Kairos — Capítulo 6: CAPÍTULO 6 - 5 – Balança

Kairos
Cap. 6
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CAPÍTULO 6 - 5 – Balança

Capítulo 6

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Capítulo 5 – Balança

Kairos

Ao sentar-se em uma das três únicas cadeiras, ele foi inundado por todo o conhecimento sobre os acontecimentos que antecederam seu nascimento.

A princípio, não conteve os sentimentos, emoções que julgava perdidas há milênios, e chorou, horrorizado ao compreender o destino reservado aos seres vivos.

Sem perceber, milênios se passaram desde sua chegada àquele lugar.

Daquele ponto, testemunhou o nascimento de milhares, heróis cujos nomes atravessaram gerações e foram celebrados pela sociedade moderna. Mas também viu a morte, a fome e a guerra.

Mesmo sem possuir um corpo físico, permanecia acorrentado àquele maldito lugar. Incapaz de se levantar, de mover sequer um músculo, assistia à tragédia do mundo como um prisioneiro do tempo.

Só poderia agir se houvesse permissão.

Com o passar das eras, sentiu-se cada vez mais inútil.

Sua posição era a de um mero espectador, um espectador de uma guerra sem fim.

Não estava só.

À sua frente, sobre uma grande mesa, repousava uma pequena balança, oscilando constantemente para seu lado ou para o lado da figura sentada diante dele.

A entidade diante dele chama-se ███████.

Enquanto ele desejava a paz, o outro ansiava pela destruição, por puro ódio dos seres vivos.

Ainda assim, essa entidade não podia agir.

Entre eles, ocupando a terceira cadeira, estava o mais importante dos três: ████. Sentado entre os dois, era ele quem intermediava, limitando as ações de ambos.

Mesmo possuindo poder suficiente para alterar as leis do universo ou extinguir toda a existência, abstinha-se.

Seu único propósito era manter o equilíbrio daquela maldita balança.

— O garoto da profecia, enfim, nasceu — exclamou o mais importante, sua voz ressoando com tal força que, uma vez ouvida, jamais poderia ser esquecida.

— Mas é apenas um reles humano sem importância — retrucou ███████ com desprezo. — Proponho que destruamos tudo agora. Sabemos que ele será apenas mais uma decepção, como todos os outros de sua espécie.

— Muito bem. Atenderei seu pedido, ███████ — disse o mais importante, estendendo lentamente sua mão espectral em direção à balança.

— Espere — interrompeu o primeiro ser, o que ansiava por paz.

— Tem algo a acrescentar? — indagou o terceiro, voltando o olhar para ele.

— Sei que estão cansados. E, sendo o mais novo entre nós, não posso sequer imaginar a extensão da vossa paciência… mas peço humildemente que aguardem apenas mais dois séculos. Deem ao garoto a chance de provar seu valor nesse curto intervalo.

— Não seja tolo! Com exceção de você, os humanos mal vivem um século. O que um simples mortal poderia realizar em tão pouco tempo? — rosnou o ser da destruição, impaciente.

— Cale-se. Estou pensando — disse o mais importante, seus olhos fixos na imagem do garoto.

O silêncio se estendeu por longos instantes, denso como o próprio tempo.

Então, sua voz ecoou como um decreto:

— Darei-lhe apenas um século. Se falhar em cumprir a profecia… destruirei todos os mundos. Fim da discussão.

A balança, sutilmente, inclinava-se para o lado da destruição. E, por mais que tentasse negar, ele sabia: sua esperança era apenas uma linha tênue, desgastada pelo peso dos milênios.

Fim da leitura

Capítulo 6 concluído

CAPÍTULO 6 - 5 – Balança