Extra's Descent NovelCAPÍTULO 146 - Escolha
Capítulo 146—Brandon?
—Boa tarde, Amelia.
Observando Amelia, ela parecia estar preparando o chá naquele momento. Seu olhar cruzou com o dele, e ela lhe lançou um sorriso.
—O que você precisa?
Antes que pudesse responder, Brandon se levantou e sentou no sofá.
Olhando para ela, ele apertou os lábios.
—É sobre a próxima incursão.
—Hm?
—Você tem estado em contato com seu pai ultimamente?
Ao ouvir isso, Amelia balançou a cabeça.
—Infelizmente, não.
—Ah.
Bom, era só isso mesmo.
Ele não precisava de mais nada.
—Era só isso que eu vim ver. Obrigado por ter respondido. Preciso partir para algum lugar.
—Tudo bem, cuide-se.
Os dois se cumprimentaram com a cabeça. Mas justo quando Brandon ia se dirigir até a porta…
—Hein?
Ele se virou quando um som estranho escapou dos lábios de Amelia.
—O que foi?
Com uma expressão confusa, Amelia olhava para seu telefone. Lentamente, ela levantou a cabeça para encarar Brandon.
—Acabei de receber uma mensagem do meu pai.
—Ah.
Então isso significava que a incursão ainda não tinha começado? Será que ele de alguma forma conseguiu falar com Omar agora?
Mas logo depois…
—A incursão começou…
Seus olhos se arregalaram completamente.
—O quê?!
Como assim?
A incursão não estava marcada para o mês que vem.
Por que foi adiantada…?
Vários questionamentos; e, ainda assim, ele não conseguia encontrar resposta para nenhum deles.
—Amelia, rápido!
Ele correu de repente na direção dela com uma expressão de horror.
—Me empresta seu telefone!
—Uh—Ah?
Desconcertada, ela imediatamente entregou o aparelho.
Ao clicar na mensagem, apareceu o perfil de [Daddy]. Imediatamente, Brandon pressionou o botão de chamada.
Ring… Ring… Ring… Toque.
Felizmente, a ligação foi atendida, e uma voz grave preencheu seus ouvidos.
Porém, Brandon se horrorizar ao ouvir o som que saiu.
Ele conseguiu ouvir o barulho de tremores, além de diversos gritos ecoando ao fundo.
—Amelia? O que foi? Faça rápido.
—Senhor Constantine.
—Quem é isso—
—Meu nome é Brandon Locke, filho do Marechal de Campo Locke.
—....
Não houve resposta. Mas Brandon aproveitou a oportunidade para continuar.
—Senhor Constantine, por favor, ouça meu pedido. Recomendo fortemente que interrompa a incursão neste instante.
—Brandon, o que você—
Confusa, Amelia falou com uma tonalidade elevada. Contudo, ela foi pausa pela mão de Brandon.
—Do que você está falando, menino?
—Recebi uma informação de que algo que a humanidade não consegue lidar reside além da fenda.
Era metade da verdade.
Ele realmente não sabia o que havia além da fenda. Só tinha certeza de que, fosse o que fosse, significaria o fim da humanidade.
—Você sabe o que está dizendo?! Além dessa informação, como seu informante sabe disso?
Seu nervosismo era compreensível.
Isto significava que, se ele realmente recebeu tal dica — e recebeu — então esse informante não passava de um traidor da humanidade.
Depois de tudo, ele tinha mantido a confidencialidade estrita.
—Vou explicar tudo depois. Por favor, Senhor. Ouça-me, não temos tempo.
Seu tom era sério, e tudo que pôde fazer foi implorar.
—Não. Sem provas concretas para sustentar sua fala, não posso confiar cegamente em uma única palavra desse seu informante. Você nem sabe quão grave é a situação. Confie que o Exército Imperial poderá lidar com isso.
—Por favor, senhor!
De repente, Amelia pegou o telefone e o colocou perto do ouvido. Olhando para ela, Brandon viu sua expressão misericordiosa.
—Pai, confio nele. Por favor, escute.
Felizmente, o telefone estava em viva-voz. Brandon conseguiu ouvir a resposta de Albert Constantine.
—Haa… Mesmo se pudesse ouvi-lo…
Houve uma breve pausa enquanto Albert hesitava.
