O Coadjuvante Aposentado Quer Viver em Silêncio Novel — Capítulo 3: CAPÍTULO 3 - Sem Problema

O Coadjuvante Aposentado Quer Viver em Silêncio Novel
Cap. 3
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O Coadjuvante Aposentado Quer Viver em Silêncio Novel

CAPÍTULO 3 - Sem Problema

Capítulo 3

2.576 palavras~11 min de leitura

Capítulo 3 – Sem Problemas

[Tradutor – Peptobismol]

Capítulo 3 – Sem Problemas

Depois de ver a expressão séria de Linus, eu caí na gargalhada.

“O quê, você tá brincando comigo? Você quer que eu ensine crianças?”

Mas Linus não riu.

“Não tô brincando, Dian.”

Na verdade, eu também sabia que Linus não estava brincando. Ele não era do tipo que fazia piadas assim.

Ele realmente veio de tão longe, da Capital Imperial, para me oferecer o cargo de diretor da Academia. Se ele realmente estivesse aqui só porque queria me ver, não precisaria trazer a Guarda Imperial, a bordo de um Navio de Guerra Imperial.

Mas eu recusei.

“Me desculpa, mas acho que vai ser difícil.”

“Não precisa ser modesto, Dian. Você tem capacidade para ser o diretor.”

“Não, não é questão de ser modesto. É que eu não posso mesmo.”

Linus pareceu um pouco confuso e perguntou:

“Posso saber por quê?”

“Você sabe, eu não sou bom em ficar parado num lugar gerenciando coisas. E um lugar com tanta responsabilidade é um fardo muito grande pra mim.”

“Não vai ser só você. Tem muitos professores e funcionários administrativos capazes que vão te dar suporte. Você só precisa compartilhar sua experiência e habilidades com eles.”

“Ainda assim não vai dar certo. Ser ‘diretor’ não é só sobre autoridade e responsabilidade, mas também sobre tomar decisões que afetam tudo, e eu não quero fazer isso.”

Eu recusei de novo, e Linus soltou um suspiro suave.

“O atual diretor da academia tá numa situação difícil por causa da má reputação dele, e o Castelo Imperial tá tentando encontrar um substituto o mais rápido possível. Mas a gente já analisou muitos candidatos até agora, e nenhum deles atendeu aos nossos padrões. Você é o único que pode fazer isso.”

Mas eu ainda recusei. Eu não rejeitei todo aquele título e território e vim até este porto neutro pra me envolver em coisas complicadas. Eu só queria viver quieto e em paz.

Se alguém me pedisse pra matar o Rei Demônio de novo, eu faria sem hesitar. Mas ser o diretor da academia? Isso é algo que eu tenho que recusar.

“Me desculpa, Linus.”

Linus, que tinha ficado em silêncio por um momento, falou:

“Pra ser sincero... o Palácio Imperial queria me colocar como diretor.”

“O quê? Você tá só tentando jogar isso pra cima de mim?”

“Não é isso. Eu tô pensando em me aposentar em breve... E o Palácio Imperial me disse pra encontrar uma pessoa adequada pro cargo, caso eu faça isso.”

“Se aposentar? Você vai se estabelecer em algum lugar também?”

“Eu espero que sim. Na verdade, meu filho vai nascer no mês que vem, então eu vou focar em criar meu filho.”

“O quê...? Um filho...? Criar um filho...?”

Eu fiquei chocado com a notícia inesperada e perguntei estupidamente:

“Você... se casou?”

“Sim, eu me casei com a Celine.”

“Qu-quê?! Sério?!”

Celine era uma caçadora do Grupo do Herói, e ela e Linus tinham algo sutil rolando durante toda a jornada.

Antes da batalha com o Rei Demônio, Linus até deixou um testamento pedindo pra eu garantir que Celine voltasse em segurança pra cidade natal dela depois que ele morresse.

Os dois eram tão lerdos que era frustrante que eles não se confessassem e começassem a namorar, mas no fim, eles se casaram. Isso não é uma ótima notícia!

“Parabéns, moleque! Você finalmente casou!”

Eu dei um tapa nas costas de Linus, e um sorriso fraco apareceu no rosto dele.

“Quem se confessou primeiro? Hein? Ah, deve ter sido a Celine. Ela é mais proativa que você, afinal. É menino ou menina? Não... espera aí...”

