Extra's Descent NovelCAPÍTULO 279 - Mergulho no Labirinto
Capítulo 279— Você tá bem, Rein?
— Huu… Sim, desculpe por isso.
O restante do grupo se reuniu logo fora da instalação de treinamento. Reinhard estava sentado na escadaria, enquanto Brandon ficava bem ao lado dele.
Parece que havia algo errado com Reinhard. No entanto, Brandon sabia que Reinhard era do tipo que guardava segredos.
Por isso, não insistiu mais.
Brandon olhou ao redor.
Por enquanto, todos haviam trocado de roupa por outras mais limpas e provavelmente estavam aguardando o motorista da Claire buscá-la.
Então, Claire perguntou.
— Precisa de carona, Brandon?
— Não.
Brandon balançou a cabeça.
— Eu tenho minha própria moto.
— Entendi.
Mas agora que o assunto tinha surgido, Brandon puxou Claire de lado após explicar que precisava conversar com ela em particular. Os outros deram espaço e conversaram entre si enquanto aguardavam.
— Sobre o que é isso?
— Que tal formarmos uma parceria?
— Parceria?
— Uma parceria de negócios.
— Desculpe, acho que meu pai não está procurando por parcerias no momento. Mas negócio… você tem uma startup?
— Algo assim.
Claire pinçou o queixo, parecendo pensar. Então, abriu a boca.
— Do que se trata? Se o seu negócio for interessante, talvez eu consiga convencer meu pai.
Parecia que Claire estava aberta à ideia. Tudo dependia da proposta de Brandon.
— Bem, seria muito melhor se eu pudesse propor isso com seu pai presente. Você consegue marcar uma reunião com antecedência?
— Acho que não dá. Meu pai está muito ocupado nesses dias. Você deveria fazer isso agora, talvez ele se interesse.
Brandon sabia que era assim mesmo. Mas tinha um trunfo na manga. Por isso, consultou Bellion primeiro.
— Diga a ele que tenho apoio total de financiamento do Exército Imperial.
— Hein?
Claire inclinou a cabeça.
— Você está brincando?
— Não.
— Como assim? Para isso acontecer, você precisa da aprovação do Marechal de Campo Van. Conhecido por ser rígido e não aceitar qualquer um que tente convencer a fazer uma parceria com o Exército Imperial.
— Rígido? Aquilo… Kuhum…
Ele fez uma pausa aí.
— Exatamente. Meu negócio chamou a atenção dele também. Isso já deve ser motivo suficiente para seu pai me receber.
— Bem, se você estiver dizendo a verdade, aviso a ele sobre isso. Mas, quero ver provas dessa parceria com o Exército Imperial.
— Com certeza.
E a conversa terminou aí.
Mas justo quando Brandon ia embora, sentiu um leve puxão na parte de trás da roupa.
Virando-se, Claire olhou para ele timidamente.
— Hã…?
Que diabo?
Ver Claire com uma expressão tímida e toda envergonhada deu um arrepio na espinha dele por algum motivo. Ele nunca tinha visto esse lado dela antes.
Nem nesta linha do tempo, nem em qualquer outra, pelo que se lembrava das memórias fragmentadas.
— Não, deixa pra lá.
Claire balançou a cabeça.
— Acho que não devo te incomodar com isso.
— …
— Capaz, essa pessoa é doida.
Brandon virou as costas logo após.
Claire olhou por um momento para as costas dele até ser interrompida por seus pensamentos.
Exatamente, não era da conta dela. Nem dele.
Claro, Brandon era forte e com certeza poderia ajudar. Mas força só chega até certo ponto.
Nem Bellion conseguiu fazer algo a respeito.
Então, seu olhar lentamente se dirigiu a Reinhard, que estava sentado na escadaria com as mãos cruzadas sobre a boca, parecendo perdido em pensamentos profundos.
Exatamente, não era problema dela.
'Então, por que diabos eu deveria me importar?
Com esses pensamentos, Claire seguiu em direção a eles.
