Ascendance of a Bookworm — Capítulo 216: CAPÍTULO 216 - 215

Ascendance of a Bookworm
Cap. 216
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Ascendance of a Bookworm

CAPÍTULO 216 - 215

Capítulo 216

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Ascendance of a Bookworm – Capítulo 215

Ataque de Elvira e Lamprecht

— Gil, Lutz, eu gostaria que vocês imprimissem isso na contracapa do programa. — eu disse, estendendo o estêncil que Wilma fez para mim.

Foi um dia após me encontrar com Tuuli. Vê-la aqueceu meu coração, mas a solidão já havia se estabelecido novamente, então eu estava agarrada a Lutz no quarto escondido. Gil e Damuel eram as únicas pessoas conosco.

— De quantos você precisa?

— Hum… Estaremos preparando trinta assentos para as participantes, então acho que devemos fazer o suficiente para acomodar as pessoas que compram um para ver, um para armazenar e um para compartilhar? Isso será noventa, no total.

— Como assim?! Isso é demais! — Lutz gritou de surpresa, antes de me lançar um olhar confuso. Eu pessoalmente pensei que noventa não seria suficiente, embora isso fosse apenas um pressentimento.

— Se não terminarmos os estênceis de cera a tempo, esses programas serão a única mercadoria impressa que podemos vender no concerto, então estou bastante confiante de que eles venderão bem.

— Essa confiança é baseada em alguma coisa? Se você estiver errada, então, estamos desperdiçando uma tonelada de recursos aqui. — Lutz respondeu, lançando-me um olhar muito semelhante ao de Benno, que disse que não permitiria que nenhum dinheiro fosse desperdiçado. Ele estava se tornando mais como um comerciante a cada dia, e eu não pude deixar de me sentir orgulhosa.

— Wilma e a obsessão das outras meninas devem dizer tudo. Aquelas que não forem ao concerto vão desejar tê-los. Mesmo que não consigamos vender todos eles, sua reputação como o primeiro produto impresso significa que não demorará muito para que seu preço suba muito, talvez em, como… algumas décadas? Possivelmente um século.

— Algumas décadas?! Isso não prova seu ponto de vista! — ele latiu de volta, em descrença. Na minha opinião, era a prova mais sólida que se poderia pedir, mas Lutz, aparentemente, não entendeu. De qualquer forma, eu estava disposta a me comprometer.

— Podemos imprimir noventa, ou podemos arredondar para cem. Vá com o que o seu coração lhe disser.

— Por que o segundo número é ainda maior?! — exclamou Lutz. Na verdade, porém, também não achei que cem seriam suficientes.

Gil, vendo que eu não estava prestes a ceder sobre o assunto, deu um tapa nas costas de Lutz.

— Lutz, acho que você nunca vai convencer a Senhora Rozemyne a mudar de ideia sobre isso.

— Eu sei disso. Eu só precisava desabafar para me sentir melhor.

Como hoje era o dia de folga de Damuel, eu não podia ir ao meu quarto escondido ou visitar a oficina, então fui aos aposentos do Sumo Sacerdote com Fran e Brigitte, para ajudar Ferdinando com seu trabalho. Ele havia assumido a maior parte do meu trabalho de Arcebispo, então eu praticamente o acabei ajudando a fazer uma pequena parte das coisas que deveriam ter sido feitas por mim, em primeiro lugar.

— Parece que nossas despesas para o verão são muito menores do que eram para a primavera. Embora nossa renda também tenha caído um pouco — observei.

— Que outra razão poderia haver para isso além da substituição do Arcebispo? — Ferdinando respondeu sem sequer levantar a cabeça da papelada. Mas eu não conseguia entender como isso por si só faria uma diferença tão dramática.

— Hum, em que exatamente o velho Arcebispo estava usando todo esse dinheiro?

— Ele não conseguia distinguir o dinheiro do templo do seu próprio. Mas, se você deseja saber tudo em que ele secretamente gastou o dinheiro, receio que nem eu saiba toda a extensão dos desvios — disse Ferdinando, me olhando brevemente, antes de voltar seu olhar ao trabalho, novamente.

Ferdinando só havia começado a administrar as finanças do templo há cerca de dois anos. Ele herdou a posição de Sumo Sacerdote depois que seu antecessor partiu para a Monarquia, e elas aparentemente estavam em um estado horrível, o suficiente para fazê-lo se sentir tonto.

