Extra's Descent Novel — Capítulo 84: CAPÍTULO 84 - Vozes do Acorde

Extra's Descent Novel
Cap. 84
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CAPÍTULO 84 - Vozes do Acorde

Capítulo 84

1.803 palavras~8 min de leitura

[Aviso: Este capítulo pode conter cenas sensíveis. Para alguns pode parecer pouco intenso, e para outros pode causar repulsa. Portanto, leia com a mente aberta.]

Tzz—

Navegando pela floresta, Brandon desviava rapidamente das Bestas de Mana que cruzavam seu caminho.

"Hehehe."

O som de risadas de crianças se aproximava cada vez mais.

'Só mais um pouco.'

Mas até que…

"Hurrr—"

Uma horda de Bestas de Mana bloqueou seu caminho. Logo adiante, a cabana era visível.

Se ele fosse concluir sua missão, as Bestas de Mana certamente o interromperiam.

Swoosh—!

Com uma espada, ele cortou uma criatura ao meio.

Spurt—!

E sangue espalhou-se pela floresta.

[Você matou uma Besta de Mana!]

[+EXP 20]

Ao contrário das Bestas Espectro — cujo sangue era preto, as Bestas de Mana tinham sangue puro e branco.

Depois de eliminar a segunda criatura, Brandon deu outro golpe com sua lâmina.

Spurt—!

Com um movimento de mão, chamas surgiram e envolveram as outras criaturas por trás dele.

Voooosh—!

O fogo persistiu; uma espada de gelo numa mão, e fogo na outra, para lidar com as bestas que pulavam em sua direção pelas costas.

Ele tinha outros elementos à disposição, claro.

Mas, por ora…

Ele tinha que se acostumar com essa visão.

Seus olhos nas chamas.

[Você matou uma Besta de Mana!]

[Você matou uma Besta de Mana!]

[Você matou uma Besta de Mana!]

…

…

…

"Hooo…"

Inspirando fundo, Brandon caminhou até a cabana.

Passo—

Cada passo parecia mais pesado, como se seu peito fosse se tornando mais pesado ainda.

Somente a escolha de fazer isso por conta própria já pesava no seu espírito.

Mas não havia mais ninguém para fazer o serviço.

Ele não podia pedir para nenhum protagonista fazer isso.

Nem que tivesse planos de deixá-los fazer isso desde o começo.

"Haa…"

Cada passo até a cabana dificultava a sua respiração.

"H-haaa…. Haaa…. Haaa…"

Não era por causa das Bestas de Mana que ele havia eliminado.

Não, era por causa do que ele estava prestes a fazer.

"Hehehe."

O som de risadas ficava cada vez mais próximo.

Passo—

"Hehehe."

Passo—

"Hehehe."

Passo—

Até…

Ele chegar à entrada da cabana.

À frente, uma boneca permanecia em pé, bem na moldura da porta.

"…"

Era assustadoramente sinistro.

Mas…

Agora que Brandon sabia exatamente do que se tratava…

"Hoo…"

Seu coração,

Doía.

Eram apenas almas perdidas.

Crianças que se aventuraram demais e entraram na floresta. Para não voltar mais, só pra enfrentar o seu destino.

Era um pensamento macabro.

"Haa…"

Brandon fechou os olhos.

Uma chama se materializou lentamente em sua mão.

"Porra, porra, porra, porra, porra."

Voosh—!

"Hyaa—"

O som de uma menina gritando ecoou no ar.

A boneca continuou a queimar, até se reduzir às cinzas.

"Porra, porra, porra."

O estômago de Brandon começou a revirar.

"Hyaaaa—"

De repente…

"…"

Uma lembrança gravada em sua mente.

Era…

Os momentos finais da criança.

"…Por que, por que estou vendo isso?"

.

.

Era um dia frio.

Como todos os dias em Everglade.

Uma menina de cabelos loiros brilhantes e olhos cor de azul.

—Verina, vamos tirar uma foto com o boneco de neve.

Uma voz, uma mulher. Era a mãe da menina.

O nome da menina era Verina.

Brandon não tinha certeza de qual ano era a visão. Mas, de acordo com a estimativa, estava há cerca de seis anos do presente.

—Assim?

—Sim, Verina, diga queijinho!

—Queijinho!

Verina posou com as duas mãos levantadas, sinal de paz.

Clique—

A foto foi tirada.

—Hehe, posso brincar agora, mamãe?

—Hum… Não se afaste muito, tá?

—Ok.

E assim, Verina saiu andando.

