Ecos de Méter — Capítulo 112: CAPÍTULO 112 - 112 “Tempero”

Ecos de Méter
Cap. 112
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Ecos de Méter

CAPÍTULO 112 - 112 “Tempero”

Capítulo 112

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Capítulo 112: “Tempero”

Ecos de Méter

Algumas horas são o suficiente para a neblina se dispersar e o sol perder a vergonha na cara e dar início e verdade aos trabalhos.

Shymphony é a primeira a sair, seguida de Adão que mal se coloca de pé e já está lançando olhares ao redor.

Sarah vem em seguida e ajuda Helvetia a sair por último. Quando elas terminam de se levantar, Shymphony vai indo até onde deixou o troco escondido.

— Tudo normal pelo visto. — Adão solta palavras ao vento, e se vira para a moita sendo revirada por Shymphony.

— Espero que não nos atrasarmos mais. Se eu perder o torneio dessa vez, com certeza ele vai me esfolar viva. — Helvetia murmura em voz alta olhando para uma direção específica a sudoeste.

— Então vamos indo, por que eu não quero dar de cara com aqueles tais Arctopan de novo. — Agora quem murmura é Shymphony voltando com o tronco e os cantis médios.

— Falando nisso, procurem um galho comprido o suficiente para irem tocando o terreno a frente com ele. — Helvetia puxa a estaca mais longa de seu bornal enquanto já começa a caminhar.

— Bem pensado! — Shymphony exclama já buscando por um ao redor com olhares atentos.

Enquanto procuram, aceleram as passadas até alcançar Helvetia. Aos poucos eles vão assumindo novamente a formação após cada um encontrar um galho. A caminhada deles acabou diminuindo um pouco a velocidade por causa desse cuidado extra. Volta e meia, Sarah coloca a mão na testa para averiguar se não está sangrando. Helvetia a observa fazer isso algumas vezes de canto de olho.

Mais algumas horas de viagem e eles se deparam frente a frente com um pequeno rio de águas paradas.

— Evitamos o máximo que deu. — Helvetia desabafa enquanto busca uma pedra para se sentar.

Nesse momento a barriga de Adão e Sarah voltam a roncar, só que ao ponto de todos por perto ouvirem.

— É, não tem jeito. Vamos fazer uma parada para se alimentar de verdade agora. — Ela termina de falar já soltando seu bornal no chão. — Mas seria bom se conseguíssemos pegar alguma coisa por aqui.

— Eu posso pescar, mas preciso de alguns minutos. — Sarah se voluntaria enquanto vai colocando suas coisas ao lado da pedra onde Helvetia está.

— E lá vamos nós. — Adão exclama e coça a cabeça atrás da orelha ao mesmo tempo.

Às duas olham para ele com estranheza e voltam o olhar para Sarah.

— Cuidado, esses rios são cheios de serpentes e peixes carnívoros. — Helvetia fala um pouco mais alto para alcançar ela que já está tirando os sapatos a a armadura. Depois os joga ao lado da túnica à beira do rio.

Ao dar o primeiro passo dentro, seu pé afunda até a canela. Vendo que dá para entrar por ali, ela começa a caminhar para dentro até ficar com água na altura da cintura.

No instante seguinte, tudo se cala, parecido com o crepúsculo passado, mas de uma forma mais calma e menos visceral, a floresta ao redor entra em um silêncio repentino.

Helvetia volta a sentir aquela mesma necessidade de não fazer nenhum movimento brusco, ainda procura entender o porquê, mas aceitando tão imposição.

Shymphony se move como se nada tivesse acontecendo. Após deixar o saco de mantimentos ao lado de Helvetia, ela se afasta deles, adentrando a mata.

Adão continua parado a observando atentamente, menos que Helvetia, mas ele também sente a mesma necessidade.

Sarah com a adaga na mão, agora desativa sua presença ficando imóvel, com a respiração lenta e controlada.

Helvetia faz uma expressão de quem entendeu algo, mas de forma contida, disfarça e vai abrindo seu bornal e logo começa a revirar alguns bolsos.