Quando se tratava de habilidade, os sacerdotes azuis, que haviam sido criados no templo e passavam preguiçosamente seus dias sem se esforçar muito em nada, eram ligas abaixo de Ferdinando, que havia sido educado na Academia Real e treinado para ser o braço direito do Arquiduque.

— Parece que você teve uma vida difícil, Ferdinando.

— Eu pretendo tornar o orçamento do templo mais claro, e gerenciado adequadamente, enquanto você é o Arcebispo — disse Ferdinando, e um ordonnanz voou pela janela. Circulou pela sala uma vez, batendo as asas, depois pousou na mesa de Ferdinando.

Os nobres usavam ordonnanz, pássaros voadores moldados a partir de feystones, para se comunicar. Eles eram, aparentemente, simples de usar, e algo que um aluno da Academia Real dominaria antes do final de seu primeiro ano. Como tal, as crianças que eram muito jovens para frequentar a Academia Real, teriam que se comunicar através de seus tutores. No meu caso, era Richarda, enquanto eu estava no castelo, Ferdinando, enquanto eu estava no templo, e Elvira, sempre que eu estava em casa. Se alguém precisasse me enviar uma mensagem, eles enviariam um ordonnanz para um desses três, dependendo de onde eu estivesse.

— Senhor Ferdinando, é Lamprecht. Minhas sinceras desculpas, mas peço uma reunião com Rozemyne. Há um pequeno assunto a respeito do Senhor Wilfried que eu gostaria de discutir brevemente com ela — disse o ordonnanz três vezes, na voz de Lamprecht, antes de retornar à forma de uma feystone.

Oh sim, Wilfried estava me chamando de injusta ou algo assim, antes de eu voltar para o templo, talvez seja sobre isso. Não consigo pensar em mais nada…

— Rozemyne, quando você estará disponível para uma reunião? — perguntou Ferdinando.

Eu, pessoalmente, não me importava quando a reunião era realizada, já que era apenas para ser uma breve conversa, mas, no mundo dos nobres, você não poderia simplesmente dizer que agora era um bom momento. Ferdinando agendava um encontro cerca de três dias no futuro sempre que eu pedia uma reunião com ele.

— Bem, suponho que daqui a três dias.

— Concordo. Agora, então, olhe para o pássaro e fale.

Ferdinando fez sua varinha aparecer, depois bateu levemente na feystone, enquanto dizia “ordonnanz” para torná-la torcida na forma de um pássaro branco. Encarei isso como instruído e imediatamente senti uma pequena onda de nervosismo passar por mim, era como se estivesse deixando uma mensagem de voz para alguém.

— Lamprecht, é Rozemyne. Estarei aguardando sua visita daqui a três dias, à tarde.

Uma vez feito isso, o ordonnanz voou para longe. Presumi que seria isso, mas depois voltou em um piscar de olhos.

— A reunião pode ser antes do meio-dia? Não te vejo com muita frequência, e gostaria de dividir o almoço com você depois. Parece que mamãe também quer se juntar a nós.

Parecia que a coisa toda sobre Wilfried era apenas um disfarce, seu objetivo real era me encontrar para almoçar.

— Imagino que Karstedt ou Cornelius se gabaram com ele sobre o restaurante italiano — disse Ferdinando, com um sorriso divertido, o que me lembrou que Elvira só havia comido os doces de Ella, não sua comida real, e Lamprecht não tinha comido nenhum dos dois. Mas o chefe de cozinha ainda estava aprendendo as receitas de Hugo no castelo. A única maneira deles comerem a comida, seria eles virem me visitar, já que eu tinha Ella comigo.

— Vou preparar o mesmo menu que o pai, Eckehard e Cornelius saborearam — respondi ao ordonnanz, e alguns momentos depois Lamprecht enviou de volta seus agradecimentos em um tom que vazou tanto seu alívio em conseguir o que queria, quanto seu constrangimento que eu havia visto através dele.

E assim chegou o dia da reunião. Como Elvira ia se juntar a nós, eu tinha trazido um dos programas recém-impressos para ela verificar, bem como várias ilustrações que Wilma havia desenhado.

