Extra's Descent NovelCAPÍTULO 77 - Maldição [2]
Capítulo 77—Ei! Volta aqui!
—Por isso ela foge, Claire. Você fica assustando ela.
—Ahh! Merda.
Durante o dia todo, Claire e Rachel tentaram cumprir sua missão.
Qual missão?
Encontrar um gato perdido.
Embora já tivessem encontrado o gato algumas horas atrás, ele sempre escapava do seu alcance. E antes que percebesse, já estavam bem longe na floresta.
Crunch. Crunch.
O silêncio dominava toda a área, interrompido apenas pelo som das folhas se quebrando.
Mais uma vez, o gato tinha desaparecido.
—Lá! É ali!
Estendendo a mão na direção do gato, Claire apontou para ele.
Percebendo o tom de urgência na voz, Rachel virou o rosto na direção.
Mas antes que o gato entrasse no campo de visão periférico dela, Claire já tinha saído correndo para persegui-lo.
—Claire, espera!
—Não, já estou morrendo de fome. Ficamos nisso o dia inteiro.
Para ser honesta, elas não precisavam fazer essa missão; era opcional.
Mas desde que caíram de ranking, Claire estava com o orçamento apertado. Sua mesada tinha sido cortada por enquanto.
E Rachel…
Ela era mão de vaca.
—Onde está…
Ampliando a sombra com a mão, Claire tentou localizar o gato que tinha ‘sumido’ de novo.
—Lá!
—Onde?
Nyyaa~
Pela voz de Claire, o gato se assustou mais uma vez.
—Ele entrou naquela cabana abandonada.
—Então fica mais fácil.
—Mhm.
O gato tinha se isolado. Algo que magos poderiam lidar.
—Mas aquela cabana não parece um pouco… assustadora?
—...Sim.
Rodeando os ombros, Rachel hesitou em avançar.
—Ei. Pesadelo ou não, vamos resolver isso logo.
Rachel assentiu e deu um passo à frente.
Ela tinha um pressentimento ruim, enquanto murmurava silenciosamente.
—... Parece cena de filme de terror.
—O que foi isso?
—N-nada.
Com isso, as duas entraram na cabana.
Ao chegar na porta, deram passos silenciosos para não assustar o gato.
—A porta também está aberta…
Claire também sentiu algo estranho. Mas no final, elas eram magas. Uma cabana velha e assustadora não as assustaria.
Assim que entraram na cabana, um calafrio percorreu suas espinhas.
—... O que foi isso?
—São…bonecas?
Olhando ao redor, toda a cabana estava cheia de bonecas em cada prateleira.
—Que aberração colecionaria bonecas dessas?
Claire percorreu o cômodo, examinando as bonecas.
As bonecas pareciam feitas à mão, provavelmente costuradas.
Rachel se aproximou de uma delas e estendeu a mão para pegá-la.
Ao examinar a boneca, um calafrio repentino percorreu sua coluna.
—Essas bonecas… não parecem um pouco reais?
—Não seja louca, Rachel. Como uma boneca costurada poderia parecer real?
—As roupas parecem costuradas. Mas o rosto… Parece… real.
Porém, Rachel foi puxada de seu transe ao virar o rosto para olhar para Claire.
—Espera, o gato.
—Ah, é mesmo. Merda, cadê ela?
Rachel abaixou a cabeça para olhar novamente a boneca.
E então…
De repente, os olhos da boneca ficaram completamente negros.
E ela jura que ela estava sorrindo de volta para ela.
—...!
Um baque!
Um arrepio percorreu sua espinha, ela deixou a boneca cair.
—...O que diabos…
Mas quando virou a cabeça para reexaminar a boneca, ela parecia normal.
Será que foi só imaginação?
Mas, independentemente disso, Rachel podia dizer que aquilo era, sem dúvida, assustador.
—...
Claire parecia pensar a mesma coisa, pois sua voz chegou aos ouvidos de Rachel.
—Este lugar é assustador…
Fodidamente assustador.
Ressoando as mãos nos ombros, Rachel deu um passo para trás. Ela foi puxada de seus pensamentos quando Claire a chamou.
—Rachel, o gato… não está—
Claire virou a cabeça e viu Rachel em um estado de transe.
—Rachel?
—A-ah.
Rachel saiu do transe ao falar com tom de urgência.