Para Brandon, ficou claro que, até aquele momento, não havia rumores estranhos em Everglade.

Ela transmitia uma sensação de entusiasmo juvenil, uma vontade de aventura.

Ele a observava brincar.

Ele via seu sorriso.

Ele via seu riso.

.

.

—Mãe…!

Ele assistiu ela morrer.

"Haa… Porra."

A memória acabou ali.

Naquele instante, Brandon percebeu…

Verina foi a primeira vítima.

Com os olhos arregalados, as lágrimas começaram a se formar em seus olhos.

"Por que, por que estou vendo isso?"

Uma maldição do Espectro sobre as bonecas?

Que piada de gosto duvidoso era essa?

Mas, conhecendo um Espectro, isso era possível.

Eles gostam de se alimentar de tristeza e agonia alheias.

"Haa…"

Brandon se ajoelhou com as mãos no chão, respirando com dificuldade.

"Porra... não... consegue…"

Mas ele sabia que, se não fizesse algo, mais vidas seriam levadas.

"Porra, porra..."

Com esses pensamentos, Brandon se levantou.

"Hehehe."

Olhou para cima; as bonecas já tinham se reunido diante dele.

"…"

Uma piada nojenta.

"Hehehe."

Risos ressoaram em seus ouvidos.

Mas esses risos,

Seguraram forte seu coração.

Com a mão no peito, ele apertou seu coração.

"Haa…"

O vento estava frio, o céu claro, mas parecia cada vez mais difícil respirar.

"Haa…."

De repente, lembrou de uma conversa anterior.

A conversa com Sarah.

—Não deixe aquela coisa chegar perto de mim.

—Oi? O Senhor Ordem Um tem medo de uma bonequinha?

—Vou queimar.

Olhar para cima, ele começou a rir de si mesmo.

"Hahaha."

Fechando o punho, passou a se arrepender de ter pronunciado aquelas palavras naquele dia.

Vooosh—!

O som das chamas ecoou no ar. Fumaça saiu e preencheu todo o ambiente.

[Você matou uma boneca amaldiçoada!]

[+30 EXP]

E, bem no centro de tudo, estava um homem de cabelos pálidos, olhos azul gelo.

—Hyaaaa!

Os gritos deles.

—Por favor, por favor!

As súplicas deles.

—Huaaa…

Os choros.

—Não quero morrer!

O medo deles.

—Pai, ajuda, por favor!

A tristeza deles.

—Nãoooo!

O sofrimento.

A dor.

A agonia.

Tormento.

Angústia.

Desespero.

Medo.

—Akh!

A juventude deles, desaparecida, assim, de repente.

Como se suas vidas nunca tivessem significado. Como se fossem insignificantes.

Caminho da Ascensão.

'Um livro nojento de um autor nojento.'

O romance seguia a linha de Raven. Mas a jornada nunca foi tão terrível assim.

A ideia de que uma cena como essa aconteceria em outro lugar do romance revoltou o estômago de Brandon.

"Porra, porra."

As memórias dos momentos finais das crianças continuavam a surgir em sua mente.

Cada detalhe.

Ele sentia tudo como se tivesse seguido cada uma delas de perto, de trás.

Desde o começo jovem até o final de suas vidas.

Com cada boneca que queimava, uma memória se sobrepunha à outra.

Tudo acontecendo ao mesmo tempo.

"Hahaha."

Ele voltou a rir.

"Hahahaha."

E novamente.

Gotejou. Gotejou…!

Enquanto lágrimas começavam a escorrer.

Vooosh—!

Até que…

A única memória que ele nunca quis ver veio à tona.

Uma menina de cabelo preto e olhos lavanda, com feições notavelmente semelhantes às de Sarah.

Brandon percebia que Sarah se parecia com ela, quando era mais nova.

—Vamos visitar sua irmã hoje!

—Sério?

—Sim, eu sei o quanto você sente falta dela.

Enquanto passeavam pela cidade, Emma e sua mãe conversavam.

Parearam, do lado de fora do portão, enquanto a mãe se abaixava.

—Emma, espera aqui.

—Hum? Por quê?

—Hahaha, tenho uma surpresa pra você.

Assim, sua mãe se foi, aparentemente para buscar algo.

Emma ficou ali, sozinha, por alguns minutos.

Mas até que algo chamou sua atenção.

—Hmm?

De longe, uma boneca estava sobre a grama, bem do lado de fora da floresta.

Emma caminhou até ela, pegando a boneca.

Ela foi criada para ser educada. Emma olhou ao redor, procurando sinais de quem poderia ser o dono da boneca.

