Extra's Descent NovelCAPÍTULO 403 - O Primeiro Encontro
Capítulo 403"Você deveria voltar para o memorial. Vá se tratar lá."
Illya anunciou.
No momento, o memorial de Evelyn provavelmente era o lugar mais seguro em Holy Britannia.
Afinal, oficiais do Exército Imperial e rankers da Guild estavam presentes.
Uma leve inquietação surgiu em Illya.
Durante toda a luta, ela percebeu uma coisa.
'Ele não estava realmente tentando.'
No instante em que começaram a lutar, o garoto nem mesmo olhou na direção dela.
Como se estivesse apenas avaliando seu poder.
Não, não era uma criança.
Cobiça.
A mente de Raven era atormentada, pensando de volta à situação de uma hora atrás.
A situação era….
[Missão Concluída!]
[Junte-se a Amelia e aos outros para pegar algo para beber.]
∎| [Sombras] Proficiência + 5%
——[Vontade do Soberano]——
[Nome: Raven Blackheart]
[Núcleo de Mana: Tier 4]
[Status: A+]
[Innato]
∟ Fúria do Assassino
——[Status]——
∟ FOR: A+ —[44%]
∟ MP: A- —[22%]
∟ DEF: A —[13%]
∟ AGI: S —[15%]
∟ INT: A —[12%]
∟ CHA: S —[72%]
[AVG: A+]
————————
Outra missão absurda, sem sentido algum.
E mais, ela ainda não tinha acabado.
[Missão Concluída!]
[Aproxime-se do garoto.]
∎| [Sombras] Proficiência + 2%
.
.
∎| [Sombras] — 44% — [NÍVEL 4]
"Kh…!"
E, novamente, os mesmos efeitos aconteceram.
Sempre que completava uma missão, uma dor de cabeça aguda surgia.
Mas desta vez, havia algo diferente.
Como se o mundo inteiro estivesse travando, Raven viu uma visão.
Só por um instante.
"Akh!"
De sua cabeça sendo degolada.
"...."
Que diabos?
"Você está bem?"
"U–Ué?"
Ao lado de Raven, Brandon estava de pé. Os dois estavam atrás das fileiras, enquanto Amelia e Belle davam um briefing a Bellion sobre a situação repentina que aconteceu uma hora atrás.
"Sim, só uma dor de cabeça."
Brandon olhou para ele, franzindo a testa. Percebendo que provavelmente não era nada, balançou a cabeça como quem dispensa a preocupação.
Segundo o que descobriram, todos foram atacados pela mesma pessoa ao mesmo tempo.
O que levou a uma hipótese óbvia.
'O Arcebispo da Cobiça consegue se dividir.'
Assim, explicava-se por que ele não estava no seu melhor. Provavelmente, seu poder foi reduzido pela metade ao se dividir.
Aparentemente, Illya resolveu a questão com facilidade. Para Brandon, foi um pouco mais difícil.
Se era esse o caso, quão forte ele realmente seria se não estivesse se dividindo?
Inconcebível.
Se os Arcebispos fossem tão poderosos, Brandon precisaria ficar mais forte rapidamente.
"Ei, vou sair por um tempo."
Com as mãos nos lados da cabeça, Raven foi em direção à entrada.
"Ah, claro. Mas a cerimônia vai começar em breve."
"Sim, voltarei logo. Só preciso de um pouco de ar."
Brandon inclinou a cabeça tardiamente, observando as costas de Raven se afastando.
"Ar, hein?"
Estava ainda chovendo.
"...? "
Mas, ao observar com mais atenção, ele viu.
Ali, uma única mecha de cabelo de Raven na parte de trás da cabeça era branca.
O toldo que parecia se estender a partir do prédio o protegia da chuva.
Haviam questões a ponderar. E, embora não tivesse dado muita importância no passado, não podia mais ignorar a recorrência das missões estranhas.
Sempre que seguia uma missão, situações inesperadas aconteciam.
Parecia que o sistema o conduzia diretamente ao que acontecia.
Era bem estranho. Até então, ele não tinha feito muita coisa em nenhuma delas.
As coisas simplesmente se resolviam por si só. Tudo o que ele precisava era interferir um pouco.
"...?"
De repente, interrompendo seus pensamentos, um carro esportivo preto apareceu de repente.
