Metade de Uma VidaVolume 1 – Prólogo – Prólogo: O lugar Onde vou Morrer
Capítulo 1CIDADE DE URESHINO, PROVÍNCIA DE SAGA.
Dez horas exaustivas de viagens de trem e baldeações haviam se passado desde que deixei Miyagi. Mas, finalmente, eu havia chegado ao meu destino: a Estação Ureshino-Onsen.
Depois de passar metade do dia sentado, minhas costas inteiras gritavam de dor, como se pudessem se partir a qualquer momento. De longe, a pior parte havia sido a viagem de Shinkansen de Tóquio até Hakata. O homem sentado ao meu lado monopolizara teimosamente o apoio de braço compartilhado, obrigando-me a permanecer numa posição apertada e desconfortável por quase cinco horas.
Quando finalmente desembarcamos em Hakata, lancei-lhe um olhar de esguelha, já preparado para lhe dizer umas boas. Mas, no último instante, me contive. Observei enquanto ele puxava contra o peito o braço que estivera apoiando e, de maneira desajeitada, tentava retirar a bagagem do compartimento superior usando apenas a mão livre.
Pensando bem, ele havia usado aquela mesma mão durante toda a viagem para pegar o celular e as bebidas. Não se recusara a dividir o apoio de braço por maldade; simplesmente precisava de um lugar para sustentar o braço machucado. Se realmente estava lidando com alguma lesão, então certamente tinha uma boa justificativa.
É claro que compreender a situação dele não fez absolutamente nada para aliviar minhas próprias articulações rígidas e doloridas.
Consolando mentalmente minhas pobres costas, que já haviam sofrido demais, atravessei a plataforma a passos pesados e segui em direção à saída.
— É bem melhor do que eu esperava — murmurei para mim mesmo.
Ao que parecia, o prédio da Estação Ureshino-Onsen era praticamente novo, tendo sido construído apenas em 2022. Porém, no instante em que dei um único passo para fora daquela instalação impecável, uma onda de calor impiedosa e sufocante atingiu meu corpo.
Era terça-feira, 12 de agosto, exatamente um dia antes do feriado de Obon, bem no auge do período mais escaldante do ano. O calor fazia o ar tremeluzir sobre o asfalto, enquanto a luz do sol refletida no pavimento parecia tão castigante quanto o próprio ar. A intensidade era suficiente para me deixar tonto antes mesmo de eu sair direito das imediações da estação.
— Não é como se eu não tivesse me preparado para isso... — murmurei, já sentindo o calor penetrar meu corpo. — Mas...
Fazia um mês desde que eu voltara da China. Considerando que passei todo esse tempo enfurnado em casa como um completo recluso lá no norte, em Miyagi, não era de se admirar que essa mudança repentina de clima estivesse acabando comigo.
O calor praticamente queimava a pele exposta do meu pescoço e dos braços. Isso, somado ao suor que imediatamente começou a brotar dos meus poros, deixou claro que o calor daqui estava em outro patamar. Era literalmente um nível acima.
— Está tão quente que quase me faz esquecer por que eu vim até aqui em pri——Argh...!
Assim que as palavras saíram da minha boca, uma pontada violenta e pulsante atravessou minhas têmporas. Uma enxaqueca.
— Como se vir até Kyushu fosse me curar milagrosamente...
A dor em si era algo que eu conseguia suportar, mas a sensação de mal-estar e o cansaço que vinham junto dela não eram tão fáceis de ignorar. Essas crises vinham ocorrendo com frequência desde que retornei ao Japão. O médico as diagnosticara como enxaquecas crônicas e me alertara de que estavam prejudicando significativamente minhas funções cognitivas e minha capacidade de concentração. Em outras palavras, um caso grave de névoa mental.
Uma fina névoa parecia pairar constantemente no fundo da minha mente, e quanto mais eu tentava me aprofundar em algum pensamento, mais espessa ela se tornava. Ideias que antes eu conseguia organizar num instante agora frequentemente perdiam a forma no meio do caminho.
O médico havia recomendado enfaticamente mudanças no meu estilo de vida e medicação preventiva, mas eu recusei categoricamente. Eu já não tinha motivo algum para recuperar minha saúde.
