Extra's Descent Novel — Capítulo 190: CAPÍTULO 190 - A longa jornada dele

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Cap. 190
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CAPÍTULO 190 - A longa jornada dele

Capítulo 190

1.315 palavras~6 min de leitura

Enquanto caminhava, Carl olhou de lado e encarou Brandon.

Ele era muito mais alto que ele, apesar da diferença de três anos. Então, precisava olhar para cima.

"Então seu nome é… Brandon?"

"Ah, é."

"Entendi…."

Pessoas diferentes tinham circunstâncias distintas. Seja qual fosse o motivo de Brandon usar um pseudônimo, não era da conta de Carl.

Olhando à sua frente, uma sensação de familiaridade tomou conta de Carl.

O caminho para a vila.

Ele entrou na visão.

A colina familiar. A colina onde Carl e Emi costumavam se deitar e olhar as estrelas.

Seus olhos brilharam, um sentimento de entusiasmo.

Observando ao redor, o sol parecia brilhar intensamente e o céu estava um azul bonito, limpo e claro.

Rosas pareciam brotar em todos os cantos, e parecia que um arco-íris tinha se formado no céu.

Naquele instante, uma imagem se sobrepôs.

O líder da vila feliz com seu retorno. Os moradores celebrando com sorrisos largos no rosto.

Imediatamente, Carl brincou e subiu a pequena encosta coberta de grama.

A luz do sol iluminou-o, e Carl proteu o rosto com a mão.

Ele estava em casa.

Finalmente.

Depois de tanto tempo.

Depois de todo sofrimento.

Ele finalmente tinha voltado para casa.

Sua boca se curvou numa expressão de largo sorriso.

"Vamos, Emi!"

"Sim!"

Segurando a mão da sua irmãzinha, os dois correram mais para cima da colina com sorrisos no rosto.

E como era de se esperar.

"...."

Não havia vila.

Nada além de um monte de destroços. A destruição prevalecia por toda parte. As plantações estavam todas murchas e o solo, outrora fértil, parecia morto por causa da seca.

Virando a cabeça de lado….

"...."

…. Sua irmã não estava lá.

Ele não tinha nada além do ar em suas mãos.

"Haha."

Ele só pôde rir de si mesmo.

Certo.

Durante todo esse tempo.

Ela estava morta.

Desde aquele dia, ele deixou de ver as ilusões da pequena Emi.

Não que ele tivesse simplesmente aceitado sua morte. Não, ele já sabia que ela tinha morrido o tempo todo.

Mas ele estava sozinho.

Cansado.

Exausto.

Machucado.

Ferido.

A mente dele pregava peças nele, e Carl aceitava suas ilusões com alegria.

Era a única forma dele lidar com o sofrimento.

Sua pequena irmã.

Ela era tudo para ele.

A única que esteve ao seu lado nos momentos difíceis.

Desde bater de porta em porta pedindo comida e a porta se fechando na sua cara.

Vadiando comida só para encher a barriga por um dia, e sendo espancado duramente por isso.

Todos os garotos que ele enfrentou por causa do bullying na sua irmã, por causa de sua fala dificultada.

Todas as cidades que visitaram.

Tudo.

Ele fez tudo por sua irmã.

E justamente quando acharam que finalmente tinham encontrado um lar.

A calamidade.

Como se o mundo estivesse zombando deles.

Como se eles nunca merecessem viver uma vida feliz.

Ele levantou o olhar.

"...."

O céu nunca foi azul.

Era só um cinza sombrio.

Não havia arco-íris.

Gotejando. Gotejando…!

E já estava chovendo.

Essa era a realidade.

O mundo….

…..Ele não os queria aqui.

Não tinham lugar para estar.

Nem para serem felizes.

Ele amaldiçoou os deuses.

E ele também…

Provavelmente estava amaldiçoado.

Como pode uma pessoa sofrer tanto?

Ele era só um órfão pobre. Um garoto de 14 anos.

Perdeu a família, e perdeu sua adorável irmãzinha.

Perdeu tudo.

Carl ficou imóvel, encarando as ruínas de sua vila.

Gotejamento. Gotejamento…!

A chuva aumentou, molhando suas roupas, mas ele mal percebeu.

Seus olhos vasculharam a devastação, buscando algum sinal de vida, qualquer pista de que suas lembranças não eram apenas ilusões cruéis.

Não havia nada.

Nem risos de crianças brincando. Nem cheiro de pão recém-assado. Nem o calor de uma comunidade que um dia o acolheu, a ele e a Emi.

Emi.

A lembrança do nome dela trouxe uma dor nova ao seu peito.

Ele quase podia ouvir a voz dela, suave e com uma leve tropeçada ao falar, chamando por ele.

"...."

Mas era só o vento, assobiando através dos restos quebrados das casas.

