JaroCAPÍTULO 63 - 63 - Tomates
Capítulo 63Capítulo 63 - Tomates
Jaro
Os olhos de Alice se abriram e ela percebeu que estava nos braços de Peter. Assustada, ela deu alguns tapas no peito dele.
— O-o que você tá fazendo comigo?! — gritou ela.
— D-desculpa! É que você desmaiou! Eu estou te levando para o recanto ali, para a Serena te curar — respondeu Peter, desesperado. — Eu te solto!
Ele começou a abaixá-la.Esse bobo… eu não queria afastá-lo, acho que peguei pesado.Refletia ela, arrependida de fazer uma cena. Antes que seus pés tocassem o chão, ela deslizou os braços pelo pescoço dele e se agarrou ainda mais forte. No movimento, seus seios acabaram pressionando o rosto de Peter.
— Não! Minhas pernas… estão cansadas. Me leva assim mesmo.
Peter tentou responder, mas só saiu um grunhido abafado. Ela percebeu e ficou ainda mais envergonhada. Assim que se ajeitou nos braços dele, Peter voltou a respirar, e seu rosto ficou vermelho como uma pimenta.
— C-claro, eu a levo — respondeu, desviando o olhar.
Alice soltou um risinho.
— Eu pensei que você fosse gago… mas quando está com muita vergonha, você fala perfeitamente. Pffft! — ela caiu na risada.
— É… isso é um problema que tenho desde pequeno… mas, quando fui sequestrado pelo clã Moong, esse defeito está se curando — falou ele, com um sorriso caloroso.
O sorriso gentil dele, pegou Alice desprevenida. Ela nunca tinha reparado como ele era bonito quando sorria daquele jeito. Sem pensar, levantou a franja de tigela dele com a ponta dos dedos.
Quando foi que ficamos tão próximos? Eu não percebi…Pensava ela, enquanto admirava Peter.
— O que foi? Tem algo no meu rosto?! — Ele arregalou os olhos, com as bochechas vermelhas.
Alice retirou a mão rápido, igualmente vermelha.
— N-não é nada. Esquece.
— T-tá.
Peter engoliu seco, retomou o passo e carregou Alice até Serena, depositando-a no chão com todo cuidado.
— Ela vai ficar bem?
— Vai sim… logo eu a curo! — exclamou Serena, puxando as mangas da camiseta.
— Eu e os outros vamos continuar com o treinamento em duelos, e depois vamos pros treinos em equipe. Então… é… boa recuperação.
— Claro! Vai lutar com aquela monstra, me vinga! Daqui a pouco eu volto — respondeu Alice, sorridente.
— V-v-vou tentar — assentiu ele, indo lutar com Vitória e deixando as garotas a sós.
— Você tá bem? — perguntou Serena, preocupada.
— Quando você me curar, vou ficar bem…
— Não tô falando disso. É que essa batalha não parecia uma luta qualquer.
— É… eu não queria ter perdido — Alice respondeu, num tom depressivo. Mas logo abriu um sorriso para Serena. — Porém, me sinto muito mais leve agora. Acho que não odeio tanto a Vitória como imaginei, ela é uma grande guerreira. E sinto que a gente conseguiu se entender com nossos punhos nessa batalha..
Serena olhou para ela, curiosa, mas logo caiu na risada.
— Pfft!
— Do que você tá rindo?
Serena continuava rindo.
— Hein?!
— Não, não é nada… é que você foi tão fofinha e, ao mesmo tempo, parecia um velho falando.
— Deve ser influência do meu pai. Às vezes, ele falava assim, que se eu quisesse ser uma guerreira, eu precisava ser séria e tentar falar mais grosso, e coisas assim.
Serena e Alice ainda riam quando ouviram passos se aproximando. Jaro e Taylor pararam diante delas. Taylor tinha o olhar preocupado, já Jaro parecia apenas observar, calado.
Taylor respirou fundo.
— Senhorita Alice… você tá bem?
— Já estou me sentindo melhor.
— Que bom..
— Daqui a meia hora ela já vai estar pronta para treinar de novo — comentou Serena, mantendo as mãos sobre Alice. Uma luz verde suave escapava de seus dedos, envolvendo o corpo da garota.
Taylor assentiu, aliviado. Então, virou-se para Jaro e o clima ficou mais pesado novamente.
— Sobre antes… Eu falei demais, e de forma presunçosa. Foi injusto. Desculpa. — Ele se curvou.
Jaro encarou Taylor por longos segundos, sem expressão.
— Não esquenta — respondeu Jaro, de forma simples, mas séria. — Você só estava preocupado com nossa companheira.
