Kairos — Capítulo 57: CAPÍTULO 57 - 55 – Golpe Final

Kairos
Cap. 57
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CAPÍTULO 57 - 55 – Golpe Final

Capítulo 57

817 palavras~4 min de leitura

Capítulo 55 – Golpe Final

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Narrador: Azazel

O sangue pingava em queda livre até tocar o solo, e logo uma poça espessa se formou aos pés de Hendrick. As múltiplas feridas no torso o deixavam irreconhecível, como se alguém tivesse esculpido seu corpo usando lâminas. Já não havia distinção entre o que escorria dele ou de Azazel.

Mesmo sem sentir dor, Hendrick percebia a velocidade fugindo do corpo, drenada junto com cada fio de sangue que deixava suas veias. A constatação acendeu um reflexo bruto. Ele avançou um passo trêmulo e desferiu um chute direto no peito de Azazel, lançando o demônio a vários metros. No instante seguinte, as pernas de Hendrick cederam, e ele caiu de joelhos, pressionando o próprio peito ensanguentado.

Azazel atravessou uma fileira de árvores, derrubando troncos como estacas frágeis antes de sumir em uma explosão de poeira. O ar se turvou. No interior daquela névoa de terra levantada, algo se moveu.

Um estalo. Um rompimento.

Azazel emergiu da cortina de poeira, arrancou uma árvore inteira e a lançou como uma lança colossal na direção de Hendrick, que continuava ajoelhado, ofegante, mortalmente exposto.

Mas a madeira nunca o tocou.

Eleonor apareceu como um corte de luz. O braço em chamas riscou o ar, a espada desceu numa trajetória perfeita, e a árvore foi partida ao meio antes de alcançar Hendrick. Metade do tronco girou no ar; a outra metade tombou atrás de Hendrick com um baque surdo, levantando fragmentos de casca e terra.

Ela bufou, a lâmina ainda vibrando na mão, os olhos fixos no demônio atrás da poeira.

A poeira ainda ondulava no ar, carregando o cheiro metálico do sangue e o amargor da terra rompida.

Hendrick levantou o rosto. A respiração era pesada, mas não fraca. Ele colocou uma mão no chão, tentando firmar o corpo instável. Sangue pingava do queixo, marcando o barro em pequenos pontos escuros.

— Não… — Murmurou Hendrick.

Eleonor deu um passo à frente

— Eu disse para você se afastar! — Disse ele irritado, cuspindo sangue que escorria da garganta.

Eleonor ignorou.

Hendrick tentou se erguer. Primeiro falhou. Depois, com um impulso teimoso e um rosnar contido, levantou-se por inteiro. Seu corpo cambaleou, mas seus olhos permaneceram imutáveis, fixos no ponto onde Azazel começava a emergir da poeira, regenerando o que restara do impacto.

A forma demoníaca surgiu com lentidão calculada, exibindo a arrogância de quem sabe que o próprio corpo não entende a palavra “limite”. Ossos se encaixaram, músculos se puxaram como fibras vivas, e, por fim, a pele se fechou com um estalo úmido. Azazel deu um sorriso largo demais, um sorriso que parecia predador e teatral.

— Acabou a brincadeira! — Disse Eleonor enquanto fixava os olhos em Azazel. — Esse demônio fica mais forte conforme o tempo passa, se continuar assim não seremos capazes de mata-lo.

— Eu notei isso. — Admitiu Hendrick despreocupadamente.

— Então por que não está lutando seriamente? — Perguntou Eleonor irritada.

— Não tem graça lutar contra um fracote, por isso quis lutar de igual para igual com ele. — Brincou ele, logo em seguida soltando um breve sorriso.

Eleonor bufou, mas não retrucou.

Azazel por outro lado parou de rir.

— Fracote?! — Repetiu ele irritado, mas ninguém lhe deu atenção

— Vamos acabar com isso logo, ainda temos que matar o desgraçado do Atreus. — Disse Eleonor, colocando sua mão esquerda calorosamente no ombro de Hendrick.

— Ta. Ta…. — Respondeu Hendrick. — Ei! — Gritou ele. — Sua maluca do caralho! Sua mão ta me queimando!

Em meio a conversa dos dois, Azazel avançou rapidamente, subiu sua foice e pretendia desce-la de forma que iria cortar Eleonor e Hendrick ao meio em um só golpe.

Mesmo distraído com a conversa, Hendrick notou os movimentos de Azazel, e, a poucos centímetros de ser atingido ele usou seus reflexos sobre-humanos para desviar do ataque ao mesmo tempo que jogava Eleonor na direção da lâmina de Azazel.

— Eu disse que não precisava da sua ajuda — Disse ele enquanto sorria.

A foice atingiu Eleonor, rasgou sua armadura como faca quente cortando manteiga, mas quando a lâmina tocou sua pele a lâmina de Azazel se desfez em mil pedaços, restando apenas o cabo em sua mão.

Azazel ficou paralisado com o que viu, sua arma que até agora estava cortando tudo e todos, agora não passava de um amontoado de cacos frágeis no chão.

— Eu sei. — Disse Eleonor ajustando sua postura, segurando a espada colossal com a mesma naturalidade com que alguém segura uma pena. — Mas isso não significa que você vai lutar sozinho e ficar com toda a diversão para você.

Ela continuou falando como se o empurrão de Hendrick ou o ataque de Azazel não fossem nada.

Por um momento, algo quase parecido com um sorriso cruzou o rosto ensanguentado de Hendrick. Uma sombra de satisfação feroz.

Eleonor voltou a encarar Azazel, e num piscar de olhos cortou-o ao meio, lançando a parte superior de seu corpo a alguns metros enquanto a parte inferior caia inerte no chão.

Fim da leitura

Capítulo 57 concluído

CAPÍTULO 57 - 55 – Golpe Final