Memórias PerdidasCAPÍTULO 42 - 41 - Elythera est Aeterna
Capítulo 42Capítulo 41 - Elythera est Aeterna
Memórias Perdidas
O livro começou com aquela forte citação. Niko prendeu o ar por um segundo. “Elythera est aeterna”… Aquele início (não tão inicio assim, pois oalbocernopulou o prefácio) chamou sua curiosidade. Mal podia esperar para saber o que seria o tal “Império Angelical Eterno”.
Virando a página, encontrou o sumário. Duas páginas com divisões, capítulos, datas e subtítulos. Ele passou os olhos devagar por cada uma delas.
Com o fim da primeira página do sumário, Niko começou a ler a segunda.
A cada linha que lia, Niko sentia como se estivesse abrindo uma porta para algo antigo e esquecido. As palavras“Colapso Misterioso”e“Legado dos Anjos”ficavam ressoando na sua mente. Ele queria entender o que foi esse Reino Eterno e por que, mesmo depois de tudo, ele ainda era tão relevante.
Virou a página de novo, quase sem respirar.
A introdução do primeiro capítulo seguiu descrevendo como era o modo de vida das primeiras civilizações do mundo antigo em todos os continentes. Sendo essas sedentárias, vivendo de agricultura e pecuária em cidades-Estado, pequenos reinos ou até mesmo em alguns impérios, que nasciam e morriam rápido.
Perto do final da introdução, o escritor cita um dos lugares mais avançados do mundo arcaico, O Mar deSaqiien, um mar entre os continentes deSolariaeKhalidiya. Lar de diversos pequenos povoados descentralizados. Um local de riqueza cultural e histórica enorme.
Niko imaginou os barcos navegando sobre aquele mar — mercadores, pescadores, aventureiros — todos trocando mais que mercadorias. Trocavam ideias. Sabedoria. Um mundo que se construía pela dispersão e troca de conhecimento.
As páginas seguintes listavam povos e culturas:
Endovia— seus habitantes viviam em um arquipélago montanhoso, que se destacava pelas comunidades com forte identidade coletiva.
Caltrônia— com navegadores habilidosos, explorando rotas marítimas para o comércio. Também possuíam várias tradições artísticas, com música e dança.
Braqielus— localizado em uma região de climas amenos e terras férteis. Possuía uma avançada infraestrutura para sua época.
Qädimar— estando às margens de rios férteis em meio a vastos desertos. Eram conhecidos por seus templos majestosos e estruturas simbólicas.
Niko não sabia o que era mais impressionante: a diversidade de boas culturas ou o fato de que tudo isso precedia até mesmo a existência dosAnjos.
A empolgação doalbocernodiminuiu. O capítulo seguinte era bem mais técnico do que leu até agora — estruturas agrárias, cadeias de poder, organização territorial… e consequentemente, era mais chato
Niko bocejou. Por mais importante que fosse para o contexto histórico, aquela parte parecia arrastada. Ele piscou mais devagar, os olhos começaram a escorregar pelas palavras.
Até que ele não suportou mais. Com um leve suspiro, pegou o marca-página de fita e o colocou entre os papéis, marcando a página “23” no livro. Deixou-o sobre a mesinha à sua frente e encostou-se no banco.
“Nunca imaginei que este mundo fosse tão complexo…”, pensou ele, olhando pela janela. Mas tudo o que viu foi um embaçado branco — a paisagem ocultada pelo frio condensado no vidro.
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