Ella e Nicola estavam trabalhando duro para preparar a comida. Elas até tinham ajudantes do sexo masculino, já que estávamos treinando alguns sacerdotes, para que pudéssemos enviá-los para o novo orfanato no mosteiro, o que era útil, pois não precisávamos nos preocupar com o esgotamento delas, quando se tratava das partes mais fisicamente exigentes da culinária.

— Ei, Rozemyne. É bom ver que está indo bem. Desculpe por vir assim. Eu estava preocupado que você pudesse estar doente — disse Lamprecht, assim que Fran o guiou, com Elvira, para o quarto. Ambos estavam usando sorrisos brilhantes, Lamprecht porque ele estava ansioso pelo almoço, e Elvira porque ela sabia que Ferdinando estaria presente, como meu guardião.

— É bom te ver bem, Rozemyne. Não tenho dúvidas de que sua saúde está boa graças à consideração do Senhor Ferdinando. Nós realmente somos abençoados por tê-lo.

Após trocarmos as longas saudações que todos os nobres davam, Lamprecht e Elvira receberam lugares e uma seleção de chá. Nicola então carregou um prato de biscoitos, com sabor de chá, usando uma expressão ansiosa, enquanto o colocava na mesa. Lamprecht se inclinou ansiosamente para frente enquanto eu pegava o primeiro doce e mordia. Não havia como escapar da nobre tradição em que os anfitriões precisavam testar sua comida em busca de veneno.

— Estas são (línguas de gato). São apenas lanches leves, mas como devemos almoçar em breve, por favor, tome cuidado para não comer muitos — expliquei.

Assim que a última palavra passou pelos meus lábios, Lamprecht pegou um biscoito. Sua expressão parecia tanto com a de Cornelius, sempre que doces estavam envolvidos, que eu não pude deixar de rir.

Lamprecht engoliu um, em seguida, alargou os olhos.

— Cornelius já experimentou isso?

— Não, esta é a primeira vez que estou servindo isso para os visitantes, então Cornelius ainda não teve um.

— Entendo… — Lamprecht respondeu, cheio de presunção.

Ferdinando aproveitou a oportunidade para pousar o chá e perguntar sobre a desculpa que Lamprecht havia feito para visitar.

— Lamprecht, o que é esse negócio com Wilfried que você mencionou?

Lamprecht deu um aceno deliberado, depois começou a dar uma explicação indireta cheia de vagos eufemismos nobres. Ferdinando estava acenando com a cabeça, enquanto ouvia, mas eu não conseguia entender uma palavra.

— Com licença, querido irmão, mas sua linguagem é simplesmente muito complicada para eu entender.

— Huh? Ham… — Lamprecht franziu a testa, sem saber como explicar, então olhei para Ferdinando.

— Wilfried acha injusto que você não esteja sendo forçada a estudar como ele, — explicou Ferdinando. Wilfried era, aparentemente, uma bola de energia que passava seu tempo fugindo de seus tutores, e da sua perspectiva, eu estava começando a andar por aí sem tutores e até mesmo deixar o castelo sempre que eu queria.

— Lamprecht, eu aconselho que você informe a Wilfried o quão tolo ele está sendo. Claro que Rozemyne está sendo ensinada. Venho a instruindo pessoalmente, enquanto ela está no templo, e agora que ela também está sendo educada na propriedade de Karstedt, ela está esperando Wilfried aprender o alfabeto.

Sylvester, aparentemente, decidiu que Wilfried se beneficiaria de ter um rival, dado o quanto ele era um mau perdedor, então eu iria aprender história e geografia com ele uma vez que ele memorizasse o alfabeto.

— Não me importo de estudar o dia todo, pois significa que posso ler livros. Por favor, diga a Wilfried que estou ansiosa para que ele aprenda o alfabeto o mais rápido possível. — Eu disse, fazendo Lamprecht embalar sua cabeça.

— Vocês dois nunca vão se dar bem… — ele suspirou.

Achei difícil discordar.

Wilfried não queria nada além de evitar estudar, enquanto eu estava disposta a passar dias, ou talvez até semanas, escondida no meu quarto lendo livros. Mas, considerando que no momento estava sendo negado acesso a uma pilha de livros emocionantes, eu estava realmente com mais inveja da situação de Wilfried.

