Extra's Descent NovelCAPÍTULO 129 - Grande Performance
Capítulo 129Várias apresentações já tinham terminado.
De danças, instrumentais, óperas solo e até poesias faladas. Diversos talentos se destacaram e o público os aplaudiu com entusiasmo.
Um contraste gritante em relação ao desastre que foi a primeira apresentação.
Na verdade, a maior parte do público já tinha até esquecido o que era aquilo.
E, depois de um bom tempo, atualmente era a 26ª apresentação.
Após essa, viria a tão aguardada performance do artista misterioso e a última do festival de três dias.
"Uooooh…!"
Palmas e gritos de entusiasmo ecoaram de todos os lados, enchendo toda a sala de teatro.
Sorrisos de alegria estampados no rosto de todos enquanto continuavam a ouvir a voz melodiosa da artista do momento.
Porém, no meio de tudo aquilo, Rachel estava franzindo a testa.
Com sentimentos contraditórios, ela mordeu o lábio.
A artista atual era a pessoa que ela mais tinha consciência de si mesma.
Vestida com um lindo vestido branco. Seus cabelos dourados estavam elegantemente arrumados, e seus olhos azuis fixavam-se na plateia.
Era ninguém mais, ninguém menos que Amelia Constantine.
Neste momento, ela parecia uma deidade que descera do céu.
Sua voz, doce como mel, tinha completamente fascinado o público.
—Você não consegue chegar lá? Ela chama, ela chama.
A voz dela estava absolutamente estável. Era evidente que Amelia tinha recebido aulas de canto, pois ela transicionava habilmente do registro de cabeça para o falsetto.
Ela era incrível.
Até mesmo Rachel não podia negar o talento de Amelia.
—Meu coração nu ouve ecos, ecos.
Suas expressões apaixonadas estavam ali. A performance foi absolutamente perfeita.
Mais uma vez, Rachel mordeu o lábio.
Isso…
Não tinha como competir com Amelia de jeito nenhum.
Tudo nela já parecia perfeito.
E agora…?
Ela tinha se consolidado como um pacote completo.
Uma mulher perfeita.
E enquanto Rachel olhava de lado, vários homens tinham seus olhares focados totalmente em Amelia.
Seus olhos brilhavam e uma vermelhidão óbvia marcava suas faces. Estavam completamente encantados.
—Diga seu nome de novo, sussurra.
—E então comece tudo de novo, logo em seguida.
De repente, Amelia deu um passo à frente. A cada frase que ela cantava, gesticulava com as mãos.
O holofote brilhava somente nela.
Este era seu palco.
Não era mais apenas um show de talentos, mas um verdadeiro concerto.
Pum! Pum! Pum!
De repente, várias pessoas se levantaram de seus assentos e começaram a aplaudir.
"Uooooh…!"
"Senhora Amelia, eu te amo!"
"Wew~ Wew~"
Assobios e elogios se misturavam ao som da bela voz de Amelia.
E pouco tempo depois…
—Vontade…
Ela pronunciou as últimas palavras, sinalizando o fim de sua performance.
Aplausos e elogios reverberaram por toda a sala de teatro.
Buquês e flores foram jogados em direção ao palco, e, no meio daquela animação, Amelia ficou no centro do palco com um sorriso radiante no rosto.
Ela estava suando e parecia respirar com dificuldade. Mas, mesmo assim, seu sorriso nunca vacilou ao contemplar o público que continuava a elogiá-la.
Independentemente de quem fosse o artista final, Rachel tinha certeza de que nada poderia superar a performance de Amelia.
"Obrigada!"
Amelia fez uma reverência elegante enquanto flores continuavam a cair do teto sobre o palco.
Levantando o rosto, Amelia se virou e caminhou em direção às cortinas.
As cortinas lentamente se fecharam, deslizando uma para a outra.
Após isso…
Flick—!
O holofote piscou e se apagou. Mas ainda assim, os aplausos continuaram ecoando por toda a sala.
Porém, aos poucos, eles foram diminuindo enquanto todos aguardavam pela última apresentação.
A tão esperada artista misteriosa. Aquele que todos estavam esperando.
