Memórias Perdidas — Capítulo 140: CAPÍTULO 140 - 139 - O Falso Imperador III

Memórias Perdidas
Cap. 140
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Memórias Perdidas

CAPÍTULO 140 - 139 - O Falso Imperador III

Capítulo 140

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Capítulo 139 - O Falso Imperador III

Memórias Perdidas

Brigitte correu pelo outro lado, veloz, quase como um borrão roxo. Para qualquer inimigo normal, aquilo seria impossível de acompanhar, mas para Kael, não. Ele virou o punho e liberou uma rajada curta e densa. O impacto seco atingiu Brigitte na cintura e a lançou para cima, batendo nas vigas baixas antes de cair no chão com um gemido abafado.

Kael bufou alto, com irritação, como se estivesse sendo obrigado a perder tempo naquele combate.

— Vocês são rápidos. E fortes. Alguns até… talentosos. — seus olhos se estreitaram. — Mas não sabem nada sobre estratégia. Essa é a diferença entre nós. Eu conheço os peões e o tabuleiro. Vocês não.

Os capangas restantes se reagruparam, formando um semicírculo em torno do salão. Os elfos avançaram para atacar Niko; dois homens comuns correram em direção a Evelyn; olobisferido cambaleou em investida pesada contra Brigitte. E o chefe, atrás deles, movia o ar nos momentos mais críticos.

O trio foi engolido pelo ataque conjunto. Niko bloqueou a adaga de um elfo com a lâmina da foice e girou para fugir de outro ataque de Kael, lançando uma faca e usando aAlmaem uma curta distância, evitando o corte de vento que acertaria sua garganta.

Evelyn defendeu dois golpes com o rifle, congelou o segundo inimigo, mas perdeu o equilíbrio quando uma rajada de ar surgiu sob seus pés. Brigitte levantou rápido e golpeou olobis, correndo perto de Kael, mas foi empurrada para longe pela ventania que o chefe usava para impedir sua aproximação.

Niko atacou um dos elfos com um giro lateral, mas o vento de Kael desviou o inimigo antes mesmo de a lâmina completar o arco. Não adiantava. Cada ofensiva deles era quebrada antes de nascer — como se o chefe já tivesse calculado tudo três movimentos antes. Precisavam quebrar a barreira de ar… mas como?

Foi então que as palavras do homem voltaram à mente do garoto como parte de um sussurro arrogante: “Mas não sabem nada sobre estratégia. Essa é a diferença entre nós.” Ele odiou admitir, mas era verdade. Força e velocidade não bastavam ali. Lutar de frente contra Kael era uma clara derrota. Se quisessem vencer — ou ao menos sobreviver — precisavam virar o tabuleiro. Precisavam de uma estratégia. Uma que ele, Kael HinekÁnemo, não pudesse prever.

Kael ergueu a mão direita, devagar, como alguém prestes a esmagar um inseto. O ar ao redor dele se curvou imediatamente, distorcendo as lamparinas e fazendo as chamas dobrarem para os lados. Uma pressão brutal tomou o salão, e o vento se condensou em uma única rajada monstruosa prestes a ser liberada. Era nítido para qualquer um ali: aquele era seu golpe mais forte e iria aniquilar o grupo.

— Evelyn! — gritou Niko.

— Já vi! — a elfa ergueu as duas mãos ao mesmo tempo.

Niko lançou uma faca ao lado dela — a lâmina ainda estava no ar quando ativou oPortal. Ele apareceu instantaneamente ao lado de Evelyn, a foice erguida, parecia que o ar estava sendo sugado de seus pulmões, difícil de respirar. Brigitte avançou em disparada, quase tropeçando com a força da ventania, mas se juntando aos dois a tempo.

Uma grossa parede curva de gelo subiu do chão azul, translúcida, mas dura como aço. A garota bateu o pé no chão para reforçar a estrutura — quatorze centímetros de puro cristal gélido.

Finalmente, o ar comprimido foi lançado e um poderoso vendaval bateu contra a muralha como um aríete invisível. O impacto foi tão forte que o gelo rachou imediatamente, criando fraturas por toda a extensão.

Evelyn cerrou os dentes. Os músculos tremiam por todo o corpo pelo esforço. A pressão era tanta que seus pés foram empurrados alguns centímetros para trás. Estava dando tudo de si para frear o ataque, mas não parecia ser o suficiente.

No pior momento possível, a segunda rajada veio ainda mais forte, cortando o ar como uma lâmina gigante. Uma parte ainda maior da muralha explodiu em fragmentos translúcidos quando o vento atingiu o centro da parede, lançando pedaços de gelo para todos os lados.

Evelyn soltou um gemido involuntário enquanto o impacto estourava contra seus braços, usando sua Alma o mais rápido que podia.

— Essa parede não vai durar! — disse Brigitte, tensa.

— A gente precisa pensar rápido. — respondeu Niko, com a respiração pesada, ajeitando a posição da foice.

— Pensar o quê? A gente vai resolver isso como, exatamente?! A gente tá lutando contra um furacão! Esse cara deve ser equivalente a cincolufadores!

A muralha estalou com mais força. Evelyn arfou quando um dos estilhaços se cravou no próprio ombro. Ela caiu de um joelho, segurando a parede com as duas mãos abertas, como se estivesse segurando um teto caído.

Niko fechou os olhos por dois segundos, raciocinando rápido, mas com foco. Atacar o Kael de frente era inútil. Eles tentaram e foram quase varridos do mapa. Balas não funcionavam. O gelo de Evelyn não impediria o golpe por muito mais tempo. A velocidade de Brigitte não o pegava de surpresa.

“Isso não é uma luta de resistência, nem uma luta de força… é xadrez. Kael é o rei e tem o conhecimento do tabuleiro inteiro.” — pensou o garoto, aplicando a lógica de Kael em seu pensamento.

“Se não dá para vencer o rei… Então basta derrubá-lo da mesa. Neutralizar a peça. Impedir que ele jogue.”

— Ele é o maior problema. — murmurou Niko, finalmente abrindo os olhos.

— A gente percebeu, ô gênio! — Evelyn retrucou.

As rachaduras se expandiram com um estalo mais alto, como um osso quebrando. Evelyn engasgou com a própria respiração.

— Se ele é o maior problema… — Niko continuou, com a voz acelerada — então precisamos neutralizar o maior problema. Agora.

Ele enfiou a mão no manto e tirou duas facas, entregando uma para cada uma delas. As duas olharam as armas rapidamente, já entendendo o plano sem ele precisar explicar por inteiro.

— Quero vocês duas com essas. — disse Niko, firme graças à estratégia. — Usem suasAlmas. Em conjunto se possível. A gente precisa chegar perto dele sem ele perceber. Perto o suficiente para que ele não consiga usar o vento sem perder a cabeça junto.

Brigitte segurou a faca com força, os olhos violeta brilhando sob a máscara. Evelyn mordeu o lábio por detrás do pano e levantou o rosto, mesmo tremendo. Pensou em dizer que a melhor opção agora era fugir, mas sabia que Niko não compraria a ideia.

— Chegar perto dele é suicídio. — murmurou a elfa.

— Talvez. Mas é isso ou a gente morre agora.

Fim da leitura

Capítulo 140 concluído

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