Ecos de Méter — Capítulo 4: CAPÍTULO 4 - 03 A presa

Ecos de Méter
Cap. 4
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CAPÍTULO 4 - 03 A presa

Capítulo 4

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Capítulo 03: A presa

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— Acelera aí. Vamos nos atrasar! — Bernardo se aproxima, ansioso.

— Ei… o Rômulo é um fofo, não é? — Marcela joga palavras ao ar.

Em silêncio, Sarah abaixa o rosto na tentativa de escondê-lo.

— Do que você está falando? — Bernardo a questiona, confuso.

Sarah se levanta e olha para ele com um leve sorriso no rosto.

— Pera… Haha… Você está apaixonada! — Ele não perde a oportunidade de provocar.

Ao passar por ele, Sarah dá um leve soco em seu braço, o suficiente para fazê-lo soltar um grito de dor exagerado.

— Aaaa Bernardo… vocês meninos são lerdos demais. — Marcela começa a acompanhar Sarah enquanto se imagina com o menino que gosta.

— Eu entendo sim! — Após um segundo de silêncio, ele toma a frente das duas e se vira para elas, andando de costas. — Eu até já beijei uma garota! — Seus olhos brilham, e até abre um sorriso na frente das duas.

Marcela para repentinamente e o encara.

Seus olhos começam a lacrimejar.

Em silêncio, ela sai em disparada, sumindo pelos corredores.

— Ué… — Bernardo observa Sarah em busca de respostas.

— Vocês realmente não sabem de nada! — Ela o encara. — Agora pode ir atrás dela! — Com a feição mais séria, dá um ultimato.

— Fui! — Sem questionar aquela presença “maligna”, ele some dali o mais rápido possível.

Após alguns minutos andando devagar, Sarah chega no ginásio sozinha.

— Vixi, lá vem o monstro! Ela é do nosso time, nem vem! — Comenta Jorge, alto e de cabelo curto.

Ao vê-la, todos param o jogo enquanto Sarah se aproxima. Os olhares se voltam para ela.

— Ahh não! Nem vem! Ela é do nosso! O time de vocês já está muito forte —Lucas, baixo e entroncado, entra na disputa.

— Desculpa Jorge, mas hoje eu não estou a fim de jogar. Só vim avisar que vou jogar xadrez. — Ela responde com calma.

— Xadrez? Coisa de nerd, vem jogar bola! — Jorge insiste. Mas ela já está seguindo seu caminho.

— Deixa ELE, Jorge! Vamos jogar só nós, é melhor! — Gabi, um menino alto, de cabelo grande, provoca.

Sarah para bruscamente.

— GABI!!! CUIDADO!!!! — Gritos ecoam entre os meninos.

Quando ele se vira para ver o que está acontecendo, sem tempo de reagir, se vê caindo no chão sem saber o que aconteceu. De repente uma tremenda dor surge em sua face. Ao levar a mão ao nariz, percebe o sangue escorrendo. Furioso, começa a procurar ao seu redor pelo culpado. Uma busca que não demora a terminar.

Ali está ela, com os punhos fechados, forçando passagem em meio a dois meninos que tentam segurá-la pelos braços. Outros pedem calma, sem muito êxito.

Gabi, ao encarar a face e os olhos castanhos de Sarah. Sente como se um predador estivesse ali forçando grades frágeis e prestes a sucumbir. Pronta para atacá-lo e dilacerá-lo. Suas pupilas contraídas, parecem enxergar somente uma coisa, sua presa.

Ele gela.

O mais amedrontador de tudo é o silêncio que ela faz. Definitivamente, qualquer segundo de folga que os meninos derem, ele será alcançado.

O olhar de Gabi rapidamente se transforma, suas pupilas dilatadas com as sobrancelhas levantadas, sua respiração trêmula, tudo em seu corpo o impulsiona a se afastar dali o mais rápido possível.

— O que está acontecendo aqui!? — A voz de alguém ecoa pelo ginásio. O professor Marcos, barba rala e cabelo curto, chega no local.

Gabi sai correndo em direção ao banheiro masculino.

Sarah não desvia seu olhar dele nem por um segundo.

— Professor, a Sarah deu um murrão no Gabi! — Uma voz surge do meio dos meninos.

— Sarah! Sarah! — Marcos a chacoalha pelos ombros, tentando acalmá-la.

Aos poucos seus punhos relaxam.

Ela olha para Marcos, e volta a si.

Então percebe que está cercada pelos seus companheiros de turma. Alguns observam a distância.

— Olha para mim! Se acalma! Você está bem? — O professor tenta verificar seu estado, porém ela não responde com palavras, somente balança a cabeça positivamente, ainda com seus olhos levemente em fúria.

— Vai jogar uma água no rosto e se acalmar, ok. — Ele fala calmamente com ela. — Jorge, acompanhe a Sarah até a pia, e depois para a diretoria. —

Depois da ordem, ele começa a se dirige até o banheiro masculino. — Vamos pessoal, circulando.

Os demais, aos poucos vão se dispersando.

Após alguns minutos, Sarah e Jorge já estão sentados no banco em frente a diretoria.

A porta se abre.

Márcia, a diretora, alta, cabelo preto e usando óculos, para ao vê-la.

— De novo?

Sarah abaixa a cabeça.

— O que aconteceu dessa vez? — Ela volta a indagar.

Sarah não a responde.

— Mexeram com ela de novo diretora. — Jorge tenta responder.

— Você também está envolvido? — O olhar firme da diretora, se direciona para ele.

— Só estou acompanhando ela. O professor Marcos que mandou.

— Rumm… Bom mesmo! Pode voltar para a sala, e peça para que ele venha aqui.

Ele acena positivamente com a cabeça;

— Tchau Sarah. — Em instantes, Jorge some do local.

Sarah o observa com um olhar vago.

— Vem, me conta o que aconteceu. — Márcia, agora com a voz mais calma, a convida para entrar enquanto vai abrindo a porta.

Sarah se levanta e se dirige para dentro da sala. Ao passar pela porta, a diretora coloca a mão nas costas dela, dando um empurrão gentil, deixando a porta meio aberta para que Marcos veja que elas estão ali.

Depois de vagar pela escola, Bernardo encontra Marcela chorando em um canto. E depois de alguns minutos criando coragem, ele se aproxima dela. No começo, ela hesita em ouvi-lo. Mas aos poucos, consegue acalmá-la. Após isso, se senta ao lado.

Olhando para o chão, começa a abrir o jogo sobre como foi infantil ao dizer aquelas palavras, e não levar em consideração os sentimentos dela.

Ele admite que já sabia, e que também sente o mesmo por ela. Só que nunca teve coragem para a encarar e dizer o que sentia.

Nesse instante, Marcela sorri, ainda com as bochechas rosadas.

E sem aviso, se deita apoiando a cabeça nas pernas dele.

O silêncio ecoa.

Somente o barulho do vento que sacode e derruba algumas folhas pelo local, se faz ouvir.

E olhando diretamente nos olhos dele, ela respira fundo.

— Eu te amo!

Fim da leitura

Capítulo 4 concluído

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