Leia o VentoCAPÍTULO 160 - 160 - A lenda de Ben
Capítulo 160Capítulo 160 - A lenda de Ben
Leia o Vento
O beco onde Ben pisava parecia respirar junto com ele. A cada passo, o chão vibrava como se reconhecesse o peso de alguém que já não era o mesmo de antes. Seu olhar, antes tímido, agora era o de um homem pronto para morrer em nome do que acreditava. O casaco preto balançava suavemente com o vento. A fumaça do cigarro subia em espirais preguiçosas, contrastando com a tensão que crescia no ar. Ao seu redor, sombras de postes refletiam sua silhueta como se até elas temessem o que estava por vir.
Os 400 delinquentes se espalhavam em ondas à frente dele. Riam. Zombavam. Alguns sequer reconheciam seu rosto. Mas entre eles, haviam veteranos. Homens que sabiam quem era Benjamin Reus. E nesse momento, souberam que era tarde demais para fugir.
— Vocês vieram ao túmulo de vocês — murmurou Ben, cuspindo o cigarro no chão, esmagando-o com a sola do tênis. — Então venham.
O ar ao redor de Ben distorceu-se. O chão começou a rachar sob seus pés. A aura era invisível para olhos comuns, mas os sensíveis a poder sentiram. Era como se o próprio peso da existência dele se amplificasse. O som sumiu por um segundo. O beco, antes largo e barulhento, ficou mudo. Só havia ele. E o som do primeiro passo em direção ao massacre.
O primeiro grupo de dez avançou. Eram rápidos, experientes, com barras de ferro, correntes e até facas. Ben avançou com uma expressão fria. Seu punho se moveu como uma onda negra. O primeiro foi lançado no ar, o segundo afundado contra o chão com um chute no pescoço. O terceiro… nem viu o soco vir.
— Um… — Dois… — Três…
A cada número, um corpo caía. O som era como ossos sendo quebrados em sinfonia. E ainda assim, ele não parava.
Do alto de um prédio próximo, Hiroshi, Philips e Yoru observavam.
— Isso é… o Ben? — Philips perguntou, surpreso. — Essa aura… parece uma tempestade acumulando poder — disse Hiroshi, cruzando os braços. — Ele está se segurando. — Ele tá nos mostrando que não precisa mais ser salvo… — murmurou Yoru com um sorriso orgulhoso. — Agora, ele salva os outros.
Enquanto isso, do outro lado da cidade, Sophie, ainda com o uniforme escolar, olhava para o céu da tarde alaranjada. Sentia uma ansiedade estranha no peito, como se algo dentro dela dissesse que o mundo estava prestes a mudar.
— Ben… eu confio em você.
De volta à batalha…
Ben já havia derrubado cinquenta. O rosto coberto de sangue e suor. Seus olhos ainda queimavam. Os músculos gritando, mas seu espírito estava mais afiado do que nunca. Quando outros tentavam acertá-lo com paus e barras, ele desviava por milímetros e respondia com golpes cirúrgicos, destruindo clavículas, estourando costelas, nocautes limpos e brutais.
Veio o centésimo homem. Um brutamontes com quase dois metros e meio, olhos vermelhos de raiva e uma marreta gigante. Ele gritava como um touro, correndo em direção ao garoto.
Ben não recuou. Correu também. Quando os dois se chocaram, o chão explodiu em poeira. Mas Ben desviou no último segundo, girou o corpo e aplicou um chute duplo nas costas do homem, seguido de um soco ascendente tão forte que quebrou o maxilar do oponente, fazendo-o voar por cima de uma cerca.
— Cem. Próximo.
Do outro lado da cidade…
Danilo, ainda jogando xadrez, observava as peças com tédio. Um subordinado correu até ele.
— Senhor… ele já derrubou 140.
Danilo não tirou os olhos do tabuleiro. Moveu a torre branca e sorriu.
— 140 peões não derrubam um rei. Mas quando um peão evolui… vira uma dama. Hoje, se o Ben não se tornar paraplégico… ele vai se tornar uma lenda da segunda geração.
A noite descia como um manto pesado sobre os prédios da escola 25. As ruas em volta estavam tomadas por fumaça, gritos ao longe e o som das pancadas ecoando como trovões. O caos reinava. E no centro dele, uma sombra avançava impiedosamente. Ben, envolto em sua aura negra e densa como breu, caminhava lentamente por entre os becos estreitos, o casaco balançando com o vento. Um cigarro preso entre os lábios tremia suavemente a cada passo, os olhos semicerrados estavam fixos na horda de delinquentes vindo em sua direção.
Não havia mais espaço para dúvidas. Era matar ou morrer. O rosto dele não mostrava medo. Apenas frieza. Determinação.