— Já que o Arquiduque está nos pressionando por detalhes sobre os estudos de seu filho, só podemos esperar que o Senhor Wilfried os aprenda em breve. Se possível, gostaria que Rozemyne estudasse com o Senhor Wilfried, pelo menos uma vez, enquanto isso, para que ele possa ver o quão enorme é a diferença entre eles…

— Ela não tem tempo para isso — respondeu Ferdinando, como gerente da minha agenda, recusando imediatamente o pedido de Lamprecht por minha ajuda. — Há muito que Rozemyne deve realizar após assumir. Ela tem que praticar magia em preparação para quando reunir os ingredientes de que precisa, desempenhar suas funções como Arcebispo e administrar o orfanato e seu ateliê, sem mencionar permanecer saudável, em geral. O sucesso de Wilfried se resume a ele e àqueles ao seu redor; não é o trabalho de Rozemyne, mas o seu, como seu retentor.

Lamprecht estava sentado com a boca aberta.

— Senhor Ferdinando, isso não é muito trabalho para ela? Ela é apenas uma criança, uma que acabou de ser batizada…

— E é por isso que recusei sua sugestão. Não dê a ela mais trabalho do que ela já tem.

Ter Ferdinando listando tudo o que eu precisava fazer, me fez sentir ainda mais ocupada do que eu realmente estava. Eu estava apenas fazendo o que ele me dizia, e como eu estava proibida de trabalhar, geralmente precisava deixar o trabalho real para outras pessoas. Quando combinado com o fato de que eu nunca desmaiava no templo, porque Fran estava lá para cuidar da minha saúde, eu realmente não me sentia tão ocupada.

— No caso de Rozemyne, sei que ela consumirá e absorverá o conhecimento de quaisquer livros que sejam colocados à sua frente, sem precisar ser solicitada, para que seu estudo possa ser feito durante seu tempo livre.

— Quê?! Não, por favor. Dê-me mais tempo para ler livros! Meu tempo livre não é suficiente! — Eu protestei, apenas para que Ferdinando rapidamente me derrubasse com um desprezo desdenhoso. Parecia que eu não podia esperar que ele me mostrasse qualquer consideração. — Tão maldoso.

— Além dos estudos, parece que Wilfried acha injusto que apenas Rozemyne possa falar com o pai, na mesa de jantar.

O jantar no castelo nos envolvia discutir o que havíamos feito naquele dia, e como Wilfried estava sempre saindo da aula e correndo pelo castelo, a maior parte de seu tempo na mesa de jantar era gasto sendo repreendido por sua mãe, enquanto Sylvester observava, sem dizer nada em particular. Eu tinha adivinhado que Sylvester não podia repreender seu filho em sã consciência, já que ele tinha feito o mesmo quando criança, mas também não podia suportar o mau comportamento, então ele não tinha escolha a não ser permanecer em silêncio.

— Suponho que tenho conversas com ele, mas isso é porque preciso informar sobre o negócio de impressão. Talvez Wilfried devesse ter algum trabalho próprio para fazer? — Eu sugeri.

Crianças de sua idade, da cidade baixa, já estariam começando a trabalhar como aprendizes. Talvez ele aprendesse a ser mais responsável se lhe dessem alguns trabalhos simples para fazer.

— Além disso, Wilfried não está progredindo muito lentamente para alguém da idade dele? O filho de um comerciante já saberia ler e escrever antes de seu batismo, e seria capaz de entender matemática simples. Até as crianças do orfanato podem fazer isso. Você não acha que é um erro mimá-lo e apenas começar o ensinando depois do batismo, só porque ele é o filho do Arquiduque? Acho que teria sido melhor começar a ensiná-lo desde muito mais jovem.

— Wilfried foi ensinado desde tenra idade e ainda não aprendeu nada, e é exatamente por isso que Sylvester ficou tão chocado quando visitou seu orfanato.

Isso me lembrou, Sylvester ficou bastante surpreso quando viu o karuta e os livros ilustrados, mas parecia que seu foco não estava nos produtos em si, mas nas crianças que aprenderam a lê-los durante um único inverno. Já tínhamos provado que as crianças que estudavam usando karuta e livros ilustrados, aprendiam incrivelmente rápido, mas seu progresso dependia de terem rivais para competir, ou, pelo menos, amigos para brincar.

— Isso pode aumentar o fardo sobre os assistentes de Wilfried, mas vou preparar um baralho de karuta para ele.

