Extra's Descent NovelCAPÍTULO 115 - Problemas Antes do Festival
Capítulo 115"Alguma novidade sobre o caso?"
"Infelizmente, nenhuma."
Como Brandon perguntou, Raven respondeu em seguida.
"Certo."
"Hã?"
Raven inclinou a cabeça. Brandon parecia menos desanimado do que deveria.
"Não esperava uma reação dessas."
"Se as coisas não derem certo, já tenho tudo resolvido."
"O que você quer dizer?"
"Consegui um patrocinador para a gente."
"Sério?"
Os olhos de Raven se iluminaram.
"Quem?"
"Amélia."
"Ah."
Então…
Isso significava que não adiantava continuar investigando, certo?
"Você ainda quer resolver o caso então?"
"Quero, mas, pra ser sincero, estou exausto."
"E quanto ao custo?"
"Ela está arcando com isso."
"Brandon…"
Percebendo o desgosto no rosto de Raven, Brandon fez um gesto com a mão para acalmá-lo.
"Claro que não de graça."
"Ah."
"Sim, estou cobrindo tudo. Não se preocupe comigo."
"…Certo."
Assim, a breve conversa terminou e os dois se despediram imediatamente.
Olhando para as costas de Brandon enquanto se afastava, Raven secretamente cerrava o punho.
Seu amigo…
Mais uma vez, ele estava resolvendo tudo sozinho.
"Droga. Confia mais na gente, cara."
Ele apertou ainda mais o punho.
E murmurou para si mesmo.
"Somos amigos, não somos?"
Alguns dias se passaram.
Era um final de semana.
Um domingo.
E um final de semana significava…
…Outra viagem para Everglade.
Ao entrar na taverna, todos os olhares imediatamente se voltaram para Brandon.
O ambiente estava animado a princípio. Mas assim que ele chegou, o silêncio tomou conta de toda a volta.
Então…
"Ripper, seja bem-vindo de volta."
"Bom te ver, Ripper."
"Mais uma missão de exterminação hoje?"
Brandon não respondeu com palavras, apenas acenou com a cabeça em sinal de confirmação.
"Sempre tão discreto, hein…?"
"Só fala com o Smith, tô com ciúmes."
"Não me diga que gosta dele, hein?"
"Não torça meus sentidos, Erick."
A animação continuou e Brandon seguiu rumo ao balcão.
Sentado em um banquinho, Brandon fixou o olhar em um determinado barman que estava servindo uma bebida.
"O de sempre, certo?"
"É."
Havia uma característica peculiar na Máscara do Miragem.
Se ele colocasse mana nela, os símbolos rúnicos azuis brilhariam e Brandon poderia moldar a máscara de qualquer jeito.
Pegando a taça de madeira, Brandon engoliu o gole.
Tum!
E assim que acabou, bateu a taça na mesa com força.
"Mais um?"
"Não, já tá bom."
"Certo."
O que Smith considerava como o habitual de Brandon não passava de 'conhaque'.
Brandon nunca tinha bebido algo assim, nem na sua vida passada, nem na atual.
Mas, ao ouvir sobre a bebida, sua curiosidade de repente aumentou.
Não pelo gosto, propriamente dito.
Mas porque…
'Como será que é o sabor de uma bebida chamada "Conhaque"?'
Exatamente.
Era o nome que despertava sua curiosidade.
"Hehe."
Ele riu ao pensar nisso.
"Estranho…"
Smith lhe lançou um olhar de desconfiança.
"Tanto faz."
E Brandon o mandou seguir em frente.
Enquanto limpava a taça de madeira, Smith falou sem tirar os olhos dela.
"Então, o que você precisa?"
"Nada."
"Hã?"
Smith inclinou a cabeça.
"Que estranho."
Sempre que Brandon ia à taverna, ele procurava extrair o máximo de informações de Smith.
Depois, voltava para a floresta para continuar a exterminar as Feras.
Hoje, ele não planejava fazer isso.
Ele veio a Everglade para tirar uma folga.
Dar uma pausa do movimento da cidade.
Chegar naquela taverna sem muito luxo, cheia de homens suados, foi uma surpresa agradável para ele.
Para Brandon, foi até revigorante.
E as pessoas ao redor o consideravam amigo, incluindo Smith.
Era seu refúgio próprio.
Um lugar para sua solitude.
Nessa taverna obscura, Brandon podia sentir-se completamente ele mesmo.
Claro que ele escondia sua identidade.
Mas não precisava agir de forma teatral. As pessoas não olhavam para ele como se fosse uma figura de autoridade ou alguém que valia admiração.
Não, olhavam como se fosse um igual.
E para Brandon, um lugar assim era exatamente o que ele precisava.
Surpreendentemente, Smith manifestou seu desdém.
"Se não precisa de mais nada, suma daqui."
"…"
"Brincadeira."
"Eu sei."
"Hahaha."
Os dois riram bastante com isso.
A maior parte da galera da Academia nunca o tratou assim.
Normalmente, eles o respeitavam e veneravam.
No começo, era até bom.