Eu tava tão feliz que comecei a falar besteira, mas aí eu de repente me lembrei de algo.

“Você disse que o filho vai nascer no mês que vem...?”

Celine tinha perdido a perna esquerda na batalha com o Rei Demônio, e seria difícil pra ela cuidar da criança sozinha.

“Exatamente, Dian. É por isso que eu quero sair. Você entende o porquê, né?”

“Então você não pode só contratar uma babá ou algo assim?”

“Não é tão simples. Meu trabalho na capital imperial é muito corrido, e tem muitos dias que eu saio de madrugada e volto na manhã seguinte, Dian...”

Linus falou em voz baixa.

“Até agora, eu tava satisfeito, achando que era pelo continente, mas depois de casar e ter um filho, meu coração mudou um pouco... Eu não quero só deixar meu filho com uma babá e sair. Eu quero ver os rostos da minha família e voltar pra casa pra eles.”

Ele sempre viveu com um senso de sacrifício, se sentindo patriota, mas agora que um ser que realmente precisa de sacrifício apareceu, ele ficou confuso.

Isso me lembra de um incidente do passado. Quando eu tava no exército, um oficial de alta patente disse algo assim:

‘Quando você sai de licença, seu filho tá dando os primeiros passos, e quando você sai de licença, seu filho tá falando, e quando você sai de licença, seu filho tá indo pro ensino fundamental. No começo, eles choram quando te veem, e depois te chamam de ‘tio’ que volta pra casa uma vez por mês, e agora eles finalmente te chamam de ‘pai’.’

Você trabalha pra sua família, mas na verdade tá se afastando deles. As palavras de Linus estavam certas.

Especialmente no caso de Linus, mesmo que ele saia do emprego agora, ele tem as condições pra viver confortavelmente pro resto da vida, então ele vai querer ser ainda mais fiel à família dele. Até agora, o serviço dele à capital imperial não era com o objetivo de ganhar a vida, mas de estabelecer paz e estabilidade na era depois de matar o Rei Demônio.

“Eu entendo sua situação. Contratar uma babá não é uma solução fundamental. Entendi.”

“Desculpa, Dian. Eu vim te ver depois de dez anos, e tô fazendo um pedido tão absurdo.”

“Não, tudo bem. Eu tô meio surpreso com a notícia de que você casou com a Celine agora. Você disse que vai embora amanhã de madrugada, né? Eu vou pensar sobre isso e te dar uma resposta então.”

“Beleza, Dian. Desculpa de novo.”

Depois que Linus e os cavaleiros voltaram pro navio, eu me deitei na espreguiçadeira no terraço e organizei meus pensamentos.

Meus dois amigos próximos finalmente tinham se casado e iam ter um filho no mês que vem.

O corpo de Celine não tava totalmente recuperado, então Linus queria sair do emprego e focar em criar o filho, mas o Palácio Imperial queria que ele se tornasse o diretor da academia ou encontrasse um substituto adequado.

Essa era uma situação difícil, e Linus por acaso sabia do meu paradeiro por causa dos meus encontros recentes com Ferenchino, então ele veio até mim.

Ele podia só contratar uma babá, mas Linus acredita que não faz sentido começar uma família se uma babá vai criar o filho dele enquanto ele tá preso ao trabalho. Eu concordo com ele 100%.

Então, vamos pesar os dois?

Me afastar da história original e aproveitar uma vida confortável, ganhando dinheiro e vivendo isolado numa cidade portuária vs. ir pra academia trabalhar pelo bem dos meus amigos, um casal que passou por vida e morte comigo.

É claro que a última é a resposta. Meus preciosos amigos, Linus e Celine, estão numa situação difícil, e eu posso resolver isso pra eles. O que eu posso fazer?

E, pra ser sincero, meu corpo tá meio enferrujado de 10 anos só comendo e brincando.

Uma viagem de longa distância pra ajudar meus amigos que estão numa situação difícil. Nada mal.

Mas o cargo de diretor da academia ainda é muito alto. Eu não quero ficar preso a um cargo tão pesado. Existe uma maneira melhor de fazer isso?

“Senhor Dian, o que você tá fazendo?”

“Senta aí um momento.”

