ufa. E esse é o fim da cerimônia, pensei, aliviada por ter completado tudo exatamente como instruída. Porém, uma agitação percorreu a multidão. Ao contrário dos aplausos calmos e coordenados de antes, esse era o som de pessoas confusas, que acabaram de ver algo inesperado.
— O que no mundo? Ela produziu tanta luz?
— Quanta mana ela tem naquele pequeno corpo dela?
Hum, o quê? Fiz algo errado? Eu pensei, preocupada com a reação. Mas quando olhei ansiosamente para Karstedt e Ferdinando, ambos sorriram um pouco. Eles estavam claramente planejando algo.
Karstedt ficou atrás de mim e, com uma mão colocada no ombro, sussurrou com uma voz tão silenciosa que só eu podia ouvir.
— Em uma cerimônia padrão, a criança só abençoa o sacerdote, em troca. Isso dará peso e legitimidade ao Arquiduque para te adotar.
Sylvester, usando o sorriso de uma criança que acabara de fazer uma brincadeira com sucesso, subiu vagarosamente ao altar, dando um passo deliberado após o outro. A visão foi suficiente para calar a multidão, e um silêncio se instalou do outro lado do corredor, enquanto todos aguardavam seu próximo movimento.
— Parabéns, Rozemyne. Você foi reconhecida como uma criança de Ehrenfest — disse ele, enquanto me encarava no topo do altar antes de girar para olhar para a plateia. Ele espalhou sua capa e continuou falando em uma voz alta e clara, que reverberava pelo salão de reuniões. — Vou adotar Rozemyne, aqui e agora.
A maioria do público não deve ter sido informada de que isso iria acontecer, pois o salão começou a zumbir instantaneamente, como um ninho de vespas que acabara de ser atingido por um morcego.
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