Legado Cósmico. — Capítulo 18: CAPÍTULO 18 - 17 O Vazio de um Caçador.

Legado Cósmico.
Cap. 18
0%
Legado Cósmico.

CAPÍTULO 18 - 17 O Vazio de um Caçador.

Capítulo 18

1.108 palavras~5 min de leitura

Capítulo 17: O Vazio de um Caçador.

Legado Cósmico.

Com o Wendigo guiando pela densa e enigmática Floresta Perdida, a trilha que Renier e Aura seguiam se tornou mais eficiente, mas não menos perigosa. Chegar ao local onde o primeiro pilar dessa floresta reside ainda seria uma jornada árdua.

A criatura caminhava à frente, imponente em sua forma grotesca: um corpo alto e esquelético, com a pele tão esticada que parecia rasgar em alguns pontos. O enorme crânio de cervo, adornado por chifres retorcidos, conferia-lhe uma aura quase sobrenatural, perfeita para se fundir à vegetação sombria que os cercava.

Aura mantinha-se vigilante. Não estava nem um pouco confortável com um monstro os guiando, sua katana firme nas mãos, pronta para qualquer movimento suspeito. Seus olhos seguiam cada passo do Wendigo, desconfiados e hostis.

Renier, por outro lado, parecia tranquilo. Havia algo na situação que atiçava sua curiosidade, fazendo-o acelerar os passos até ficar lado a lado com a criatura.

Com um sorriso despreocupado, Renier fitou o Wendigo, ainda que seus olhos não pudessem atravessar as profundas e vazias fendas do crânio.

— Ei, pode me contar um pouco sobre você? — perguntou ele, com genuíno interesse.

A criatura permaneceu em silêncio por um momento, intrigada com a calma quase desafiadora daquele garoto.

— Você já ouviu antes… — começou o Wendigo, com sua voz rouca e arrastada. — Nós somos assassinos. O gosto da carne e o desejo insaciável nos guiam. Uma fome eterna, um vazio que nunca se preenche.

Renier ouviu atentamente, seus olhos brilhando com uma curiosidade quase infantil. Ele desviou o olhar para a trilha à frente, refletindo sobre as palavras.

— Um vazio… — murmurou, como se provasse a palavra em seus próprios pensamentos. Essa ideia, esse sentimento, parecia persegui-lo de diferentes formas, vindo de tantos seres distintos.

Sem pressa, ele abaixou levemente a foice que carregava.

— E você? — indagou, sua voz suave e inquisitiva. — Como tenta preencher esse vazio?

A pergunta pairou no ar, inesperada. O Wendigo hesitou. Era algo que nunca havia considerado.

— Nós… comemos. Tentamos nos satisfazer. — A voz da criatura parecia vacilar, como se a resposta, antes tão óbvia, de repente lhe escapasse. — Mas o gosto do sangue… não é prazeroso.

Renier continuou observando-a, sem pressa de responder, permitindo que suas palavras ressoassem na mente do Wendigo. Algo no tom dele a desconcertava, como se, pela primeira vez, ela própria fosse forçada a encarar sua existência.

— Aos meu ver, você procura se libertar de algo que tanto tenta preencher… — disse Renier, com uma certa calma. — Você não come para viver, você come para se soltar, uma liberdade que você tanto deseja ao consumir a carne, o calor que os outros seres tem, estou certo?

Isso pegou a criatura desprevenida, Renier havia acertado profundamente em algo que nem mesmo ela se dava conta. — Eu procuro me libertar desse ciclo… — murmurou o Wendigo pensando a respeito.

Aura observando isso pelas costas dos dois, ficou pensativa a respeito de Renier. “Parece que Renier, já tem seus próprios meios de resolver as coisas, espero que ele não esteja errado”, disse ela, não negando a curiosidade em saber qual era o objetivo de Renier em tentar ser amigável com uma criatura como aquela.

