My Rank — Capítulo 42: CAPÍTULO 42 - 41 Alta cúpula

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CAPÍTULO 42 - 41 Alta cúpula

Capítulo 42

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Capítulo 41: Alta cúpula

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O silêncio que se seguiu à abertura da reunião foi curto, mas pesado o suficiente para esmagar a coragem dos servos.Ninguém se mexeu. Ninguém tocou na comida.Nos cantos do salão, os criados suavam frio, paralisados pelo protocolo. Nem mesmo o Rankeador Chefe fez menção de continuar.

O som de vidro raspando na mesa quebrou o gelo.Lugone Enolalevantou-se parcialmente, esticando o braço sobre a mesa de jade. Ele agarrou uma jarra de vinho de cristal.Com uma calma irritante, serviu uma taça de prata para si mesmo. O líquido escuro gorgolejou, o único som no universo naquele momento. Depois, encheu a taça de sua irmã, Hergelle.Ele bebeu um gole, suspirou satisfeito e recostou-se.

Então, uma porta lateral se abriu.O rangido das dobradiças foi alto.

A maioria dos presentes virou o pescoço, curiosa e ofendida pelo atraso.Lucios Svet, no entanto, permaneceu imóvel. Seus olhos de cristal continuavam fixos no centro da mesa, como se o mundo ao redor fosse irrelevante.

Vindo em uma cadeira de rodas feita de madeira escura e veludo, estava ela.Gia Achlys.A filha de Acara.Pequena, séria, com a perna faltante coberta pelo tecido do vestido.

Mas quem empurrava a cadeira fez o ar da sala ficar mais denso.Todos sabiam quem era. E todos temiam o que ela representava.

Lady Yaeko.

Seu rosto estava oculto por uma máscara dourada, esculpida como um véu de nobreza rígido, adornada com arabescos delicados que cobriam suas expressões. Apenas a linha do maxilar e os lábios pintados de vermelho eram visíveis.Seu cabelo, negro como nanquim, estava preso com grampos ornamentados e flores rubras frescas. Uma única mecha solta caía sobre o ombro, um toque de caos calculado na perfeição estética.

Ela exalava uma aura de elegância letal.Seu corpo esguio era envolto por um quimono negro, ricamente bordado com fios de ouro e vermelho sangue, ilustrando dragões celestiais e fênix renascendo em meio a chamas. As mangas, longas e soltas, escondiam suas mãos, mesmo enquanto empurrava a cadeira. A parte interna do tecido, quando se movia, revelava um tom escarlate intenso — como o sangue oculto de sua história.

Ela era uma armadilha viva. Carregava duas espadas: uma longa lâmina dourada, pura e brilhante, presa às costas; e uma lâmina negra, mais curta e com entalhes sutis, repousando na cintura.

O som das rodas no mármore cessou.Elas chegaram perto da mesa, bem ao lado de Lucios.Yaeko soltou a cadeira de rodas. Com um movimento fluido, ela segurou o espaldar da pesada cadeira de mármore reservada para o convidado.SCRAAAAPE.O barulho da pedra sendo arrastada sem esforço foi agoniante. Ela removeu a cadeira como se fosse feita de papel e encaixou Gia no lugar.

Feito isso, Yaeko deslizou ao redor da mesa, passando por trás do Rankeador Chefe como um espectro de luxo.E foi se sentar.Literalmente ao lado de Lugone.

Lugone virou o rosto. Olhou-a de cima a baixo, um sorriso de predador nos lábios.— Atrasada. Mas com estilo.

Com a chegada das duas, o protocolo foi quebrado. O jantar começou.Cada convidado começou a se servir do vinho. Os criados, como se tivessem recebido um sinal invisível, avançaram rapidamente para servir os nobres.

Um criado aproximou-se de Lugone com uma travessa de faisão.Lugone levantou a mão, num gesto seco de recusa.— Não toque no meu prato. Eu me sirvo.

Ele pegou um garfo e espetou um pedaço grande de carne vermelha, ignorando os acompanhamentos refinados.

Nesse momento, a porta principal se abriu novamente, mas sem alarde.Nythariaentrou em silêncio.Ela não se sentou à mesa. Com as cicatrizes recentes no rosto brilhando sob a luz do lustre, ela caminhou até ficar de pé ao lado do Rankeador Chefe, ladeada pelas duas Guardiãs Cegas. Uma sentinela quebrada.

O som de talheres batendo nos pratos preencheu o salão.Lugone comia com voracidade, mastigando grãos e carne. Gia era servida por criadas, comendo purê em porções minúsculas.

Lugone engoliu, limpou a boca com as costas da mão e quebrou o silêncio.

