Delinquente em Outro Mundo — Capítulo 19: CAPÍTULO 19 - 18 - Qualia X

Delinquente em Outro Mundo
Cap. 19
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Delinquente em Outro Mundo

CAPÍTULO 19 - 18 - Qualia X

Capítulo 19

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Capítulo 18 - Qualia X

Delinquente em Outro Mundo

Ainda a esfregar timidamente a parte de trás de sua cabeça, o garoto volta a sua atenção para o homem à frente, e mesmo estando receoso, o pergunta.

— Mudando de assunto, você tem alguma ideia para onde ir nesse momento? A vila foi destruída, e é bem provável que outras cidades no caminho também tenham sido.

A expressão de Kazuki é indiferente, ou ao menos o que tenta transparecer, mas seus pensamentos… É como se estivessem a martelar coisas completamente diferentes.

Foram inúmeros acontecimentos e fatos repentinos que ocorreram, Kazuki, até aquele momento, não havia conseguido processar toda a informação, de modo a pensar em algum plano ou estratégia.

E, apesar de tudo que aconteceu, o homem fera ainda aparenta estar ligeiramente desacordado e parcialmente fora da realidade.

Foi difícil presenciar todos os seus conhecidos, amigos e pessoas que convivia nos barzinhos e comércios, mortos, jogados nas mesmas ruas que outrora construira boas lembranças.

Desconcertante, saber que o restante dos aldeões que tentavam sobreviver, agiam de forma tão impulsiva em prol de sua própria sobrevivência, enquanto ignoravam e passavam por cima de outros indivíduos na mesma situação.

O resquício de humanidade naquelas pessoas havia desaparecido e evaporado. Pareciam verdadeiros animais, irreconhecíveis. A premissa é uma decepção em relação aos outros, uma desistência completa da sociedade.

Toda essa junção de fatores havia mexido com uma parte de seu psicológico. E, querendo ou não, foram 7 anos de convívio e harmonia, os aldeões eram como familiares, todos na vila consideravam-se parte de uma alcateia enorme de lobos.

O conflito entre o turbilhão de sentimentos conflitantes de lamentação, culpa e responsabilidade haviam atingido seu ponto fraco. Apenas estar de pé é considerado cansativo, não pelo cansaço, mas sim, pelo excesso de sentimentos autodepreciativos.

A responsabilidade de necessitar ser uma figura paterna enquanto os sentimentos recorrentes de negação, e arrependimento, martelam a cada segundo que o tempo passa, como se fosse um peso em suas costas, que periodicamente aumenta.

— Rei, para ser sincero, eu realmente não sei o que fazer… Mia ainda é pequena, e Takayo não consegue nem mesmo dizer uma única palavra — responde.

— Se fossemos para a capital, tenho medo que os soldados possam me reconhecer. Fora as estradas que devem estar interditadas, isso não só nos colocaria em risco, mas também seria problemático — acrescenta.

— O que precisamos agora é de tempo e espaço, principalmente as crianças. — Termina de explicar, olhando para Mia e Takayo, sentados no chão.

Assim que acaba de relatar, o estudante o responde de forma sincera.

— Tudo que rolou foi repentino demais, não deveria estar pensando sobre isso agora. Por favor, tirem o tempo que precisarem.

— Vou ir espairecer minha mente na floresta também, irei aproveitar e trazer algo para comermos. Pelo que percebi, estamos zerados de suplementos — acrescenta.

Antes que Kazuki pudesse reagir diante do que escutou, o garoto faz um sinal de hang loose.

— Não precisa se preocupar, pode relaxar. Eu só vou arranjar algo para comermos. — Finaliza a discussão com um sorriso e voz morna.

Por um segundo, Kazuki compara a voz morna do garoto com uma calda de caramelo derretido em chocolate escuro… ou algo assim.

Após terminarem a conversa, com as mãos no bolso, Rei, afasta-se de perto do homem e adentra a vasta floresta densa nas proximidades.

❁10 minutos depois❁

A medida que caminha pela floresta, e tropeça em algumas raízes tortas, cipós e galhos, o garoto nota que o vasto céu avermelhado e nebuloso começa a escurecer e a noite tornar-se nítida.

Terra úmida, vegetação densa e árvores sem fim… A paisagem à vista é como uma floresta tropical.

Antes, o estudante ouviu dizer que as florestas tropicais geralmente são cheias de animais, insetos e plantas perigosas para os humanos, mas por não ter certeza de como são as coisas por aqui, ele apenas continua caminhando cuidadosamente.

Até que decide sentar-se em um galho espesso próximo, e olhar o seu entorno.

Ao longe, é possível ver o restante da luz do céu brilhante escapar através das folhagens e iluminar um pequeno espaço da floresta; no ar, pássaros de aparência estranha voam livremente em volta, e o solo se mexe constantemente, como se algo estivesse rastejando por ele…

Aqui, várias criaturas e plantas não podem ser encontradas no seu mundo, assim como muitos insetos e pequenas criaturas que rodeiam a atmosfera.

Apesar do clima frio, toda vez que uma ventania bate, os arbustos e folhas balançam, e, ao sentir a sensação, o garoto relaxa os ombros e toma uma profunda e purificante respiração, tentando desvencilhar-se de toda a tragédia que presenciou mais cedo.

Observa a vista deslumbrante, e fica por alguns segundos momentaneamente aliviado com a visão.

Uau.

É uma floresta comum, mas aos olhos de Rei, que passou a maior parte de sua vida na cidade grande, aquele lugar é como um pequeno quadro de artes natural… Igual aos que via estampado em museus, eventos e escolas.

O garoto com as mãos para trás do tronco espesso, imerge em pequenos pensamentos.

Arrepende-se por não ter conseguido reagir a tempo, e por não ter forças o suficiente para ajudar Kazuki e Takayo. As coisas poderiam ser diferentes, e com certeza se tivesse uma máquina do tempo tentaria consertar o que havia acontecido.

Mesmo que estivesse ligeiramente abalado com a situação, e presenciado a morte de pessoas que tivera um contato na vila, o garoto optou em não dizer nada.

Comparado ao sofrimento de Takayo, Kazuki e Mia, dizer algo como: estou assustado com a morte de outra pessoa, é em seu ponto de vista, algo insensível.

Não que a dor de outra pessoa seja maior que a dele a ponto de não haver necessidade de desabafar, todos estão passando por um momento complicado. Entretanto, o melhor a se fazer é guardar para si.

Continua…

Notas finais

Qualia= Não importa o quanto alguém acha que te conhece, a infinidade de seus sentimentos vai além de qualquer compreensão.

Não existe sofrimento suficiente que se pressupõe e seja maior que o seu, comparação de sentimentos e dores é algo supérfluo. Você é a única pessoa que pode ser levada a sério.

Fim da leitura

Capítulo 19 concluído

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