Extra's Descent NovelCAPÍTULO 122 - Festa da Tarde
Capítulo 122Algumas semanas antes do festival.
Dentro da taverna, Brandon estava sentado no balcão enquanto o bartender, familiar, o distraía com conversas descontraídas.
Smith olhava para Brandon com os olhos bem abertos.
"Você quer subir na hierarquia da organização?"
"Sim."
"Por quê…?"
"Preciso de mais pessoas como você. Pessoas que não hesitem em sujar as mãos."
"…Entendi."
Brandon sabia que, assim que se tornasse um Membro Primordial, não poderia levar ninguém da Academia consigo.
O que ele precisava eram pessoas dos canais underground da sociedade.
Mas tudo que tinha acesso eram as tavernas públicas do Sindicato Crepúsculo.
Ele precisava de um convite.
Um convite para entrar no círculo principal do sindicato.
Por isso, precisava subir na hierarquia.
Para chamar atenção da organização.
"Tem uma coisa que você pode fazer."
"Diga."
Snap!
Smith estalou os dedos.
Brandon revirou os olhos em resposta.
Clink!
E uma moeda de ouro caiu sobre uma mesa.
Smith assentiu e continuou a explicar.
"Existem maneiras de subir na classificação. Mas, se você realmente quer chamar a atenção dos chefes, então faça algo impensável."
"…"
Brandon pensou enquanto coçava o queixo.
Ele tinha várias ideias na cabeça.
Mas seu código moral não permitia.
"Qual é a sua expressão?"
"…?"
Que diabos ele estava falando?
Brandon claramente usava uma máscara.
"Huh?"
"É o seu jeito de gesticular."
"…"
Esquisito.
"Enfim, faça algo impensável."
"Como assim?"
Smith pensou por alguns segundos, mas então olhou para Brandon com um sorriso de lado.
Ao perceber a expressão astuta no rosto dele, Brandon jogou mais uma moeda.
Clink!
"Otário pão duro."
"É negócio. De qualquer forma, há um grupo novo no sindicato que está querendo se destacar. Um bando de desviados."
"Ah?"
"Eles estão planejando impedir que a Academia Astrea participe do festival. Talvez você possa usá-los como referência."
Os olhos de Brandon se arregalaram por trás da máscara ao ouvir essas palavras.
Smith talvez não soubesse, mas a informação que ele deu valia mais do que uma moeda de ouro.
"…O que eles estão planejando?"
Então, Smith sorriu novamente e Brandon revirou os olhos.
Clink!
"Ouvi dizer que eles estão ameaçando empresas envolvidas no festival, ameaçando as famílias dos funcionários e tudo mais."
"…"
Os olhos de Brandon se arregalaram mais uma vez.
Isto…
Definitivamente poderia usar isso a seu favor.
"Fazer algo impensável, hein?"
Atualmente.
Depois de duas horas de trabalho, Rachel finalmente foi liberada.
Vestindo suas roupas de sempre, saiu da cabine de troca.
"Bom trabalho hoje."
'Bom trabalho, Rachel.'
"Obrigada."
Ela acenou em sinal de agradecimento.
Com um sorriso no rosto, saiu da sala de aula pouco tempo depois.
Sim,
Finalmente.
Era hora de explorar o festival.
Uma imagem cruzou sua cabeça. A ideia de explorar o festival com ele a deixou animada.
"Será que ele está por aí?"
Ela não tinha ideia de onde ele estava.
Mas estava decidida a encontrá-lo.
O festival estava animado, parecia divertido. Mas seria ainda melhor se ela o acompanhasse.
Não tinha certeza se devia confessar seus sentimentos. Tudo dependia de como ele reagiria quando passassem um tempo juntos.
Andando pelos corredores, seus olhos caíram na janela.
Aproximando-se, ela olhou para baixo e viu várias barracas na área do coreto.
Exatamente.
Ela tinha comido um pouco antes de trabalhar, mas ainda estava com fome.
Com esses pensamentos, ela desceu a escadaria.
O barulho animado dos estudantes chegou até ela enquanto continuava a andar de degrau em degrau.
"Você viu aqueles dois mais cedo?"
"Os que estavam de roupa formal?"
"Sim, esses."
Roupa formal?
Brandon estava de traje formal.
Seria ele mesmo?
"Com licença."
Ela se aproximou de dois estudantes. Um rapaz de óculos com armação preta e uma garota de cabelo verde.
"Oh, Rachel?"
Eles pareciam reconhecê-la. Mas não era surpresa.
Os principais classificados de suas turmas eram bastante conhecidos, afinal.
"Aquele que você estava descrevendo. Que cor tinha o cabelo dele?"
"Uh…"
"Não era branco?"
A garota respondeu enquanto o rapaz ficava pensando.
"Branco? Seria o Brandon?"
"Brandon?"
Agora a garota também estava pensando.
"Pensando bem, até que parecia com Brandon. Mas—"
"Você sabe onde ele está agora?"
Ela, sem querer, interrompeu.
"Humm… Acho que alguém o viu no coreto. Mas não tenho certeza."
"Tudo bem, obrigada."
Animada.
Depois de esperar meio dia, finalmente conseguiu vê-lo.
Ela quis chegar até ele durante o horário de trabalho, mas preferiu esperar.
Se ele dissesse algo como, 'Desculpe, não posso. Estarei ocupado mais tarde,' ela preferiu deixar para depois.
Na hora, tinha muita gente.
Seria embaraçoso.
Ela deixou os dois à vontade e caminhou na direção do coreto. O aroma agradável no ar chegou ao seu nariz.