— Como pode… — começou ele, a voz projetada para que todos ouvissem. — Uma reunião de Cúpula, de tamanha importância… e somente o Clã da Luz parece “preocupado” de verdade. O resto parece que veio para um velório.

Elorin Svetsorriu, aquele sorriso que não chegava aos olhos.— A pauta mais importante, Lorde Enola, será logicamente sobre a falha catastrófica da segurança. Como dois invasores das Camadas Negativas conseguiram subir sem serem detectados pelos radares das Famílias?

Lugone riu. Uma risada curta, cheia de farofa. Ele bateu a mão na mesa.— Só você acha mesmo que eles subiram assim, de forma “normal”, né? Que fofo. Quanta inocência para um Svet.

Hergelle, ao lado dele, tentou intervir, tocando no braço do irmão.— Irmão… acho que está sendo muito agras…

Lugone levantou a mão na cara dela, calando-a.— Não. Eu não fico em silêncio. Se essa é a pauta… — Ele olhou para Nytharia, de pé, e depois para o Rankeador Chefe mascarado. — Por que vamos primeiro comer e fingir civilidade? Eu prefiro discutir com o estômago cheio de verdades.

O Patriarca daFamília Williansajeitou o monóculo, incomodado.— Imagino que sua ansiedade seja pessoal, Lugone Enola… Já que a Academia Fjorheim é dirigida pelo seu irmão mais velho,Johan Enola. A falha recai sobre o seu sangue.

Lugone parou de mastigar. Ele olhou para o velho Willians com um desprezo absoluto.— Eu estou cagando para o meu irmão desertor. Que ele morra abraçado aos alunos dele. Eu estou mais preocupado com a invasão em si. Com o fato de que a barreira entre os mundos virou uma peneira.

— É insensível da sua parte. — retrucou Elorin, mantendo a postura diplomática. — O Clã da Luz, sob ordens do meu irmão Lucios, está enviando todo o apoio para a reconstrução da academia. Além do mais, nesses dois meses, reforçamos as defesas em todas as camadas fronteiriças. Estamos agindo.

— Agindo? Reforçando cercas? — Lugone bufou. — Ainda com essa baboseira reativa.Ele apontou o garfo na direção de Gia e de Yaeko.

— Além do mais… por queAcara AchlyseUna Meinão estão aqui? As duas mulheres mais perigosas do mundo faltaram. E mandaram quem? A filha aleijada e a “Flor Dourada” mascarada do Clã Misticia como tapa-buraco. É um insulto.

Lady Yaeko permaneceu em silêncio, nem a máscara se moveu. Ela continuou cortando a carne em seu prato com precisão cirúrgica.

Mas Gia levantou o olhar. Os olhos de ametista brilharam com uma frieza herdada da mãe.— Como todos dizem mesmo… — A voz da menina era firme. — Lugone Enola, um nobre arrogante com boca de mercenário. Minha mãe, e a Senhorita Una Mei, estão cuidando pessoalmente da situação em Fjorheim. Elas não tiveram tempo para banquetes e hipocrisia.

Lugone soltou uma gargalhada alta, jogando a cabeça para trás.— Mentira! — Ele bateu na mesa, fazendo os cristais vibrarem. — Acara se preocupar com alunos? É a melhor piada da noite. Eu conheço a Acara. Mas mandar a filha defeituosa para uma reunião de Cúpula… mostra o quanto ela despreza este Conselho.

Elorin perdeu o sorriso. O rosto dele endureceu.— Fique em silêncio, Enola. Está indo longe demais.

— Longe demais? — Lugone se levantou, derrubando a cadeira para trás. — Eu nem comecei a falar direito, Elorin! E tem mais… Onde está o anfitrião? Cadê oRei Esmeralda? Hein, Nytharia? O dono da casa não vem jantar?

Nytharia virou o rosto marcado na direção dele. A expressão era vazia.— Sua Majestade está em seus aposentos privados. Pediu que eu observasse e relata-se esta reunião. Ele confia no julgamento do Conselho.

Lugone olhou para ela. Depois olhou para a mesa lotada de dignitários.Ele abriu os braços, num gesto teatral de desprezo.

— Todos aqui… — ele apontou um dedo acusador para os velhos conselheiros dos Palácios Rubi e Jade. — Não passam de nobres sem importância. Sanguessugas burocráticos.— Ele olhou para Ysaria, que comia uvas em silêncio. — Tirando, logicamente, a Rank 9… e o mudo do Lucios… e a mascarada ali… o resto de vocês não é importante em porra nenhuma nesta mesa. Somos um zoológico sem dono!

O salão ficou mudo. O insulto pairou no ar, pesado e tóxico.Lugone estava de pé, peito estufado, desafiando a sala inteira com um sorriso de pura arrogância.