— Eu tentei muito aprender a ter essa presença dela. — Ele se senta de frente para o bornal puxando assunto com ela.

— Alguns animais como o Arctopan, tem algo parecido, mas de forma instintiva. — Ela lança um olhar de canto para Sarah que parece uma com o rio. E volta para alguns pequenos sacos de tecidos que acabou de tirar de alguns bolsos.

— Tem mais animal por aí que consegue fazer isso? — Adão solta a pergunta ao vento, e observa ela despejar algumas folhas verdes moídas na mão.

— Você não disse que encontrou Urânus? — Ela nem faz questão de desviar o olhar, enquanto vai aproximando a palma da mão até a boca.

— Sim! Porquê? — Ele observa a cena atentamente.

— Dizem que nenhum ser vivo ousa respirar por onde ela passa. — Agora ela usa a ponta da língua para experimentar um pouco das folhas.

— Faz sentido! — Ele coloca a mão no queixo, e olha para o bornal e para mais alguns saquinhos, e volta para ela que faz um movimento positivo com a cabeça enquanto termina de degustar.

— Pela sua reação, não teve nada disso. — Helvetia joga as palavras na cara dele com um sorriso suave de boca fechada.

— Não! E para ser sincero, antes da Sarah, nunca tinha visto nada parecido. — Ele mais murmura do que fala enquanto observa ela pegar outro saquinho, dessa vez, um pó alaranjado surge.

— Como assim? — Ela até para sua degustação e olha para ele. — Para onde a gente está indo, vários animais tem essa “presença”. É praticamente uma forma deles impor a hierarquia quando Urânus não está por perto. — Ela suspira e volta a se concentrar no pó.

— Estranho, me lembro bem de ter visto vários animais, mas nenhum me passar tal sensação. — Ele ainda se indaga vendo novamente a reação positiva dela.

Agora o silêncio volta a preencher o espaço entre eles por alguns minutos. Nesse tempo, Helvetia experimenta mais cinco pós diferentes. Alguns são mais grossos como areia, e outros tão finos que até ameaçar sair voando com qualquer brisa que circunda o ambiente.

— O que estão fazendo? — Shymphony reaparece com vários galhos e folhas secas nos braços. Ela observa os dois colocando a ponta do dedo em um dos sacos pequenos que contém um farelo verde seco.

— Experimentando alguns temperos. — Helvetia a observa por um instante e volta a olhar para Adão. — Eu quero ver nenhum estragou. Já esse aí!

— Eles são muito gostosos, cada um tem um sabor diferente. — Ele se explica sem deixar a vergonha tomar conta.

— Posso também? — Shymphony vai largando as folhas e galhos ali mesmo e se sentando ao lado deles.

— Fica à vontade! — Ela mal termina de falar e já está tendo outra reação positiva. — Só toma cuidado com esses que são mais finos. — Nesse momento, por um ínfimo milésimo ela e Adão trocam um olhar e voltam a observar ela colocar o dedo em um que tem um tom vermelho-escuro.

Quando ela termina de colocar na boca, sem tempo para mais nada, vai soltando ar com força e cuspindo. Os dois não se seguram e começam a rir da cena. Helvetia até chega a se soltar pro lado e se deita para rir com mais estilo.

Shymphony se levanta a toda procurando seu cantil, e nunca virada só, mata toda a água que tinha ali dentro. Então se encosta na perda onde Helvetia estava antes, e respira aliviada.

— Aiai, minha barriga. — Helvetia vai voltando a se sentar com muito esforço, ainda tentando se recompor.

— Se acredita que essa miserável fez a mesma coisa comigo? — Ele até pega o cantil que está ao seu lado e o vira para mostrar que está vazio.

Helvetia ao escutar ele reclamar, não consegue se conter e agora cai para outro lado voltando a rir mais um pouco ao ponto de até lagrimas escorrerem por seu rosto.

Enquanto isso, no rio, Sarah busca não perder o foco com as risadas ao fundo. Com os músculos do braço tensionados, ela se prepara para mais uma caçada.

Fim da leitura

Capítulo 112 concluído

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