Extra's Descent NovelCAPÍTULO 158 - Ponto de Virada
Capítulo 158Tudo mudou naquele dia.
Seres de outros mundos desceram no seu mundo.
Após duas semanas, a rachadura no céu se fechou abruptamente.
Cidades, vilas e povoados desmoronaram sob a força da destruição causada pelo evento catastrófico.
O caos se instaurou por toda parte e, por consequência, os sobreviventes que viviam no continente buscaram refúgio na capital, Vale City.
Por conta disso, houve uma grande escassez de recursos para distribuir aos refugiados.
As pessoas começaram a viver nas ruas. Os índices de criminalidade dispararam para níveis recordes.
Para onde quer que os seres de outros mundos tenham ido, ninguém sabia.
Só sabiam que agora conviviam com eles.
Semanas se passaram e foi revelado que a invasão já tinha começado antes mesmo da calamidade ocorrer.
50.000 soldados do Exército Imperial participaram da invasão.
Conclusão?
Nenhum sobrevivente.
Nenhum.
Como resultado, a força militar do continente caiu significativamente.
Mas essa não foi a pior parte.
…Lucian Frost foi considerado morto. Assim como o Marechal-General, Albert Constantine.
Felizmente, ainda havia membros das forças armadas que não eram fortes o suficiente para participar da invasão.
Antes da invasão, eles estavam com a moral baixa.
Porém, agora, perceberam que aquilo era uma bênção disfarçada.
Estavam vivos, e agora cuidavam dos assuntos do Exército Imperial.
No momento, não havia Marechal-General.
Várias eleições foram realizadas para decidir quem ocupava o cargo.
"Voto no Sir Adam Frost."
Pai de Lucian Frost.
Ele era fraco, apesar de ser Marechal de Campo.
No final das contas, chegou ao cargo por causa de seu filho.
Mas agora que Lucian Frost havia morrido, ele só tinha o título para se apegar.
Assim, seus votos foram minoritários.
"Voto no Sir Chrome Answorth."
Ele era um General. O posto, apenas abaixo do Marechal de Campo.
No entanto, tinha laços próximos com Omar Locke e Albert Constantine.
Estava de luto pela morte de ambos.
Porém, perseverou.
Podia se afogar na mágoa depois. Mas, por ora, não era hora de lamentar.
A humanidade estava em uma situação de perigo extremo. Se ele não colocasse seus pensamentos de lado, a extinção era certa.
Não só ele, mas toda a força do Exército Imperial.
O governo era uma coisa. Eles eram responsáveis por tomar a iniciativa na gestão da crise.
Para o exército, o que importava era proteger a humanidade.
Proteger contra as criaturas de outros mundos.
Só o tempo diria quando elas começariam sua devastação.
Na verdade, já haviam vários avistamentos fora da cidade.
As criaturas verdes, que lembravam pequenos anões, habitavam planícies de grama e campos abertos.
O exército concordou coletivamente que essas seriam classificadas como goblins.
Havia também figuras humanoides semelhantes a lagartos que controlavam áreas pantanosas.
Homens-lagarto.
Durante o percurso até a cidade, sobreviventes do desastre, que moravam em povoações, relataram avistamentos de grandes criaturas humanoides com focinhos e armas.
Elas tomaram as montanhas.
Foi classificado como ogros.
Para os sobreviventes que viviam nas regiões mais quentes do continente, também foram relatados avistamentos de criaturas similares.
Orcs.
Havia mais criaturas, e os avistamentos aumentavam dia a dia.
Porém, as que mais chamavam atenção eram as que habitavam as florestas.
De todas as criaturas que desceram ao seu mundo, as que viviam na floresta pareciam mais semelhantes aos humanos.
Porém, tinha uma diferença fundamental que as separava dos humanos.
Todos esses seres tinham a mesma cor de cabelo.
Prateado.
Mas o mais peculiar eram suas orelhas pontudas, em forma de folhas.
Assim, foram classificados como elfos.