—Esquece o gato. Vamos sair daqui, por favor.
—E o rew—
—Vou pagar todas as suas despesas.
Claire ficou surpresa.
Bagunçando o cabelo, ela percebeu a urgência na voz de Rachel.
Então ela amaldiçoou baixinho.
—Ah, merda. Tanta corrida à toa. Então, tudo bem.
Elas então se viraram para sair.
Mas ao chegarem à saída, uma sombra se sobrepôs a elas. Um homem magro, com cabelo grisalho desgrenhado e olhos lavanda, estava parado perto da porta.
—...!
—Huh?
Claire se assustou, mas não tanto quanto Rachel. Esfumaçando as sobrancelhas com ceticismo, Claire cumprimentou a figura.
—Oi. Você mora aqui?
—Sim.
Sua voz era rouca, e apenas de ver o homem, um calafrio percorreu a espinha de Rachel.
Os sinais de alarme estavam tocando.
Porém, Claire parecia não ter percebido. Raspando a cabeça, Claire fez uma expressão de relutância.
—Desculpe pela intromissão. Não achávamos que alguém morasse aqui. Vamos embora agora.
—Não tem problema.
—...
Rachel não conseguiu responder. Algo naquele homem tinha um ar estranho e assustador, mas ela não conseguia identificar o quê.
Percebendo o silêncio dela, Claire virou-se, olhou para ela e franziu o cenho.
—Rachel, não seja rude.
Mas Rachel não respondeu e balançou a cabeça, indicando que não ia falar mais.
Depois, Claire voltou-se para o homem, tentando ser o mais educada possível.
—Desculpe, minha amiga é bem introvertida.
Então, o homem deu um passo à frente e abriu a boca.
—Quer uma boneca antes de sair?
—Não.
Dessa vez, Rachel finalmente colocou sua opinião.
Claire tentou manter um tom polido, evitando ser rude com o homem.
—Desculpe. Não precisamos de nada. Pode ficar com a boneca, senhor.
—Hum…
Claire deu um passo à frente, segurando a mão de Rachel, e ficou perto da saída.
Virando-se, ela acenou e se despediu.
—Se nos permite, senhor. Já estamos indo.
—Mhm.
Nesse momento, elas perceberam algo estranho.
—...!
Não conseguiam se mover.
—O que foi isso…
Rapidamente, as duas virou a cabeça ao redor.
Mas quando fizeram isso…
—...
O homem não estava mais lá.
Uma presença ameaçadora começou a pairar sobre elas.
Uma sensação de pressão começava a dominá-las.
E essa pressão…
Vinha da direção frontal.
Devagar, as duas devolveram o olhar para frente.
E foi então que viram o homem à distância.
—...
—...
Elas ficaram surpresas. Com os olhos arregalados, começaram a tremer.
Medo.
Uma aura de pavor as envolvia. E as duas não conseguiam encontrar palavras para reagir.
O homem…
Ele estava sorrindo.
—Os olhos dele…
Eram completamente negros.
—Hehehe.
O som de uma risada vindo de trás deles.
Uma risada infantil.
—Hehe.
Virando-se para procurar a origem do som, o que viram foi uma boneca que se mantinha de pé no chão.
—Hehe.
Seus olhos eram negros como os do homem.
—Hehehe.
Mais risadas.
Outra boneca apareceu na prateleira.
—Hehe.
E mais outra.
—Hehehe.
Mais bonecas.
—Hehe.
Até que um número incontável de bonecas começou a se mover lentamente.
O corpo de Rachel continuava a tremer de medo. Mesmo querendo se mover, ela não podia.
E mesmo se pudesse, o medo já a tinha paralisado, suas pernas estavam congeladas.
Seu estômago começou a revirar de tanto pavor, enquanto sua boca trepidava sem parar.
—Hehe.
A única coisa que ecoava por toda a cabana era o som de risadas infantis.
—Hehehe.
—Hehehehehe.
Quando Rachel virou para olhar para o homem, foi quando ela percebeu.
Fios.
Eles estavam presos pelos fios, impossibilitando de se mover.
O homem permanecia parado, com um sorriso, seus olhos negros como abismo, encarando profundamente suas almas.
E então…
—Hyaaaaaa—
O grito de uma garotinha ecoou, agitando o silêncio mortal.
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