Extra's Descent NovelCAPÍTULO 232 - Um Encontro Determinante
Capítulo 232— Quem é você?
Brandon ficou surpreso. A mulher havia parado sua lâmina antes que ela pudesse cortar seu pescoço por completo.
Sentindo a ponta fria de metal da lâmina em seu pescoço, uma leve gota de sangue escorreu.
— Você é… —
Brandon passou a mão pela lâmina da mulher, mantendo a expressão indiferente enquanto sorria de canto.
Então, ele continuou em um sussurro:
— Evelyn Cessna.
A lâmina empurrou mais fundo. Brandon sentiu um leve ardor, enquanto seu sangue continuava escorrendo.
— Você está enganada. —
A mulher falou.
Brandon tentou olhos e rosto, mas ela realmente não parecia com Evelyn Cessna. Seu cabelo era preto, e sua estrutura facial completamente diferente.
No entanto, ele não se enganou ao perceber o poder que ela emitia.
E, embora a maioria das pessoas confunda a Afinidade Divina com a Luz, após passar um tempo com Belle e Evelyn, Brandon não conseguia diferenciar a Afinidade da Luz da Afinidade Divina.
Como a Afinidade Celestial também parecia similar, Brandon conseguiu limitar a origem do poder que saía dela. Era, ou a Afinidade da Luz ou a da Celestial.
Porém, ao ver o brilho estranho em seus olhos…
Brandon soube, sem sombra de dúvida.
Seu instinto lhe dizia que aquilo era, com certeza, sua mestra, Evelyn Cessna.
Ele avançou.
— Eu sou…? —
— Você errou de pessoa. Agora, quem é você…? Por que está me perseguindo…? Ou então— —
Brandon sentiu o olhar penetrante dela. Parecia pronta para matá-lo, afundando ainda mais sua lâmina no pescoço dele.
Porém, Brandon conseguiu enxergar além da fachada.
Ela, sem dúvida, estava abalada.
Abalada pelo fato de ele ter revelado sua verdadeira identidade.
Provavelmente, era isso mesmo.
Brandon segurou a lâmina dela e a empurrou levemente para trás. Então, se inclinou para frente. Ela não se afastou.
Fios escaparam das pontas dos dedos de Brandon, que se prenderam na parte de trás do capuz de Evelyn.
Seus olhos seguiram os fios, e Brandon percebeu uma leve mudança na expressão dela.
Ela não parecia resistir. Lentamente, o fio abaixou seu capuz, revelando seus cabelos negros.
— Você consegue perceber? —
Brandon se aproximou, colocando a mão sobre sua máscara. Lentamente, começou a retirá-la, e Evelyn ergueu a cabeça, seus olhos se arregalando.
— Você… —
A máscara caiu, revelando seus cabelos brancos de comprimento médio, que caíam até o queixo.
Ele penteou a franja com a mão e olhou ao redor. Estavam em um beco estreito, sem mais ninguém por perto.
Depois, Brandon olhou de volta para Evelyn. Seus olhos azuis largos encontraram seus olhos azuis gelo.
— Isso não pode ser… —
Ela estava na dúvida. Brandon sentiu a mão dela tocar suavemente sua bochecha.
Brandon sorriu para ela.
— Que bom te ver de novo, senhorita Evelyn.
—… Brandon. —
*
— Então naquele dia… Quando você desapareceu… alguém te salvou? —
— Sim. —
Brandon começou a contar os detalhes. Evelyn tinha levado ele até sua atual moradia.
Era um cômodo pequeno, mas suficiente, com o essencial para uma mulher adulta sobreviver a cada dia.
Brandon se acomodou na cama branca, enquanto Evelyn sentou-se numa cadeira de madeira em frente a ele.
Ele organizou suas ideias. Sabia que, assim que encontrasse as pessoas que conhecia, começariam a interrogá-lo.
Estava preparado para isso. Mas, surpreendentemente, a primeira pessoa que conheceu foi sua antiga mestra, Evelyn Cessna.
Não esperava por essa novidade. Ainda mais ao ver a espada na cintura dela.
