O Extra é um Gênio!? NovelCAPÍTULO 120 - Dragão de Gelo
Capítulo 120O rugido do Dragão de Gelo ecoou pelo pico — afiado, ressonante, um som que parecia estremecer até o ar ao redor.
Mas Noel não congelou.
Ele não podia se dar ao luxo de fazer isso na situação.
Num movimento rápido, mergulhou na bolsa, os dedos agarrando a primeira das granadas de sono. Sem hesitar, arremessou-a na direção da fera.
A esfera atingiu o vasto peito da wyvern — muito baixo.
Fumaça explodiu, enrolando-se ao redor do torso, mas o efeito levaria tempo demais para atingir a cabeça.
“Droga. Errei.”
As mãos de Noel já se moviam rapidamente.
Ele puxou mais duas granadas, com o olhar afiado, e lançá-las de forma rápida — uma, depois a outra. Ambas cruzaram o ar limpo, caindo perto do focinho da wyvern.
A criatura inspirou — fundo e instintivamente.
Suas asas se abriram com um bater forte e repentino.
Não era uma boa ideia.
Ela estava tentando decolar.
Noel
agarrando as últimas sete granadas, arremessou todas de uma só vez, num disparo calculado — espalhando-as pelo ar ao redor da cabeça da wyvern.
A fumaça envolveu a besta, girando espessa e rápida.
O corpo da wyvern levantou dois metros no ar — com as asas tensionadas — antes que seus movimentos vacilassem.
A cabeça caiu, o pescoço enfraquecido.
Com um forte baque, a criatura caiu de volta ao chão, cauda enroscando-se para dentro, as asas meio dobradas.
Ela estava adormecida.
Pelo menos por agora.
Noel exalou com força, já se virando.
“Vamos correr e colher o máximo de Pétalas de Gelo que pudermos. Quanto mais pegarmos, mais curas podemos fazer para todo mundo.”
Selene assentiu rapidamente, a expressão tensa, mas concentrada.
Sem palavras, ela moldou uma lâmina fina e afiada de gelo em uma mão — uma pequena faca perfeita para trabalhos delicados.
Noel sacou a Gume do Fantasma — mas não para lutar.
Girou a lâmina na mão, ajustando a postura, e começou a usar sua beirada para cortar cuidadosamente os caules grossos sob cada cabeça de flor.
O aço se moveu com precisão, cortando limpo pelos caules de cristal.
Entre eles, colocou a Bolsa Dimensional no chão — posicionada entre ele e Selene.
“Assim você não precisa vir até mim toda hora,” disse.
Selene deu um breve aceno, já trabalhando.
Noel trabalhou rápido, os olhos alternando entre as flores e a forma imóvel da wyvern.
Enquanto cortava, um pensamento surgiu em sua mente:
'Segundo a tradição da Casa Iskandar, Selene teria vindo aqui sozinha em um ano ou mais para fazer esse teste. Ela teria morrido. Essa wyvern ainda é jovem — não atingiu sua maturidade completa. Na verdade, é uma criatura familiar… assim como Noir, agora que penso nisso. Essas wyverns são mais comuns.'
Ele olhou mais uma vez para a criatura.
'Ainda bem que as bombas de sono funcionaram. Se fosse uma wyvern adulta… isso teria acabado de forma bem diferente.'
E assim, trabalharam — lâmina e faca de gelo reluzindo na luz fria — correndo contra o tempo.
Só pegaram as cabeças das flores — tulipas azul-ciano que brilhavam suavemente com mana — deixando os caules para trás. Assim, era mais rápido, e muito mais eficiente. Os caules não acrescentariam nada à cura.
Entre eles, a Bolsa Dimensional se enchia lentamente com as preciosas flores.
Nenhum deles falou.
Não por medo — por foco.
Ambos sabiam: cada segundo era valioso.
De vez em quando, o olhar de Noel se deslocava para a forma maciça do Dragão de Gelo, ainda encurvado entre as flores. O peito da criatura subia e descia lentamente, com respirações pesadas, o orvalho se formando de leve em suas narinas.
'Ainda não acabou.'
