JaroCAPÍTULO 74 - 74 - Mal Sucedido
Capítulo 74Capítulo 74 - Mal Sucedido
Jaro
— Finalmente a coelhinha desistiu — disse André, aproximando-se e agarrando-a pelo pescoço, erguendo-a no ar. No processo, ela tossiu e tentou, sem forças, segurar os braços dele, como se ainda quisesse impedi-lo. Seus olhos estavam semiabertos.
— Chi… — Ele colocou um dedo sobre os lábios, sinalizando para que ela ficasse em silêncio. — Fique quietinha. Não vamos te matar…
O homem trajado de azul começou a apertar o pescoço de Alice, com a intenção de fazê-la desmaiar.
No fundo, ela aceitou. O que poderia fazer contra três magos de estágio Naka? Nada. Suas mãos, que ainda seguravam os braços do inimigo por puro instinto — movidas pelo medo —, simplesmente desistiram de lutar, e seus braços penderam no vazio. Alice desistiu de lutar.
Ela fechou os olhos e aceitou seu destino. O homem apertava cada vez mais forte seu pescoço, e Alice sentia sua consciência se esvair a cada segundo que passava.
Uma imagem de cada membro da Equipe Fantasma, sorrindo para ela, surgiu em sua mente.
Tudo bem, né? Pessoal? Eu… tentei, então, agora eu vou dormir um pouco…
— ALICE!
De repente, um grito ecoou alto, despertando a garota de cabelos roxos. Era claramente a voz de Jaro! Mas, quando abriu os olhos, ela viu apenas os três sujeitos com sorrisos largos, o céu negro e a chuva gelada caindo.
Isso foi uma alucinação?Pensou Alice, confusa. Ainda assim, aquela alucinação lhe deu energia e força, pois Jaro, seu companheiro, havia sido seu salvador e se tornou a segunda pessoa que ela admirava, depois de seu pai.
Então, ela sorriu.
Mesmo que eu morra, morrerei com honra!
O sujeito que a segurava pelo pescoço ficou perplexo ao ver sua presa sorrindo de repente, encarando-o nos olhos.
Foi então que Angela, que estava um pouco mais atrás, comentou: — Por que essa puta lunática está sorrindo?!
— Será que ela é masoquista? — disse Rodolfo, coçando a cabeça.
No entanto, André se concentrou ainda mais e apertou o pescoço dela com muito mais força, decidido a fazê-la desmaiar logo. Rios de lágrimas escorriam pelo rosto de Alice; secreção descia pelo nariz e baba escapava de sua boca. Ainda assim, o sorriso permanecia. Com dificuldade, ela declarou: — V-você vai morrer.
— O quê?! — indagou André.
Alice rapidamente colocou as duas mãos na cabeça de André. A mana começou a circular de seu núcleo para as palmas das mãos em frações de segundo: na direita, o elemento fogo; na esquerda, o elemento água.
Essa é minha primeira magia, seu bosta.
— C-cataclismo.
Com toda a sua força mental, ela forçou o conflito entre os dois elementos, causando uma explosão térmica que estourou a cabeça do inimigo.
Assim, ela finalmente se livrou do aperto no pescoço, caindo de joelhos no chão, tossindo, enquanto sua consciência voltava aos poucos. Apesar de ter explodido a cabeça do inimigo, apenas um pouco de sangue respingou em seu rosto, cabelo e roupas, pois grande parte do sangue evaporou.
— Eu consegui… — murmurou.Apesar da vitória, ela não parecia feliz. Mesmo livre, sentia-se mal por ter matado um ser humano.
Mas, estava satisfeita por sua primeira magia ter funcionado. Ela vinha treinando o Cataclismo havia alguns dias, de forma completamente autodidata. A magia funcionava quando o usuário concentrava fogo na palma direita e água comprimida na palma esquerda. Quando os elementos se aproximavam, entravam em conflito forçado, quebrando o equilíbrio natural entre calor extremo e pressão líquida.
A água vaporizava instantaneamente, gerando uma expansão violenta, enquanto o fogo se alimentava do vapor superaquecido.Essa reação em cadeia criava uma explosão térmica que se espalhava em ondas, queimando, esmagando e obliterando tudo ao redor.
— ANDRÉ!! — gritaram seus comparsas, abismados.
— Eu vou te matar, sua desgraçada!! — Angela avançou em direção à jovem de cabelos roxos, tomada pela fúria, querendo vingar o companheiro.
Alice parecia muito cansada, mas ainda assim ergueu as palmas novamente.
— Não posso ser sequestrada de novo! Não vou dar mais trabalho a ninguém! — gritou. — Cataclismo!
Uma mistura de fogo e água, condensada em uma esfera de quase um metro de largura, voou na direção de Angela. Ela não temeu o ataque e simplesmente o desviou, causando uma explosão atrás de si.
— Mais uma vez!! — gritou Alice.
Porém, sua visão ficou turva. Ela tossiu grandes quantidades de sangue, que escorreram também por seus olhos e ouvidos. Angela já estava a centímetros de distância, desferindo um golpe com a espada.
