Ecos de Méter — Capítulo 6: CAPÍTULO 6 - 05 As aparências que moldam o destino

Ecos de Méter
Cap. 6
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Ecos de Méter

CAPÍTULO 6 - 05 As aparências que moldam o destino

Capítulo 6

1.015 palavras~4 min de leitura

Capítulo 05: As aparências que moldam o destino

Ecos de Méter

Mais cedo, após Gabi deixar a sala da diretoria.

— Ela costuma arrumar algumas encrencas aqui e ali, mas bater em um menino? Fiquei um pouco surpresa, que bom que tudo se revolveu! — Márcia comenta, aliviada, olhando para Marcos.

— Sim, quando eu vi a aglomeração na quadra, pensei que os meninos estavam brigando devido à bola de novo, ou por causa de alguma rixa boba deles.

Marcos descreve o ocorrido para Márcia enquanto se senta em uma cadeira.

— Mas nunca imaginei que seria a Sarah. Ela tem esse jeito mais moleque de ser, é bem atlética para uma menina, mas, bater em um menino? Fiquei surpreso!

Ele para a fala por um momento, seu olhar se torna distante, direcionado para uma parede.

— Ela estava tão focada, obcecada, que mal escutava as pessoas ao redor dela. E aquele olhar…

— Logo todo mundo vai esquecer. — Márcia complementa em um tom neutro.

— Já está decidido então? — Marcos a questiona com um olhar de dúvida.

— Sim, o preço já foi decidido, as equipes contratadas, e todos os equipamentos necessários para a operação já foram alocados. Provavelmente, semana que vem ela já comece a conhecer seu novo lar.

Ela faz uma breve pausa.

— Eles estavam procurando alguém como ela! Tem alguns clientes extremamente ricos à procura de um desafio, de uma experiência mais arriscada.

Em silêncio, Marcos apenas ouve.

— Sabe… às vezes me passa pela cabeça que ela poderia um dia se tornar. — Por um momento, Márcia pensa mais alto do que queria.

— Se tornar o que? — Ele a questiona confuso.

— Esquece! — Ela volta da distração mental.

— O pai dela não será um problema obviamente. Mas a mãe… A forma como ela defende a filha toda vez que é chamada aqui. Fora seu cargo elevado na guilda dos arqueólogos. Isso sim será um problema. — Marcos traça um possível cenário para o que vai acontecer.

— Também já planejaram uma forma de se livrar dela sem que levante suspeitas na guilda. — Márcia pontua. — Crianças somem o tempo todo, será só mais uma investigação.

— E os amigos dela? São inseparáveis, vão ficar abalados, e podem causar alguma comoção por aí. — Marcos pronuncia essas palavras com a face para o chão e o olhar vago.

— Eles vão juntos!

Márcia revela de forma despretensiosa enquanto olha para o teto.

— Ei ei… Isso não é arriscado demais? Os três de uma vez? — Ele até esboça uma expressão de preocupação por um momento. — Eles com certeza vão ir a fundo dessa vez nas investigações. Fora que o intervalo entre as operações diminuiu bastante no último ano. O pessoal lá de baixo está arriscando demais ultimamente.

Ele solta seu corpo para trás na cadeira, jogando um olhar para o teto e dando uma leve coçada na cabeça.

— Mesmo sendo inferiores, são numerosos. A tecnologia deles evoluiu bastante. Um dos nossos morreu recentemente, na fronteira com o Deserto da Criação.

— Quem? — Márcia pergunta surpresa.

— Lembra do Mishigan? Queria ir até Atlás para se tornar um membro de elite do Tóquio? Se envolveu em uma briga com um humano em um dos pontos de partida para a jornada de fogo. Dizem que ele se perdeu o controle… e os guardas da fronteira atiraram contra ele. Não que ele fosse forte, mesmo assim, ele ainda era superior.

— Ele sempre foi cabeça quente, mas ser morto por humanos… Melhor ficarmos atentos.

Ela respira fundo.

— Vou sugerir que o transporte seja feito por um grupo de sequestradores especializados da raça deles. Assim evitamos qualquer suspeita. Tem muito dinheiro dessa vez, essa operação não pode falhar.

Ela pausa sua fala por um tempo, observa fotos enquadradas na parede. Turmas que se formaram com destaque. Alunos que se tornaram grandes caçadores, entre outros.

— A escola vai ficar abalada por um tempo, mas vão superar. Depois das investigações e mais algum tempo, isso ficara no passado. E o tratamento lá é bom, São jovens e bonitos, estão na flor da juventude, vão ser populares! — Márcia termina sua fala lançando um olhar de canto para Marcos.

— Bom, se já está tudo resolvido. Espero que tudo dê certo! Esse dinheiro vai alavancar o financiamento dos projetos em Ayda e Atlás.

A expressão de Marcos muda de indecisão e preocupação para a de alguém que está pensando em algo. Então abre um sorriso e se levanta da cadeira em direção a porta. Ele para pôr um momento e se vira para Márcia.

— Mês que vem acho que vou comprar aquele carro novo que tanto queria, talvez compre uma casa também. E você?

— Vou pedir minha licença da escola, já não suporto mais esse lugar, vou me mudar para o litoral e me afastar de tudo isso. — Marcia observa de relance um telefone sobre a mesa.

— Entendo, eu também vou sumir dessa periferia de merda. Não sei como vim parar aqui! — Com a expressão de nojo, ele reclama e desdenha do local.

— Você sabe sim! Esse foi o único motivo de você ter vindo para cá, assim como eu!

Márcia rebate.

É verdade. — Com essas últimas palavras que saem em um tom levemente amargurado, ele dá um leve sorriso e sai da sala fechando a porta.

Alguns minutos depois, Márcia se encontra encarando o telefone branco na mesa. Ela observa seus botões vermelhos com números na cor branca. Ela abre uma das gavetas, e após procurar um pouco, encontra uma grande pasta amarela. Ao jogá-la sobre a mesa e abri-la, vários papeis, são revelados.

Depois de folheá-los, encontra um que chama sua atenção. Sem perder tempo, pega o telefone e o prende entre o ombro e a orelha. Em seguida começa a discar números, enquanto desliza pelo papel com o dedo.

Depois de vários segundos de espera, e quase desistir da ligação.

— Alô?

Uma voz feminina surge do telefone.

— Leila, não dá para explicar direito agora. Me encontre sábado à noite no parque em volta do lago. Tenho algo muito importante que preciso falar para você.

Márcia desliga o telefone e dá um profundo suspiro.

A imagem de uma menina sorrindo surge em sua mente.

Mas logo some na escuridão.

Fim da leitura

Capítulo 6 concluído

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