O Estalajadeiro Novel — Capítulo 1306: CAPÍTULO 1306 - Raça humana

O Estalajadeiro Novel
Cap. 1306
0%
O Estalajadeiro Novel

CAPÍTULO 1306 - Raça humana

Capítulo 1306

1.389 palavras~6 min de leitura

— Ah, você já ouviu falar da minha família? — Cassandra perguntou, bastante curiosa. — Não achei que fosse algo relevante nos dias de hoje.

— Talvez não para outras raças, mas para os humanos ainda é bastante importante! O cerco de Orion é um dos momentos decisivos na história da humanidade, e em Ventura isso é ensinado em várias disciplinas. Eu mesmo descobri sobre a família Vans Angew enquanto estudava táticas militares.

A forma como o General Patrick Vans Agnew sustentou a linha com forças inferiores, usando formações táticas para mover tropas rapidamente por grandes distâncias… foi realmente inspirador. Na verdade, eu imitei muitas das táticas dele quando unifiquei os humanos pelo Reino de Cristal para formar um único império!

Cassandra sorriu, por um breve momento, demonstrando carinho em sua expressão.

— Patrick foi sempre uma criança arteira, que gostava de aprontar. Quem diria que isso se transformaria num bom general e na dor de cabeça dos inimigos?

Cornelius pareceu ainda mais surpreso ao ouvir isso.

— Você… você conhecia o General Patrick? — perguntou ele, surpreso.

— Ele era meu filho — respondeu Cassandra. — Você não vai acreditar como ele acabou na guerra. Foi um acidente completo. Quando era criança, tentou fugir de casa, mas não tinha ideia de como funcionavam as formções, e acabou entrando na formação errada. Foi teleportado direto para o campo de treinamento.

Ele voltou para casa após oito anos, e passou a noite inteira chorando, abraçado na minha perna, pedindo para que, de alguma forma, eu o tirasse do exército.

Lex observava silenciosamente enquanto Cassandra relembrava o passado. Ele nunca tinha realmente perguntado sobre a vida pessoal dela antes, nem tinha pensado nisso. Conhecia-a apenas como uma acólita de Nuwa, e como a controladora do Templo do Jejum. Mas ela era uma Imortal Celestial, então, obviamente, devia ter uma vida bastante intensa.

As circunstâncias que a levaram a ficar praticamente confinada dentro do templo devem ter sido insanas.

Agora ela estava a caminho de se tornar uma Senhora do Dao. Quem sabe o que aconteceria com ela depois?

Cornelius ficou ereto ao saber que Cassandra era mãe de alguém que ele admirava, e logo depois lhe cumprimentou com uma saudação, algo muito diferente da impressão que Lex tinha dele.

— Sinto muito pela sua perda. Ao mesmo tempo, é uma honra falar com você. Por favor, diga-me o que deseja discutir, e colaborarei totalmente.

— Fique à vontade, Rei Cornelius. Você mesmo fez um bom trabalho com seu povo. Só quero ter uma conversa comum com você sobre a humanidade e o que pensa sobre nosso futuro. Meu entendimento pode estar um pouco desatualizado, então me desculpe se cometer algum erro, mas, antes de… me isolar… a humanidade tinha perdido sua influência sobre qualquer reino importante.

— Existem em incontáveis reinos, é verdade, mas não somos os donos deles. Nos apegamos a poderes maiores e sobrevivemos às sombras de seus mantos, e assim só existimos de verdade. Mas, numa escala universal, enquanto os grandes poderes avançam, a humanidade recua.

— Acho que, para qualquer chance de redenção, a humanidade precisa reivindicar seu próprio território, por menor que seja. Com seu próprio reino, seu próprio Senhor do Dao para superar obstáculos, a humanidade pode começar novamente sua ascensão pelo Espectro da Ascensão Cósmica. Quanto mais ela sobe, maior o benefício para toda a raça, trazendo mais gênios e cultivadores de alto nível.

— Uma vez que a humanidade ganhe força, pode seguir em frente. Mas, até lá, estaremos eternamente abaixo dos anjos e demônios, servos e escravos dos maiores poderes.

Cornelius assentiu, mas não se acomodou. Mantinha as mãos atrás das costas e começou a caminhar pelo cômodo como se estivesse refletindo. A mesa à frente deles se moveu de lado, sendo substituída por um diagrama que parecia um mapa de todo o Reino de Cristal — pelo menos antes de sua recente expansão.

Enquanto pensava, Lex observava o mapa e estudava a posição da humanidade. Estavam em confronto direto com os Kraven, mais do que com seus vizinhos. O estranho é que parecia que isso era proposital. Os territórios reivindicados pelos humanos pareciam colocá-los especificamente na trajetória dos Kraven. Por que será?

