Extra's Descent NovelCAPÍTULO 290 - Interrogatório
Capítulo 290Claro que Brandon não deixou a oportunidade passar.
Nunca tinha visto aquela mulher antes. Com tanta gente suspeita circulando pela cidade, infiltrando-se na elite da sociedade, até mesmo elas conseguiram um cargo de instrutora na academia.
Por isso, ele deduziu que aquela mulher poderia ser uma delas.
Imediatamente, levantou-se, alertando os cadetes ao redor.
"Para onde você vai?"
Raven, que estava ao seu lado, olhou para cima.
"Banheiro."
Se ele não estivesse tarde demais, com certeza, a mulher ainda estaria no saguão.
Assim que chegou ao saguão, suas suposições estavam corretas.
"...."
Lá, ele pôde ver a mulher caminhando em direção à saída. Isso aumentava ainda mais a suspeita; a cerimônia de premiação ainda não tinha acabado, mas parecia que ela tinha perdido o interesse.
E também,
Quem a convidou?
Brandon olhou cuidadosamente para as costas dela. Sua silhueta, semelhante a um ampulheta, provavelmente treinou seu corpo ao máximo para ficar perfeito.
Amélia era bastante semelhante nesse aspecto, e, claro, Brandon achava isso bastante atraente. Por isso, as hipóteses se acumulam uma após outra.
Essa mulher devia ter passado por um treinamento intenso.
"Oi?"
Brandon chamou por ela.
"...?"
A mulher parou nos passos, virando a cabeça na direção dele.
Brandon cruzou seu olhar com o dela, que tinha olhos vermelhos intensos, e seus cabelos platinados balançavam ao lado. Seus olhares estiveram locking por um breve segundo até que os lábios da mulher se abriram.
"Sim? Como posso ajudar?"
A voz dela, uma mistura perfeita de tons alto e baixo, era um pouco cativante, se ele tivesse que ser honesto.
"Para onde você vai? A cerimônia de premiação ainda não acabou."
A cabeça da mulher inclinou-se levemente, um ponto de interrogação apareceu em seu rosto, uma expressão de confusão.
"Eu não sabia que não podíamos sair até a cerimônia terminar?"
"Na verdade, pode sim. Eu só estava curiosa. Na verdade, estava indo ao banheiro quando te vi."
"Ah, então você veio pedir direções?"
Os dedos dela desenharam os lábios, uma mistura de inocência e sedução.
"Sim."
Brandon assentiu com a cabeça.
"Aquele corredor ali. Vire à esquerda, depois à direita em cada extremidade. Você deve ver o banheiro dali."
"Ah."
Isso significava que ela conhecia bem o mapa do local.
Ele estava errado então?
Essa mulher estava apenas tentando sair de lá após perder o interesse?
Não, ele não conseguia se livrar das suspeitas.
"Obrigada, senhor…?"
"Ah, é Lianna."
"Senhorita Lianna. Certo, obrigada."
"Mhm, vou indo. Tenho assuntos importantes para resolver. Continue com o bom trabalho, cadete."
Assim, Lianna virou-se e saiu.
Brandon ficou olhando a porta lentamente se fechando por um segundo, tentando formular suas hipóteses.
Sabendo que não devia insistir demais, ele apenas deixou a conversa por ali.
Lianna…
Lianna…
Ele não fazia ideia de quem fosse aquela mulher.
Mas talvez alguém soubesse.
Bellion.
Depois teria que perguntar a ele.
Enfim, Brandon voltou à cerimônia pouco tempo depois.
Após o término da cerimônia, Reinhard retornou à sua casa.
Para ser mais preciso, à mansão de Bellion.
Ele morava lá desde os oito anos de idade.
Desde… aquela —“incidente”.
Aquele evento que tirou a vida de seus pais.
E durante dez anos, fora sua força motriz para chegar onde chegou.
Para vingar-os.
No entanto, durante esses dez anos, procurando pelo assassino, ele não tinha nenhuma pista concreta.
Ao entrar em seu quarto, como sempre, ele encontrou aquilo um caos.
Papéis e documentos espalhados por toda parte. Ao canto, estantes de livros, mas sem livros organizados ali.
Era tudo uma pilha de dossiês relativos ao caso.
Um caso que virou um mistério sem solução. Tanto que até o seu próprio tio, Bellion Van, parou de procurar pelo responsável após anos de investigação.
Mas Reinhard… ele ainda não tinha desistido.
Sentado na cama, olhou para o quadro branco no canto do quarto. Diversos papéis estavam presos à parede. Teorias, possibilidades, quem poderia ser o suspeito.
Porém, no final, tudo não passou de tentativa inútil.
Todos os suspeitos tinham álibis naquele dia. É justo dizer que ele colocou bastante esforço no caso.
Não havia nenhuma pista ou evidência no local do crime. Ainda assim, com seu esforço, entrevistando e interrogando várias pessoas, conseguiu montar uma lista de suspeitos, independentemente de quão ligados eles fossem ou não ao caso.