Em todas as evoluções, Evelyn Cessna nunca tinha sido espadachina antes.
Porém, essa foi a primeira vez que ele se tornou também seu aluno.
Talvez, ele fosse a razão.
Provavelmente, esse era o caso.
Então, ele continuou e explicou sua jornada. Por fim, chegou a hora de fazer suas próprias perguntas.
— Chega de falar de mim, Evelyn. Por que você está aqui? —
— Você nunca muda… Haa… —
Evelyn franziu o cenho e suspirou.
— ...Pelas mesmas razões que você. —
— Ah, entendi. —
Faz sentido.
Assim como ele, ela também estava disfarçada. Mas o que diferenciava era que Evelyn era meticulosa com sua missão.
Ela não entrava em contato, e se infiltrou profundamente nas filas do sindicato, sob o codinome de “Evangel”.
Uma espécie de femme fatale.
— Qual é o seu nome de código? —
— Uhm… —
Exatamente. Brandon precisava contar isso a ela.
Tomara que não fosse uma surpresa tão grande assim.
— Moriarty. —
Ele a olhou sério. As sobrancelhas dela se levantaram, e ela coçou a queixo.
Depois, inclinou a cabeça.
— Você é um fanático…?
— … —
— Não foi esse o nome do criminoso que todos comentavam há um ano?
— Sim. —
— Para falar a verdade, achei que fosse um justiceiro. Parecia que controlava tudo por trás das cenas, só para capturar o Francis. —
Ela falou enquanto baixava a cabeça logo em seguida. Era um sinal sutil, mas Brandon percebeu que ela lançava alguns olhares discretos para ele.
‘Então ela sabia…’
Isso parecia confirmar sua teoria.
Depois de tudo, a Máscara do Espejismo só ocultava a identidade enquanto fosse usada pelo portador.
Por enquanto, ele não usava a Máscara do Espejismo. Talvez, por isso, Evelyn conseguiu juntar as peças do quebra-cabeça.
Porém, ela parecia entender o acordo silencioso, já que não insistiu mais.
— Você é o único aqui? —
— Sim. Sou o único soldado do Exército Imperial a se infiltrar na organização. —
— Qual seu nível atualmente? —
— Logo abaixo do chefe. Branco. Na verdade, trabalho sob um líder. —
Na classificação, um líder é chamado de ‘Por do Sol’. Enquanto VIPs com contato direto e que podem atuar sob eles às vezes, eram membros de nível ‘Branco’. —
— Que coincidência… —
Brandon se aproximou, olhando ao redor. Como o cômodo era bem isolado, ele sussurrou no ouvido dela:
— Eu também trabalho para um chefe. Na verdade, estamos trabalhando juntos. —
— Hã? Que nível você…? —
— Laranja. —
— Então… —
Brandon olhou para ela, com olhos que transmitiam tudo que ela precisava saber, enquanto ela recostava-se na cadeira.
— Ah, entendi… —
— Sim… Não somos os únicos. —
— Compreendo. Bem, o chefe para quem trabalho se chama John Smith. —
— … —
Isso…
Não pode ser coincidência.
Provavelmente, Zed planejou esse encontro desde o começo.
O indício foi ele ter informado sobre o Coliseu.
Ele deve ter sabido desde o início que Evelyn, ou melhor, 'Evangel', era uma espiã.
— Sobre o Coliseu. Para quê serve, e por que você participa? —
— É uma demonstração de poder. Fui designada como guarda-costas para o leilão que vai acontecer. Você já ouviu falar dele? —
— Sim, e é justamente por isso que estou aqui. —
— Certo. Como você sabe, o mercado negro é sinônimo de ilegalidade. Existe a chance de problemas acontecerem durante o leilão. Por isso, quem é designado como guarda tem que mostrar força na região do mercado negro. No meu caso, escolhi o Coliseu. —
Claro que ela não era a única.
— E você, Brandon? O que pretende fazer? —
— Também estarei no leilão. Só preciso puxar algumas cordas e posso subir de cargo como guarda. —
Comentários do capítulo 232
Converse sobre este capítulo. Marque spoilers para proteger outros leitores.