Ou talvez, tudo tivesse se desenrolado assim por acaso. Afinal, quem poderia prever uma guerra com os Kraven cheia de imortais?

— Em essência, não discordo de você, Senhora Cassandra… — começou Cornelius.

— Por favor, chame-me apenas de Cassandra. Não sou muito fã de títulos. No momento, somos apenas dois humanos discutindo o futuro da nossa raça.

Cornelius apenas acenou com a cabeça e prosseguiu.

— Eu não discordo completamente de você, Cassandra. Para a humanidade avançar, precisamos de um Senhor do Dao, e precisamos do nosso próprio reino. O universo inteiro corre atrás de recursos, de reinos, de poder — tudo para que possam subir no espectro e conquistar ainda mais força. Mas, pessoalmente, acho que essa obsessão pelo espectro é, de forma fundamental, errada.

— Como assim? — perguntou Cassandra.

— Vejo que nossa maior falha não é a falta de Senhores do Dao; ironicamente, é uma das nossas maiores forças. A raça humana é obcecada por heróis. Não fomos feitos iguais às outras raças? Por um breve período na história, não estivemos lado a lado com os celestiais?

Das raças humanoides, nossa maior semelhança em aparência é com os Celestiais, e ainda assim, somos tão diferentes. Onde eles estão agora, e onde estamos nós?

— Obtemos uma grande força ao olhar para nossos heróis, e também ficamos satisfeitos em simplesmente tê-los. Em vez de apoiá-los, superá-los, buscar voos maiores, colocamos nossos heróis num pedestal, separados de nós. Tratamos-os como se nunca pudéssemos ser iguais, e como se eles pudessem suportar dores, dificuldades, e lutas sem parar.

— Claro que podem, eles são heróis! Os líderes das nossas nações! Nossos guerreiros mais fortes! As mentes mais brilhantes!

— E, no menor sinal de contrariedade pessoal, vacilamos, sem pensar que a dor que sentimos é a mesma que eles suportam. Quando sofremos perdas, não refletimos que aqueles cavaleiros valentes que enfrentam a escuridão da noite por nós também sofrem a mesma dor. Mesmo que sofram, conseguem lidar com isso, porque são heróis.

— Desde que toda dor, peso, sofrimento, inconveniente seja atribuído a "eles", quem quer que sejam, isso nos é aceitável. E, se eles vacilarem, não hesitaremos em culpá-los.

— Sei que nem todos pensam assim. Meu próprio império está repleto de gente que, desde o nascimento, deseja enfrentar e lutar contra os Kraven. Está no sangue deles. Eu moldei suas vidas, suas sociedades, sua história, tudo para que cada um esteja pronto para assumir o comando. Fiz tudo ao meu alcance para ajudá-los a crescer, como um todo.

— Mas descobri uma coisa: — continuou Cornelius — tudo o que leva duas gerações afastadas da luta, da dor, da busca por sobrevivência, é suficiente para que a nova geração perca totalmente esse impulso. Não importa quantos heróis tenhamos, Cassandra. Não importa quantos Senhores do Dao. Se a raça permanecer assim, nunca avançaremos.

Depois de uma pausa, ele prosseguiu.

— Existe, é claro, outro caminho — o caminho real que estou trilhando agora mesmo.

Cornelius virou-se para olhar nos olhos de Cassandra, sua figura emanando ambição e determinação.

— Mesmo que a humanidade seja fraca de vontade, mesmo que a perca em duas gerações, basta uma geração de luta para recuperá-la. Então, o que precisamos não é mudar a mentalidade dos humanos — acho que isso nunca será possível.

— Não, o que precisamos é de um sistema que permita crescimento estável, mas rápido, e que possa ser sustentado. No momento, o Caminho Verdadeiro está fora do alcance da maioria dos humanos, mas se conseguirmos simplificar o processo de cultivo — criar uma técnica fácil, ou um método que gere grandes resultados — a raça humana pode se levantar das raízes.

— Sim, podemos elevar nossa posição no Espectro Cósmico com um Senhor do Dao, que conceda mais poder à humanidade. Mas o próprio espectro é apenas uma lista do poder que toda a raça possui, afinal? Mesmo sem um Senhor do Dao, mesmo sem nosso próprio reino, se a humanidade se fortalecer como um todo, nossa posição no espectro mudará, de qualquer maneira?

Lex nunca tinha participado dessas conversas, nem mesmo pensado nelas antes. Estava ocupado demais tentando sobreviver para se preocupar com toda a raça. Mesmo assim, podia ver que cada postura tinha suas nuances, repleta de considerações sutis. No momento, eles apenas discutiam ideias amplas para expressar sua posição um perante o outro.

Fim da leitura

Capítulo 1306 concluído

CAPÍTULO 1306 - Raça humana