Do Nada a VIP: O Ferreiro das Dimensões NovelCAPÍTULO 235 - Capítulo 234
Capítulo 235— Então, acho que devemos seguir com a Eunah por enquanto. Desculpe.
Antes de o Frontline Bar abrir, cerca de dez minutos, Kang Shin-hyuk contou a Claire tudo o que havia acontecido enquanto visitava o portão, e o que havia prometido a Shin Eunah. Claire o ouviu atentamente, inclinando a cabeça antes de responder.
— Você está se desculpando comigo?
— Ah, não.
— Do que você está se desculpando? É só agir como uma pessoa superpoderosa.
Kang Shin-hyuk pensou por um instante antes de responder.
— Me desculpo porque não posso estar com você.
— Ei, parece que anda mais ocupado do que nunca ultimamente.
— Ugh.
Era verdade. Era um período em que ele queria ficar ao lado da namorada, mas justamente por isso Kang Shin-hyuk andava tão atarefado.
— Você já não me odeia, né?
— De jeito nenhum. Na verdade…
— Na verdade? Então, o que é?
Claire se sentiu excessivamente à vontade. Era como se ela estivesse ficando insensível ao estar com ele. Ela era uma parceira excelente, mas achava que não era bom confiar demais nela, então controlava propositalmente o tempo que passava ao lado dela.
'Mas, como consequência disso, sou eu quem fica triste e irritado por não conseguir encontrá-la. Que idiota sou eu?'
Esse era o resultado absurdo de um jovem que baseava suas decisões na experiência de pessoas mais velhas. Kang Shin-hyuk encostou a cabeça na mesa e murmurou, demonstrando sua sinceridade.
No momento em que ela ouviu isso, Claire, que estava tentando descobrir a resposta, ficou paralisada. Essas palavras combinavam exatamente com o que ela mesma tinha pensado há pouco. Com certeza, ele não poderia saber da conversa que ela tinha tido naquela hora, mas o rosto de Claire ficou vermelho. Felizmente, a cabeça de Kang Shin-hyuk estava face para baixo na mesa, sem conseguir perceber sua expressão.
— Estou tão envergonhada…
Kang Shin-hyuk ainda gemia baixinho. Claire tocou seu rosto, tentou se acalmar e verificou se parecia pelo menos um pouco normal. Ver Kang Shin-hyuk tão tímido fazia com que ela se sentisse um pouco mais confiante.
— Estou aliviada.
Claire falou suavemente, acariciando delicadamente sua cabeça.
— Eu achava que só gostava de você.
— Isso não pode ser. Eu gostei de você primeiro, mas…
— Ahahaha, você ficou completamente vermelho. Que fofo.
Claire parou de rir ao ver a timidez de Kang Shin-hyuk. Ela estava insuportavelmente apaixonada por esse lado dele, que era calmo em um momento e tão puro no próximo. Era uma pena que logo fosse abrir o bar. Então, ela deixou de brincar com ele e Kang Shin-hyuk se levantou de repente.
— Ah… eu sou fofo? Vou te deixar fofinha também.
— Ah!
Kang Shin-hyuk se vingou ao abraçá-la e mexer nela, fazendo cócegas. Ela se agarrou a ele como se estivesse esperando por aquele momento. Alguém poderia pensar que ela era uma dupla, pois a face que ela mostrava para ele era uma que ninguém mais jamais tinha visto.
— Mas tem uma coisa que você precisa lembrar.
— O quê?
Kang Shin-hyuk ficou tenso quando Claire, que estava em seus braços, de repente mudou de assunto.
— Você precisa contar para a Eunah.
— Ah.
— Então, assim.
Claire deu um beijo na bochecha dele.
— Você não deve se esforçar tanto.
— Eu não vou…
— A Eunah tem que superar o que a está prendendo sozinha.
Kang Shin-hyuk, preocupado, não conseguiu olhar nos olhos de Claire.
— Ok. Vou fazer o meu melhor.
— Isso mesmo, por enquanto está tudo bem. Mesmo que seja difícil agora, algum dia ela precisa se tornar mentalmente independente.
— A mãe da Eunah tem muita coisa com que lidar.
— O que? O quê? O quê?
A piada casual que Kang Shin-hyuk soltou pareceu inadmissível. Ele foi lançado para fora quase imediatamente, após prometer a ela dez vales-kiss que ela poderia trocar quando quisesse.