— Não há necessidade de você tomar a educação de Wilfried sobre si mesma, Rozemyne. Deuses… Eu não acabei de dizer que você já está sobrecarregada? — Ferdinando perguntou, com uma carranca, mas, mesmo ele, teve que concordar que a incapacidade de Wilfried de ler ou escrever era problemática para todos. Era pura coincidência que eu me beneficiaria ao começar a estudar, e, portanto, ler livros, mais cedo.

O quarto sino tocou para anunciar o início do almoço, momento em que Ferdinando afirmou que era melhor para uma família comer junto e voltou para seus próprios aposentos.

Lamprecht estava comendo mais rápido do que eu já o tinha visto comer antes, e Elvira mencionou que esperava que nosso chefe de cozinha voltasse para casa em breve, então pude dizer que ambos estavam mais do que satisfeitos com a comida.

Depois do almoço, Elvira e eu começamos a discutir o concerto. Parecia que eles estavam passando por uma séria escassez de ingressos. Sua intenção era apenas convidar mulheres de sua própria facção, mas senhoras de outras facções também expressaram interesse.

— Muitas delas nunca mostraram nenhum interesse prévio no Senhor Ferdinando, mas agora parece que todas mudaram de ideia. — Elvira reclamou, mas era natural que as senhoras tivessem evitado Ferdinando, para sua própria proteção, enquanto a mãe de Sylvester trabalhava contra ele. Parecia que aquelas com medo de Veronica tinham mantido uma distância respeitosa de Ferdinando, raramente se relacionando com ele em público. Em outras palavras, agora que Veronica se foi, todas que estavam restringindo seus sentimentos estavam finalmente livres para soltá-los.

— Quantos assentos devemos adicionar?

— Bem, imagino que quase todas as nobres da cidade estarão presentes, então talvez devêssemos começar repensando onde o show será realizado.

Havia cerca de trezentos nobres vivendo no Bairro Nobre de Ehrenfest, contando apenas aqueles que haviam sido batizados. Se estimássemos que cerca de metade deles eram mulheres, então estávamos olhando para cento e cinquenta participantes. Certamente, haveria algumas entre a multidão que não estavam particularmente interessadas em Ferdinando, mas este era um evento com a presença de uma multidão de nobres superiores. Era o destino de nobres inferiores seguir aqueles superiores a eles, então eu poderia imaginar que muitas nobres inferiores estariam levando um golpe, devido ao preço do ingresso.

— Mãe, sugiro que adicionemos mais trinta assentos e, em seguida, preparemos uma galeria de pé a um preço muito mais baixo, para todas as outras. Ter que ficar de pé, enquanto assiste, fornecerá uma desculpa, para aquelas que não desejam comprar ingressos, e uma galeria de pé deve significar que nobres inferiores não precisarão desfalcar sua carteira para comprar ingressos mais caros.

Aquelas na galeria de pé estariam participando do concerto da mesma forma, para que não fossem envergonhadas pelas nobres superiores, que recomendavam que elas participassem. O preço também seria confortavelmente acessível, graças aos programas serem vendidos separadamente.

— Observando enquanto está de pé? O pensamento nunca me ocorreu, — respondeu Elvira. — Mas os ingressos certamente são caros. Seria melhor dar àquelas que não podem pagar a oportunidade de recusar.

Com isso feito, eu disse a Elvira quais músicas Ferdinando estaria tocando no show e mostrei a ela o programa finalizado. Estava usando arte em preto-e-branco, de um estêncil recortado, mas como isso ainda era uma nova tecnologia aqui, ela estava de cabeça erguida para a ilustração. Anotei no meu díptico que precisaríamos de muito mais cópias impressas, cem a mais, para ser mais precisa, enquanto continuava meu relatório.

— Os programas serão vendidos separados dos ingressos, e o dinheiro que fizermos com eles serão adicionados as nossas doações.

— Então eu comprarei um de uma vez. Comprar este programa é uma forma de doação, é um ato moral altamente louvável, não é? — Elvira perguntou, seus olhos castanho-escuros brilhando de excitação. Eu já podia imaginá-la saindo do seu caminho para comprar todas as ilustrações de Ferdinando já lançadas, sob o pretexto de doar para uma boa causa.

Peço perdão, Pai. Perdoe-me.