A única razão pela qual fiz questão de parar em Ureshino era para ter um último descanso. Não escolhi aquela cidade por nenhum motivo especial. Ela simplesmente ficava perto o bastante do meu destino final, e pensei que poderia aproveitar para relaxar por bastante tempo nas águas termais e purificar meu corpo no fim de tudo.
Não passava de um breve desvio.
— Quente demais para ficar parado aqui... — murmurei.
Ficar ali sem fazer nada não me levaria a lugar algum. Afastei-me do prédio da estação e logo avistei um monumento bastante estiloso com a palavra "URESHINO". Ao me aproximar, percebi que as letras pareciam ter sido esculpidas em pedra ou moldadas em concreto. Uma fina camada de água as cercava, fluindo tranquilamente em círculo ao redor da base.
Hesitante, mergulhei os dedos nela. Estava morna. E não era apenas porque ficara exposta ao abafado ar do verão. Aquilo era um teyu, um banho público para as mãos.
Seria apenas água da torneira aquecida ou água termal de verdade?
Não dava para saber apenas tocando de leve. Mas, assim que juntei as mãos em concha para pegar um pouco da água e sentir o cheiro, uma onda agonizante de dor atingiu meu crânio, superando instantaneamente qualquer dor de cabeça que eu já tivesse sentido.
— Argh...!
Meu corpo se projetou violentamente para a frente. Apoiei as duas mãos com força na borda de pedra do banho para as mãos, conseguindo me segurar por pouco antes de desabar. Quase no mesmo instante, um zumbido agudo e penetrante tomou conta dos meus ouvidos, abafando gradualmente todos os sons ao redor.
O mundo diante dos meus olhos começou a piscar em clarões breves e ofuscantes. Quaisquer pensamentos aos quais eu ainda tentava me agarrar se dissolveram sob uma crescente maré de estática. Minhas mãos e meus braços ainda estavam ali diante de mim, mas eu não conseguia focá-los direito. Seus contornos se borravam, se sobrepunham e oscilavam de maneira instável.
Uma leve náusea começou a se formar no meu estômago. Minha boca se moveu antes mesmo que eu decidisse conscientemente fazer qualquer coisa, e soltei uma longa e lenta expiração.
— Fuuuu...
No instante em que o ar deixou meus pulmões, o desconforto em meu corpo começou a diminuir gradualmente. Respirei fundo uma segunda vez e depois uma terceira. Permaneci completamente imóvel naquela postura curvada, esperando a tempestade passar.
Pouco a pouco, a dor debilitante e o desconforto foram recuando. Aquilo havia sido muito mais intenso do que qualquer dor de cabeça que eu já sentira.
Não... chamar aquilo de "dor de cabeça" sequer parecia correto. Tanto o lugar onde eu sentira a dor quanto a própria natureza dela eram tão diferentes que aquilo poderia muito bem ter sido outra coisa completamente distinta.
......
...Acho que estou bem agora.
Ergui lentamente a cabeça e examinei meu corpo com cuidado, tentando confirmar se aquela dor ofuscante no crânio — e em todo o resto — havia realmente passado.
— Que diabos foi isso agora...?
Em circunstâncias normais, uma pontada de dor como aquela me faria suspeitar de alguma doença grave e oculta. Ainda assim, minha intuição dizia que não se tratava de nada patológico. É claro que eu não tinha prova alguma disso. Era apenas uma sensação.
Enquanto estabilizava minha respiração, meu olhar voltou para o monumento do banho para as mãos no qual eu acabara de me apoiar.
— Espera... A escrita não está... errada?
Quando me aproximei daquela estrutura de pedra pela primeira vez, poderia jurar que estava escrito "URESHINO". Mas, olhando agora, lia-se "UR SHINO", com um espaço estranho entre o "R" e o "S", exatamente onde o "E" havia desaparecido.
Mal comecei a me perguntar por que aquela única placa com a letra havia sumido quando encontrei a resposta. No chão, bem ao lado dos meus pés, estava a placa solitária com o "E". E não parecia ter simplesmente caído por causa de um adesivo fraco. Havia marcas irregulares indicando que alguém a havia quebrado de propósito usando força bruta.