Mas, por alguma razão…
"…"
"Por que está demorando tanto?"
Alguns minutos se passaram, e nada acontecia.
Será que essa artista desistiu ao ver a performance de Amelia ou algo assim?
"Haha."
Rachel conteve uma risada ao pensar nisso.
Então, era possível.
Depois de tudo, só a reação do público já tinha deixado claro quem seria o vencedor.
Flick—!
As luzes acenderam e as cortinas se abriram.
No centro do palco, havia um piano de cauda.
Porém, no momento, não havia ninguém lá.
"…"
"O quê?"
"Onde está esse tal de 'artista misterioso'?"
"Será que desistiu?"
O público parecia compartilhar do mesmo pensamento de Rachel.
Porém, para Rachel…
"Não..."
Seus olhos se arregalaram ao máximo.
Ao ver o piano de cauda, veio à mente a imagem de Brandon tocando há alguns meses atrás.
Será que…?
Porém, se Brandon fosse o artista, ele já deveria estar lá.
No fim, ele só estava do lado de fora. Alguém já devia ter informado sobre sua próxima apresentação.
Rachel balançou a cabeça e descartou esses pensamentos.
Parece que não era Brandon.
E, ao olhar ao redor, o público começava a perder a paciência.
Seria tudo uma farsa então?
Apenas para a academia vender todos os ingressos?
E qual era toda aquela comoção então?
Mas aí…
BANG—!
A porta se abriu abruptamente. Todas as cabeças se voltaram para o som alto do estrondo na porta.
Uma figura apareceu, alguém que Rachel conhecia perfeitamente bem.
Seu cabelo branco pálido estava bastante bagunçado, e o blazer preto tinha poeira marrom visível.
"Brandon, vamos nos sentar aqui."
Mais duas figuras seguiram Brandon de perto. Raven apontou para uma cadeira enquanto chamava Brandon.
"Eh—Ah?"
Raven ficou perplexo enquanto Brandon seguia em frente, sem dar atenção a ele.
"Não pode ser."
Rachel abriu bem os olhos ao seguir Brandon que caminhava em direção ao palco.
Ele estava totalmente desarrumado, e mesmo assim marchava com passos confiantes.
Gradualmente, Brandon subiu a escadaria e foi até o palco. Sentou-se na frente do piano de cauda, acomodando-se com segurança.
Logo após, um dos jurados fez a apresentação dele brevemente.
—A Escola Astrea tem o prazer de apresentar… Brandon Locke. O artista misterioso que todos estavam esperando.
Rachel achou a voz bastante familiar. Era a de Belle.
Mesmo assim, Rachel ficou pasma.
Brandon…
Da última vez que o viu tocar, Brandon estava tenso, com habilidades meio desajeitadas.
Quão bom ele tinha ficado no piano para que a escola o reconhecesse assim?
Porém, parecia que o público não tinha gostado tanto, expressando descontentamento.
"Um piano? É só isso…?"
"Não é um pouco abaixo do esperado?"
"Que perca de tempo."
Ao ouvir os comentários de desprezo, Rachel franziu o cenho.
Não era justo julgar um artista antes sequer de começar a apresentação.
Porém, era compreensível.
Rachel não podia culpá-los.
Havia várias apresentações instrumentais, e com a performance anterior de Amelia, outro instrumento parecia ficar em segundo plano.
O público continuava a esparramar veneno. Mas até que…
Num~
Brandon pressionou a primeira tecla.
Num~ Num~ Num~
Seus dedos deslizaram elegantemente por cada tecla, e, assim que sua performance começou, o público se sentou de novo.
O silêncio tomou conta do ambiente, preenchido apenas pelo som melodioso do piano.
Num~ Num~
"Que diabo…"
Essa música…
Ela não era familiar para ninguém.
Mesmo assim, cada melodia era tocada com perfeição.
Seria uma composição própria?
Seria esse o motivo de Brandon ter sido escolhido como artista misterioso?
Num~ Num~ Num~
Ao olhar para Brandon, os olhos de Rachel se abriram ainda mais.
Havia uma paixão que emanava dele.
E ele parecia um pouco…
"...Triste."
A música toda era triste.