Olhou ao redor e, ao fazer isso, ficou desapontada.
"Não consigo encontrá-lo…"
Justamente onde ele poderia estar—
"Rachel?"
Uma voz veio de repente. De um dos estandes, uma figura familiar apareceu, olhando na direção dela.
"Ah, Liam."
Ao reconhecê-lo, ela se aproximou do estande.
E a primeira pergunta que veio à cabeça foi…
"Você viu o Brandon? Ouvi dizer que ele estava por aqui."
"Sim. Mas saiu há pouco tempo. Ele estava com—"
"Obrigada."
Ela, sem querer, cortou ele e foi embora logo em seguida.
De volta ao prédio, ela deu um sorriso triste.
"Haa…"
Respirou fundo, frustrada por não conseguir encontrá-lo.
Certo que ele estava ocupado com as tarefas do comitê.
Com esses pensamentos, Rachel voltou para o coreto e comeu sozinha.
A reunião durou cerca de três horas.
Como membros do conselho estudantil, Belle e Adrien continuaram a entreter Louise, guiando-o pela Academia.
Enquanto Brandon saiu da sala do comitê para encontrar alguém importante.
Por ter dormido durante seu turno, seu horário foi remarcado para das 15h às 17h.
Não só o dele, mas também o da sua parceira.
E, enquanto olhava para frente, uma figura familiar, de cabelo castanho e olhos verdes, entrou rapidamente em seu campo de visão.
Ao perceber a presença dele, Brandon virou-se para encontrá-lo.
"Oscar, obrigado por esperar."
"Sem problema."
Oscar sorriu e se inclinou para frente.
Brandon gostava bastante dele.
Ele era discreto, como ele.
Durante suas encontros, Oscar frequentemente dava dicas de como gerenciar e liderar.
Brandon admitia que ele era um bom sênior.
Os dois conversaram enquanto passeavam pelos corredores.
O sindicato tinha certos privilégios. Um deles era a possibilidade de usar mágica dentro dos limites da academia.
Já havia várias reclamações sobre visitantes indesejados e problemas surgindo.
E parece que o destino parecia zombar dele, pois algo aconteceu logo após.
"Que falta de profissionalismo."
Dentro de uma das salas de aula, uma voz chegou até eles.
Ao entrarem, depararam-se com um visitante cujo roupa estava encharcada.
"Este terno me custou uma fortuna. Espero que tenha como pagar."
"Senhor, foi um acidente. Ainda somos estudantes, então não podemos pagar. Mas podemos oferecer um reembolso."
"Reembolso…? Suas bebidas eram péssimas."
Estudantes cercaram o homem com expressão horrorizada.
"O que está acontecendo aqui?"
Oscar se aproximou dele e chamou sua atenção.
"Quem diabos é você?"
"Sou membro do Conselho Disciplinar."
Ele afirmou severamente.
"Se continuar agindo assim, terá que sair do prédio."
"O quê? Sou a vítima aqui. Essas crianças derramaram suco no meu terno."
"Entendo. Mas, por favor, sejam civilizados, são crianças. Não podem pagar uma fortuna."
"Por que não?"
O homem cuspiu as palavras.
"Vocês são estudantes de Astrea. Sua mensalidade é alta. E vocês não podem pagar pelo meu terno?"
"Alguns de nós têm bolsa."
"Desculpas."
Oscar franziu a testa ao ouvir as palavras dele.
"Que droga, estou saindo."
O homem virou-se e saiu murmurando maldições.
E acabou assim.
A situação foi resolvida de forma relativamente tranquila.
"Ahhhh…!"
Mas então, um grito veio de outra sala de aula.
Olharam um para o outro e Brandon com Oscar saíram correndo em direção ao som.
O que encontraram foi, novamente, outro homem com as mãos levantadas na direção de um estudante.
Havia cacos de vidro no chão, com pratos quebrados espalhados ao redor.
Estudantes com expressão horrorizada assistiam tudo parado.
Parecia que o homem iria dar uma surra no estudante.
Até que…
Whoosh—!
Quando Brandon recuou o braço, uma rajada de vento poderosa puxou o homem para trás.
Bang!
"Ukh!"
O homem caiu de bruços, com o rosto voltado para o teto.
Ele se levantou, com os olhos arregalados, encarando os dois.
A voz fria de Brandon veio logo em seguida.
"Sai."
Ele ajeitou as roupas e o homem saiu correndo, deixando o local rapidamente.
Quando pensaram que finalmente poderiam descansar, outro grito ecoou.
"Aaaah…!"
E eles seguiram a origem do som logo em seguida.
Bang!
"Akh…!"
Bang!
"Aaaah!"
Clank—!
"Droga."
"Aaaaah!"
Diversos problemas surgiram de uma só vez.
Após conseguir resolver cada situação, Brandon deu um suspiro profundo.
"Haa…"
"Está cansado?"
"Não."
Brandon balançou a cabeça.
"Não te culpo."
Oscar apoiou-se na parede com os braços cruzados.
"Antes, nessas festas, não era tão ruim. Por algum motivo, tinha mais convidados indesejados neste ano."
"Entendo."
Brandon assentiu.
De fato.
Embora a Academia fosse aberta ao público, ainda precisavam confirmar que eram familiares de um estudante.
Um convite precisava ser validado pelos guardas, contendo um selo que confirmasse sua validade.
Mas Brandon já sabia o real motivo por trás disso.
Havia um rato.
Convites eram enviados como moscas, permitindo que qualquer um entrasse na academia.
Como ele sabia de tudo isso?
Porque…
Brandon era o rato.
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