De trás dele, passos podiam ser ouvidos, abafados pela grama molhada.

"Carl... desculpe."

A voz de Brandon.

"...."

Carl não respondeu.

Seus olhos estavam fixos em uma pilha de destroços — o que era a antiga casa deles com o líder da vila.

O lugar onde ele e Emi finalmente se sentiram seguros. Onde ousaram sonhar com um futuro.

Ele lentamente se aproximou.

Cada passo pesado, como se algo o estivesse puxando para baixo e cortando seu coração.

Deitando-se, Carl começou a cavar os escombros com as mãos nuas.

Tocos de madeira arranharam sua pele, mas ele não se importou.

Precisava achar alguma coisa, qualquer coisa.

Algo para que nunca mais se esquecesse da Emi enquanto estivesse vivo.

"O que você está procurando?"

Amélia perguntou, com preocupação evidente na voz.

"A boneca dela."

Carl murmurou, enquanto continuava procurando.

"A boneca da Emi. Fiz pra ela de aniversário. Ela… tem que estar aqui."

Os dois pareciam não tentar impedi-lo. Ele compreendia a necessidade de se agarrar a algo,

Carl precisava disso. A boneca… como se fosse sua única salvação.

Qualquer coisa, quando tudo o mais tinha sido levado.

Enquanto Carl cavava, memórias inundaram sua mente.

O dia em que entregou a boneca à Emi. Os olhos dela se iluminando, seus braços se envolvendo nele num abraço apertado.

Como ela carregava a boneca por todo canto, mesmo quando o tecido estava desgastado e sujo.

"Eu prometi pra ela."

Carl sussurrou, com a voz trêmula.

"Prometi que sempre a protegeria."

Gotejo.

A chuva misturou-se às lágrimas no seu rosto.

Suas mãos pareciam sangrar, mas ele não parava. Precisava encontrá-la. Precisava ter algo que fosse dela.

Horas se passaram.

A chuva finalmente parou, mas Carl continuou sua busca desesperada.

Brandon ficou de guarda, atento a qualquer perigo, às vezes tentando dizer pra ele parar e descansar.

Mas às vezes, ele também ajudava na busca frenética. Não só ele, como Amelia também.

Quando o sol começou a se pôr, a mão de Carl tocou algo macio.

"...!"

Seu coração pulou ao cuidadosamente puxar aquilo do lixo.

Era a boneca. Suja, com um braço faltando. Mas indiscutivelmente, a boneca da Emi.

Carl a abraçou contra o peito, soluçando baixinho.

Por um momento, ele voltou ao antigo lar,

Emi aninhada ao seu lado enquanto o líder da vila lia uma história de dormir.

O riso dela, o calor, o amor incondicional em seus olhos — tudo tão real.

"...."

Mas então a realidade voltou com força. O frio, o vazio, a dor insuperável.

Carl olhou para o céu escurecendo.

Seus sobrancelhas se franziram e ele cerrô os punhos.

Uma raiva e desespero ardendo dentro dele.

"Por quê?"

Ele gritou. Sua voz ecoou entre as ruínas, misturando-se ao suave pingo de chuva.

"Por que você levou ela? Ela era inocente! Nunca machucou ninguém!"

Suas palavras se perderam na noite.

Não havia respostas aqui. Nem conforto. Nem justiça.

Nenhum deus que pudesse lhe conceder uma pista.

Carl desabou no chão, ainda segurando a boneca.

Sintiu-se vazio, drenado de tudo, menos da dor.

Foi então.

"....Emi."

Outra ilusão.

Não, ela parecia real.

Aquele sorriso no rosto dela.

Era ela.

Emi.

Ela estava viva.

Como?

Durante todo esse tempo.

Onde você estava?

Minha irmãzinha.

Minha querida irmã.

"Emi!"

Ele saiu correndo.

"Emi!"

Ele gritou.

"Emi!"

"Carl!"

Amélia e Brandon falaram em uníssono. Mas tudo foi em vão.

Carl continuou correndo.

"Emi! Saudades de você!"

Ele avançou com os braços abertos, gesticulando para abraçá-la.

"Haha."

Ele olhou para baixo e viu o oceano. A visão de uma altura enorme.

Caindo de uma grande altura, ele virou-se com um sorriso largo.

Claro que sabia.

Ela nunca esteve ali.

Emi sempre esteve morta.

E para ele, não havia sentido em continuar vivendo.

Era isso que ele precisava encontrar. A única razão do pedido que enviou.

Retornar à vila que sabia já estar destruída.

Encontrar o único vestígio da sua falecida irmãzinha.

E,

…. Finalmente acabar sua jornada.

Fim da leitura

Capítulo 190 concluído

CAPÍTULO 190 - A longa jornada dele