Ecos de Méter — Capítulo 48: CAPÍTULO 48 - 48 Lembranças inevitáveis

Ecos de Méter
Cap. 48
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Ecos de Méter

CAPÍTULO 48 - 48 Lembranças inevitáveis

Capítulo 48

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Capítulo 48: Lembranças inevitáveis

Ecos de Méter

Nas duas semanas seguintes, Sarah fica supervisionando uma escavação em um sítio arqueológico para guilda, no sul de Niang. Após esse serviço, ela volta para casa e prepara tudo para sua viagem.

Em sua mochila só o essencial. Bronzeador, cartão de crédito, sua adaga, e dois livros pequenos. Um sobre histórias da era de ouro da pirataria, e o outro é o livro da Alvorecer Dourado. Também tem o pergaminho que trouxe dos montes.

Ela está vestindo uma calça Jogger preta; um top cinza; um coturno marrom escuro, e luvas pretas de dedos cortados. Depois de deixar várias migalhas de pão do lado de fora da janela e dar uma última olhada em seu carro na garagem do prédio. Sarah se põe a caminhar por vários minutos.

— Oi Chang. Me vê uma recheada? — Sarah para no caminho em uma lanchonete de calçada.

— Com tempero extra como de costume? — Chang a indaga já puxando algumas batatas de um grande saco em um canto.

— Por favor! — Sarah termina de sentar esboçando um leve sorriso.

— Você não está de carro hoje. Decidiu dar uma caminhada? — Ele puxa conversa enquanto já está lavando as mais bonitas.

— Estou indo viajar. Decidi ir a pé até a rodoviária. — Sarah já começa a salivar enquanto observa ele as descascando.

— Vai ficar muito tempo fora? — Ele olha de relance para Sarah mas logo retoma seu foco.

— Pretendo ficar um mês mais ou menos em Fiore. — Agora Sarah lança um olhar perdido para o gramado atrás da barraca e para as crianças brincando com espadas, escudos e adagas de mentira.

— Caramba em! Então você vai de praias paradisíacas. Pensei que você fosse mais do estilo, tour pela fronteira. Sabe, por causa de sua profissão. — Ele termina de falar com um sorriso tímido na boca, enquanto já está colocando as batatas na panela com água.

Sarah dá um largo sorriso sem intenção.

— Você não está errado! — Ela olha para a rua e para o movimento dos carros, para as pessoas nas calçadas, e para os postes com seus fios.

Chang repara que Sarah está olhando para o alto.

— Você andou tendo algum problema com a Intet ultimamente? — Ele a pergunta ao vento enquanto pressiona um núcleo avermelhado na frente de um pequeno fogão em um canto. Então surgem faíscas e um leve odor de gás, e depois fogo sob a panela.

— Não! Por quê? — Sarah responde olhando para as costas dele.

— Ficamos dois dias sem acesso em casa. Parece que bateram em um desses postes, que acabou caindo e cortando a conexão. — Ele da uma pausa no que está fazendo e se vira para ela. — Esses postes antigos, da época da energia por fio são fracos de mais. Deveriam encontrar algo melhor.

— Verdade. — Ela encara um poste novamente por um momento.

— Cara! Eu não consigo ficar mais sem Intet. Estou aprendendo muita coisa por lá. Dá até pra estudar, e assistir as coisas. Você que é arqueóloga, deve usar muito.

— Sim, um dos requisitos para o nivel intermediário da guilda é ter acesso a ela!

— Guardiã do passado, correto? — Chang em meio a leves dúvidas, cutuca as batatas com um garfo.

— Uhumm! — Sarah parece se perder um pouco em pensamentos. — Da pra encontrar mapas, histórias antigas, e sites com muitas informações. — Ela complementa enquanto dá uma rápida olhada para a panela.

— Dizem que existem alguns lugares ocultos nessa rede. Onde se pode obter informações secreta, como bases secretas dos androides. Expedições sigilosas da realeza. Até como comprar escravos etc. — O silêncio reina por um instante. — É claro, deve ser só boatos. — Ele tenta disfarçar o clima enquanto pressiona o núcleo novamente, e já vai puxando a panela para a pia.

Sarah olha para o vazio por um momento.

— Não. Esse mundo é cruel. Os seres humanos não são exceção. Ainda mais se tratando de uma rede criada pela realeza. Por mais que ela seja limitada a informações humanas e do nosso reino. Ainda assim, tem muita podridão por ai!! — Sarah solta essas palavras ao vento com olhar vago e distante.

— Eu vi em um site de notícias que graças a informações compartilhadas por Atlântis. Descobriram uma rede complexa de tráfego de crianças, no noroeste da Zona Periférica — Ele para novamente por alguns segundos a sua fala e retoma com cautela. — Você vem de lá… Não?

— … — Ela lança um olhar para ele. — Sim.

— Cara que perigoso. — As batatas começam a ser jogadas em uma bacia cheia de furos no fundo. — Ainda bem que agora que proibiram o tráfico humano. Essas redes devem ser desmontadas.

Ele faz uma rápida pausa no que está fazendo para beber um pouco de água da torneira com um copo, e logo retoma.

— Loucura né! Androides querendo escravizar outras espécies, eu até entendo. Eles são superiores sabe… — O olhar de Sarah começa a se transformar. — Mas, humanos da periferia escravizando os seus? E crianças ainda.

— Não se engane. Nem todas as informações encontradas na rede são verdade! — Sarah já com olhar mais calmo e respiração suave o adverte.

Ele fica em silêncio por um momento.

— É como você disse. Uma rede construída pela realeza. Com certeza deve ter dedo daqueles nobres podres nisso. Afinal. Foram eles que construíram aquele maldito muro para ficarem longes dos plebeus. — Dá para sentir o rancor em sua fala. — Sabe. Eu não acredito que androides fossem tão longe. E dentro do nosso próprio rein…

— Coloca as cascas para fritar também? — Ela o interrompe.

— Háá sim… Desculpa, eu fiquei com a mente distante. O especial da Sarah já vai sair. — O ambiente repentinamente fica mais leve, mas não menos amargo.

— Quanto vai custar? — Ela puxa outro assunto.

— Faz assim. Esse fica por conta da casa. Por sua fidelidade aos nossos serviços. E como presente para sua viajem.

— Obrigada Chang, você é o melhor! ― Com um sorriso gentil no rosto que até fecha os olhos ela o agradece.

Depois de vários minutos de conversa, e silêncio.

— Boa viajem para você. — Ele se despede a entregando um pacote marrom.

— Obrigada! E bom serviço para você.

E assim Sarah volta para seu percurso até chegar a rodoviária. Caminho cheio de pensamentos e lembranças. Como ainda falta algum tempo para o embarque. Ela não se aguenta, e logo vai abrindo o pacote marrom. O cheiro que sai de dentro, a escraviza de uma forma que faz seu estomago roncar.

Fim da leitura

Capítulo 48 concluído

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