Alguns dias se passaram desde então.
Agora era sexta-feira, o último dia de aula da semana.
Atualmente, Brandon estava dentro da sala de aula. Era a última aula da manhã, com mais aulas planejadas para a tarde.
Porém, teriam duas horas de intervalo após essa aula.
Brandon sentia seu corpo dolorido por inteiro. Nunca tivera se esforçado tanto assim antes. Durante a semana, tinha sido dedicado às aulas e ao treinamento, e após o expediente, o grupo de amigos frequentemente arriscava lutas no quartel de treinamento ou se aventurava por aí.
Brandon não queria desperdiçar nenhuma oportunidade de passar tempo com os amigos, por isso, participou de todas as aventuras até então.
Ao mesmo tempo, aguardava o resultado do projeto da equipe dele, além da reunião para a proposta de negócios com o pai da Claire.
No entanto, parecia que estavam ignorando ele na empresa neste momento. Ou então, Claire não conseguia contato com ele.
Afinal, ele sempre acompanhava Claire a cada dois dias. Claire frequentemente dizia: “Não tive chance de falar com meu pai. Está muito ocupado, viu? Nem atende minhas ligações.”
E assim por diante.
Naquela altura, soava como desculpas. Mas Brandon rapidamente abafou esses pensamentos.
Antes, ele já tinha um relacionamento bastante próximo com Claire. E mesmo agora, parecia que tudo estava indo bem.
Ele certamente podia dizer que eram bons amigos.
No entanto, em outro aspecto, havia uma pessoa que sempre faltava durante as aventuras deles.
Reinhard.
Haviam momentos em que Reinhard recusava o convite. Antes, ele não era assim, mas agora... as coisas estavam bastante suspeitas.
Mas Brandon não mexeu com ele. Não era da sua conta.
Talvez ele estivesse escondendo uma namorada secreta ou algo assim.
— Pode ser isso.
Depois, o olhar de Brandon se fixou no palco onde o instrutor se posicionava.
Era o instrutor atribuído à turma deles.
Zeke Wesley.
Logo depois, sua voz ressoou.
— Como vocês sabem, na próxima segunda-feira faremos uma expedição em um labirinto. Estudem bem, estejam descansados. Partiremos às 8h. Se atrasarem, deixaremos vocês para trás. E, claro, receberão uma nota de zero.
Uma expedição em um labirinto.
Isso despertou o interesse de Brandon.
Mesmo tendo bastante experiência com outras raças, mas considerando o que o domínio humano chama de monstros, ele nunca tinha participado de uma expedição dessas.
Porém, agora que pensava nisso, conseguia recordar fragmentos de memórias sobre Raven dentro de um labirinto, em forma de vislumbres.
Memórias confusas, difíceis de recordar por completo.
Para isso, ele teria que mergulhar fundo em seus pensamentos. Algo que não tinha garantias.
— Dito isso, vocês podem ir embora. Desejo um ótimo fim de semana.
Exatamente, como se eles não tivessem aulas à tarde.
Os cadetes saíram rapidamente da sala de aula.
As conversas animadas começaram a ecoar pelo hall, com temas como “Onde vamos comer hoje?” “O que vou pegar?” E assim por diante.
Era hora do almoço.
Brandon já tinha um compromisso com alguém para almoçar. Já havia informado o grupo de amigos antecipadamente.
Por isso, foi na frente.
— Onde vamos comer hoje?
A Rachel, que parecia animada, perguntou, observando o grupo inteiro. Em especial: Raven, Claire, Amy, Reinhard e Cyrus.
A Sarah tinha várias atividades extracurriculares marcadas naquele momento, por isso, parecia que estava almoçando com outras pessoas.
Claire, que olhava no celular, respondeu.
— Ouvi dizer que abriu uma cafeteria nova lá na esquina. Quer experimentar?
— Alguém tem outra sugestão?
A Rachel olhou ao redor, buscando os olhos de todos presentes.
— Não.
— Nenhuma.