Talvez…
Talvez fossem capazes de comunicação oral.
Havia ainda mais criaturas.
Muito mais.
Por alguma razão, esses seres estavam apenas tomando território.
Não tentavam atacar ativamente a cidade.
Se for assim, qual seria então a finalidade deles?
Ao tentar compreender melhor a situação, parecia que eles…
Estavam…
Buscando refúgio?
Mas isso era apenas uma hipótese.
Mais cedo ou mais tarde, eles certamente αi viriam a mostrar suas presas contra a humanidade.
E, por isso, a humanidade precisava se preparar para esse dia.
A reunião terminou ali, e eles voltaram à discussão anterior.
O próximo Marechal-General.
Era importante notar que havia recrutas novos.
Eram jovens. Alguns deles eram ex-estudantes. Mas tiveram que abandonar os estudos por causa dos eventos que aconteceram.
Após tudo, a academia foi fechada. Sem diretor, e com os problemas em andamento, ninguém se dispôs a ensinar ativamente.
Os novos recrutas eram a próxima esperança da humanidade.
E, para surpresa do Exército Imperial, uma pessoa decidiu se juntar às suas fileiras.
Evelyn Cessna.
Uma ranker de nível S+. Uma das mais renomadas.
Operações na guilda foram encerradas, e, sem nada mais para fazer para evitar o retrocesso da humanidade, ela decidiu se alistar no Exército Imperial.
Pelo menos, foi o que constou em seu currículo.
Mas ela não foi a única a chamar atenção do exército.
Mais duas novas recrutas.
Amelia Constantine.
E…
Belle Locke.
As sucessoras do falecido Albert Constantine e Omar Locke.
Assim que Amelia entrou, ela imediatamente recebeu a nomeação para o posto de Marechal-General.
Contava com vários apoiadores. Afinal, ela era uma líder conhecida na época da academia.
Porém, também havia soldados contra.
Ela era jovem demais para o cargo de liderança. A responsabilidade seria grande demais para ela.
Assim, a votação acabou ali.
No final, ninguém foi eleito para o próximo Marechal-General.
"Haa…"
Ao sair da câmara de reuniões, Belle deu uma respirada longa.
Era jovem, uma recruta, e já sentia uma pressão enorme.
Mas essa pressão não se comparava com a atmosfera pesada ao redor.
Era sufocante.
Estar naquele cômodo onde seu pai um dia esteve tinha a mesma sensação de estar presa.
Depois da morte do pai, as coisas nunca mais foram as mesmas.
A mãe tinha sofrido uma crise de depressão profunda.
E ela decidiu que sua mãe iria morar com ela.
Felizmente, a cidade não sofreu danos irreparáveis.
Ainda era um lugar onde podiam morar.
Porém, não era um lugar seguro.
Estar na capital era bem mais seguro.
Naquela época, as criadas e empregadas domésticas estavam cuidando da mãe dela.
E, à noite, Belle geralmente ficava lá para ela.
O mundo passava por mudanças profundas. Com esses pensamentos, Belle decidiu juntar-se ao Exército Imperial, para que ela e a mãe não fossem engolidas por essas mudanças.
Mas, além do mundo lá fora, algo dentro de Belle mudou.
Ela criou uma barreira entre ela e seus colegas.
Ao pensar na calamidade, Belle cerrava os punhos.
"Droga."
Ela murmurou consigo mesma.
Seu humor ficou azedo.
Seu jeito animado tinha desaparecido completamente.
Ela decidiu abandonar a lembrança de sua vida anterior.
Mas não adiantou.
Dois meses se passaram desde a calamidade, e ela ainda não conseguia esquecê-lo.
Seu irmãozinho precioso.
Por quê?
Porque…
Brandon Locke estava morto.
*
*
[NOTA DO AUTOR]
Decidi prolongar o volume um até este ponto.
Porém, isto marca oficialmente o fim do volume um.
O volume dois começará no próximo capítulo. Muito obrigado pelo apoio esmagador.
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