Ed%Venture — Capítulo 21: CAPÍTULO 21 - 20 Confissão.

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Cap. 21
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CAPÍTULO 21 - 20 Confissão.

Capítulo 21

1.018 palavras~4 min de leitura

Capítulo 20: Confissão.

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O soprar do vento, a dureza dos escombros, o cheiro da poeira, a leve coceira no nariz, o peso nos meus braços, a falta de qualquer movimento nas pernas — senti e pensei sobre essas sensações durante algum tempo.

Quase na mesma situação estava Kazuhito, em minha frente, a uns dois metros. Seu busto subia e descia devagar, com os panos de sua camisa chorando por causa do aperto.

Seus olhos estreitos me encaravam. A luz vinda do teto, ou do que deveria ter restado dele, lhes conferiam um brilho metálico.

— Às vezes… — falei, e vi-a levantar um pouco as pálpebras. — Às vezes você parece mais bonita que o normal… odeio isso. Me faz lembrar daquele meu objetivo.

Sorri e ela fez o mesmo.

— Ah, sim…aquele… então você ainda quer ter filhos comigo… — murmurou ela.

— E por você ter mentido esse tempo todo, agora quero três.

O rosto daquela anta ficou vermelho, mas mesmo assim não esboçou nenhuma expressão de “seu idiota! No que está pensand?!”. Não que eu achasse que ela poderia se levantar e vir me bater, logicamente.

Assim como eu, ela tava só o pó.

— Tudo bem.

— Tudo bem…? — indaguei.

— Você venceu, lembra? — Seu lábio tremeu um pouco enquanto falava. — Se vencesse, eu voltaria a ser sua namorada.

— Mas…

Por que exatamente eu tinha vencido? Ela estava bem machucada, isso é fato, mas oacabadoali era eu. Não conseguia mover nada além da minha boca e os meus olhos, mesmo que estes estivessem quase se fechando.

— Idiota!

— Ueh… o que eu fiz?

— Tonto, idiota, imbecil! — E virou o rosto para o lado.

Era fofo, mas queria entender.

— Não entendeu que eu ainda te amo?

Essa frase…

Essa bendita sentença de palavras fez o meu coração parar de bater por alguns segundos. Que loucura!

— Foi difícil pra mim, também… — Voltou a me encarar, agora mirando os meus olhos. — Dificilmente iria acreditar quevocê é oEdward. Mas… mas tu também não colaborou em nada!

— Com não?! Quer dizer, como exatamente eu deveria?! — gritei o máximo que minhas energias permitiriam.

— Eu… eu não sei! Mas… mas você me fez ser a vilã! Nossa discussão durante a luta… — Vi seus punhos agarrarem pedrinhas e as esmagar. — Nela você… você falou merda pra cacete! Não fale como se soubesse o que eu passei!

Ela arrastou o pé e, levantando a poeira, ficou de pé e veio andando até mim, contrariando minhas afirmações de anteriormente.

— Você… — E me agarrou pelo pescoço. Algo assim aconteceu antes… será que foi no capítulo quatro? Ou no cinco? — Você só fala o que quer! Não ouve os outros!

Meus braços e pernas não se moviam. Qualquer pulso elétrico que eu enviasse do meu cérebro não surtiria efeito neles. Eu só pude aceitar a situação.

— É claro… que eu falo o que quero — respondi, tentando sorrir. — A pessoa que eu gosto some no dia em que iríamos a um encontro. O que queria que eu pensasse? Queria que eu aceitasse que você lutava ao lado de um nazista?!

— I… idiota! — E apertou. Ela queria me matar?! — Se eu te amava o tanto que você me amava, por que eu faria isso?! Não pensou que algo devia ter acontecido?! E eu não sou nazista! Nunca seria!

— E o Rei Elfo era o quê, se não isso?! E é claro que eu pensei, sua anta! Eu pensei! É claro que eu pensei! E eu procurei… procurei… procurei e não te encontrei!

“Merda… tô quase perdendo a consciência… cá… cacete!”

De súbito, senti algo quente me envolver. Ela me abraçou. Pude sentir o bater de seu coração e o som que o ar fazia ao entrar no nariz dela.

— E continuou procurando? — perguntou Kazuhito, sua boca perto do meu ouvido.

Assenti com a cabeça, pressionando contra o busto dela.

— E morreu…

Como eu queria ter forças naquele momento!

— …E morreu me amando?

— Morri e renasci te amando — falei sincero, olhando-a nos olhos. — Evitei pensar em ti porque não queria fraquejar. Mas, no final, quando te vi…

Ela me pressionou em seus braços.

— Eu queria te dizer o que por alguma tinha vergonha… — Não pude conter a garoa que vinha dos meus olhos. — Kazu… Kazuhito… eu te amo.

Senti que as coisas acabaram ali. Pois é, seria bonito se acabassem ali.

— Mesmo eu sendo a “girafa”?

— Mesmo você sendo a girafa.

Senti que os olhares das Bastardas se voltaram para nós. Ouvi alguns chorinhos e algumas riam. Ragon, o suposto inimigo, gargalhava. Com o Rei Elfo derrotado, o mundo todo saberia quem era o verdadeiro Rei Demônio.

— Mesmo que eu seja pouco feminina?

— Eu curto tomboys.

Nos sentamos. No meios dos escombros daquele hangar, para celebrar nosso reencontro…

— Farei isso por você.

— O quê? Fará o quê?

…Ela aproximou o rosto dela ao meu. Comigo em seus braços, era como se fossemos a Peach e o Mario — me perdoe, Ninten… Metendo —, mas eu era a princesa.

— Isso — E nossos lábios se encontraram.

Coisa linda, né? Coisa linda. Seria bom se terminasse aí.

Depois disso, ela me carregou e apaguei. Só depoisdaquiloque fiquei sabendo que estava deitado em uma cama tão macia, tão cheirosa, que parecia concreto.

Derrotei o Rei Elfo e empatei com a garota que amo. Essa era a verdade.

Mas será mesmo?

Tá certo que foi genial ter usado a própria magia de gelo dele contra ele mesmo. O feiticeiro provou de seu próprio feitiço. Mas algo estava errado. Como se alguma coisa estivesse fora do lugar.

Era como se a única parede vermelha de uma sala de repente ficasse amarela. Como se os dois alunos, daqueles que faltam sempre que um vem na aula, estivessem presentes ao mesmo tempo.

A coisa tava estranha nesse nível. E foi algo de supetão… tá ligado? Assim que terminamos de beijar, quando meus olhos se desfocaram de Kazuhito, tive a sensação de que deixei algo passar.

Foi desesperador desmaiar logo em seguida. E pensei que poderia era só nóia minha. Quis pensar que era isso. Seria conveniente se eu conseguisse mentir pra mim mesmo. Heh!

Somente uma vez eu me enganei, Seu madruga. E sabe quando? Quando pensei estar enganado.

Fim da leitura

Capítulo 21 concluído

CAPÍTULO 21 - 20 Confissão.