Jaro — Capítulo 46: CAPÍTULO 46 - 46 - Estranho

Jaro
Cap. 46
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Jaro

CAPÍTULO 46 - 46 - Estranho

Capítulo 46

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Capítulo 46 - Estranho

Jaro

Depois que a reunião terminou, o mercador Kao disse que providenciaria o envio das poções de mana para os aposentos do jovem. Com um aceno de cabeça, acrescentou que ele estava dispensado.

O rapaz se levantou, reverenciou discretamente os superiores e saiu da sala junto de Serena.

Kyle permaneceu com o mercador ainda por algumas horas, discutindo acaloradamente sobre os acontecimentos na Vila Crim e, principalmente, sobre Jaro. Os professores, desconfortáveis, tentavam apaziguar a tensão, jogando comentários neutros que apenas arranhavam a superfície do problema.

Quando os ânimos finalmente se acalmaram, o assunto mudou. Agora falavam da possível guerra contra os regimentos Tigre e Aço.

Então, um som estridente quebrou o clima: triiiim, triiiim. Jason levou a mão ao bolso, tirando um dispositivo que lembrava um celular flip dos anos 90. Pequeno, compacto e antiquado, destoava do ambiente. Ele o abriu com um estalo seco e o levou à orelha.

— Oficial Durno?

— Soldado Jason, preciso de você e do Soldado Kyle imediatamente. Ele está aí com você?

— Sim, oficial.

— Ótimo. Venham para o meu escritório agora.

— Entendido, em alguns minutos estaremos aí.

Jason desligou e se virou para Kyle.

— Precisamos ir. O oficial Durno nos convocou.

Kyle soltou um suspiro irritado, lançando um último olhar de desconfiança a Kao.

Espero que não seja mais encrenca…Pensou, cerrando o punho.

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Quando Jaro chegou novamente à recepção do prédio, a Equipe Fantasma o estava esperando, mas também não o reconheceu de imediato. Alice estava bem nervosa em revê-lo, já que havia o tratado muito mal, mesmo ele sendo a pessoa que os havia salvado. Dessa vez, queria compensar tudo o que fez.

— É bom ver vocês…

Vitória arregalou os olhos.

— Jaro? — indagou Vitória, reconhecendo sua voz.

Alice piscou várias vezes, como se sua mente estivesse pregando uma peça. Por fim, apontou para ele, com expressão uma confusa no rosto.

— Esse cara… não pode ser aquele nanico!

Taylor, por outro lado, se aproximou sem hesitar, apertando a mão de Jaro com força.

— O que aconteceu com você? Você está… da minha altura!

— É uma longa história…

Alice, irritada, não se conteve.

— Corta essa! Esse cara é um impostor! — disse Alice, tentando alertar os outros. Mas Jaro se aproximou dela, que agora estava um pouco mais baixa que ele, e acariciou sua cabeça.

— É bom te ver também — disse ele, num tom suave.

O rosto dela ficou corado num instante.

— E-eu… — balbuciou, antes de “morrer” de vergonha.

Mais à esquerda, estava um jovem também alto, usando uma máscara negra no rosto. Ele se aproximou de Jaro e o cumprimentou.

— D-deu t-tudo certo na missão? — perguntou, tentando falar sem nervosismo.

— Claro… e você também ficou mais alto, hein? Parece estar mais forte também — comentou o rapaz.

Mas ele ainda gagueja quando está nervoso, haha.Pensou Jaro.

Peter coçou a nuca, sem graça.

— S-sim… me esforcei bastante nessa última semana. E quem é essa moça? Ela é sua amiga?

Todos olharam para Serena, que permanecia tímida e retraída. Jaro se aproximou, a puxou para perto e a envolveu com o braço.

— Essa é nossa nova companheira de equipe.

Ela respirou fundo, constrangida, e se apresentou com delicadeza: — É um prazer conhecer vocês, eu me chamo Serena…

O silêncio caiu como uma pedra. Serena sentiu as pernas tremerem até que Vitória, quebrou o gelo:

— Ela é muito linda…

— Nem tanto… — resmungou Alice, já recuperada, mas ainda ruborizada.

Taylor e Peter ficaram tensos. Vitória e Alice eram belas, mas havia algo em Serena que os deixou sem palavras.

— Queremos perguntar muitas coisas. E você também, não é, Jaro? — indagou Vitória, cortando o clima.

— Sim… — Na verdade, Jaro queria apenas se jogar em uma cama quentinha… mas também precisava saber o que havia acontecido enquanto estava fora.

— Que tal irmos para a superfície, comprarmos algum lanche e… irmos para o dormitório do Peter?!

— O m-m-m-meu dormitório?! — gaguejou Peter, desesperado.

Taylor riu. — Ótima ideia.

Alice assentiu. Jaro concordou com um simples:

— Vamos.

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Alguns minutos depois, já na superfície.

A loja de lanches parecia saída de outro mundo. Vidraças exibiam quitutes coloridos, alguns com brilhos sutis, outros exalando aromas adocicados e salgados ao mesmo tempo.

Jaro olhava fascinado.

Nada disso existe na minha terra… é tudo mais vivo, mais… bonito.Reflitia, animado.

O barulho da barriga de Alice soou alto, arrancando gargalhadas do grupo. O rosto dela ardeu de vergonha.

Eles compraram alguns lanches, nenhum dos quais Jaro conhecia. No final, a conta deu 100 crons, que Jaro se ofereceu para pagar, dizendo que havia ganho bastante com a missão.