— Sério… mas, sabe, Claire.
— O quê? São horas de expediente, então fala logo.
Kang Shin-hyuk tinha que admirar a habilidade de Claire de mudar rapidamente para o modo bartender, mas naquele momento, isso não era o que importava.
— O que os verdadeiros pais da Eunah estão fazendo?
—… São super-humanos aposentados. Ambos nasceram em famílias maravilhosas na Coreia. Administram uma empresa de super-humanos fundada com o auxílio de suas famílias, e isso influencia bastante na política e na sociedade dos super-humanos.
— É realmente suspeito.
Ouvir Claire já lhe dava uma visão negativa sobre o assunto. Ele tinha uma suspeita vaga desde que começou a interagir com Eunah como Anvil: que seus pais não eram muito amigáveis. Estava se perguntando se ela entrou na associação por causa deles.
— Foi por rebeldia. Tentaram fazer dela a representante da própria empresa deles.
— Então?
No entanto, o que Claire disse era exatamente o contrário do que ele tinha acabado de imaginar. Kang Shin-hyuk percebeu que Shin Eunah não morava com os pais, mas aquilo devia ser uma clara separação. Mas qual empresa era essa?
— A história é longa… pode ficar até mais tarde após o fechamento do bar?
— Com certeza.
Claire cerrrou os punhos, tomando cuidado para não mostrar a alegria que sentia, enquanto mantinha sua postura de poker face.
— Então, depois vamos comer frango. Te conto tudo na hora.
— Igual ao dia em que nos conhecemos.
Kang Shin-hyuk sorriu enquanto Claire trocava o estandarte de fechado para aberto na porta.
— Esquece tudo que eu disse ou fiz naquele dia?
— Está tímido?
— Sim, tenho vergonha. Naquela época, estava agindo de forma desnecessariamente boba só para poder me gabar na frente de alguém que gostava…
— Sobre o que vocês dois estão falando? Quero ouvir!
Claire virou-se friamente para a visitante habitual, Lim Ha-yeon, que entrou imediatamente.
— Beba em silêncio.
O bar encerrou como de costume. Surpreendentemente, Lim Ha-yeon ficou ali desde a abertura até o encerramento, querendo ver como os dois tinham evoluído nesse meio tempo, mas Claire a expulsou, sem querer perder nem um segundo de seu tempo a sós com Kang Shin-hyuk.
— Certo, você trancou a porta?
— Sim. Nem a Eunah pode entrar.
Os dois fecharam o bar e subiram para o segundo andar, onde Claire usava como moradia. Ela tinha estado lá uma vez antes, e tudo continuava igual. Parecia um apartamento padrão.
— Aqui, aqui.
— Então, vou tirar.
Sentaram-se ao redor da mesa, já tendo comprado frango. Kang Shin-hyuk tirou a caixa enquanto Claire abria uma garrafa de soju ao lado dele. Uma risada escapou ao notar seus gostos imutáveis.
— Pra que a sua homenagem?
— Me acompanha?
— Então, pelo começo de um semestre maravilhoso.
— Mas acho que você não deveria conquistar todas as mulheres.
Ele já estava exausto, graças a Lee Na-hee e Eleanor. Apesar de acreditar que Claire era suficiente para ele, não funcionou assim.
— Tomara que nossa regente, tão bonito e azarado, fique só com os homens no próximo semestre!
— Também odeio isso…
A taça de refrigerante de Kang Shin-hyuk tilintou contra o copo de soju dela. Claire bebeu tudo de uma vez e ofereceu a ele uma coxa de frango dourada e crocante, pegando uma peito para ela mesma.
— É uma empresa de mercenários, a criada pelas pessoas que se chamam de pais da Eunah.
Kang Shin-hyuk franziu a testa imediatamente, não porque queria comer o pedacinho que ela tinha pegado.
— Tentaram transformar a filha em mercenária? Ou entrar em uma guilda?
O frango crocante era o mais gostoso de tudo que podia ser encontrado no shopping de super-humanos. Derretia na boca com uma combinação perfeita de crocante e saborosa. Contudo, era difícil aproveitar o sabor com o assunto preocupante na cabeça.
— Porque uma guilda de batalhas comum não conseguia cruzar Vanguard e Baekyang. Por isso, eles recorreram à guilda de mercenários.