Quando Olysia saiu pro terraço, eu pedi pra ela sentar na espreguiçadeira do meu lado, e expliquei a situação atual pra ela. Olysia era esperta, então ela podia ter uma boa ideia.

Depois de ouvir minha história, Olysia pensou profundamente, esfregando o queixo, e então estalou os dedos.

“Pensei numa ótima ideia! Uma maneira pro Senhor Dian ajudar seu amigo e a esposa dele sem assumir tanta responsabilidade. É claro, a gente precisa da permissão dos oficiais de alta patente no Império.”

Olysia sussurrou a ideia dela no meu ouvido. Ah, será que isso vai dar certo?

Amanhecia lentamente.

Linus tava encostado no parapeito do convés, que tava coberto de neblina densa, olhando pro cais.

Será que Dian vai vir mesmo? Provavelmente vai. Dian é o amigo em quem Linus mais confia.

Já faz 10 anos desde que eles se encontraram pela última vez, e agora ele tá pedindo um favor difícil. Linus não tinha escolha, no entanto.

Depois que ele saiu da capital, ninguém sabia como Dian tava, e eles estavam preocupados que ele tivesse morrido em algum lugar, mas não tinha como encontrá-lo. Dian tinha desaparecido perfeitamente, e embora ele ocasionalmente mandasse cartas, era impossível rastrear a localização do remetente.

No passado, Dian tinha dito frequentemente pra Linus: “você é o personagem principal desse mundo, eu não tenho lugar nessa era de paz.“

Talvez isso fosse uma dica sobre o desaparecimento dele por 10 anos. Ele não tinha certeza. Mas de qualquer forma, Dian vai ajudar.

[Tradutor – Peptobismol]

Desde a época em que ele era um soldado de baixa patente no exército até quando ele matou o Rei Demônio, Dian sempre ajudou Linus, e 10 anos atrás, ele prometeu ajudar sempre que Linus precisasse.

‘Você também é um recruta novo? Prazer em te conhecer. Vamos nos dar bem.’

Quando Linus foi designado pela primeira vez pro campo de batalha, Dian, que tinha se alistado na mesma época, se aproximou dele.

Dian, com o cabelo castanho desalinhado e olhos alegres, era meio esquisito comparado a Linus.

Linus, que não suportava injustiça, era diferente de Dian, que era meio canalha.

Dian checava o olhar do comandante e escapulia pra descansar, ou usava vários truques pra conseguir mais rações, ou ia escondido na sala de suprimentos pra roubar suprimentos novos.

Linus não gostava de pessoas assim, que só pensavam em facilitar as coisas pra si mesmas e não tinham vergonha de serem injustas.

Então, no começo, Linus evitava Dian, mas num pequeno pelotão de cerca de 30 pessoas, era difícil evitá-lo. Linus acabou se envolvendo com Dian sem querer.

‘Ei, Linus. Vem cá. Vamos comer isso juntos.’

‘Onde você arrumou isso? Roubou da sala de suprimentos de novo?’

‘Para de reclamar. O próprio líder do pelotão escondeu isso na barraca dele. Era pra ser pros soldados.’

‘Ainda é meio difícil...’

‘Ei, Linus. Vamos só dormir ali nos arbustos em vez de montar uma barraca. Parece legal e confortável.’

‘A gente não pode abandonar nosso posto, Dian. E como você tá planejando escapar da chamada de hoje à noite?’

‘O vice subcomandante tá de plantão. Ele vai só fingir a chamada e dormir a noite toda. Vamos, rápido.’

‘Tá tudo bem mesmo...?’

Como um caipira com uma personalidade inflexível, Linus não tinha muitos amigos próximos, mas Dian sempre cuidava dele. Quando eles realmente se conheceram, surpreendentemente, Dian tinha um lado gentil.

Ainda mais surpreendente, Dian tinha um talento natural pra batalha, e tinha salvado a vida de Linus muitas vezes.

‘Ei, Linus. Essa é minha opinião pessoal, mas vamos nos mover nessa direção. É o único jeito de sobrevivermos.’

‘Mas a ordem do líder do pelotão é pra avançar. Isso é insubordinação, e é punível com a morte.’

‘Você é burro. Se a gente avançar agora, a gente vai morrer. Você quer morrer antes mesmo de realizar seu desejo?’

‘É verdade...’