Brandon e Amelia certamente ouviram os gritos ecoando do fundo.
E esses gritos só podiam significar uma coisa.
Uma carga de batalha.
Isso significava que…
—Metade do exército já passou pela fenda. Só mais alguns, e será minha vez.
Ao ouvir isso, os olhos de Brandon se arregalaram. Um calafrio percorreu sua espinha enquanto seus lábios começavam a tremer.
Com voz trêmula, Brandon falou:
—Senhor Constantine, e meu pai?
—O Marechal de Campo Locke já entrou. Ele liderou a carga junto com Sir Lucian Frost.
—Há alguma maneira de trazê-los de volta?
—Vou tentar.
Do telefone, Brandon ouviu o Marechal de Grão. soltando ordens para um de seus homens, algo como “Assim que entrarem, diga ao Marechal de Campo Locke para fazer a retirada do exército”.
—Agora, aguardamos.
E ele aguardou.
Esperaram por um longo tempo.
Os dez minutos mais longos que ele já viveu.
O único som que ouvia era o grito contínuo dos soldados.
Porém…
—Nada. Todo homem que entrou nunca saiu.
—Quer dizer que não há como sair da fenda depois de entrar?
—Não tenho certeza. Praticamente não sabemos o que há além da fenda, nem o que ela realmente é. Só sabemos que conecta a algum lugar.
—Como você sabe disso?
—Kuhum…
Albert pareceu aclarar a garganta.
Pouco depois, continuou:
—Isso é informação confidencial por enquanto. Mas estou dizendo isso só porque vocês dois estão ligados ao Exército Imperial.
Brandon ouviu atentamente cada detalhe que Albert falou.
Porém,
—Já faz uma semana que começou. Mas, da fenda, criaturas chamadas Wraith Beasts começaram a surgir. Não eram apenas animais comuns, eram de várias espécies. Algumas com aparência humanoide, mas com pele verde-escura. Outras eram enormes, com focinho que parecia de porco. Essas são as descrições mais breves que consegui captar.
Havia várias outras também.
Ao ouvir as palavras de Albert, a mão de Brandon começou a tremer.
Essas descrições…
Elas eram exatamente iguais às criaturas que Raven enfrentou dentro da masmorra do sistema, do romance.
'Impossível. Aqueles são Goblins e Ogres?'
Não havia dúvidas.
E pensar que havia mais.
Isso…
Isto tinha se agravado ainda mais.
Significava que não havia como sair da fenda após entrar.
Não havia nada que ele pudesse fazer agora.
Mas,
Ele era prático.
Sabia o quão fria suas próximas palavras poderiam ser. Mas não tinha como evitar.
Qualquer coisa.
...Qualquer coisa para salvar a situação.
—Senhor Constantine. Não vá.
Essas foram as únicas palavras que ele conseguiu dizer, rangeu os dentes e cerrando o punho.
—Você está louco, garoto? Meus homens estão lá fora lutando por suas vidas, e você me manda ficar aqui parado?
—Pai, por favor!
—Amelia! Você também…!
—Pai…
—Não posso, Amelia. É pelo bem da humanidade. Se eu ficar aqui e deixar meus homens morrerem, não sou melhor que as criaturas da fenda.
—Pai, por favor!
—Tenho que ir agora, Amelia. Acredito que o Exército Imperial sairá vitorioso.
Apesar de falar com sua filha, seu tom permaneceu rígido e digno, como o de um marechal de guerra.
Brandon começou a questionar que tipo de relação o pai e a filha tinham.
Porém, por um breve segundo, houve uma mudança no tom dele. Como um pai se despedindo da filha.
—Papá volta logo, Amelia.
—Pai…!
Logo após, a ligação foi encerrada.
Brandon rangeu os dentes até que o sangue começasse a escorrer.
Virou o punho com força e murmurou consigo mesmo.
—Quão idiota...
Toda a situação só podia ser descrita como idiota.
A carga de batalha não passava de uma marcha suicida.
E a única coisa que impediu Albert de seguir com seus planos era nada menos que seu orgulho de militar.
'De que adianta seu orgulho se você vai morrer?’
Sim, o momento estava errado. Ele não conseguiu avisar a tempo.
Mas isso estava além de seu controle.
De verdade, toda essa história foi…
—Uma merda.
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