Maldição… eu não percebi que essa magia gastava tanta mana!No entanto, ao invés de fechar os olhos, ela esperou o ataque de olhos abertos. O medo não mais a dominava, e seu cérebro enquanto percebia o ataque vindo, trabalhava, pensando numa maneira de contra-atacar.
Mas o golpe cessou de repente. No lugar do impacto esperado, ecoou apenas o som seco de uma espada sendo desembainhada.
Peter surgiu como um fantasma e com cortes precisos, decepou ambos os braços de Angela e a lançou ao chão. Ela caiu de barriga para baixo, com o corpo colado ao solo.
A lâmina do jovem pairava a poucos centímetros de seu pescoço. Os braços mutilados jaziam ao lado do corpo, ainda quentes, enquanto Angela — agora desarmada — gritava de dor.
Mais atrás, Vitória havia perfurado o coração de Rodolfo, que estava caído aos seus pés.
— Peter, não mate essa vadia. Apenas a deixe inconsciente. Precisamos extrair informações dela.
Com os olhos frios cravados na inimiga, Peter já não parecia o garoto gentil e ansioso que todos conheciam, mas sim um soldado frio e experiente.
— Sim, senhora.
Ele então golpeou o pescoço de Angela com o lado cego da espada, deixando-a inconsciente. Em seguida, guardou a lâmina na bainha e foi até Alice, que o observava assustada e em silêncio.
Ele ainda não compreendia o que era amor ou estar apaixonado, mas sabia que gostava muito dela. Ver a garota de quem gostava suja e machucada o quebrou por dentro.
Sem pensar duas vezes, ele correu e a abraçou. Alice correspondeu ao abraço. Após alguns segundos, ele se afastou um pouco, olhou-a nos olhos e sorriu.
— Agora está tudo bem. Eu estou aqui… vou cuidar de você.
Ela então começou a chorar e o abraçou novamente. Peter não sabia o que fazer e apenas olhou para Vitória, que sorriu para ele, como se dissesse: cuide dela, ué.
— Que bom que deu tudo certo — murmurou Vitória para si mesma, enquanto enviava mensagens aos outros integrantes da Equipe III, avisando que Alice estava bem e que o inimigo havia sido capturado com sucesso.
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Sobre os gigantescos muros do Distrito Azul, dezenas de homens e mulheres estavam reunidos. Vestiam mantos azuis adornados com dragões, flores e árvores bordadas nas costas. Perto dali, três garotas jaziam desacordadas no chão, amarradas, com as bocas amordaçadas, largadas como fardos sem valor.
Então alguém chegou. Era um homem gigantesco. No mesmo instante, todos os presentes se ajoelharam, apoiando um dos joelhos no solo. O sujeito que se encontrava à frente se adiantou e disse, com a cabeça baixa: — Senhor Roz, o plano foi um sucesso. Raptamos uma garota de cada equipe da Turma Cinco. Eles ficarão apavorados quando descobrirem.
Roz não respondeu. Apenas observou o ambiente ao redor por alguns instantes, em silêncio.
— Senhor? — insistiu o homem, nervoso.
— Você me disse que a missão foi concluída — respondeu Roz, finalmente. — Mas ainda falta uma garota.
O coração do sujeito quase saltou do peito. A presença de Roz sempre o deixava tenso. Para ele, Roz era o tipo de guerreiro diante do qual jamais se baixava a guarda, alguém que parecia capaz de matá-lo a qualquer momento, sem aviso.
— S-sim… — gaguejou. — Os novatos enviaram uma mensagem dizendo que encontraram a garota e já estavam trazendo. Como o local é afastado, acredito que cheguem a qualquer momento.
Roz permaneceu encarando-o por mais alguns segundos. O silêncio apenas aumentou a pressão. Então, sem dizer nada, ele caminhou até a extremidade da muralha e se sentou, coçando o ouvido, parecia entediado.
— Vou esperar.
O homem soltou um suspiro de alívio.
— S-sim, senhor.
Meia hora se passou. Nenhuma notícia dos novatos. Cochichos começaram a se espalhar entre os membros da Ordem do Gelo.
— Nenhuma resposta? — perguntou o líder do grupo a outro membro.
— Eles não responderam nenhuma das mensagens… acho que morreram.
A irritação tomou o rosto do líder.
— Droga!
Sem demora, ele se dirigiu novamente a Roz.
— Senhor, infelizmente parece que os novatos morreram durante o sequestro.
— Entendo — disse Roz, sem demonstrar surpresa. — Consegue me dizer em que estágio eles estavam?
— Angela, Rodolfo e André… todos estavam no estágio Naka.
Roz ergueu levemente a sobrancelha.
— Então você está me dizendo que eles morreram para garotinhos que ainda nem possuem uma esfera em suas coroas de mana?
Não possuir sequer uma esfera significava que ainda não haviam alcançado o estágio Guerreiro, pelo menos, era assim que Roz enxergava.
— S-sim, senhor.
Por um instante, Roz ficou em silêncio. Então, um sorriso lento surgiu em seu rosto.
— Hahaha… que moleques interessantes. — Ele riu baixo. — Isso está ficando cada vez mais divertido.
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