Mais tarde, eles chegaram ao dormitório 200, o quarto de Peter. Ao entrarem, retiraram os sapatos e se depararam com um ambiente organizado demais para alguém da idade dele. Apenas alguns halteres no canto, uma toalha no sofá e uma barra presa entre duas paredes.

— Que sem graça… — murmurou Taylor, fuçando gavetas. — Nem uma revista proibida?

Peter ficou vermelho e o segurou desesperado.

— E-eu não tenho nada disso!

— Eu só tô brincando, cara, haha — disse Taylor, rindo.

Enquanto isso, Jaro, Serena e Vitória arrumavam a mesa, colocando os lanches em pratos e preparando as bebidas. Alice, por sua vez, estava sentada como uma princesa na cadeira, apenas rindo da briga entre Taylor e Peter.

Logo, todos começaram a comer.

— Isso tá bom demais! — disse Taylor, devorando uma espécie de sanduíche. — Acho que vou sempre passar naquele estabelecimento.

— Verdade — comentou Vitória, sorrindo.

— Até que está… comível — disse Alice, tentando disfarçar o quanto gostava.

Depois de saciar a fome, Jaro se apoiou na mesa.

— Minha história é bem comprida… que tal vocês me contarem o que aconteceu por aqui primeiro?

Vitória tomou a dianteira. Ela contou que, no mesmo dia em que Jaro saiu em missão, eles foram para o que seria a primeira aula teórica e prática. Mas, ao chegarem lá, havia apenas um guarda, que explicou que não haveria aula e nem previsão para isso, pois uma guerra poderia estourar a qualquer momento.

Vitória perguntou por mais detalhes, e o guarda disse que o Regimento Gorila havia declarado guerra formal aos Regimentos Aço e Tigre, sem motivo claro. Ele também explicou que o Regimento Gorila não conseguiria vencer sozinho, por isso se aliou ao clã Moong, tornando o confronto equilibrado. No fim, o guarda mandou-os voltar aos dormitórios e treinar por conta própria até segunda ordem.

Toda a Equipe Fantasma ficou assustada com a notícia, temendo serem convocados para a guerra sem preparo adequado, apenas como bucha de canhão.

Uma semana se passou, até que novas informações chegaram: os regimentos haviam feito um acordo, e a guerra aconteceria apenas daqui a um ano. Assim, as aulas retornariam à normalidade na Secra (terça-feira, nesse mundo). Jaro ficou satisfeito, pois isso significava que não ficaria para trás nos “estudos”.

Então amanhã começa o primeiro dia de aula…Refletiu Jaro, lembrando-se do calendário preso na parede de seu quarto.

Vitória continuou explicando que, durante a semana, os quatro treinaram fisicamente e também sua mana até o limite, ficando mais fortes. Além disso, cada um contou um pouco sobre sua vida, inclusive Alice. Jaro ouvia com atenção, compreendendo enfim por que o clã Moong se interessava tanto pela turma 5. Eles não eram normais, eram prodígios.

Finalmente, Jaro começou a contar o que havia acontecido na missão, dando mais detalhes do que havia dito aos professores, mas ocultando informações sobre a Chefe e suas habilidades. As reações foram interessantes, e ninguém tirava os olhos dele durante a narração da missão. Então, a curiosidade voltou-se para Serena, principalmente após ouvirem toda a história.

— Pobrezinha… —murmurou Taylor, quando souberam da história de Serena.

— O quê?! Ela é uma maga de cura?! — gritou Alice, incrédula.

— Shhh! — repreendeu Vitória. — Alguém pode ouvir. Isso não pode vazar!

Alice abaixou a cabeça. — D-desculpa…

Vitória a encarou, surpresa. Não esperava que a mimada do grupo teria a capacidade de pedir desculpas.

— Isso mesmo. Por isso… eu irei ensiná-la algumas coisas para conseguir nos ajudar em combate. Também peço que me ajudem — pediu Jaro.

— Claro! Agora ela é uma de nós — comentou Taylor, animado.

Eles conversaram mais um pouco, até que Vitória olhou o relógio.

— Caramba, olha a hora… — comentou Vitória, vendo o relógio em seu telefone flip: 11h53. — Ainda preciso lavar roupas e limpar meu quarto.

— É, eu também… — disse Alice, morrendo de preguiça.

— Acho que todos temos coisas a fazer — comentou Jaro, se levantando. — Obrigado pela hospitalidade, Peter.

Todos se curvaram em respeito.

— Amanhã nos encontramos em frente ao prédio dos professores — completou Vitória.

— T-tudo bem… — respondeu ele, vendo todos saírem, ficando apenas ele e Jaro.

— Essa máscara… combina mesmo com você.

— O-o-obrigado… — respondeu Peter.

A visão dos dois mascarados, ambos com máscaras de demônio, era realmente peculiar.

— Vamos ficar mais fortes e, um dia, sairemos daqui livres.

— Sim! — disse Peter, com firmeza.

Jaro saiu logo depois. Do lado de fora, Serena o esperava, olhando para os arredores.

— E então? Gostou daqui? — perguntou ele.

Ela hesitou. — É bonito… mas parece uma prisão.

Jaro assentiu. — Verdade. Mas, de alguma forma, acredito que esse lugar vai nos deixar mais fortes…

Fim da leitura

Capítulo 46 concluído

CAPÍTULO 46 - 46 - Estranho