A porta se abriu, e um guarda-chuva surgiu para fora. Quando o guarda-chuva foi levantado, Raven o examinou com atenção.
Uma mulher familiar, com cabelos loiro-platinado e olhos vermelhos sedutores, saiu do carro, carregando um buquê de rosas no colo.
Seus traços poderiam ser descritos apenas como etéreos.
Raven já a tinha visto em algum lugar.
A festa de Natal.
"Como ela mesmo me disse, qual era o nome dela mesmo?"
Li….
Le….
Laa….
"Laina?"
Não, isso não era certo.
"Lianna."
Finalmente se lembrou.
Lianna, a mulher da festa de Natal.
Naquele tempo, ela não tinha prestado muita atenção nela, mas agora havia algo inquietante nela.
Algo que ele não conseguia definir bem.
Mas, pelo que sabia, ela era amiga de Evelyn. Então, sua aparição repentina não era nada estranho.
Ela caminhou em direção a ele com elegância, sua expressão era indecifrável.
Raven endireitou as costas e afastou-se da parede.
Lianna se aproximou dele. Raven olhou para o buquê em suas mãos, depois para ela.
"Boa noite, você… Raven Blackheart, correto?"
"Sim? Ah, sim. Lianna, certo? Não, não é isso. Senhora Lianna."
Ele gaguejou.
Ela riu suavemente, lhe oferecendo um sorriso gentil e elegante.
"Sim, meu nome é Lianna."
Depois, ela olhou de lado para a entrada e retornou seu olhar para ele.
"A cerimônia já começou?"
"Está prestes a começar. Os outros estão lá dentro."
"Ah, entendi. Minha agenda estava bastante corrida. Pensei que iria chegar atrasada."
Raven escutou, sem conseguir encontrar uma resposta às palavras dela.
Lianna olhou para baixo pensativa.
"O que aconteceu com Evelyn é uma pena. Eu só a conheci recentemente."
Ela fez uma pausa, seus olhos suavizando ao falar.
"Mas quando descobri… foi difícil acreditar. Ela não merecia um destino assim."
Raven assentiu, embora sua garganta estivesse apertada.
"Pois é… ainda parece surreal."
Lianna olhou para cima, seu olhar encontrando o dele. Havia algo em seus olhos, uma tristeza que parecia sincera.
"Já perdi muita gente na minha vida. Mas cada uma delas pesa no coração."
Raven suspirou, com uma expressão de tristeza no rosto.
Seguiu-se um silêncio constrangedor, enquanto a chuva caía suavemente ao redor deles. Raven não tinha ideia do que dizer a seguir.
Logo, Lianna quebrou o silêncio.
"Você se importaria de me acompanhar até lá dentro? Estou… me sentindo um pouco deslocada."
"Claro."
Ele respondeu, dando um passo de lado e indicando a entrada.
Juntos, caminharam em direção ao memorial, o som de seus passos se confundindo com a chuva.
Quando se aproximaram das portas, Lianna olhou mais uma vez para ele.
"Obrigada, Raven. Aprecio a sua companhia."
Raven deu de ombros, sentindo-se um pouco mais à vontade.
"Sem problemas."
Brandon sentou ao lado de Amelia.
A cerimônia já estava em andamento.
Vanessa estava na frente do salão memorial, segurando o púlpito.
Ela avançou, falando na pesada quietude que preenchia o ambiente.
— Pensei bastante no que dizer hoje.
Vanessa começou, sua voz suave mas clara.
— Evelyn não era alguém que buscava atenção. Na verdade, ela evitava. Se pudesse assistir tudo isso agora….
Vanessa deixou escapar um sorriso triste.
— Provavelmente diria para todos voltarem para casa.
Alguns risinhos suaves ecoaram na sala.
O olhar de Vanessa suavizou-se enquanto ela continuava.
— Mas estamos aqui. E olhem para vocês. Acho que ela nunca percebeu quantas pessoas tocou, quantas vidas salvou.
Seus olhos vaguearam lentamente pelo ambiente.
Haviam tantas pessoas, muitas com olhos marejados, outras com a cabeça baixa.
— Ela nunca se considerou uma heroína.
Vanessa prosseguiu, a voz um pouco embargada.
— Mas foi. Evelyn salvou mais pessoas do que podemos contar, sem jamais esperar algo em troca.
Ela fez uma pausa, tentando se recompor.