Até que.

ORankeador Chefemoveu-se.Ele não se levantou.Apenas ergueu a mão direita, envolta na manga larga e branca.Um gesto simples. Palma aberta.

A pressão na sala aumentou cem vezes.O ar ficou sólido.Lugone sentiu os joelhos dobrarem contra a vontade. O sorriso dele travou. Ele foi forçado, por uma mão invisível e esmagadora, a se sentar novamente na cadeira.

O Rankeador Chefe baixou a mão.A voz metálica e andrógena ressoou de dentro da máscara de estrela:

—Silêncio.

ORankeador Chefeinclinou a máscara de estrela levemente para a frente.A voz dele, preencheu cada canto do salão, abafando até a respiração dos presentes.

— Esta reunião, como todos sabem, foi adiada pela catástrofe. A invasão na Camada 4, em Midgard… — Ele fez uma pausa teatral. — Algo inadmissível. Muitos Ranks Altos estavam no local, e ainda assim falharam. Quatrocentas almas jovens, inocentes… futuros líderes, apagados.

Ele suspirou, um som de pena palpável e calculada.

— Entretanto, a convocação de emergência de todos aqui presentes se deve a algo… mais delicado. Algo que pode soar como uma mancha na história dos Palácios. — Ele olhou para a mesa. — Foi descoberta a existência de um fruto podre. A traidoraVena Nosfea, a mulher que massacrou as três famílias principais do Clã da Escuridão e roubou as Lâminas Gêmeas… ela teve um filho. Há dezesseis anos.

Um murmúrio explodiu na mesa como uma panela de pressão estourando.Os nobres começaram a discutir entre si, gesticulando freneticamente. Os velhos conselheiros doPalácio Rubi, com suas barbas brancas tremendo de indignação, falavam em tons graves sobre “abominação” e “linhagem maldita”.

Lugonesoltou um suspiro irônico, girando a taça de vinho.Lucios SveteLady Yaekopermaneceram estátuas de gelo, sem demonstrar reação.

Lugone olhou paraGia Achlys, um sorriso de escárnio nos lábios.— Ora, ora… Quer dizer que o puríssimo Clã da Escuridão escondia sujeira debaixo do tapete de obsidiana? Que surpresa.

Um conselheiro idoso do Palácio Rubi levantou-se, batendo a bengala no chão.— Isso eleva o nível da discussão! Se o Clã da Escuridão escondeu deliberadamente o filho de uma criminosa de Rank S, isso é Alta Traição contra os Três Palácios e a Lei das Camadas! Devem ser punidos!

Os murmúrios aumentaram. O cheiro de sangue político estava no ar.

Então,Nythariadeu um passo à frente.Ela olhou para a menina na cadeira de rodas.

—Gia Achlys. — A voz dela era calma, mas inquisitiva. — Diga, sob a luz da verdade: Vocês escondiam o filho de Vena?

Gia fechou os olhos por um segundo. Quando os abriu, o brilho roxo das íris estava mais escuro, profundo como um poço.— Não sabíamos da existência de nenhum filho de Vena. O Clã não protege traidores.

Uma das Guardiãs Cegas ao lado de Nytharia inclinou a cabeça e sussurrou algo no ouvido da Exploradora. Nytharia assentiu.

— O que ela diz é verdade. A pulsação não mente.

Os murmúrios diminuíram, mas a desconfiança permaneceu no ar como fumaça.

O conselheiro do Rubi sentou-se novamente, resmungando.— Bem… Se o filho foi descoberto agora, onde ele está? Deve ser interrogado.

O Rankeador Chefe continuou, a voz sem emoção:— Pelo que consta nos relatórios da invasão… o nome do filho de Vena Nosfea eraKen Orquídea. E ele foi listado como uma das vítimas fatais da Academia Fjorheim. Morto por um demônio de nível alto. Corpo não recuperado.

Lugone riu baixo.— Isso é menos mal. Conveniente, eu diria. A família Nosfea já foi a Família Principal antes do massacre da Vena. Se esse tal de Ken estivesse vivo… ele seria o herdeiro legítimo do Clã da Escuridão, não é? Já que oDon Verkrecusou o título na época, passando o fardo para a prima.

Gia virou o rosto para Lugone. O olhar dela era de uma seriedade adulta e assustadora.Lugone percebeu e sorriu mais.

— O que foi, princesinha? Estou mentindo? — Ele tomou um gole de vinho. —Bromom Nosfease casou com a própria irmã e primas para manter a linhagem pura. Um homem nojento, mas eficiente. Diziam que foi ele quem dominou aCamada -68há quase um século… E você, Gia, não é muito diferente. Afinal, seu pai é oAsh Nosfea, não é? Tudo fica em família.