— Vocês… — ele murmurou, soltando uma pequena fumaça para o ar — vieram ao lugar errado.
O primeiro a avançar foi um grandalhão de cabelos verdes e braços como troncos. Ben girou o corpo, desviando do soco brutal, e cravou o joelho no queixo do inimigo. O som da mandíbula quebrando foi abafado pelos gritos dos que vinham atrás. Ben girava, pulava, socava, chutava. Era como se cada movimento fosse ensaiado por horas — mas era apenas pura vontade. Cada golpe era impulsionado pelo desejo de proteger Sophie. De nunca mais ser impotente como fora diante de Philips.
A cada queda de um inimigo, mais vinham. Mas ele não parava. Não hesitava.
Na escola 25, enquanto Ben guerreava, o Yoru assistia a tudo de um ponto elevado, com o sistema ativo ao seu lado.
— Agora, é o momento. — Yoru disse para si mesmo. — Se eles acham que só o Ben é o problema, vão ter uma surpresa.
Ele apertou os punhos, e ativou o comando tático da sua unidade. Philips, Kaito e Bunkjae já estavam em movimento, atravessando uma das passagens subterrâneas da cidade, liderando um ataque surpresa.
O céu parecia pesar mais quando os três chegaram nas imediações da escola 35. Mas eles não estavam lá para hesitar. O objetivo era simples: quebrar a linha de defesa e provocar o caos.
Quando chegaram à entrada, se depararam com ele: Mikhail. Alto, corpo esguio, rosto frio como uma rocha e olhos vazios. O número 6 da escola 35 estava ali, esperando como se soubesse que o confronto era inevitável.
— Bunkjae… — Mikhail falou calmamente — então foi você quem sobreviveu ao ataque da zona leste.
— Não estou aqui pra falar sobre isso. — Bunkjae respondeu. — Estou aqui pra saber se você tem ideia do que está fazendo, lutando por um cara como o Haruto. A escola 25 não é nossa inimiga. Nós estamos tentando sobreviver. Você deveria saber disso.
Mikhail piscou, e em um movimento súbito, sacou uma arma de fogo de dentro de seu casaco. O disparo foi seco, direto. A bala atingiu Bunkjae no ombro, fazendo-o recuar com um grito abafado.
— Você fala demais. — Mikhail disse, frio.
— Seu desgraçado! — Philips gritou, avançando como uma besta selvagem.
Kaito o seguiu, os dois golpeando Mikhail com uma fúria incontrolável. Philips o agarrou pelo braço e o arremessou contra um dos pilares, enquanto Kaito o acertava com uma sequência de chutes. Mikhail caiu, tossindo sangue, mas ainda sorrindo.
— Vocês acham que isso é o bastante pra me parar? — ele sussurrou, enquanto cuspia sangue.
Enquanto isso, Bunkjae tentava se levantar, pressionando a ferida no ombro. Philips correu até ele.
— Consegue continuar?
— Se for pra proteger vocês… eu continuo até morrer. — Bunkjae respondeu com os dentes trincados.
E então, em outro ponto da escola 35, o Haruto estava sentado em uma poltrona de couro, com as luzes da sala apagadas. Seus olhos estavam fechados. Mas, de repente, um som cortou o silêncio.
[AVISO! VOCÊ ESTÁ LIBERADO PARA LUTAR!]
Os olhos dele se abriram lentamente, um brilho dourado e ameaçador explodindo em suas íris. A tela do sistema piscava em frente ao seu rosto.
[INICIANDO A MISSÃO…]
[OBJETIVO: Recupere suas tropas – Recompensa: 24 baús incomuns]
[SUA MISSÃO COMEÇOU!]
Haruto se levantou. Um sorriso diabólico surgiu em seu rosto.
— Está na hora…
No exterior, a cidade se tornava um campo de batalha cada vez mais cruel. Ben, com os punhos ensanguentados, continuava avançando. Centenas de corpos estavam no chão. Mas ele mal respirava.
— Mais… venham mais… — ele murmurava, ofegante.
No topo de um dos prédios, Ryuji observava a batalha ao lado de Yoru.
— Ele está… diferente. — Ryuji disse.
— Não é mais o mesmo Ben. — Yoru concordou. — Ele já é uma lenda… só falta o mundo perceber.
E no fundo da escola 35, Danilo estava em pé diante de um grande tabuleiro de xadrez. O mordomo o observava em silêncio.
— Senhor Danilo… se o Ben sobreviver a isso…
Danilo colocou uma peça no tabuleiro com calma. Um peão, movido à frente.
— Ele vai sobreviver, eu acho que, o Ben, já provou seu valor nesta noite, ele botou seu nome na história das 35 escolas do Japão para sempre!
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