In Shadow — Capítulo 7: CAPÍTULO 7 - 7 – Chamas e desgraça

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Cap. 7
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CAPÍTULO 7 - 7 – Chamas e desgraça

Capítulo 7

1.068 palavras~5 min de leitura

Capítulo 7 – Chamas e desgraça

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— Faz tempo que não vejo um humano por aqui — disse o irmão, coçando a enorme barba ruiva que descia até os pés.

A pele dele estava coberta de fuligem e poeira, e sua cabeça careca brilhava, mas de sujeira. Kino Piscou, tentando clarear a visão.

Por um momento, Kino achou que era o veneno causando alucinações.

— Melhor encontrar um anão do que um ciclope, não acha? — falou ele, enxugando o suor da testa. — Não se preocupe, ele vai demorar para voltar.

“Eu não tinha dúvidas sobre quem era a melhor opção.”

Mas algo naquele momento o deixou inquieto.

— Sabe onde estamos?

O barbudinho desviou o olhar para a barriga de Kino deixando ele confuso por um momento, mas logo percebeu o motivo.

“Não!”Imediatamente cobriu suas partes íntimas com as mãos.

— Desculpe… faz tempo que não vejo um desses.

— Hã?

O anão ficou vermelho e começou a balançar as mãos, tentando explicar:

— Não me entenda mal, eu só…

— Entendi. Pode pegar minhas roupas ali? — interrompeu apontando para o canto.

O baixinho assentiu rapidamente e se apressou, quase tropeçando e caindo de cara no chão. Kino suspirou tentando manter a calma.

“Estou ferrado.”

De repente, o chão começou a tremer. As paredes de concreto ao redor se moveram, girando como se fossem peças de um gigantesco cubo mágico. Uma nuvem de areia fina se espalhou pelo ambiente, sufocando tudo.

— Cof! Cof! — Tossiram, enquanto o pó invadia seus pulmões.

— O labirinto mudou. Precisamos nos apressar — disse o anão, entregando as roupas do jovem.

Depois que ele se vestiu , perguntou:

— Sabe que lugar é esse?

O anão pegou o martelo, fingindo não ouvir. Sua indiferença irritou Kino. Antes que ele pudesse se controlar, segurou o anão pelo colarinho.

— Responde logo!

O barbudinho fez uma careta, o pavor estampado no rosto.

“Não é certo…”

A fúria do jovem desapareceu na mesma hora. Afinal, lembrou que ele tinha o salvado. Soltou-o ao chão.

virou-se de costas tentando manter a calma.

— Tanto faz… — murmurou, mais para si.

O jovem caminhou em direção à saída, que estava a poucos metros de distância.

— Já vi muitos humanos vindo pra cá… — disse o anão atrás dele.

Kino parou, mas não se virou. Tudo que ele precisava fazer era continuar andando. Ainda assim, algo naquele lugar o deixava inquieto.

— Nenhum humano conseguiu escapar! — o baixinho disse . — Eles nunca saem. Uns sabotam os outros, e os que não são traídos acabam mortos pelos monstros.

As lembranças de Kino voltaram à sala com as caixas. Por terem se atrasado, o grupo decidiu enganar eles para ganhar vantagem. Se não fosse pelo garoto de regata, Marquinhos, ele já teria morrido logo no início.

— Como se chama? — o jovem perguntou.

— Baltazar Fitzgerald príncipe do reino dos anões…— ele se interrompeu e começou a encarar o chão — Ao menos eu era.

Baltazar fungou e virou de costas.

— Olha…não sei como você veio parar aqui, mas de uma coisa eu sei muito bem. — o jovem agachou para encostar a mão no ombro de Baltazar — a gente vai sair desse maldito labirinto, eu prometo.

Baltazar se virou seus olhos estavam vermelhos e seu nariz escorria um líquido pegajoso branco.

“Põe tudo para fora mesmo…”

De repente, o chão tremeu com força.

— Irmão… achei… um humano! — a voz grave ecoou, como um trovão.

Os olhos do anão se arregalaram.

“Pelo tom do ciclope, ele não estava longe.”

Naquele instante, com o labirinto alterado, não havia onde eles se esconderem. O espaço ao redor era completamente plano com algumas pedrinhas espalhadas.

— Me larga! — uma voz feminina gritou, desesperada. Kino reconheceu de imediato: era a garota de óculos.

“Pelo visto ela se distanciou do grupo ou será que todos eles estavam por perto?”

Infelizmente o grito vinha da única saída visível, e pelo som, o ciclope estava exatamente lá.

O buraco da passagem era redondo e grande o suficiente para acomodar um ciclope de dois metros.

Antes de se mover, ele olhou rapidamente para a fogueira, agora apagada pela fumaça de areia.

Baltazar, ao seu lado, roía as unhas, tomado pelo desespero.

— Achei… uma… arma… para cortar a pele deles!

O anão ficou ainda mais nervoso enquanto segurava o martelo com força.

O jovem procurou o isqueiro no bolso de sua calça e, para o alívio dele, lá estava.

— Tenho um plano.

O anão estava ofegante, a respiração desordenada. O garoto explicou sua ideia, passo a passo. Enquanto falava, a expressão de Baltazar mudava de alívio para puro pavor.

Quando terminou, Kino se abaixou e colocou a mão no ombro dele.

— Você consegue. É o anão mais corajoso que já conheci.

“Na verdade, ele era o único anão que eu já tinha visto na vida, mas acho melhor não mencionar isso.”

O baixinho respirou fundo, inflando o peito, tentando parecer mais seguro.

— Pode deixar comigo!

O jovem de olhos verdes assentiu, dando-lhe um sorriso breve, se virou caminhando em direção à entrada.

Os gritos da mulher estavam mais altos agora.—Quero… comer…Ela, irmão!

— Fique aí! Estou mandando! — o anão gritou.

O garoto tirou sua blusa e a jogou no chão.

Pegou o isqueiro.

“Vamos! Vamos!”

Riscou até que uma pequena chama começasse a consumir o tecido. Deixou a blusa queimando na entrada e pegou algumas pedrinhas espalhadas pelo chão, jogando-as por cima.

— Que…cheiro…de fumaça… é essa, irmão? — o ciclope rugiu.

Kino olhou para Baltazar. Sua mão estava tremendo, mas ele continuou.— Estou acendendo a fogueira para poder desfiar a pele do humano com mais facilidade, Agora deixe de perguntas e me mande a arma que encontrou, idiota! E não entre aqui ainda.

O som de algo deslizando pelo chão ecoou, seguido por um ruído áspero, como se estivesse arranhando a superfície.

O rapaz se aproximou cautelosamente para pegar o objeto.

“Uma faca!”

“Não é muito grande, mas será útil. Agora vem a pior parte do plano.”

O garoto fez um gesto com os olhos para o anão, chamando-o para perto. Ele veio devagar, tremendo.

Sabia exatamente o que estava por vir.

Baltazar se posicionou do outro lado da entrada, segurando o martelo com força suficiente para seus nós dos dedos ficarem brancos.

Kino assentiu para ele, e Baltazar respondeu com um breve movimento de cabeça antes de a fumaça tomar conta do lugar.

A blusa continuava queimando, criando uma cortina densa de fumaça. Logo, não conseguiam enxergar um ao outro. Ficaram em silêncio.

— Pode entrar, irmão! — gritou o anão, com a voz trêmula.

Fim da leitura

Capítulo 7 concluído

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