Num~ Num~
Enquanto olhava ao redor, as expressões de rejeição anteriores do público tinham desaparecido.
Seus olhos estavam bem abertos, assim como os dela.
Eram completamente encantados.
Rachel também se incluiu entre eles, observando Brandon, que tocava habilmente, movendo os dedos ao redor do piano.
Num~ Num~
A melodia era doce e agradável, mas, por alguma razão, carregava uma ponta de tristeza.
Como se Brandon estivesse falando (ou tocando) do fundo do coração.
Gotejou…
Antes que ela percebesse, uma lágrima escorregou pela sua face.
A peça musical era linda.
Se Rachel fosse descrevê-la, pareceria que a música contava uma história.
Uma história de uma mãe e um filho.
Por quê?
Por que ela estava se sentindo assim…?
Brandon…
Por que ele passou por tanta coisa para expressar tanta tristeza assim?
Gotejou. Gotejou…!
E, antes que ela percebesse, lágrimas começaram a correr pelo seu rosto.
Num~
Ela instantaneamente se lembrou da infância.
Quando sua família era completa.
Amy.
Seu pai.
E…
Sua mãe.
Eles eram uma família feliz e completa.
Mas um dia, tudo desabou.
E, por ter escolhido seu pai, sua mãe cortou todos os laços com ela.
Porém, sua mãe nunca tinha sido assim no passado.
Ela era uma mãe doce e cuidadosa, que adorava sua família.
E Rachel a amava com todo o coração.
Disseram que era por causa da empresa do pai, que não queria se envolver totalmente com os Ashfield.
Porém, ao envelhecer, tudo parecia ridículo.
Certamente havia algo mais por trás disso.
Porém, ela nunca soube o que era.
Gotejou. Gotejou…!
Ao olhar ao redor, ela percebeu que não era a única a sentir-se assim.
A maior parte do público estava com os olhos marejados, e alguns até chorando abertamente.
Ao olhar para Brandon, que tocava com paixão, Rachel ficou surpresa.
Somente com a melodia de sua performance, conseguiu tocar o coração de cada um na plateia.
Um talento assim só profissionais conseguem ter.
Não, nem mesmo profissionais conseguem manipular emoções dessa maneira com um simples pressionar de tecla.
Brandon…
Ele era diferente.
Nesse momento, Brandon não parecia um calouro forte, dominando a simulação virtual, nem a pessoa fria e indiferente que ela conhecia há meses.
Ele parecia um menino solitário, ansiando pela mãe.
Gotejou. Gotejou…!
Antes que ela percebesse, a peça mudou, tornando-se mais rápida e agressiva.
…E ainda mais triste agora.
Ela ficou completamente fascinada por sua execução.
Não houve erros, nem uma tecla fora do lugar.
A peça parecia estar no seu clímax.
…E na narrativa que ela contava.
Gotejou. Gotejou…!
Como se Brandon tivesse aceitado sua condição e deixado tudo para trás.
Todo o ambiente ficou completamente hipnotizado.
Se a performance de Amelia trouxe alegria ao público, a de Brandon roubou os corações com uma tristeza profunda.
Era um contraste marcante.
Num~
E parecia que Brandon tinha finalmente pressionado a última tecla, e o som do piano ressoou, desaparecendo lentamente.
O silêncio tomou conta da sala, e Rachel ficou sem palavras.
Flick—!
As luzes piscaram novamente e as cortinas se fecharam, se unindo em um fechamento final.
Não houve aplausos. Nem elogios. Nem qualquer manifestação.
Somente o som de lágrimas do público.
Seu desempenho foi perfeito.
Na verdade, perfeito nem começava a descrever toda a apresentação.
Foi uma onda de emoções, que veio como uma maré imensa.
Gotejou. Gotejou…!
Rachel começou a se emocionar, lembrando da própria infância.
Ela…
Sentia falta da mãe.
Sentia falta daquele tempo em que sua família era feliz.
Palmas. Palmas. Palmas.
De repente, um aplauso se fez ouvir de um dos espectadores.
Logo, toda a sala começou aplaudindo.
Clap. Clap. Clap. Clap. Clap.
De verdade,
foi uma apresentação que ninguém jamais esqueceria.
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