Podia até sentir-se mais importante por causa disso.
Porém, quanto mais isso acontecia, mais começava a irritá-lo.
Por isso, tinha poucos amigos fora do seu círculo social.
Será que eles o trataríam de verdade como amigo, ou seriam apenas temerosos?
Cansou disso.
S abe que provavelmente é hipócrita falar isso.
Ele, afinal, tem um ar um pouco intimidante.
Mas, mesmo assim, criar conexões fora da Academia parecia uma vantagem para ele.
Mais cedo ou mais tarde, entraria para os Primordiais.
E conexões como a de Smith seriam exatamente o que ele precisava.
"Sabe de uma coisa? Me dá mais uma bebida."
"Conhaque, né?"
"Yup… Hehe."
Ele riu de novo sozinho.
Conhaque.
Um apelido bem engraçado para ele.
Tum!
"Aqui está."
"Obrigado."
Então, pegou a taça e bebeu de um gole só.
Tum!
E bateu a taça de novo na mesa.
Smith virou uma expressão de descontentamento.
"Mais cedo ou mais tarde ela quebrou. Você vai ter que pagar."
"Não se preocupe, eu posso pagar… Quanto que é?"
"Um…"
Clink!
Joia de uma moeda de ouro foi jogada na mesa.
"Pronto."
"Você não deixou eu terminar."
"…?"
"Ia falar cem moedas de ouro."
"…Vai acabar roubando de mim, hein?"
"Hahaha."
De novo, os dois riram deles mesmos.
Com o riso quieto, Brandon olhou para Smith e disse:
"Me acompanha, Smith."
"Aonde?"
Brandon apontou para o vidro de conhaque atrás de Smith.
"Na bebida."
Smith passou a mão no queixo e refletiu por um instante.
Seus olhos brilharam e ele abriu a boca.
"Sob uma condição."
"Qual?"
"Mostre seu rosto."
"…"
Não.
De jeito nenhum.
Pessoas misteriosas como Smith sempre poderiam entregá-lo a qualquer momento.
Eram amigos.
Mas Smith também era profissional.
Seria uma jogada idiota se ele se revela só porque são amigos.
Percebendo sua hesitação, Smith fez um gesto com a mão, indicando que não insistiria.
"Certo, certo. Respeito isso. Mas eu vou beber algo diferente."
"O quê?"
Tum!
Smith colocou um copo de bebida na mesa.
Nele, estava escrito 'Black Label'.
E ao ler o que estava embaixo, os olhos de Brandon se arregalaram, embora Smith nem pudesse perceber.
"96% de álcool?! Você é louco."
"Loucura?"
Smith deu de ombros e começou a despejar a bebida no seu próprio caneco de madeira.
"Não é nada assim."
Ele engoliu tudo de uma vez enquanto Brandon ficava boquiaberto.
Tum!
"Viu? Tranquilamente normal."
"…"
Depois, Smith teve uma ideia e falou:
"Como você me convidou pra beber, acho justo pedir algo em troca, né?"
"…"
Brandon já desconfiava de onde aquilo ia levar.
"Desafio de bebedeira."
"Hã…?"
"Não recua agora. Vou colocar só um pouco na sua conhaque. Aceita esses termos, né?"
"…O que eu ganho se ganhar?"
"O que costuma pedir quando vem aqui?"
O que será que ele…
Ah!
"Informações."
"Exatamente."
"Sobre o quê?"
"Alguma coisa que pode te interessar."
Foi quando Smith começou a falar sobre uma organização secreta.
Algo com o qual Brandon estava bastante familiarizado.
Smith deixou no ar apenas 'organização secreta'. Mas isso foi suficiente para Brandon aceitar.
Se sua hipótese estiver certa, então Smith provavelmente estava falando dos Primordiais.
De onde ele conseguiu essa informação, Brandon nem quis imaginar.
"Certo, aceito os seus termos."
E assim, os dois começaram a disputa de bebidas.
E no final…
"Porra… Smith… Preciso… comprar essa… informação de você."
"Não vai rolar, Ripper. Isso aqui é coisa de primeira."
"Então… Hic… Exijo… uma revanche…"
"Não, cara, você já não fala direito."
Percebendo o quanto Brandon estava bêbado, Smith saiu da mesa e ofereceu o ombro a ele.
"Tem um quarto extra lá em cima. Usa aquele lá."
"Gá… Hic… Sai de mim… E… revanche!"
"Não, vamos, Ripper, vamos embora."
"Ripper… Quem… aquele…
h?
Brandon cambaleava enquanto Smith tentava ajudá-lo a subir as escadas.
"Me… Nomeh… Nmhhh!"
Smith então cobriu a boca de Brandon antes que ele pudesse falar algo mais.
Ele, claro, tinha curiosidade.
Mas Smith respeitava Brandon e a amizade deles.
"Nmhhh…!"
"Para de falar, senão vai se arrepender."
Smith empurrou Brandon para dentro do quarto e trancou a porta.
Thump!
Brandon imediatamente desabou no chão de madeira fria.
"Khhh…."
E acabou desmaiando.
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