Renier parou abruptamente, seus passos cessando de forma tão repentina que o Wendigo o imitou, inclinando levemente a cabeça em curiosidade. Aura, distraída e caminhando logo atrás, não conseguiu frear a tempo e acabou batendo nas costas de Renier.

— O que… O que foi? — perguntou ela. — Mas que… Por que parou assim? — reclamou ela, esfregando o nariz com uma careta de dor.

Renier não respondeu de imediato. Seus olhos se estreitaram enquanto erguia a foice, segurando-a em uma postura de ataque. Sua voz saiu baixa, mas carregada de urgência.

— Não estamos sozinhos… — sussurrou ele.

As palavras gelaram o ar ao redor. O Wendigo enrijeceu suas garras flexionando enquanto seu corpo se inclinava levemente para frente, atento. Aura reagiu rapidamente, girando para cobrir as costas de Renier. Encostou-se de leve nele, sua katana erguida em posição defensiva, os olhos varrendo os arredores.

— Estou de olho em tudo. — murmurou Aura, sua voz calculada e firme.

O Wendigo, assumindo sua postura de predador, farejou o ar profundamente, seus sentidos apurados tentando captar qualquer ameaça. Após alguns segundos, ele falou com frustração.

— Nada… Não há presença alguma.

Aura, sem encontrar sinais de perigo, relaxou os ombros por um breve instante e lançou um olhar impaciente a Renier.

— Você tem certeza? Não está imaginando coisas?

Renier permaneceu em silêncio, os olhos fixos em algo invisível na vegetação escura. Seus dedos apertaram o cabo da foice. De repente, sua voz ecoou como um trovão, baixa, mas carregada de urgência.

— Para o lado! Vocês duas agora! — gritou Renier.

Sem hesitar, todos pularam em direções opostas, dispersando-se pelo terreno. No mesmo instante, um som aterrorizante rasgou o silêncio, como madeira quebrando e folhas se partindo. Um monstro colossal caiu das copas das árvores, sacudindo o solo com seu impacto.

A criatura era imensa, sua silhueta deformada lembrando o tronco de uma árvore antiga e retorcida. Seu corpo era coberto por folhas mortas, secas e apodrecidas que caíam com cada movimento. Seu rosto, se é que podia ser chamado assim, era uma máscara de escuridão. No vazio absoluto, quatro olhos vermelhos brilhavam de forma sinistra, como chamas vivas.

— O que é isso? — murmurou Aura, estreitando os olhos enquanto se ajustava à nova ameaça.

O Wendigo rosnou baixo, como um animal acuado. Sua voz saiu grave e séria:

— Um Pesadelo. Eles são impossíveis de matar. Nem mesmo esta forma que vemos é real.

Renier arqueou uma sobrancelha, seu olhar fixo nos olhos ardentes da criatura. Um sorriso provocador surgiu em seu rosto.

— Então ele se diverte brincando com o medo das suas presas? — Sua voz tinha um tom quase divertido. — Essa aparência é só um teatro barato pra assustar.

Aura riu de canto, seus olhos avaliando o monstro de cima a baixo.

— Bom, se é pra assustar, ele está fazendo um péssimo trabalho. Não sinto nada olhando pra essa coisa patética.

Renier, entretanto, manteve o foco. Algo estava fora do lugar. Seus olhos captaram a hesitação sutil no Wendigo, algo que não era comum.

— Ele não está tentando nos assustar, Aura. — Renier disse, sua voz se tornando fria e analítica. — Ele está mirando no Wendigo. Para ele, nós não somos uma ameaça. O predador aqui… é ela.

O Pesadelo avançou lentamente, cada movimento exalando malícia e intenção calculada, enquanto Renier ajustava sua postura, pronto para a batalha. Renier entendeu que o Wendigo aqui era o predador, então alguém seria o predador dela, e muito provavelmente era esse monstro, sua preocupação não nós os notaria até derrubar o Wendigo.

Continua…

Fim da leitura

Capítulo 18 concluído

CAPÍTULO 18 - 17 O Vazio de um Caçador.