— Que coisa escrota de se fazer... — murmurei.
Também não podia ter acontecido há muito tempo. Se outra pessoa tivesse percebido uma parte do monumento da cidade jogada no chão, certamente a teria recolhido, mesmo que não pudesse consertá-la na hora.
Olhei ao redor.
Foi então que avistei dois estrangeiros, um homem e uma mulher, ambos carregando grandes mochilas nas costas.
— Foram... aqueles dois?
Eu não fazia ideia de há quanto tempo estavam ali, mas estavam virados na minha direção. Seus olhos permaneciam escondidos atrás de enormes óculos escuros enquanto me encaravam com evidente irritação. Os dois emanavam uma arrogância hostil, parecendo exatamente o tipo de gente louca para arrumar briga com algum desconhecido.
As chances de terem sido eles que vandalizaram a placa pareciam bem altas, especialmente porque eu não conseguia encontrar nenhum outro suspeito provável por perto.
Ainda assim, ir até lá confrontá-los seria um completo desperdício de saliva. Entrar numa discussão acalorada com gente daquele tipo dificilmente resultaria numa confissão. E, mais importante, um pedido de desculpas não faria o monumento se colar magicamente de volta.
Enquanto eu os encarava, o casal pareceu resmungar algumas reclamações um para o outro antes de chamar um táxi que passava por perto e ir embora dali.
Eu poderia simplesmente ter apoiado a letra quebrada em algum lugar visível perto do banho para as mãos. Embora soubesse que esse seria o caminho mais fácil, meus pés se moveram por conta própria. Peguei a pesada placa, dei meia-volta e segui direto para dentro da estação.
Pouco depois, encontrei um funcionário caminhando pelo prédio. Entreguei a placa a ele e simplesmente disse que a havia encontrado caída lá fora.
Então refiz meus passos e voltei para fora. Embora o funcionário tivesse me agradecido, ele me lançou um olhar extremamente desconfiado, como se dissesse: "Não foi você que quebrou isso?" Como eu já estava ali, pensei em aproveitar de verdade o banho para as mãos por alguns minutos. Mas a incômoda sensação de estar sendo observado me fez olhar por cima do ombro.
Atrás de mim, o funcionário da estação continuava me encarando intensamente. Entendendo o recado, desisti do banho e comecei a me afastar.
Uma olhada no quadro de horários revelou que eu ainda teria de esperar um pouco até o próximo ônibus chegar.
— Acho que vou ter que matar um pouco de tempo...
Com isso em mente, voltei minha atenção para um elegante prédio branco a pouca distância dali. Uma quantidade razoável de pessoas estava reunida ao redor dele e, pelo que parecia, vendiam sorvetes e bebidas geladas.
Experimentar alguma coisa típica dali certamente parecia mais interessante do que qualquer coisa que estivesse numa máquina de vendas, mas… minha hesitação foi interrompida por uma vibração no bolso lateral da minha mochila.
Peguei o celular e vi o nome "Nikaido Ren" na tela. Era um nome familiar. E não de uma maneira boa.
Aquele cara está me ligando? Ele nunca ligaria a menos que alguma coisa realmente séria tivesse acontecido, mas...
— Alô…. — respondi em voz baixa, atendendo apesar da desconfiança que ainda sentia.
— Peço desculpas por ligar tão de repente.
Em vez de Ren, uma voz familiar e frágil ofereceu um tímido pedido de desculpas do outro lado da linha.
— Kagura, é você? — perguntei. — É raro você usar um celular.
— Eu tive que insistir, mas peguei o celular do meu irmão emprestado por um tempo. Eu estava preocupada com você, Ryoya-san.
Foi o que ela disse.
— Preocupada, é? Eu estou perfeitamente bem — respondi.
— Então por que você simplesmente saiu de viagem sem sequer vir nos ver uma única vez?
— Eu sei que ir embora sem me despedir foi uma mancada — respondi. — Mas relaxa, daqui a alguns dias eu volto para dar as caras.
— Alguns dias... Você está falando a verdade?