— Você sempre tem boas ideias em um piscar de olhos, hein, Rozemyne? — Lamprecht disse, em um tom impressionado, enquanto continuava a enfiar as línguas de gato em sua boca, apesar de ter acabado de almoçar.

Eu olhei para ele, então lembrei do problema de segurança que estávamos fadados a ter.

— Com licença, querido irmão. Eu gostaria que a Ordem dos Cavaleiros colocasse guardas na sala de concertos, mas a quem devo pedir para fazer isso acontecer? Ao pai? Ou talvez Sylvester? — Estaríamos hospedando ainda mais pessoas do que o esperado, o que significava que nossa necessidade de guardas era mais urgente do que eu pensava.

— Cavaleiros na sala de concertos? Minha nossa. Com que propósito? — Elvira perguntou.

— Eu acredito que mais do que algumas senhoras vão desmaiar com a emoção, ou, alternativamente, simplesmente perder o controle de si mesmas. Acho que devemos até preparar uma sala médica para levá-las.

— Espere um segundo, Rozemyne, isso é apenas um concerto de fespiel, não é? — Lamprecht perguntou, duvidosamente.

Eu dei um aceno de cabeça.

— É sim. Eu também não ficaria preocupada se não tivesse visto como as mulheres reagiram a Ferdinando tocando fespiel. Wilma e Rosina estavam babando sobre ele em menos de um verso de sua primeira música.

Não era difícil imaginar alguém como Elvira, que já estava obcecada por Ferdinando, enlouquecendo.

—Eu acho que seria mais fácil para mim apenas demonstrar — eu disse, antes de me levantar da minha cadeira, desenrolar uma das ilustrações de Wilma e espalhá-la para que eles pudessem ver.

— Meus deuses, minha deusa! O que temos aqui? Permita-me dar uma olhada mais de perto! — Elvira se levantou abruptamente da cadeira com um barulho e caminhou rapidamente para o meu lado da mesa. Ela ainda se movia com graça e elegância, mas sua velocidade pura era nada menos que intimidadora.

Olhei para Lamprecht enquanto estendia a ilustração para Elvira.

— Imagine cem senhoras em um estado como este, e pense no caos que se seguiria sem a Ordem dos Cavaleiros.

— Vou tentar perguntar ao pai. A sala de descanso, perto do grande salão, deve ser adequada para situações médicas. Precisa de mais alguma coisa?

— Eu gostaria que você preparasse um palco, semelhante ao usado na Cerimônia do Nó das Estrelas, para evitar que o público se aproxime demais de Ferdinando enquanto ele toca.

Lembrei-me dos concertos de ídolos na Terra e listei todas as precauções de segurança e outros conselhos que pude pensar. Enquanto isso, Elvira suspirava e ofegava de admiração e se debruçava sobre a ilustração.

— Rozemyne, posso ficar com isso?

— Pretendo usar essa ilustração como base para impressão, assim que completar os estênceis de cera, então terei que pedir que você compre uma versão impressa no dia do concerto. Se eu não conseguir terminar os estênceis a tempo, então você pode tê-la.

— Muito bem, então — disse Elvira e relutantemente devolveu a ilustração. Ela estava encarando com tanta atenção que decidi dar a ela uma cópia do programa, apenas para manter sua mente ocupada.

— O negócio de impressão é reproduzir cópias exatas das coisas em massa. Já temos cem cópias desse programa, por exemplo, e pretendo fazer ainda mais, então peço que você incentive todas a trazerem suas bolsas de dinheiro e gastarem livremente.

Por favor, faça o seu melhor para fazer deste concerto um sucesso, querida mãe.

Eu estava ouvindo um relatório sobre o progresso de Johann e Zack no meu quarto escondido. Eles estavam gradualmente trazendo novas peças para a oficina, e as máquinas para papel encerado estavam lentamente sendo montadas. Enquanto esperávamos que as máquinas terminassem, pedi a Lutz e Gil que começassem a fazer cera que tivesse apenas um pouco de resina de pinheiro misturada, para aumentar sua flexibilidade.

— Quanto é “só um pouco”? — Gil perguntou, mas Lutz imediatamente colocou a mão no seu ombro.

— Isso significa que precisamos experimentar, usando diferentes quantidades de resina, ao mesmo tempo em que mudamos o tipo de cera para fazer um monte de produtos para que possamos escolher o melhor. Foi o que Myne fez por séculos para acertar as proporções para a fabricação de papel.