Gia permaneceu impassível, como se as palavras dele fossem vento.

FoiElorin Svetquem falou, a voz suave mas cortante:— Está sendo imprudente, Lugone. E vulgar. O herdeiro do Clã continuaria sendoBaeron. Ele carrega o sangue duplo, Achlys e Nosfea. Não haveria guerra de sucessão por causa de um bastardo morto.

— Não haveria? — Lugone inclinou-se para a frente. — O que Vena queria ao massacrar a própria família, hein? O que existe além de poder?Ele bateu na mesa na direção de Gia.— Me diga, Gia Achlys! O que foi o massacre de 16 anos atrás? Me diga que, mesmo você sendo a primogênita, o Clã nem sequer considera você como a próxima Chefe… não é?— Ele apontou o garfo para ela. — Por preconceito? Por ser mulher? Não, claro que não. O Clã Misticia é liderado por uma mulher. Sua própria mãe lidera o seu. O problema é que você é umaaleijada. E seu irmão, Baeron… ele é inteligente demais para aceitar governar um barco que está afundando.

O Rankeador Chefe observava a discussão, a máscara brilhando.— O Clã da Escuridão está entrando em uma fase de extinção. A estabilidade das Camadas está em risco.

O silêncio que se seguiu foi perturbador.

Até que, finalmente, a estátua de gelo falou.Lucios Svet.

— Eu não vou perder meu tempo com algo tão inútil.

A voz dele era andrógena, melodiosa, mas tinha uma gravidade que fez os copos vibrarem.Lugone parou de sorrir.— Finalmente decidiu falar, é, Vossa Santidade?

Lucios levantou o olhar. Os olhos de cristal eram tão frios que fizeram Lugone recuar involuntariamente na cadeira.Ele se virou para Nytharia.

— Eu descobri que…Lysanthir Vauz… foi morto nas Camadas Negativas. Por um demônio de nível alto.

Nytharia fez uma pequena reverência, tocando as cicatrizes no rosto.— Isso mesmo, Lorde Svet. Minhas cicatrizes são a prova do sacrifício que ele fez para me salvar. Ele morreu como um herói.

Lucios estreitou os olhos.— Eu desacredito que ele tenha morrido tão facilmente. Ele foi o único professor que eu valorizei. O único que me ensinou algo de verdade.

Lucios levantou-se da mesa. O movimento foi fluido, real. Elorin levantou-se junto.

— Rankeador Chefe… — disse Lucios, de costas. — Deveria falar tudo de uma vez, ao invés de soltar frases de efeito. EGia Achlys… — Ele olhou para a menina por cima do ombro. — Eu te considero uma boa líder. Você tem a mente da sua mãe, mas sem a loucura. Seria uma excelente Chefe.— E Lugone… — Ele nem olhou para o Enola. — Apenas seja menos arrogante. O barulho da sua voz me cansa. Se acontecer algo mais relevante, lerei nos relatórios.

Ele saiu do salão, o manto branco arrastando no chão, seguido por Elorin.

—Tsk…— Lugone estalou a língua, irritado, mas calado.

Ysaria Lysvanetambém se levantou, alisando o vestido azul.— De fato. Foi uma perda de tempo. Se a reunião era sobre a invasão… Apenas agradeçam por não ter sido a camada inteira que sofreu. Apenas algumas almas infelizes que nunca conhecerão os prazeres do meu bordel.

Ela estava com a mão na maçaneta para sair.

Então, o Rankeador Chefe sorriu por baixo da máscara.— De fato… eu deveria ser mais direto.

Ele ergueu a voz.

—Sol’Zher Asgard… O Rei dos Reis…Renunciou ao Rank 1.

O mundo parou.Todos arregalaram os olhos. Ysaria travou na porta. Lugone derrubou o garfo. Os velhos do Rubi engasgaram.Choque absoluto.

— E então… — continuou o Chefe, saboreando o caos. — Ele se auto-rebaixou para oRank 2, que estava vago. Deixando o título de Rank 1 vazio pela primeira vez em 560 anos. A Família Asgard não detém mais o topo.

— Isso é ridículo! — gritou um nobre.— Um absurdo! Blasfêmia!

O Rankeador Chefe levantou um dedo.

— E tem mais. O Rei recolheu um “filho perdido” da família Achlys. Alguém que muitos pensavam que não havia existido.—Infrid Achlysteve um filho na mesma época que Vena a matou. O nome dele eraBrander Estered. Mas foi mudado legalmente hoje, pelo próprio Rei, paraBrander Achlys.

Ele olhou para Gia.

— O sobrinho de Acara. O novo peão no tabuleiro.

Fim da leitura

Capítulo 42 concluído

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