Será que esse ônibus não vai chegar nunca?
Sem nem perceber, eu já estava olhando para a estrada, desesperado por alguma desculpa para encerrar a ligação.
— Sua presença é insubstituível para nós, Ryoya-san... — Ela fez uma breve pausa antes de continuar. — Você é muito importante para nós.
— Importante? — perguntei. — É isso que você pensa, Kagura? Ou será que...
— Você já deveria saber a resposta, não deveria? Nós precisamos do seu poder.
— Imaginei.
A palavra "nós" dizia tudo. Não eram os sentimentos pessoais de Kagura. Eram as pessoas por trás dela que precisavam de mim. Não... falando mais precisamente, elas apenas queriam me manter sob controle, me vigiar de perto.
— Tudo o que você precisa fazer é permanecer ao nosso lado.
Eu já sabia disso. Não fazer nada. Não ser nada.
Essa era a maior contribuição que eu poderia oferecer. Mesmo sabendo disso, talvez ela apenas quisesse confirmar uma última vez.
Um sorriso fraco e vazio surgiu em meu rosto. Desviei o olhar para uma máquina de vendas próxima, apenas para dar aos meus olhos alguma coisa em que se concentrar.
— Fico um pouco aliviado de ouvir sua voz, Kagura — disse por fim. — Mas desculpa, preciso que transmita uma mensagem ao velho. Diga para ele apenas continuar de olho nas coisas por mais alguns dias.
Respondi como se estivesse tentando fugir.
Se alguém me perguntasse se eu havia retribuído por completo a dívida que tinha com eles por terem me criado, eu não poderia afirmar isso de cabeça erguida. Na verdade, provavelmente causei muito mais problemas do que fui capaz de ajudar.
Não era como se eu não sentisse culpa alguma.
Porém…
Eu já não podia mais ser útil para eles. Fui para a China e, antes que percebesse, encontrei uma única resposta.
Por que tomei aquela decisão? Por que as coisas acabaram daquele jeito?
Sempre que tentava encarar a verdadeira causa de tudo aquilo, sempre que tentava realmente refletir sobre o passado, meu cérebro rejeitava a tentativa de forma automática e violenta. Na verdade, minhas enxaquecas começaram a piorar justamente naquela mesma época.
E agora, no instante em que minha mente começou a seguir por aquele caminho, uma dor familiar e pulsante voltou a latejar atrás das minhas têmporas.
— Hum... Ryoya-san, você está sozinho agora, não está?
— Não. Minha namorada está tomando sorvete aqui do meu lado.
— Por favor, poupe-me dessas piadas sem graça.
— Foi mal. Mas, falando sério, não precisa se preocupar. Estou mesmo sozinho. Confie em mim.
— É mesmo? Entendo. Vou confiar em você.
Mesmo que tivesse suas dúvidas, pelo telefone ela não tinha escolha além de acreditar na minha palavra.
— Enfim, independentemente do que você realmente pensa, eu fiquei sinceramente feliz por você ter ligado para saber como estou. Mas... será que pode simplesmente me deixar em paz durante esta viagem?
— Certamente não é ruim você abrir um pouco as asas e relaxar — respondeu Kagura. — Falando nisso, ouvi dizer que Shimonoseki é famosa pelo baiacu.
Shimonoseki, província de Yamaguchi. Esse era o destino falso que eu havia escrito na carta que deixara para Kagura e os outros.
— Parece que sim. Pretendo comer até não aguentar mais antes de voltar. Enfim, meu ônibus está quase chegando, então vou desligar.
— Espere, por favor. Eu sei que talvez não seja meu lugar dizer isso, mas, se alguém pedir sua ajuda, prometa que não vai simplesmente sair correndo sem pensar nem se envolver demais, está bem? Ryoya-san, você...
— Eu sei.
— Não, você não sabe. No fundo, você é completamente incapaz de virar as costas para alguém que precisa de ajuda, Ryoya-san. E sempre acaba se metendo em situações terríveis por causa disso. Não importa quantas vezes eu o alerte, basta eu tirar os olhos de você por um instante para você sair correndo para salvar outra pessoa.