— Conheci Evelyn há anos, quando ambos ingressamos na Chama Incandescente. Naquela época, ela era… distante, fria até.
Ela hesitou, lembrando-se dos primeiros dias.
— No começo, não levei a sério. Ela era assim com todo mundo. Mas, sei lá, acho que só… quis tentar, que ela fosse minha amiga, mesmo que ela não quisesse.
Uma expressão triste apareceu nos lábios de Vanessa.
— No começo, ela me ignorava. Eu falava com ela, e ela mal respondia. Mas eu insistia. Continuei conversando, tentando de tudo.
O silêncio se instalou, apenas o som suave da chuva batendo nas janelas.
Todos ouviam atentamente as palavras de Vanessa.
— E, pouco a pouco, Evelyn se abriu. Não de uma vez, mas aos poucos. Passei a ver quem ela realmente era: uma pessoa gentil, cuidadosa, que se importava profundamente com quem estava ao redor. Ela só não sabia como demonstrar.
Ela enxugou uma lágrima que escorria pelo rosto.
— Ela nunca pediu reconhecimento. Não queria ser elogiada por tudo o que fazia. Só queria ajudar as pessoas, discretamente, escondida.
O olhar de Vanessa se desviou brevemente para Brandon, sentado no fundo.
Seu olhar permaneceu por um instante nele.
— Ela também era uma mentora. Orientava quem precisasse, nos momentos mais difíceis.
Brandon sentiu uma dor no peito, mas sua expressão permaneceu calma, até indiferente.
Amelia, ao seu lado, enxugou os olhos com a parte de trás da mão.
Ela lançou um olhar rápida para ele. Percebendo a expressão vazia, permaneceu calada.
Alguns minutos depois, Vanessa desceu do púlpito.
As pernas tremeram ao ela voltar ao seu assento.
Brandon fechou os olhos, deixando que o luto que se seguiu chegasse aos seus ouvidos.
Pouco tempo depois, levantou-se.
"Para onde vai?"
Amelia perguntou.
"Vou dar uma volta lá fora."
Ele sorriu para ela.
Amelia ia dizer algo, mas Brandon já estava se afastando.
Seus lábios pareceram mover-se, mas seus olhos não sorriam de jeito nenhum.
Ele se sentia mais distante do que nunca, deixando Amelia sem saber o que fazer.
Puff
A sensação sufocante de calor entrou em sua garganta.
"Amargo."
Ele murmurou.
Logo depois, uma figura saiu do salão de cerimônias também.
Era Illya, de braços cruzados, encostada na parede ao lado dele.
"Agora você fuma?"
"Ajuda a aliviar a cabeça."
"Não consigo te entender."
Puff
Deixando a fumaça se dispersar no ar, Brandon olhou para a chuva.
"Então você também lutou contra a Cobiça. O que acha?"
Ele perguntou.
Illya olhou para ele com sua expressão habitual de seriedade.
Ela levantou a mão.
"...?"
Ela segurou a mão novamente, deixando Brandon confuso.
"O quê?"
Illya inclinou a cabeça e fez uma expressão de desaprovação, seu cabelo rosa balançando para o lado.
"Ah."
Brandon entendeu. Ela estava pedindo pagamento.
"Não paguei adiantado?"
"Pago um extra porque salvei eles."
"Você não deveria salvar a Amelia de graça? Ela é sua amiga, não é?"
"Ela é de graça. Você está pagando pelos outros… nem lembro o nome deles."
Brandon encarou a sua silhueta por um curto instante, uma ideia surgindo na cabeça.
"Algum desconto?"
"Claro, zero por cento de desconto."
"…."
"Tudo bem, vou transferir o valor."
"Obrigado."
Illya seguiu adiante. Ainda chovia, mas ela não usou guarda-chuva.
Na verdade, a chuva parecia simplesmente passar por ela, deixando-a seca.
"Vai mesmo?"
"Não tenho tanta ligação com a Evelyn. Vou me sentir deslocada."
"Sério?"
"Sim, até logo."
Brandon murmurou de lado. "Você é só tímida."
Illya parou por um instante, como se tivesse ouvido. Depois, continuou caminhando.
"Ei."
Não foi até Brandon chamá-la novamente.
Ela olhou para trás, inclinando a cabeça, com a expressão ainda de indiferença.
"...?"
"Não morra."
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