Trocar de roupa, ajustou o colarinho.
Era hora de fazer isso de novo.
Assim que saiu do quarto, uma voz profunda ecoou, chegando aos seus ouvidos.
"Para onde você vai dessa vez?"
Era Bellion.
"Não é da sua conta."
Reinhard imediatamente dispensou-o sem olhar para trás, caminhando em direção à saída.
"Não vale a pena. Existe a chance de o culpado já estar morto. De qualquer forma, um dia ele será descoberto."
"É, sim…"
Repetia-se esse conselho várias vezes ao longo dos anos.
Doze anos e nada de notícias.
Ridículo.
Para tudo que Bellion sabia, o culpado poderia estar vivendo uma vida de luxo agora mesmo. Uma raiva começou a surgir dentro de Reinhard só de pensar nisso, esquecendo-se do crime que cometeu no passado.
Realmente difícil.
Afinal, seus pais eram pessoas respeitáveis. Não deveria haver ninguém que guardasse rancor contra eles.
Por isso, o motivo do crime era desconhecido.
E ainda é, até hoje.
"Não tente me impedir."
"Já tinha feito isso faz tempo. Entendo onde sua raiva resida."
"Então por que diabos você não faz nada? Ela era sua irmã, pelo amor de Deus."
Bellion Van era seu tio, pelo lado de sua mãe.
Irmão mais novo de sua mãe.
"Como te disseram, já tentei várias vezes."
"Tente mais. Você é Marechal de Campo agora. Tem todos os recursos, mas não faz porcaria de nada."
"Haaa…."
Bellion soltou um suspiro pesado.
"Você não entende. A importância do meu cargo pesa muito mais. Tenho tantas coisas para fazer—"
"Ainda mais importante do que encontrar a assassina da sua irmã?"
"Tsk."
Bellion rangeu os dentes, uma expressão de frustração surgindo na testa.
"Não vá por esse caminho."
"Haha. Marechal de Campo. Aprendiz do famoso Imperador Relâmpago. Diretor da Academia Imperial e próximo na linha para o cargo de Grão-Marechal. Mas nem consegue encontrar a assassina da própria irmã."
".....Reinhard."
"Só cala a boca e deixe eu fazer o meu trabalho."
Bang—!
Naquele momento, Reinhard saiu do quarto, batendo a porta com força.
Bellion massageou a testa logo após o encontro.
"Você acha que não tentei?"
Sentiu-se frustrado.
"Você acha que não me esforcei igual a você?"
Batida na mesa.
"Você acha que não me importo com minha irmã?"
Fechou o punho com força.
Mesmo tendo avisado várias vezes Reinhard, essa foi a primeira discussão séria em muito tempo.
E Reinhard passou a tocar no coração de Bellion, dizendo palavras que ele não queria ouvir.
"Tsk."
Seu punho ficou ainda mais apertado enquanto as unhas cravavam na palma da mão.
Brandon recebeu a notícia de que Zeke tinha acordado.
Era o quarto dia desde que Zeke fora mantido cativo. E, até então, não tinha dado nenhuma informação relevante.
Mas, mesmo assim, Brandon precisava que ele falasse.
Por isso, voltou à base dos Primordiais.
Era uma ótima oportunidade, já que a maioria dos membros estava ocupado nesta época.
Era um grupo que só se reunia quando necessário. Além disso, aceitavam trabalhos por conta própria.
Quem os contratava, Brandon não precisava descobrir.
Após tudo, esses caras nunca aceitariam trabalhos que pudessem prejudicar a humanidade.
Ah, não.
Tinha alguém ali.
Uma mulher, com cabelo de pêssego brilhante e olhos cor-de-rosa hipnotizantes.
"Ei, Illya?"
"...."
Illya apenas acenou com a cabeça, sem dizer uma palavra.
Exatamente, essa garota era quieta mesmo.
"Ele tá lá?"
Brandon apontou para a porta que levava à câmara.
"...."
Illya acenou novamente.
Bom papo.
Brandon entrou na câmara logo depois.
O vista familiar de Zeke, com algemas de mana. Artefatos que suprimem magia, presos ao redor dos braços dele, enquanto ele permanecia com os olhos vazios.
Seus lábios estavam secos, com sinais de rachaduras.
Depois de tudo, Brandon tinha mandado privar Zeke de necessidades básicas, como água, e uma quantidade mínima de comida. Apenas o suficiente para que ele não desmaiasse.
Logo em seguida, Zeke falou com voz rouca.
"Bra–ndon Locke…"
Ao dar o passo em direção a ele, com os olhos estreitos, logo parou ao perceber uma presença se aproximando pelas costas.
Movendo a cabeça, viu Illya mais uma vez, vestida com um vestido preto elegante.
"...."
"...."
Ele sabia que entrou sozinho na sala, e em momento algum ouviu a porta se abrir para que Illya entrasse.
Assustador.
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