My Iyashikei Game NovelCAPÍTULO 51 - Capítulo 51
Capítulo 51Capítulo 51: 51
Han Fei pensou profundamente antes de tomar a decisão de entrar na Sala 1052. Já havia ficado no jogo por três horas e completado a missão escondida, podia sair a qualquer momento.
Apesar da expressão macabra no rosto da mulher e de sua definição estranha para a palavra "animal de estimação", Han Fei ainda acreditava que ela poderia ser uma boa vizinha. Sua lógica era simples: ela havia salvado sua vida ao matar o fantasma sem rosto que tentou matá-lo anteriormente.
Sangue. Sangue nas roupas dela, na faca, na cabeça decapitada, nos lábios. Essa era a primeira impressão que Han Fei teve da mulher.
Ao abrir a porta da Sala 1052, uma fragrância difícil de descrever infiltrou-se no ar. A Sala 1052 ligava-se à Sala 1051, mas o cheiro que delas emanava era como o céu e o inferno. A iluminação fraca realçava a beleza arrebatadora — embora pálida — da mulher. Sua jaqueta vermelha como sangue brilhava como um rubi. Depois que Han Fei entrou, ela fechou a porta. Ao clicar e se fechar, o coração de Han Fei acelerou. Ele olhou ao redor e percebeu que o ambiente era mais estranho do que havia imaginado. Uma grande mesa de jantar ficava no centro da sala de estar. Por cima, uma porcelana requintada repousava. Pratos deliciosos estavam dispostos em cada prato. Se fosse só isso, Han Fei não ficaria tão assustado, mas o problema era que nenhum dos “pratos”, que exalavam um aroma irresistível, poderia ser considerado comida humana normal.
“Fantoches? Quadros? Cabelos?” Diversos tipos de “comida” formavam o banquete. Ao olhar para eles, Han Fei sentiu-se desconfortável. Seu corpo deu um passo involuntário para trás e ele tocou um frio inquietante. Quando se virou, uma mão pálida aterrissou sobre seu ombro. Os dedos, sem calor, acariciaram suavemente seu pescoço.
“Qual é a sua comida favorita?” A mulher sussurrou no ouvido de Han Fei. De alguma forma, suas palavras carregavam uma fragrância estranha, um perfume que despertou o horror em Han Fei.
“Não tenho comida favorita. Vim de uma família pobre, então já estou bastante agradecido por estar recebendo uma refeição de graça.” Han Fei respondeu com cautela. Tinha medo de que, ao mencionar carne, a mulher o transformasse em um ingrediente fresco.
“Muito bem, eu adoro uma criança que não faz cara feia para a comida. São as mais fáceis de criar.” Os dedos gelados da mulher deixaram o pescoço de Han Fei. Enquanto ele ponderava o significado de suas palavras, ela levou a cabeça do fantasma sem rosto até a cozinha.
‘Mais fácil de criar?’ Depois que a mulher saiu da sala de estar, os olhos de Han Fei pousaram na coleção de facas afiadas sobre a mesa de jantar. Parecia que ela possuía muitas dessas facas ensanguentadas, cada uma com tamanhos e formatos diferentes, como se servissem a funções distintas. ‘Ela usou essa faca específica para perfurar a cabeça do fantasma sem rosto…’ Han Fei precisava encontrar uma arma para se proteger, então caminhou até a mesa e tentou tocar uma faca. Uma sensação calorosa percorreu sua ponta do dedo até seu corpo. Então, um grito agudo explodiu em seus ouvidos, fazendo-o recuar assustado. Ao mesmo tempo, a voz robótica anunciou: “Notificação para o Jogador 0000! Você encontrou o Item Sangrento de Grau G—Faca de Mesa Enlamecida.”
“Faca de Mesa Enlamecida: Uma ferramenta amaldiçoada. Extremamente afiada. Uso constante pode enlouquecer o usuário,\, fazendo-o desejar cortar tudo ao seu redor.”