Conhecer alguém por tanto tempo realmente podia ser problemático.
Ela conhecia minha personalidade de cabo a rabo, sem deixar absolutamente nenhum espaço para desculpas. Para a pessoa do outro lado da ligação, aquela provavelmente era uma característica incrivelmente frustrante de se lidar.
— Vou tentar tomar mais cuidado — desta vez, decidi responder com sinceridade, nem que fosse apenas para tranquilizá-la.
— Além disso... Eu sei que estou sendo insistente, mas permita-me confirmar só mais uma coisa.
— Você realmente é insistente. O que foi?
— Você não está pensando em... morrer, está?
Eu sabia. Tinha a sensação de que ela acabaria me perguntando algo assim. Antes mesmo que eu conseguisse formular uma mentira, Kagura continuou:
— Como você acabou indo para a China, fico me perguntando se o seu destino não foi drasticamente alterado, Ryoya-san. Ele não disse isso em voz alta, mas acredito que o Vovô também esteja preocupado com essa possibilidade.
— Você está exagerando. Não tem como isso ser verdade. Eu voltei são e salvo, não voltei?
Para falar a verdade, se eu não tivesse ido para a China, provavelmente ainda estaria ao lado de Kagura e dos outros naquele exato momento.
E provavelmente ainda estaria lutando desesperadamente para encontrar alguma maneira de retribuir a enorme dívida que tinha com eles por terem me criado. Mas, olhando para trás agora, eu não conseguia deixar de me perguntar se aquele realmente teria sido o caminho certo.
— Você está se preocupando demais — falei.
— Se estiver passando por alguma dificuldade, ainda podemos ajudá-lo, mesmo agora, Ryoya-san...
— Eu não estou passando por dificuldade nenhuma.
As palavras de negação escaparam dos meus lábios tão instantaneamente que até eu me surpreendi.
Foi uma rejeição automática, puramente reflexiva, como se outra pessoa tivesse me obrigado a dizer aquilo, completamente independente da minha própria vontade.
— Você está sendo protetora demais. Enfim, não tem nada com que se preocupar.
......
— Vou escolher acreditar em você — respondeu Kagura após um breve silêncio, sua voz carregada de resignação. — No entanto, independentemente do que aconteça daqui para a frente, você precisa me prometer que nunca chegará perto "daquele lugar".
Por favor, prometa-me pelo menos isso, implorou Kagura.
— O velho já me encheu a cabeça com isso até cansar de falar. Além do mais, fica bem longe de Yamaguchi.
— É, suponho que tenha razão.
— Certo, então nos falamos depois. Vou me lembrar de comprar um conjunto de mingau de baiacu como lembrança antes de voltar.
— Sim. Ficarei esperando.
Depois de encerrar a ligação, desliguei o celular. Soltei um longo suspiro e consegui acalmar um pouco os nervos.
— Me desculpe.
Ali, completamente sozinho, murmurei um pedido de desculpas para o vazio.
Por favor, permita-me ao menos pedir desculpas aqui, por ter mentido para você.
Sinto muito.
Eu não havia vindo até Kyushu, até Saga, simplesmente para descansar e me recuperar do cansaço acumulado do dia a dia. Eu vim até esta terra, até este exato lugar, para pôr fim à minha vida.
Não.
Eu havia retornado.
O lugar ao qual Kagura se referia...
...era o meu destino final: o Passo de Mitsuse, em Saga.
Eu havia decidido que aquele seria o lugar onde morreria. E foi por isso que vim. Eu me banharia nas águas termais daqui de Ureshino, saborearia uma refeição preparada com ingredientes locais e, depois, adormeceria sob um futon quentinho.
Por um breve período, passaria esses poucos dias vazios refletindo sobre minha curta vida. E, então, minha vida chegaria ao fim.
Meu último dia seria 16 de agosto. O aniversário da morte da minha mãe.
Eu havia decidido que precisava ser naquele dia. Em outras palavras, daqui a quatro dias… Eu, Ryoya Kurose, colocaria voluntariamente um ponto-final em minha vida distorcida.
📖✨ Este capítulo foi traduzido por SLAGG e revisado por Shisuii.
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