Taylor concordou, aceitando a resposta sem reclamar.
— Não vai acontecer de novo.
— Tudo bem.
Um pouco mais à frente, Vitória e Peter já estavam com as espadas erguidas. Porém, antes que começassem, Peter percebeu que ela tremia, e sua respiração estava pesada.
— Não é melhor você pedir para a Serena te curar? — sugeriu ele. — Não vai ser justo lutar com você desse jeito.
— Não precis… — Vitória começou a responder no reflexo, como a antiga Vitória faria. Mas o pouco tempo que passou com a equipe III parecia tê-la mudado.
Ela respirou fundo e assentiu: — É verdade, Peter. Obrigada por se preocupar. — Sorriu de forma amigável, guardou a espada e caminhou até os outros, sentando-se ao lado deles.
Peter então olhou para o lado e levantou a espada outra vez: — T-Taylor, você ainda não lutou, né? Que tal lutar comigo?
— Claro, pode ser — respondeu Taylor, se levantando.
Os dois se encararam e, num instante,BANG!lâmina contra lâmina, a força era brutal de uma chocando-se contra a outra. Da espada e do corpo de Peter brotava uma fumaça negra, enquanto de Taylor emanava uma aura branca, e um leve vento escapava ao redor dele e de sua lâmina.
— Você é bem forte, hein! — disse Taylor, sorrindo.
— Um pouco!
As espadas deslizaram e os golpes se multiplicaram por alguns segundos, rápidos demais para serem contados. Então, Peter girou o corpo e lançou um corte horizontal pela direita; Taylor conseguiu bloquear, mas com dificuldade. Peter não recuou, uma chuva de ataques veio logo em seguida.Que velocidade!Taylor defendeu a maioria, mas um golpe passou, deixando-o com um dos joelhos no solo e seus olhos procuraram Peter… até que finalmente o encontrou.
Porém, Peter estava ao seu lado, com a lâmina já encostada em seu pescoço. Ele podia parecer só um garoto tímido, mas sua força era monstruosa.Peter guardou a espada e estendeu a mão, nesse instante, Taylor pôde analisar o antebraço de Peter, que era grosso e musculoso.Entendo agora… ele treinou muito para chegar aqui.
— Foi uma boa luta!
— Também aprendi muito.
Depois disso, todos passaram por várias rodadas de combate individual. Em seguida, treinaram batalhas em grupo, no formato 3 contra 3, para aperfeiçoar o trabalho em equipe.
Também reforçaram a resistência física, praticaram a manipulação de mana e aprenderam a disparar esferas de mana sob a orientação de Alice, que já estava totalmente recuperada graças aos cuidados de Serena.
Aquele dia marcou a equipe III, nunca haviam se sentido tão unidos.
No meio do treinamento, Jaro e Serena se afastaram. Jaro avisou que precisavam ir a um lugar, e o restante apenas assentiu, continuando os exercícios.
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Em um pequeno escritório, cercado por estantes abarrotadas de livros, uma jovem de cabelos castanhos e ondulados escrevia concentrada sobre a mesa. O silêncio foi interrompido por duas batidas na porta.
— Entrem — pediu ela, sem levantar o olhar.
A porta se abriu e entraram um jovem de porte mediano, usando uma máscara branca de feições demoníacas, e uma garota graciosa de cabelos negros. Ao reconhecê-los, a mulher largou a caneta e o papel.
— Boa tarde, mestra…
— Boa. Tomate, venham, cheguem mais perto e sentem-se.
O apelido fez Serena franziar o cenho. Não era só o “Tomate”, era o jeito como Elise dizia, com aquela intimidade irritante.
— Claro — respondeu Jaro, sentando-se ao lado de Serena.
Elise não parava de sorrir. Apoiada com os cotovelos na mesa, sustentou o rosto entre as mãos, analisando os dois.
— Então… o que você veio fazer aqui? — perguntou, lançando um olhar rápido para Serena antes de voltar a Jaro.
— Ué… treinar.
— Entendo. E por que trouxe ela?
— Porque quero que treine ela também.
Os olhos de Elise se arregalaram; ela se levantou num sobressalto.
— I-isso quer dizer que ela também é uma maga de cura?!
— Claro… por isso trouxe ela.
No mesmo instante, Elise praticamente saltou sobre Serena, abraçando-a com força. Os grandes seios esmagaram o rosto da garota, deixando-a atordoada… e, no fundo, sentindo um pouco de inveja.
— Que maravilha você me trouxe, tomatinho! Agora tenho dois tomates! Eu vou cuidar muito bem de você!
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