Cada movimento da lâmina ficava mais afiado, mais rápido.
Selene se movia com mesma determinação — seus movimentos suaves, precisos, os olhos semicerrados em concentração.
Finalmente, quando a bolsa transbordava com flores cintilantes, Noel se endireitou, limpando a geada das luvas.
“Acho que já basta,” disse em voz baixa.
Selene levantou o rosto. “Ok.”
Noel exalou suavemente, aliviando os ombros.
“Tudo bem. Podemos ir agora. O caminho para baixo vai ser mais fácil, e como limpamos os monstros na subida, não deve ter muitos problemas.”
Ele olhou mais uma vez para a wyvern.
“Deveríamos ter tempo suficiente para tudo.”
Por um momento, parecia quase tudo calmo.
A tensão da luta, a urgência da subida — tudo parecia recuar diante do sentimento silencioso de missão cumprida.
Mas o silêncio não duraria.
Noel deu um passo à frente.
E então—
Um zumbido baixo, agudo cortou o ar.
Seu sangue gelou.
O chão sob as Pétalas de Gelo pareceu estremecer — a neve rodopiando enquanto uma respiração profunda retumbava na pedra.
HIARK!!
Um grito agudo e penetrante rasgou o pico.
A Wyvern de Gelo se ergueu — as asas se abrindo amplamente com uma rajada de vento que fez pedaços de gelo girarem pelo ar.
Seus olhos se abriram — brilhando com uma luz bruta e furiosa.
Noel amaldiçoou baixinho.
“Puta que pariu.”
Antes que pudesse se mover, uma batida violenta das asas da wyvern enviou uma rajada uivante sobre o cume.
O vento golpeou como um martelo — lançando neve solta e pétalas de gelo em todas as direções.
Os olhos de Noel se arregalaram.
A Bolsa Dimensional — ainda presa, segura — foi arrancada do seu lugar, com a alça se rompendo, destruída pela força.
A bolsa girou pelo ar, caindo em direção à beira do penhasco.
“Droga!”
Ao lado dele, Selene reagiu instantaneamente.
“Parede de Gelo!”
Uma grossa camada de gelo irrompeu do chão — marcando sua posição na rocha e protegendo-a da força do vento.
Mas Noel não hesitou.
Ele viu a bolsa girando, levada pelo vento — já muito próxima da borda.
Sem pensar, sem dizer uma palavra, correu em direção ao ataque — os botas deslizando na pedra escorregadia de gelo.
A bolsa passou por cima do penhasco.
Noel se jogou atrás dela.
Por um instante congelado, ficou no ar — braços estendidos, o vazio se abrindo abaixo dele.
Selene sentiu o coração parar.
Em um momento, Noel estava ao seu lado — olhar afiado, pronto para agir.
No próximo, ele desapareceu — pulando atrás da bolsa sem hesitar, sumindo na borda do precipício.
“Noel!”
Ela arrancou o último fragmento de gelo de suas botas, se segurando, e correu na direção do penhasco — a mente acelerada.
'Ele não… ele não fez só—'
Suas mãos agarraram a pedra fria enquanto ela se inclinava pra frente — olhos arregalados, procurando.
Por um momento sem fôlego, tudo que viu foi céu aberto e neve girando.
Então—
Lá estava.
Um relâmpago de cabelos loiros. Um casaco preto.
Noel se segurava com uma mão numa saliência de pedra — dedos bem fechados, a Bolsa Dimensional apertada contra o seu outro braço.
Ela soluçou.
‘Que alívio’, pensou. Um suspiro trêmulo escapou dos seus lábios. ‘Ele está vivo. Está bem.’
Mas então—a voz dele cortou o vento, afiada e furiosa:
"O QUE VOCÊ ESTÁ FAZENDO, IDIOTA?! NÃO SE DISTRAIA!"
Selene piscou — a realização passando por ela num instante.
Atrás dela, um gemido baixinho e arrepiante se formou no ar.
Ela girou exatamente quando o Dragão de Gelo se recuou — a garganta brilhando com uma luz azul doentia.
Um feixe de energia congelada disparou, cortando na direção dela como uma lâmina de geada pura.
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