— Sério mesmo…? — Gil perguntou, incrédulo. Até agora, ele só tinha que seguir as instruções ao pé da letra, e ele começou a se voltar para a oficina para pesquisar, com um olhar exausto no rosto.

Após vê-los partir, comecei a trabalhar lendo as cartas restantes que o Arcebispo havia escondido na sala do livro. Acontece que nem todas eram cartas de amor inocentes. Na verdade, algumas pareciam bastante suspeitas. Algumas diziam respeito a subornos, outras envolviam acordos secretos com nobres, e um monte de pedidos de oferendas de flores.

— Então o Visconde Gerlach estava conectado ao Arcebispo. Eu sabia.

Ferdinando me fez colocar um véu antes que eu pudesse cumprimentar certas pessoas durante a Oração da Primavera, e eu podia ver agora que a maioria delas tinha conexões com o Arcebispo. Eu escrevi uma lista de pessoas para eu ser cautelosa enquanto continuava lendo as cartas de aparência tão suspeita.

— Eu provavelmente deveria mostrar isso a Ferdinando. Fran, por favor, mande uma mensagem para ele.

— Como você quiser.

As cartas poderiam potencialmente ser úteis nos futuros empreendimentos políticos de Sylvester ou Ferdinando. Eu queria manter as cartas de amor escondidas, então as coloquei de volta na estante.

— Ferdinando, eu tenho algo para você.

Entrei no quarto de Ferdinando com Fran, que estava carregando a caixa em forma de quatro livros. Ele imediatamente deu um olhar duvidoso.

— O que diabos é isso? Eles não devem ser livros normais, se você os trouxe aqui.

— Eles eram livros armazenados na estante que apenas o Arcebispo pode abrir… ou assim eles parecem. Na realidade, esta é apenas uma caixa que foi moldada para se parecer com quatro livros. Dentro há um monte de cartas, que servem como prova de seus crimes. Elas serão úteis para suas tramas com Sylvester?

Ferdinando abriu a caixa em forma de livro e franziu a testa. Ele pegou algumas cartas, verificou de quem eram e depois deu um sorriso maligno. — Certamente há um bom número dessas, hum?

— Você pode ficar com todas elas. Tudo o que eu peço é a caixa, eu amo coisas como esta — eu disse e apontei para a caixa em forma de livro decorada com couro e pedras preciosas.

Ferdinando acenou com a mão com desdém, um olhar exasperado no rosto.

— Tudo o que desejo são os conteúdos. Você pode usar a caixa como quiser. Só me dê um momento para remover as cartas.

— Eu te agradeço muito.

Com isso, um dos assistentes de Ferdinando começou a empacotar as cartas em uma caixa de madeira comum. Ferdinando parou de escrever e colocou sua caneta de lado, tendo aparentemente atingido um ponto de parada em seu trabalho.

— Rozemyne, sua agenda está livre para o resto do dia?

— Sim. Recebi o relatório de hoje do Gil e do Lutz, e dei-lhes instruções. Parece que o orfanato de Hasse começou a mostrar sinais de progresso. Mas, de qualquer forma… você precisa da minha ajuda com alguma coisa? — Eu perguntei.

Ferdinando balançou a cabeça e começou a limpar a mesa.

— Não, eu apenas desejo continuar seu treinamento mágico o mais rápido possível. Se você não aprender a criar uma montaria escultural em breve, ela não estará pronta a tempo para o Festival da Colheita. Siga-me até o castelo.

— Permita que eu me troque, então.

Voltei para meus aposentos e fui trocada de minhas vestes de Arcebispo para minhas roupas nobres, colocando por cima um cinto que Ferdinando havia me dado. Os nobres, aparentemente, precisavam de cintos para pendurar ferramentas mágicas. A feystone enrolada, que eu havia tingido com minha mana, havia sido embutida em um ornamento de gaiola de pássaro dourado, semelhante aos usados por Ferdinando e outros nobres, e estava pendurada no meu cinto.

— Devemos ir, Senhora Rozemyne?

Assim que Brigitte me colocou em sua montaria escultural, voamos em direção à área de treinamento mágico do castelo. Eu teria que fazer minha própria Montaria escultural desta vez, com certeza.

Fim da leitura

Capítulo 216 concluído

CAPÍTULO 216 - 215