‘Ei, Linus. Vamos derrubar aquele cara.’

‘Isso é absurdo! Ele é um ogro! A gente precisa esperar por reforços!’

‘Só me escuta, e a gente consegue com só nós dois. Vamos arrancar a cabeça daquele desgraçado e ganhar um elogio.’

‘Dian! Dian! Volta! Que droga! Vamos juntos!’

Então Linus recebeu incontáveis ajudas de Dian e eventualmente foi reconhecido por suas conquistas, subindo na hierarquia junto com Dian.

Mesmo quando eles foram selecionados pro Grupo do Herói e designados pro castelo do Rei Demônio, Dian sempre esteve ao lado dele...

“Ei, Linus.”

Dian e a empregada dele, Olysia, apareceram da neblina, os dois carregando grandes malas de viagem.

“Dian! Você tá aqui!”

Linus pulou o parapeito e aterrissou na frente de Dian.

“Eu sabia que você viria! Você já se decidiu?”

“Eu não vou ser o diretor da academia.”

O rosto de Linus ficou rígido com a resposta inesperada. Dian não tinha vindo pra aceitar a proposta? Então por que as malas de viagem?

Vendo a surpresa de Linus, Dian continuou:

“Eu não vou ser o diretor, mas eu tô disposto a ser um professor na academia.”

“Um professor?”

“Se eu me tornar o diretor, eu vou ter que assumir a responsabilidade por todas as coisas problemáticas. Mas como professor, é diferente. E além disso, o Palácio Imperial não quer que eu ensine as crianças da academia com meu know-how? Não gerenciando as coisas de cima. Eu não sou adequado pra esse tipo de trabalho, e você sabe disso.”

“Isso é verdade.”

Linus pensou profundamente sobre a nova proposta de Dian. A conclusão foi: não era ruim.

O Palácio Imperial tinha rejeitado todos os candidatos que Linus tinha recomendado, mas Dian seria diferente.

Dian tinha um talento excepcional em batalha e muita experiência de combate real. Mesmo que ele não fosse o diretor, ser um professor seria um bom meio-termo.

“Se você tá disposto a fazer isso...”

Linus tava prestes a falar quando de repente sentiu lágrimas enchendo os olhos dele.

Devido ao paradeiro dele ser desconhecido, ele não tinha conseguido mandar nem uma única carta durante esse tempo. E quando ele encontrou ele depois de 10 anos, ele fez um pedido tão irracional, mas Dian ainda...

Celine, mais uma vez, a gente tá recebendo a ajuda de Dian. Como sempre, Dian é meu amigo e aliado mais confiável de verdade.

“Se... você tá disposto a fazer isso...”

Os olhos de Linus se encheram de lágrimas, e eu dei uma risada estranha.

“Beleza. Então, já que a gente decidiu, vamos agora mesmo. Tudo bem se eu trouxer a Olysia junto, né? É meio estranho deixá-la pra trás.”

“É claro. Venham, entrem.”

Linus abriu o caminho, nos guiando pro navio.

“A propósito, parece que o amigo do Senhor Dian também tá bem ciente das suas excentricidades.”

“Fica quieta, Olysia. Se chama ser tranquilo.”

Eu repreendi a provocação de Olysia enquanto a gente embarcava no navio.

“Vamos zarpar! Todo mundo, pras suas posições!”

Com o grito do capitão, os marinheiros se moveram rápido, desenrolando as velas e soltando a âncora.

Enquanto eu tava no bico do navio, olhando pro mar, eu pensei:

‘Eu só queria viver quieto’, mas eu não queria causar problemas, então eu ajudei Linus, e cheguei ao fim. E agora, 10 anos depois, quando eu tava realmente tentando viver quieto, o protagonista veio pedir minha ajuda de novo.

O que eu posso fazer? Eu não tenho escolha a não ser ajudar. Eu prometi ajudar 10 anos atrás, e Linus e Celine são amigos realmente preciosos pra mim.

De agora em diante, meu novo objetivo é me tornar um professor na academia e garantir que as atividades de criação dos filhos de Linus e da esposa dele possam continuar sem nenhum problema.

Me tornar um professor da academia... Ha! Sem problemas.

[Tradutor – Peptobismol]

Fim da leitura

Capítulo 3 concluído

CAPÍTULO 3 - Sem Problema