Foi aí que viu um homem estranho, parado ali perto dos arbustos.

Havia rumores sinistros sobre a floresta. E Emma tinha ouvido falar deles também.

Por isso, decidiu ignorá-lo.

—E-emma…?

O homem chamou por ela.

Emma ficou alerta.

Por isso, resolveu fazer uma pergunta.

—Como você sabe meu nome?

—E-emma… Sou… Seu… Pa…drasto."

A voz do homem estava rouca, como se estivesse desidratado.

Emma ergueu as sobrancelhas com desconfiança. Não podia ser, a mãe tinha dito que o pai tinha desaparecido.

Mas…

'Desaparecido.'

Não significava necessariamente que estivesse morto.

Foi então que Emma examinou cuidadosamente as feições do homem.

E, de fato…

Ele tinha os mesmos olhos lavanda que ela e sua irmã mais velha, Sarah.

Emma ficou curiosa. Estava o homem dizendo a verdade?

Foi nesse momento que ele levantou uma boneca para que Emma visse.

Era uma boneca mal feita.

Porém, tinha uma semelhança estranha com a boneca que a irmã mais velha dela tinha quando era mais nova.

O mesmo estilo e padrão.

Poderia ser?

—S-sim… Emma.

Com essa confirmação, Emma decidiu se aproximar do homem.

E foi nesse instante que Brandon gritou baixo, quase num sussurro.

"Não vá aí!"

Mas era inútil. Isso era apenas uma memória.

Passaram-se minutos e Emma foi levada até uma pequena cabana.

O homem não tinha nada preparado. Nenhuma comida, água, nada.

Mesmo assim, parecia que ele não envelhecera ao longo dos anos. Apenas com o cabelo grisalho, desalinhado, e olheiras fundos.

Ao redor, a casa estava cheia de bonecas.

O homem olhou para Emma.

—D-ese… Quer uma b-oneca…?"

—Huh?

Emma inclinou a cabeça.

Antes que pudesse reagir, o homem começou a tricotar uma boneca.

Alguns minutos depois, ele entregou a boneca a ela.

Era mal feita, mas o homem deu com um sorriso caloroso.

—O-brigada?

Ele sorriu calorosamente.

E foi então…

Fios começaram a sair da boneca.

Swoosh—!

—Akhh!

Ela gritou de dor.

Os fios pairaram sobre Emma, enroscando-se ao redor do seu tronco, imobilizando-a.

—Parem, parem!

O homem implorava, como se estivesse falando consigo mesmo.

"Huh?"

Brandon ficou surpreso. Será que a consciência de David ainda permanecia ali?

Porém, os fios não pararam.

Spurt!

Os fios cercaram Emma e perfuraram seu olho direito.

Gotejou. Gotejou…!

Seu olho direito começou a sangrar abundantemente, como uma fonte.

Os fios continuaram a se enroscar, perfurando seu crânio.

Spurt!

Assim, seu corpo ficou inerte.

Emma morreu.

Um botão preso ao fio foi puxado em direção ao olho dela, parecendo substituí-lo.

—Pare, por favor!

O homem gritou novamente, mas o tom de voz contrastava com suas ações.

Parece que ele não tinha controle sobre nada além do que falava.

Spurt!

Outro fio perfurou o outro olho de Emma, e um botão substituiu o que era seu.

Os fios graciosamente rasgaram seu torso, despedaçando a pequena garota completamente.

E, antes que Brandon percebesse, Emma estava sendo puxada para dentro da boneca.

E isso foi a última coisa que Brandon viu.

"Haaa… Haaa…. Haaa…"

Gotejou. Gotejou…!

Ajoelhado, Brandon respirava fundo, lágrimas escorrendo pelo rosto.

"Por que, por quê, por quê."

Ao erguer os olhos, uma notificação familiar apareceu em sua visão.

[Condições Secretas atendidas!]

[Você desbloqueou a Afinidade com a Maldição!]

"..."

Brandon ficou sem palavras diante da cena.

"...É uma piada?",

Pensou ao ver tudo isso, as crianças marcadas por uma lembrança que nunca sairia de sua mente, até a morte.

"Brandon?"

Uma voz o chamou.

Ao erguer o olhar, uma figura se destacou ao longe.

Chamas preenchiam todo o entorno. No meio do fogo, Brandon conseguiu enxergar Sarah.

Ela estava com as demais ao seu redor.

Não, por alguma razão, todos estavam lá.

Todos, exceto Oliver.

Fim da leitura

Capítulo 84 concluído

CAPÍTULO 84 - Vozes do Acorde