Foi a primeira vez que Han Fei encontrou um objeto amaldiçoado no jogo. Com base em sua observação, eles podiam ser usados para ferir fantasmas, porém um alto preço tinha de ser pago para utilizá-los. Ao lembrar-se da figura de quem ocupava a Sala 1052, Han Fei decidiu que seria melhor ficar longe das coisas da mulher. Enquanto sua mente vagueava, um aroma forte saiu da cozinha. Han Fei engoliu em seco enquanto se inclinava para olhar lá dentro.
A porta da cozinha estava meio aberta. Han Fei viu uma figura vermelha agitanto-se lá dentro. Como se fosse puxado pelo aroma, ele caminhou cambaleando até a cozinha. Seus dedos tocaram a maçaneta. Justo quando ia empurrar a porta, ela se abriu de dentro para fora. A mulher apareceu segurando uma panela de ensopado de carne de cozimento lento. Ela olhou para Han Fei com um sorriso. Manchas de sangue fresco tingiam seus dedos. Um aroma apetitoso saía da panela. Contudo, Han Fei não pôde deixar de notar que a cabeça do fantasma sem rosto havia desaparecido.
“Tenho uma exigência especial quanto à comida, estou buscando o sabor mais extremo.” A mulher saiu abruptamente da cozinha, forçando Han Fei a recuar, afastando-se da porta. “Você deve estar com fome, né?” Ela pegou duas conchas de sopa da panela e depois despejou o restante do ensopado na lixeira. Han Fei não viu a cabeça do fantasma dentro do ensopado e suspirou aliviado, discretamente.
“O que foi?” Ao ouvir seu suspiro, a mulher colocou casualmente a panela de volta na mesa de jantar e virou-se para Han Fei.
“Nada, é que, não ia desperdiçar, né?” A expressão de Han Fei demonstrava arrependimento. “Seu cozido cheira tão bem, que pena jogar fora assim.”
O sorriso da mulher ficou mais intenso com o elogio. “Você claramente não entende de cozinha chinesa. Para ensopados chineses, o essencial está na sopa. Os ingredientes servem para dar sabor; não se deve comê-los. Mas, de qualquer forma, não vão virar lixo, porque eu os darei ao meu animal de estimação.”
“Quer dizer a Sala 1051?”
“Exatamente, ela gosta das minhas sobras.” Então, a mulher levantou-se e voltou para a cozinha. Quando a porta se abriu por um instante, Han Fei deu uma segunda olhada. Pendureado no teto, havia algumas “coisas” estranhas. Han Fei não fazia ideia do que eram. Pareciam carne pendurada como se fosse de uma açougue.
Em poucos minutos, a mulher terminou de preparar vários pratos. Colocou-os na porcelana delicada e convidou Han Fei a se sentar na grande mesa de jantar.
“Já estou aqui há bastante tempo e você é somente o terceiro visitante.” A mulher levantou a tampa de um recipiente, e um aroma intenso imediatamente preencheu o ambiente. O estômago de Han Fei roncou com o cheiro, mas ao ver os pratos, seu apetite desapareceu. Em uma travessa, estavam tripas de animais recém cortadas, ainda com manchas de sangue. E essa era a coisa mais “normal” na mesa. Além disso, Han Fei também percebeu algumas plantas exóticas e carnes que não reconhecia.
“Então, vamos lá, comer, né?” A mulher pegou um guardanapo para limpar os lábios. Sua ação era graciosa, mas, por alguma razão, seus lábios ficaram ainda mais ensanguentados após passar o guardanapo.
“Você acha que minha comida não é boa? É por isso que não pegou o garfo? Ou tem medo que seja carne humana?” A mulher brincou com um tom de ofensa zombeteira. Ela estendeu a mão direita e tocou levemente sua bochecha. “Não se preocupe com isso. Nunca fiz mal a um humano e não tenho interesse em carne humana.” Enquanto estudava o rosto de Han Fei, sua pupila vermelha vacilou, como se fosse desmaiar. Ela mordeu seu dedo mindinho direito. “Como te disse, estou em busca do sabor mais extremo, e carne humana nem de perto é deliciosa.”
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