— O que exatamente eles queriam conquistar?
— Dinheiro. Queriam fazer uma fortuna. Não sei como estão agora, mas inicialmente, achei que tentaram reinvestir na Eunah.
O projeto de super-humanos artificiais. Kang Shin-hyuk tinha ouvido falar brevemente dele com Claire no dia em que ela usou seu traço na frente dele pela primeira vez. Achava que tudo tinha acabado com o nascimento dela, mas parecia que os pais ainda não tinham finalizado o projeto.
— Mas, no final, a Eunah não seguiu a vontade deles?
— Certo. Eunah quis fugir dos pais e, no fim, optou pela Associação Coreana de Super-humanos. Sob a gestão deles, ela não podia ser facilmente atingida por familiares influentes, e podia desenvolver sua influência tanto no país quanto internacionalmente.
No começo, Claire tinha dito que ela deveria vir para os Estados Unidos para fugir dos pais, mas Shin Eunah não quis ouvir.
— Sabe por que ela não veio?
— Acho que você já sabe, quando me olha assim.
— Certo.
Claire bebeu mais um gole de soju, fazendo bico.
— Ela disse que ia esperar, como uma boa criança. Você pode acreditar nisso?
— Só porque uma mulher de vinte e cinco anos me chamou de vovô…
— Sério, queria que ela te visse como um garoto comum… mas por que virou assim?
Claire virou-se de lado, afastando-se de Kang Shin-hyuk nesse momento.
— Ué, por que a adolescência da Eunah foi tão difícil? Por causa disso, estou passando por uma fase difícil.
— Como você era naquela época?
— Uma menina exemplar, que ouvia bem a mãe e o pai.
Os olhos de Claire brilharam inocentemente. Ele não tinha escolha a não ser acreditar nela.
— Não é nesse sentido que estou dizendo.
— Huh?
— Meus pais querem te ver.
A pedacinho de frango caiu da mão dele, mas ele rapidamente a pegou antes de cair no chão. Não… ela disse isso assim? Sem preparação?!
— Meus pais ficaram mesmo preocupados. Por causa da minha habilidade, me chamaram de um lado, do outro, mas quase nunca tinha relação com aquelas pessoas. Quase sempre era por causa da Eunah.
Sem dúvida, Claire tinha sofrido por causa de Eunah, mas, de fato, Shin Eunah e Claire, ambos ligados ao Universo dos Heróis, conseguiram resistir àquela fase difícil de crescimento porque tinham um ao outro.
— Não quer dizer que eu e a Eunah estávamos namorando.
— Mas agora você pode dizer com segurança que tem um namorado?
— Sim. Elas queriam mesmo que eu encontrasse um namorado de verdade, alguém sem escândalos.
Talvez, por isso, ela não conhecia bem as pessoas. Mas, se fosse assim, talvez devesse agradecer a Juno Valentine. Foi por causa de sua traição repugnante que ela conseguiu conhecer a Claire.
— Enfim, por isso decidi ficar na Coreia.
— …Você disse que foi por minha causa?
— Era metade por mim, metade por ela naquela época.
Claire, que respondeu casualmente ao coração acelerado de Kang Shin-hyuk, bebeu seu soju e continuou despreocupada.
— Minha mãe disse para eu ter um filho e voltar.
— …Achei que tinha uma visão bem tendenciosa dos americanos até agora, mas, surpreendentemente, é mais tranquilo do que imaginava.
Ele não odiava o assunto, mas não era momento de discutir isso.
— Ah… certo. Então, a empresa de mercenários? Não seria grande se a Eunah desaparecesse?
— Ah, não. Ela era bem inteligente. O nome dela…
Kang Shin-hyuk soltou um suspiro ao ouvir o nome da guilda de mercenários. Era porque era a maior e mais reconhecida do setor. Ele precisava descobrir mais sobre ela, pois tinha amigos que acabaram de entrar na indústria de mercenários.
— Comido tudo?
Claire fitou-o com os olhos brilhando. Kang Shin-hyuk cuidadosamente abriu a boca após terminar sua comida.
— …Vou te perguntar hoje.
— Quero passar a noite aqui hoje.
— Combinado.
Kang Shin-hyuk respondeu prontamente. Recusar não era uma opção.
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