— Lugar novo? Parece boa a ideia.
— Queria que o Brandon estivesse aqui.
Enquanto Cyrus falava várias bobagens, os demais aceitaram feliz a sugestão.
— Certo, como não há mais ideias, acho que vamos lá então.
Ao saírem em direção à porta, Claire parou um instante e se virou.
— Não esqueçam: hoje, eu não vou pagar por ninguém. Repito, não esqueçam. Especialmente você, Cyrus.
Cyrus deu uma olhada ao redor antes de, enfim, encarar o olhar de ferro de Claire.
Depois, apontou para si mesmo.
— Eu?
— Sim, você. Não tem mais ninguém além de você.
Ele sempre dependia do bolso da Claire nas aventuras.
Porém, tinha que admitir que ela costumava convidar eles para sair, e Cyrus tinha o mau hábito de pedir tudo que queria na maior cara-de-pau, pensando que Claire iria pagar.
Por isso, em uma ocasião, ele acabou pedindo algo caro, e como não pôde pagar, a única alternativa foi Claire.
— Certo, desculpe.
— Boa.
Assim, saíram do prédio da academia.
Brandon olhou no celular após receber uma mensagem específica de Matthew.
— Hm…
Ele analisou o conteúdo da mensagem.
— Consegui rastrear a origem, chefe. O site pertence a um cara chamado Nathan Ramsay.
Alguns dias atrás, Brandon tinha informado Matthew que queria que ele verificasse algo.
Especialmente a página do fórum que Raven tinha enviado.
Demorou um pouco, mostrando o quão competente era esse tal de Nathan.
Assentindo, Brandon respondeu de volta.
— Boa trabalho.
Se Matthew conseguir cumprir a missão, ganhará aumento salarial.
Como prometido, Brandon tinha que manter a palavra.
Colocando o celular de volta no bolso, Brandon olhou ao redor.
O café estava movimentado. Cheio de cadetes e estudantes da academia, aproveitando a atmosfera tranquila do lugar.
Ele continuou esperando seu pedido, apoiando a mão na boca.
Porém….
Não era só ele.
— Hehe~ Esse chá de bolhas é realmente bom. Quer experimentar?
Amélia estava sentada ao lado dele.
Eles estavam saindo para almoçar juntos.
Basicamente, um encontro.
— Chá de bolhas…?
— É novo. Mais ou menos como chá, só que com leite? E tem umas pérolas fofinhas também.
— Ah? Espera, deixa eu pegar um canudo—
— Aqui.
No entanto, Amélia cutucou Brandon, incentivando-o a experimentar com o canudo que ela acabara de usar um segundo antes.
— Heh.
Ela é meio grudenta assim.
Brandon achou fofo.
Precisava debochar mais dela.
Com esses pensamentos, olhou para o canudo e disse:
— Não quero usar o seu canudo.
— Oh—
Ela parecia triste, tentando pegar outro canudo para Brandon usar.
— Em vez disso, quero beber na sua boca.
— Hã!?
Amélia parou, e sua expressão ficou visivelmente surpresa. Durante um instante, ela ficou completamente congelada, com o rosto ficando vermelho profundo.
Seus olhos se mexeram de um lado para o outro, e suas mãos pararam no canudo, prestes a pegar.
Por um momento, Brandon ouviu ela murmurar: “Eu não me importo.”
Bum!
Brandon bateu a mesa abruptamente e sorriu com o canudo na boca. Ele só queria brincar, mas parecia que havia se voltado contra ele.
A movimentação parecia ter lhe encurtado uma década de vida.
Amélia é boa nisso.
E nem precisava se esforçar.
Ela olhou para ele com um sorriso vermelho no rosto, de olhos arregalados.
Depois, virou o rosto e murmurou novamente.
— Eu teria feito….
— Kh…!
Brandon sentiu a garganta ficar presa por alguma coisa enquanto socava o peito com a mão continuamente.
— Thump! Thump! Thump!
— O que foi?
— Água…
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